A Sociedade Secreta de Jesus

Romro da Costa Machado



IBRASA
Instituio Brasileira de Difuso Cultural Ltda.

So Paulo  SP


Sumrio

O Av de Deus
Erros e Contradies Bblicas: Antigo Testamento
Erros e Contradies Bblicas: Novo Testamento
Os Ensinamentos de Jesus
O Sermo da Montanha e As bem-aventuranas
A Sabedoria e os Ensinamentos de Jesus
Os Essnios
A Sociedade Secreta de Jesus
1 Final Jesus Morre na Cruz
2 Final Jesus NO Morre na Cruz


"A dor, o medo e o sofrimento so o combustvel das
religies. E o que se costuma chamar de "f", na maioria das
vezes no passa de uma expectativa desesperada do ser
humano em ver resolvido seus problemas, por algo ou
algum alheio ao seu conhecimento."


O Av de Deus

        "Pai, voc no acha que Deus deve ser muito triste???..."
        "Triste? Triste, por que, filho?"
        "Claro que ele  triste, pai. Ele no tem av!"
Essa observao, de um dos meus filhos, antes de alcanar os
dez anos de idade, tomou-me de surpresa, embora, em si, o
tema no tenha ou contenha novidade alguma. Entretanto,
levado a srio, srio mesmo, no h como desviar-se da
questo, passar ao largo de uma observao como esta,
simplesmente porque ela  apresentada num formato
infantil... ou mesmo no se pode contar uma historinha
qualquer para iludir uma criana, fugindo ao tema... so
recursos simples de adultos, inaceitveis face aos danos que
podem ser produzidos caso a questo no seja esclarecida
adequadamente, ainda que para uma criana, e tambm por
tal fato ser um escapismo tolo, uma fuga ao tema que,
aparentemente infantil, merece um aprofundamento muito
alm das consideraes triviais. Afinal, encarada com
sinceridade e honestidade, a questo tida como infantil 
muito mais sria, muito mais complexa e profunda do que
parece.
Principia pelo fato de que para uma criana, a figura do av 
tudo,  a felicidade suprema. O av  o "pai com acar".  o
av quem leva o neto para passear nas frias e em alguns
finais de semana.  o av quem leva o neto para pescar, para
passear nos parques temticos, que conta pacientemente
histrias encantadas. O av, para um neto,  a felicidade em
vida. E, segundo este neto, coitado de Deus, ele no tinha
av. Deus era menos feliz do que qualquer menino da Terra
que tem um av.
A, neste ponto, enquanto eu disfarava meu embarao em
responder honestamente a um questionamento simples de
uma criana e tentava organizar meus pensamentos, meu
filho aprofundou o tema e foi mais radical ainda... Deus no
tinha av, no tinha pai, no tinha me, no tinha irmos...
era um solitrio, coitado.
 "Coitado de Deus, n pai? Ele vive sozinho!!!"
Pronto, estava estabelecida a questo de uma forma simples
e singela, numa clareza de uma argumentao infantil,
cristalina, e que ao mesmo tempo apresentava-se de uma
complexidade terrvel, uma vez que nada podia ser
simplificado. A questo exigia uma resposta honesta, correta
e direta.
        "Olha, filho, tudo que voc v, tudo que existe no
mundo, tudo, tudo, foi Deus quem criou. E se algo existe no
mundo, neste ou em qualquer outro planeta, no sistema
solar, ou no, em qualquer outra galxia,  porque foi criado
por algum. E esse algum  Deus, o criador do universo."
        "Pai, e onde Ele mora? Onde Ele vive? Como Ele ?"
        "A gente costuma dizer poeticamente que ele mora
no corao das pessoas. Ele no tem forma, ou tem a forma
que voc quiser. Chame-o de Criador do Universo, de Es-
prito Santo, de "Me Natureza", do que voc quiser. Deus
existe e est em todos os lugares e em todas as coisas. Mas,
lembre-se que Deus  o que mora no seu corao e que no
tem forma, muito menos uma forma humana. O Deus bar-
budo, sentado numa nuvem, perseguindo e castigando as
pessoas,  uma coisa burra, to improvvel quanto velha.
Esse Deus barbudo  uma figura mitolgica, cpia malfeita e
contraditoriamente escarrada da mitologia grega ou romana,
onde os deuses viviam de roupo branco, no Olimpo, e
virava e mexia interferiam na vida das pessoas, privilegiando
uns e castigando outros."
        "Mas, pai, se Deus existe e ele  bom,  do bem... por que
ele deixa existir o mal?"
        "Por causa de uma coisa chamada livre arbtrio. Imagine o
seguinte: Existe Deus. Existe o plano divino (que  a vontade
de Deus), do qual ns no temos o mnimo conhecimento
ou interferncia. Mas, alm do plano divino (destino,
maktub) existe o livre arbtrio (que  a vontade do ser
humano, a interferncia pessoal de cada um). O livre arbtrio
existe para que cada um tome seu destino nas mos e siga o
caminho que achar mais conveniente, arcando com as
conseqncias de agir bem ou mal. Deus foi muito sbio em
dar ao ser humano o livre arbtrio. O mundo seria horroroso
com tudo igual, tudo certinho, todo mundo fazendo as
mesmas coisas, ningum se esforando para melhorar. Seria
um tdio s. No fosse o livre arbtrio e todos ns, seres
humanos, seramos iguais, todos bonzinhos, como se
fssemos robs. No haveria o mal. S haveria o bem. Tudo
j estaria previamente escrito. E ningum precisaria fazer
nada. Era s cruzar os braos e deixar a vida seguir seu curso
pois tudo j estaria previamente escrito por Deus, sem a
interferncia humana."
        "Mas pai, se ele no  um velho barbudo, como voc diz,
como  que ele ?"
        "Eu no sei, ningum sabe e quem disser que sabe estar
mentindo. Ningum jamais viu Deus. Guarde isso como uma
verdade absoluta para o resto de sua vida. Ningum sabe ou
saber sobre a forma de Deus, sobre como  Deus, sobre o
incio da humanidade ou sobre o fim dela. A vida  uma
festa em que entramos nela depois dela j ter comeado e
samos dela antes de acabar. Tudo que for dito sobre o antes
e o depois, de onde ns viemos e para onde ns iremos, ou
sobre o incio da vida e o aps a morte, ser uma grande
inveno humana sem qualquer base lgica ou cientfica.
So meras conjecturas e invencionices para tentar esclarecer
o que ningum sabe ou tem certeza. Pois de certo, certo
mesmo, s os mistrios que o homem viver uma vida
inteira e jamais encontrar as respostas."
        "Filho, essas histrias inventadas sobre o incio do mundo
e das vidas passadas ou do aps a morte decorrem do fato do
ser humano sempre querer ter uma explicao para tudo. O
ser humano no se conforma que haja uma s questo a que
ele no responda. O ser humano no admite dizer "eu no
sei". Da as pessoas inventam histrias mirabolantes sobre a
origem da humanidade e a criao do mundo ou de como 
ou ser o mundo dos seres humanos aps a morte. A
humanidade no aceita o fato de que os seres humanos
(todos os que j viveram at hoje) no tenham conseguido
responder com inquestionvel acerto as questes sobre o
significado da vida: Como o mundo comeou? Como  e
para onde ns vamos aps a morte? Este  o grande mistrio
da vida, irrespondvel."
"O ser humano, apesar de haver caminhado mais de dez mil
anos de "vida inteligente" mal deu um passo alm da idade
da pedra. Contnua o mesmo selvagem pr-histrico,
ignorante, e que sequer conhece a si mesmo. No consegue
resolver coisas muito mais elementares e simples (se  que
isso pode ser chamado de simples) como entender e
controlar as aes humanas involuntrias."
        "Pai, o que  esse negcio de aes humanas
involuntrias?"
        "De uma forma simples,  mais ou menos assim: Voc
manda o olho piscar, ele pisca. Voc manda a boca falar, ela
fala. Voc manda a perna andar, ela anda. E assim por
diante. Essas so as aes humanas voluntrias. So as aes
do corpo humano que voc pode comandar.
As aes humanas involuntrias so aquelas que Deus deu a
voc e que no dependem de voc mandar que acontea ou
de sua vontade. Voc no manda a unha crescer, mas ela
cresce independentemente de voc mandar. Voc no
manda o cabelo crescer, mas ele cresce. Voc no manda os
ossos crescerem, mas eles crescem. Voc no manda as
clulas se multiplicarem, mas elas se multiplicam. Voc no
manda criar um vulo, e muito menos criar um
espermatozide, e eles so criados independentemente da
sua vontade.
J imaginou voc monitorando milhes de espermatozides?
"Isso! Agora! Vamos l! Todo mundo junto! Vamos invadir o
vulo, vamos criar vida"... O ser humano, coitado, imagina
saber muito, mas no sabe e no domina sequer os mais
"elementares" segredos contidos nele mesmo, que dir do
que est alm dele.
Alm destas questes, de natureza fsica, os seres humanos
tm muita dificuldade em assimilar e trabalhar com o que
no pode ser visto, com o que  imaterial. O amor, ele
confunde com prazer da carne. A bondade, ele confunde
com dar esmola. E assim com muitas e muitas coisas que so
imateriais. O ser humano no se conforma com o imaterial.
Tenta dar forma para as coisas imateriais, mas coitado, cria
toscas figuras pobres para coisas to complexas que ele no
sabe como so ou como foram formadas.
        "Voc  capaz de imaginar fisicamente a paz, o amor, a
bondade, o perdo? Pois ... com Deus  a mesma coisa. O
ser humano, incapaz de lidar com um Deus imaterial,
desconhecido, tratou de criar uma forma para Ele, como se
pudesse dar uma forma para o amor, para a compreenso,
para a paz, para o perdo e tantas outras coisas imateriais.
Mas, principalmente, foi em razo do medo do ser humano
diante da vida e da falta de respostas para a sua origem e
existncia que o homem criou um Deus  sua imagem e
semelhana."
        "U... Deus criou o homem ou o homem criou Deus?
Deus ento  fruto do medo do ser humano?"
        "No  bem assim... Apesar de John Lennon haver dito na
msica "God" (Deus) que "God is a concept by which we
measure our pain" (Deus  um conceito pelo qual ns
medimos nossa dor), Deus no  s fruto da dor, do
sofrimento ou do medo. Embora eu reconhea que a dor, o
sofrimento e o medo so campos fertilssimos para a idolatria
a Deus, de uma maneira exacerbada e exagerada, onde o ser
humano, medroso, sofredor, torna-se vtima fcil dos
gerentes de religio e dos exploradores da f alheia. E a,
neste caso, Deus passa a ser uma idolatria absurda, fruto do
medo e da dor, com o qual eu no concordo a mnima, pois
Deus no  isso e no  s isso. Razo pela qual eu escrevi
(em 1992) que eu no era "Nem to estpido para ser ateu,
nem to medroso para acreditar em Deus."
        "Pera... agora confundiu um monte de coisa... Ateu 
burro, estpido? Voc acredita ou no acredita em Deus? S
os medrosos acreditam em Deus? Foi Deus quem criou o ser
humano ou fomos ns que criamos Deus? Deus No existe?"
        "Calma... vamos por parte. Ser ateu sem lgica (negar
por negar)  burrice,  estupidez, pois nega a sua prpria
existncia. Ser ateu por discordar de um Deus personificado
 imagem e semelhana dos homens,  at inteligente.
Eu, de minha parte, acredito que Deus existe. Claro que
algum criou o que conhecemos por universo. E em razo
disso eu assumo que Deus existe. A prova da existncia de
Deus  a existncia do mundo. Se o mundo existe, algum
criou. E este algum que criou, ns chamamos de Deus, de
criador do universo ou d voc o nome que quiser. Mesmo
que algum algum dia diga para voc que o mundo foi criado
pelo "Big Bang" (uma grande exploso), algum criou o "Big
Bang", e este algum  Deus. Mas, da dizer que ele  um
velho barbudo sentado numa nuvem a distncia  grande.
        "Tudo bem... mas quem criou Deus?"
        "Filho, tente imaginar dois conceitos de Deus. Um Deus,
imaterial, sem forma definida, desconhecido, que existe
antes de tudo, que criou tudo que existe no mundo, e que
nada sabemos dele.  a histria do antes do nascimento e do
depois da morte. Ningum tem a resposta. Ningum sabe. E
quem disser que sabe, seja quem for, estar mentindo. E
outro Deus, o Deus barbudo sentado na nuvem, o Deus
mitolgico, que  uma inveno do ser humano, que,
sentindo-se s, com medo, com muito medo da vida e da
falta de respostas para a sua origem e existncia, este homem
criou um Deus  sua imagem e semelhana.  o tal Deus
velho, barbudo, sentado numa nuvem, mitolgico, e que
promove um monte de justias e injustias, interferindo
diariamente na vida das pessoas. De uma maneira bastante
genrica.  o Deus personificado que algumas religies
criam, inventam, pregam e vendem por a a torto e a
retalho."
        "Esse Deus personificado pelas religies, ento,  uma
inveno como se fosse o Papai Noel dos adultos?"
        " por a... Mais ou menos isso... Se um dia apresentarem
a voc a imagem fsica de Deus, pode rir porque voc estar
diante de um mentiroso que acredita no Papai Noel dos
adultos. Mas, se voc conseguir sentir no seu corao, amor
pelo seu semelhante, paz interior, perdo para aqueles que
errarem (mesmo que sejam seus adversrios ou inimigos),
fraternidade, harmonia, voc estar diante de Deus. Ele est
em todas as coisas da humanidade e  um mistrio profundo
e absoluto. Ele est na sua gargalhada, que eu tanto adoro.
Est na bondade do ser humano. Est no amor ao prximo.
Est numa planta que nasce. Est na chuva que cai e traz
vida. Est no sol que aquece. Est na bno de cada dia que
nasce. Est em tudo que existe e em todas as partes. No
busque Deus em uma forma. Busque Deus em um
sentimento."
        "Ento, pai, se eu tiver um bom sentimento eu me
aproximo de Deus? Se eu der esmola ou um brinquedo meu
para uma pessoa que precisa eu me aproximo de Deus?"
        "No to simples assim. Antes de mais nada, se voc, por
exemplo, pegar uma moeda, uma roupa ou um brinquedo e
der a algum que esteja necessitando, faa a sua doao em
segredo e no deixe a sua mo esquerda saber o que a direita
est fazendo. No faa seu ato em pblico e nem o divulgue,
pois isso  um assunto particular e restrito entre voc e
Deus. Ao repartir o que voc tem a mais com quem no
tem, voc estar praticando alguns dos maiores
ensinamentos cristos, como a piedade, o amor ao prximo
e a humildade. E entre tantas as formas de se aproximar de
Deus essa  apenas uma dessas pequeninas formas.
Entretanto, o mais importante ainda no foi feito. Ou seja,
agradecer a Deus por ter e por poder dar. Agradea pela sua
sade, pelo seu corpo perfeito, pela boa vida que voc tem e
pela chance de voc ter a graa e a oportunidade de poder
ajudar a algum materialmente. E a, filho, a sim, diante
deste sentimento nobre, que preenche o seu corao de
amor ao prximo, voc estar diante de Deus.
Como na prece franciscana, a felicidade em encontrar Deus
est em dar mais do que receber, consolar mais do que ser
consolado, buscar a fraternidade no amor ao prximo e a paz
no silncio do corao. Reconhecer-se no seu semelhante.
So coisas aparentemente simples, mas de uma dificuldade
muito terrvel de ser superada.
        "Ento, pai, toda vez que eu der esmola ou um brinquedo
meu para algum que precisa, sou eu quem est recebendo o
presente por poder dar e por poder me aproximar de Deus?"
        "Mais ou menos isso. No basta dar uma esmola, uma
ajuda ou um brinquedo. No  a esmola que te aproxima de
Deus. O que te aproxima de Deus  o sentimento de piedade
pelos que tm menos e na sua vontade em ajudar ao
prximo. Pois a esmola sozinha, sem o sentimento de ajuda
ao prximo,  nada,  s um ato mecnico e material, mais
nada.
Antes de mais nada entenda a diferena entre o material (o
ato material de dar) e o imaterial (o sentimento de querer
ajudar ao prximo) e que a coisa funciona de forma bastante
oposta e diferente do que possa parecer, pois voc
(e no a pessoa a quem voc est ajudando materialmente) 
que est recebendo uma ddiva. Voc est tendo uma
oportunidade de atravs de uma ato material ajudar um
semelhante, e com isso receber uma oportunidade
(imaterial) de crescer e melhorar como ser humano. Voc
est chegando-se a Deus (sentimento imaterial) atravs de
um gesto material. E a, sim, agradea a Deus, pois voc
recebeu uma graa de poder ajudar a algum e de poder
melhorar como ser humano. Ou seja,  voc quem deve
agradecer a Deus por ter tido a chance de melhorar como
ser humano. Entendeu agora?"
        "T certo, pai. Agora eu entendi legal."
        "Na busca pelo sentimento nobre de carter, na busca
pelo aperfeioamento como ser humano  que voc ir
encontrar Deus. Mas voc no precisa buscar Deus somente
numa esmola ou numa ajuda ao seu semelhante. Voc
poder v-lo numa planta, numa paisagem, num rio, numa
cachoeira, num animal, num ser que nasce, num por do sol,
num arco ris, e em todos os nascimentos que representam o
milagre da vida. Principalmente busque Deus no seu
semelhante. Basta voc abrir o corao com sentimento que
Ele entra e ilumina a sua vida. E por isso, agradea a Deus,
todos os dias pelo milagre da vida e por voc fazer parte
deste milagre.
Isso representa dizer, meu filho, respondendo  sua
pergunta, que Deus no sendo uma pessoa,  imagem e
semelhana do ser humano, como ele foi erradamente in-
ventado pelos homens, Deus no tem av, no tem me,
no tem irmos, no se sabe se Ele  homem ou mulher, se 
preto ou branco, e muito menos qual  a sua real forma.
Conforme eu havia dito, isso  um mistrio sobre o incio e
o fim da vida. Ningum sabe como ele . Ningum nunca o
viu pessoalmente, e quem disser em contrrio estar men-
tindo para voc.
        "Mas, pai, e as imagens que a gente v?"
        "So apenas isso... imagens. Frutos das religies.
Conforme eu j havia dito, o ser humano tem muita difi-
culdade em lidar com o que no v, com o imaterial. E
Deus, como o amor, a bondade, o perdo, e todas as coisas
imateriais, para poder ser melhor compreendido, precisava
ser personificado. Da a necessidade das religies de se ter
uma imagem para Deus e para seus auxiliares. E como o ser
humano no sabia como lidar com o imaterial, passou a
personificar o amor, o perdo, a bondade, a fraternidade, a
esperana inventando formas para Deus. Criou vrios tipos
de imagens, que mudaram com o tempo, atravs da histria
da humanidade. Zeus, por exemplo, j foi uma imagem de
Deus muito popular na Grcia. Assim como a sua verso
romana Jpiter. Em quase todas as religies os seres
humanos inventam imagens para retratar Deus ou seus
auxiliares, semideuses, anjos, santos, etc. E isso decorre
fundamentalmente daquilo que j foi dito: da incapacidade
do ser humano em lidar com o imaterial.
Independentemente de religio, Deus, o criador do
universo, Me Natureza, ou o nome que voc queira dar, 
um s. Cada religio d a sua verso para Deus. Cada um
personifica Deus como quiser... ndios acreditavam no Deus
Sol e na Deusa Lua. Gregos acreditavam num Deus, ou Zeus,
cercado de deuses e deusas. Deus do Vento, Deus do Mar,
Deus do Vinho, Deusa da Beleza, Deusa da Caa, etc. Tinha
Deus para tudo que era gosto. Tudo que existia na natureza,
na face da terra, tinha um Deus especfico por trs regendo
essa coisa.
        "Puxa vida, pai, os ndios e os antigos eram muito
ignorantes."
        "No, filho. No  ignorncia,  mais solido, dor e medo
diante do desconhecido e da vida do que ignorncia. O ser
humano sempre foi assim. Sempre teve muito medo diante
da vida e do desconhecido. E sentindo-se incapaz de
resolver sozinho, as coisas que desconhecia e do medo que
sentia inventava um Deus capaz de resolver as coisas que ele
sozinho achava-se impossibilitado de resolver. E a grande
maioria da humanidade faz exatamente isso. Incapaz de
buscar em si, em seu interior, as foras para enfrentar a vida,
transfere para Deus a responsabilidade de resolver seus
problemas particulares.
Em resumo, o ser humano sempre transferiu para Deus a
responsabilidade de resolver as coisas para ele, ser humano.
Desde que o mundo  mundo, nada mudou. Ainda hoje 
assim, acredite. O ser humano de hoje  exatamente igual ao
selvagem primitivo ou ao ndio de milhares de anos atrs.
Teme muito mais a Deus do que o ama de verdade. O sol, a
lua e os astros ainda hoje so to adorados com a mesma
intensidade e o mesmo fervor quanto nos milhares de anos
passados, s que atualmente esses astros so adorados sob a
forma de cincia (?), chamada de astrologia.
Ainda hoje, pessoas ditas e tidas como srias se apresentam
como: Eu sou sagitariano, eu sou de libra, eu sou de leo,
etc., como se a posio dos astros no dia do nascimento de
algum pudesse determinar carter, forma de conduta, etc.
Na realidade, o ser humano do sculo vinte e um tem os
mesmos medos e anseios do homem da idade da pedra,
apavorado diante da vida, e buscando proteo num astro,
numa estrela, num sol, numa lua, num planeta qualquer...
Ensinamentos cristos e budistas so bastante claros a
respeito disso e alertam para este fato ao dizerem: "Parem de
buscar pelo sagrado no cu. Abram as janelas de seus cora-
es e com um transbordamento de luz o sagrado vir e
trar a alegria ilimitada... Vocs fingem que precisam adorar
o sol... mas o sol no atua espontaneamente, e sim pela
vontade do Criador do Universo, que o fez"
Dizendo assim, friamente, at parece cruel retratar que o ser
humano no evoluiu nada em mais de vinte sculos. Mas,
por mais constrangedor que possa parecer, em mais de vinte
sculos de "evoluo", o ser humano est somente a um
passo adiante da idade da pedra, pois ainda hoje muita gente
transfere seus medos e suas responsabilidade para Deus e
seus "assistentes" e carregam badulaques, amuletos, esttuas,
imagens de semideuses, anjos ou santos de sua devoo,
buscando "proteo" contra seus medos e suas fragilidades,
transferindo para Deus e seus auxiliares a responsabilidade
de resolver os problemas dos seres humanos.
Basta voc visitar uma igreja, templo, sinagoga, mesquita,
terreiro (de qualquer religio) para conferir todo o medo do
ser humano diante da vida, quer pela idolatria das imagens
(mais por medo do que por amor), incentivada pelas
religies, quer pelas ofertas de ex-votos (pagadores de
promessas) pelas "curas" e "graas" recebidas, quer pelos
amuletos  coisas inanimadas  e quetais, vendidos para
darem sorte ou "proteger" a quem os carregar, como se isso,
sendo algo alm de seus poderes pessoais reais, pudesse
mudar ou interferir na vida das pessoas."
 "O ser humano, pai, ao invs de buscar se fortalecer
interiormente para sua defesa, por medo, ento transfere
seus problemas para coisas (amuletos, imagens) que su-
postamente possam proteg-lo?"
        "Mais ou menos, filho. No se pode generalizar, pois
existem religies que ensinam a busca permanente do
aperfeioamento interior e o autoconhecimento como for-
mas de buscar a Deus. Algumas religies at tm mximas
como: "Se queres um escudo impenetrvel, fica dentro de ti
mesmo."
Mas, no pense que o medo e a fragilidade humana param
por a na idolatria de imagens e personificaes em metal,
barro ou gesso. H coisa muito mais antiga do que a idolatria
de imagens, que persistem at hoje e que so terrveis. So
os sacrifcios de animais (e at de gente) para "aplacar a ira
dos Deuses" ou para buscar uma "graa" ou "ajuda" espiritual,
exatamente como era feito h milhares e milhares de anos,
desde a idade da pedra, por pessoas ou povos tidos como
"ignorantes".
Isso mesmo. Pessoas medrosas diante da vida matavam ou
ainda matam pobres e inocentes animais (e at pessoas), sob
a desculpa de fazer oferenda a deuses, santos, anjos ou coisa
que o valha, como se Deus fosse um ser sanguinrio que
bebesse o sangue de animais e seres humanos. E esperam,
essas pessoas (ignorantes), com isso, obter algum tipo de
graa pelo holocausto e mortandade de gente e animais.
Conforme voc pode ver, meu filho, no h limite para o
medo do homem e a superstio do ser humano. Este ser
humano tem um longo caminho a cumprir, pois evoluiu
muito pouco desde a idade da pedra ou mesmo comparado
ao selvagem, ao ndio, ao silvcola.
        E falando em ndio, silvcola, outro grande engano
geral da humanidade  o ser humano dito civilizado,
contrapondo-se  "ignorncia" do ndio, dizer-se
monotesta, achando que  monotesta, sem jamais ter sido
monotesta.
Ou seja, o ser humano sempre praticou o politesmo, di-
zendo-se monotesta independentemente da religio que
professava. O ser humano sempre aceitou Deuses, Deusas e
respectivos auxiliares, sob as mais variadas formas,
semideuses, anjos, santos, apstolos, espritos (santo ou no).
Muito dificilmente voc encontrar um ser humano que
acredite em Deus, somente em Deus e mais nada, sem
semideuses, anjos ou quaisquer outros auxiliares. (No que
isso  politesmo  seja bom ou ruim.  s um registro
para deixar bem claro que as pessoas, no af de sentirem-se
superiores aos "ignorantes" silvcolas, sequer se do conta
que so to politestas quanto os silvcolas, embora
imaginando-se monotestas)
Da mesma forma, assim como existe a crena na pluralidade
de Deuses e ajudantes, a pluralidade de crenas faz parte do
gnero humano. Sempre haver pluralidade de religio,
mesmo nos domnios mais austeros e totalitrios, pois a
liberdade de f ou crena religiosa  um dos mais importan-
tes dos direitos humanos (Direito  vida, Direito 
liberdade... de pensamento... de expresso... de crena
religiosa).
Embora nem sempre acontea esta liberdade de crena
religiosa nos regimes totalitrios, vez por outra, at mesmo
nos pases hipocritamente chamados de democrticos, como
os Estados Unidos, por exemplo, o Estado sempre procura
dar uma interferncia direta na religio do povo em geral,
procurando impor a "sua" religio como oficial.
Na moeda americana, por exemplo, h a inscrio religiosa
de que "Ns acreditamos em Deus" (In God we trust). E os
ateus? Como ficam? No tm o direito de no acreditar no
Deus do dlar e de Wall Street? So obrigados a acreditar no
Deus do Governo? O Governo pode ter um Deus particular?
Pode impor uma religio?
Outro exemplo desta interferncia estatal na religiosidade
das pessoas  o caso dos julgamentos americanos, onde h a
obrigatoriedade de no ser ateu e ter que "jurar por Deus",
sobre a Bblia, que voc est dizendo a verdade ("So help me
God"). Felizmente, num julgamento famoso, o editor Larry
Flynt desafiou a corte americana e no jurou sobre a Bblia,
dizendo que ele tinha o direito constitucional de no jurar
pelo Deus do governo americano, e que a ptria no podia
ter um Deus oficial. Ele queria ter a liberdade de
pensamento, a liberdade de expresso e a liberdade de
crena religiosa. Foi uma das maiores vitrias do americano
comum contra a hipcrita religio oficial governamental
americana. ("O povo contra Larry Flynt")
        "Puxa pai, eu nunca imaginei que isto pudesse acontecer
num pas como os Estados Unidos. Ainda bem que aqui no
Brasil isso no existe. No ?"
        "Nada disso. Aqui no Brasil tambm tem esse tipo de
autoritarismo religioso institucionalizado. S que disfarado
e ningum reclama.
Oficialmente foi decretado pelo governo brasileiro o dia 12
de outubro (que sempre foi "Dia da criana") como sendo
feriado nacional por ser o Dia de Nossa (deles) Senhora de
Aparecida, a padroeira do Brasil (dos Catlicos).
Ora... e quem no  catlico?  obrigado a ter uma tal de
Nossa Senhora Deles como a padroeira do Brasil de todos? 
uma aberrao e uma violao constitucional a imposio de
uma religio oficial do Estado ao povo brasileiro. E as demais
religies? Como ficam? J pensou se cada religio obrigar o
governo a decretar dia tal como feriado nacional em razo
de cada religio? Isso  um absurdo total."
        Cada qual tem a sua crena e deve ser respeitado em
suas convices. At porque cada um tem o livre arbtrio
para escolher aquilo em que quer acreditar. No existe uma
religio nica, muito menos uma que seja mais certa do que
a outra. Quem quiser acreditar em Jesus, que acredite. Quem
quiser acreditar em Maom, que acredite. Quem quiser
acreditar em Buda, que acredite. Quem quiser acreditar em
Orixs, que acredite. Quem quiser acreditar em Moiss,
David e Abrao, que acredite. Quem quiser acreditar em
espritos, que acredite. Quem quiser acreditar em pedras,
cristais, paraleleppedos, que acredite. O ser humano  e
deve ser livre para escolher o que e no que acreditar. Voc
mesmo, quando crescer, vai escolher aquilo em que voc
quiser acreditar, independentemente da minha interferncia
ou da interferncia da sua me.
Independentemente da crena que voc vier a ter, tenha em
mente uma nica coisa: Seja tolerante com toda e qualquer
convico religiosa, mesmo das que voc discorde, total ou
parcialmente, pois at mesmo o ateu tem l as suas
convices que devem ser respeitadas, ainda que voc
acredite em Deus como o criador do universo e isso seja
para voc a mais absoluta verdade. Respeite sempre qualquer
crena, mesmo que o que voc acredita seja o contrrio do
que os outros acreditam. Mesmo que essa pessoa seja ateu ou
acredite em nmeros, em pedras ou paraleleppedos.
        "Mas pai, esse negcio de acreditar em pedras e
paraleleppedos  brincadeira sua, no ?"
        "Que brincadeira que nada. Tem gente que acredita em
videntes, ciganas, nmeros, em cartas ou mesmo que as
coisas de Deus, mesmo inanimadas como uma pedra,
possam conter ou captar uma energia e por isso cultuam
uma pedra, um cristal ou um paraleleppedo. Entretanto,
mesmo que voc no entenda, ache estranho ou no acre-
dite, voc deve respeitar a crena dessas pessoas, at porque
ningum  dono da verdade e voc pode estar redon-
damente enganado nas suas convices."
         direito de qualquer ser humano acreditar no que
quiser, ou se quiser, at de no acreditar em nada. Pode, por
exemplo, depositar sua crena ou superstio em smbolos
ou cones de aparente resultado imediatista como fadas,
duendes, pedras, cristais, paraleleppedos, nmeros, cartas, e
coisas do gnero, ainda que isso contrarie tudo que voc
possa pensar a respeito.
 um direito seu discordar de uma pessoa que cultua um
duende, uma fada, uma pedra, um cristal, um nmero, uma
carta ou coisa do gnero. Tanto quanto  direito destas
pessoas acreditarem no que quiserem."
        "Mas pai, adorar pedra e paraleleppedo?"
        "O que tem demais nisso? Eu no adoro pedra e nem
paraleleppedo. Essa  uma convico minha, mas eu tenho
que respeitar a convico de quem acredita em pedras e
paraleleppedos. At porque, adorar pedra no  to novo
assim. Em sculos passados, por exemplo, pessoas adoravam
as pedras em Stonehenge (local sagrado, na Gr-Bretanha,
onde cultuava-se um monte de menires  grandes pedras
pontiagudas  colocadas em crculo). Outros adoravam os
deuses gigantes de pedra da Ilha de Pscoa. Os egpcios e os
gregos adoravam imagens de pedra e esperavam com isso
que seus espritos, depois da morte carnal, fossem ascender
aos Deuses. Portanto, adorar pedra no  to novo assim.
Mas, o importante e inegvel  o direito dessas pessoas em
terem a sua crena, secreta ou abertamente, cultuando Deus
ou no, ou quantos Deuses queiram."
        "Mas pai... se voc defende o ponto de vista de que Deus
existe, voc no est negando o direito do ateu em no
acreditar em Deus? No est?"
        "No... eu no estou negando o direito do ateu acreditar
que no existe Deus. Ele, o ateu, acredita no que quiser
acreditar, problema dele. Ele pode negar o mundo, negar a
natureza, negar at a sua prpria existncia. Problema dele.
Ele pode at acreditar na ausncia de Deus. Problema dele.
Eu estou simplesmente expondo o meu ponto de vista em
acreditar em Deus, embora contrrio ao dele, mas sem negar
o direito dele  ateu  em sua crena. Pois ainda que eu
discorde dele (ateu), luto pelo inalienvel direito dele ter a
convico que quiser. Isto no tem nada a ver com
concordar ou discordar do ateu. Tem a ver com democracia,
com liberdade de pensamento, liberdade de opinio,
liberdade de crena religiosa. O que eu estou dizendo  a
minha convico, que no tem nada a ver com o direito dele
ter ou no ter um Deus. Eu tenho minhas convices, que
no so as dele, acredito que eu existo, que voc existe,
acredito que o mundo existe, e que algum criou isso. E esse
algum que criou tudo isso, convencionou-se chamar de
Deus, Criador do Universo. S isso. Eu no estou
defendendo a existncia do meu Deus como o nico Deus
certo e correto. Estou simplesmente expondo o meu ponto
de vista em relao  existncia do mundo, da natureza, da
criao, do universo. Isso, no tem nada a ver com o direito
ou no do sujeito querer ser ateu."
        "Veja bem, filho. Se hoje eu discriminar o ateu,
amanh eu discrimino uma religio por ser extica, depois
discrimino outra porque eu acho absurdo, e da para a in-
tolerncia religiosa  um pulo. Logo estarei achando que s a
minha religio  a certa e a nica que presta."
        "E qual a religio melhor que existe?"
        "No, filho. No existe uma religio melhor do que as
outras. A melhor religio que existe  aquela que voc
acredita, que voc se sente bem e na qual tenha f,
independentemente dela ser popular ou no. Toda religio,
qualquer que seja ela, tem uma funo social til,
disciplinadora, que alimenta a auto-ajuda. Mas, ao mesmo
tempo, toda religio tem em seu bojo uma inevitvel funo
destrutiva, que  explorao financeira da f alheia e a quase
automtica intolerncia religiosa, supondo ser a "sua" religio
a nica religio correta sobre a face da Terra.
Seja qual for a religio que voc venha a ter, tenha em
mente sempre e acima de tudo a tolerncia religiosa e o
respeito s convices alheias. Cada ser humano tem direito
ao seu Deus, ainda que cada qual tenha um ntimo e
inconfesso sentimento de que o seu Deus  o nico "salva-
dor". E no fundo, bem l no ntimo, cada ser humano tem
uma pena enorme das demais religies que no tm um
Deus como o seu. E  exatamente isso que eu gostaria que
voc evitasse, essa certeza de que o seu Deus  o nico Deus
que existe e o nico Deus do mundo, o nico que salva. No
caia nesta tentao. Isso  uma armadilha terrvel que leva
imediatamente  intolerncia religiosa.
        Tudo isso  como uma verdade rabe, existe a minha
verdade, a sua verdade e a verdade. Existe o meu Deus, o seu
Deus e Deus.
O importante no  a religio que voc professa ou como  o
seu Deus. Desde que voc acredite e que aquilo te faa bem,
a religio j estar cumprindo uma funo social til. O que
no pode e no deve existir nunca  o lado negro da religio,
o sectarismo religioso, a intolerncia religiosa. At porque a
intolerncia religiosa  a maior assassina da humanidade.
Nunca matou-se tanto na humanidade como o que se matou
(e ainda se mata) em nome de Deus. Foram santas
inquisies, caa s bruxas, carnificinas das santas cruzadas e
a libertao do santo sepulcro. Cristos contra mouros.
Catlicos contra protestantes. Judeus contra Muulmanos.
Homens matando homens, mulheres e crianas, tudo "em
nome de Deus".
Deus no tem nada a ver com isso. Deus no tem nada a ver
com a ignorncia humana. Deus nunca pediu para ningum
matar ningum ou impor credo algum em seu nome.
        "E a nossa religio, pai, qual ? A gente  catlico?"
        "A sua eu no sei, voc vai ter que escolher quando
crescer e quando tiver maior conhecimento. Mas, por
enquanto, a gente procura dar a voc os ensinamentos
baseados nos ensinamentos que a gente teve de bero. Ou
seja, voc foi batizado na igreja catlica, tem aulas de
catecismo, aprende coisas sobre a Bblia, vai fazer primeira
comunho... e quando crescer vai fazer a sua opo religiosa,
seguindo aquela que melhor se adaptar s suas convices."
        "E a Bblia, pai, no  uma boa religio?"
        "No... Bblia no  religio. A Bblia  um livro de
ensinamentos, embora seja tido como sagrado por algumas
religies e at mesmo considerado por algumas religies
como sendo a palavra de Deus, assim como  Alcoro (O
Coro) para os muulmanos, ou a Torah (e Talmud) para os
judeus. So livros de sabedoria, importantssimos como
fonte de ensinamento, bases de suas religies (Crists,
Muulmanas, Judaicas). Sendo que a Bblia,  mais co-
nhecida nossa, por sermos ocidentais, com cultura diferente
dos orientais ou mdios-orientais. O que no quer dizer que
ela, a Bblia, seja mais certa ou mais errada que Alcoro (O
Coro) ou a Torah."
        "A Bblia, sozinha,  a base de trocentas religies, sendo
que muitas delas so, na verdade a maioria, conhecidas
como religies crists ou evanglicas, pelo fato de valo-
rizarem mais os evangelhos do Novo Testamento, que
enfoca, fundamentalmente, a vida e obra de Jesus. Mas, por
mais estranho que possa parecer, lembre-se que muita gente
e muitas religies seguem os ensinamentos de Jesus, mas no
so necessariamente cristos. Quer pelo fato de Jesus ser
maior do que o prprio cristianismo controverso, quer por
no aceitarem certas verses da Bblia (existem vrias), tidas
como imprecisas, fantasiosas e inverdicas e por isso
consideram Jesus como um grande esprito de luz (como em
muitas religies espritas), como um profeta (como em
algumas ramificaes da religio muulmana), onde Jesus 
um grande e importante profeta, ou, para outras religies,
um esprito altamente iluminado que habitou o planeta
Terra. E por isso, ou seja, por serem seguidores parciais dos
ensinamentos de Jesus, e no radicalmente integrais, no se
confessam como unicamente cristos."
        " bom lembrar e deixar bem claro, contudo, que no
existe uma s e nica Bblia. Ao contrrio, existem vrias
Bblias, vrias verses de Bblia, e que no necessariamente
dizem a mesma coisa, assim como nem sempre centralizam
suas atenes em Jesus."
        "Quer dizer, pai, que existem tantas verses de Bblia e
tantas verses de cristianismo que nem os cristos no se
entendem entre si?"
        "Como sempre, fruto da intolerncia religiosa, do
sectarismo religioso, cada qual fica querendo impor sua
verso da Bblia como sendo a verso nica e definitiva,
esquecendo-se que Deus  Deus e que a Bblia  s um
conjunto de livros, escritos e feitos por homens, seres hu-
manos, de uma enorme sabedoria,  bem verdade, mas que
deve ficar restrito a isso: um livro, conjunto de vrios livros,
escrito por seres humanos, encerrando uma enorme gama
de conhecimento e sabedoria."
 "Talvez a Bblia, para ns ocidentais, seja o livro mais
importante da humanidade, at porque, embora contenha
contradies incrveis (assim como Alcoro e a Torah),
registra ensinamentos fantsticos. O mnimo que pode-se
dizer da Bblia  que (independentemente dos erros e
contradies)  uma enorme fonte de sabedoria e um dos
maiores registros antropolgicos que existe. E como todo
livro, escrito por seres humanos, lamentavelmente, tem
muitos erros, muitas contradies, muita incongruncia,
muito exagero, algumas bobagens, que chegam at a ser
infantis diante do que a humanidade evoluiu e do que se
conhece hoje, principalmente no tocante  lgica, biologia,
zoologia, astronomia e fsica. O que, no entanto, no retira
da Bblia a importncia como um livro importantssimo de
enorme fonte de sabedoria e ensinamento. Mas, da a ser um
"Livro Sagrado" ou "A palavra de Deus"... a distncia 
enorme.

Erros e Contradies Bblicas
Antigo Testamento

        "Pai, se a Bblia tem tantos erros, por que ningum fala
deles?"
        "Fala sim, filho. Voc  que no sabe. O problema  que
esta questo de contestar a Bblia arrasta-se por sculos e
sculos. Vem de muito longe. Do tempo em que o Estado e
a igreja viviam juntos abertamente, eram parceiros e faziam
uma unio terrvel. Obrigavam as pessoas a acreditar no que
estava escrito na Bblia. Quem discordasse da Bblia era
queimado vivo, era um ateu, um bruxo, um herege. E,
logicamente, ningum queria ser queimado vivo ou ter sua
famlia perseguida porque algum fora (fora) considerado
herege. Mas, ainda assim, mesmo diante de todo este risco, a
Bblia foi muito contestada e  muito contestada ainda hoje
em dia, pois at mesmo entre membros de uma mesma
convico religiosa existem divergncias bblicas quase que
insuperveis. Haja vista que os prprios cristos se dividem
em muitas centenas de denominaes (igrejas) de
agremiaes diferentes. Nem eles se entendem entre si, cada
qual criando e inventando suas interpretaes pessoais e
particulares para as coisas que esto escritas na Bblia.
A bem da verdade, os cristos, de uma maneira geral, no
hoje em dia, mas ao longo dos sculos, no primavam pelos
princpios da liberdade. Para eles, liberdade resumia-se no
direito de forar os outros na crena de sua religio. Tudo
que fugisse ou escapasse do cristianismo era heresia.
Qualquer contestao  Bblia era considerada heresia.
Essa tcnica de impor a sua religio crist como sendo a
nica religio certa, considerando como herege tudo mais
que fosse diferente, embora fosse uma tcnica autoritria
bastante simples, sempre mostrou-se de uma eficcia
avassaladora.
Os defensores da Bblia consideravam a Bblia como sendo
"a palavra de Deus" e ao mesmo tempo apresentavam-se
como srios moralistas (em geral, "uniformizados" de
moralista, pois para demonstrar um aparente moralismo
usavam sbrios "uniformes", que mais assemelham-se a
fantasias, e dependendo do sculo estas vestimentas ora so
roupes sbrios, tnicas cheias de paramentos, ora como,
recentemente, palet e gravata), e quem no acreditasse na
Bblia e na "moralidade" dos representantes sbrios "bem
vestidos" da Bblia era considerado um imoral, um herege.
E tendo como pano de fundo as fogueiras da inquisio para
atormentar a sanidade das pessoas, guiadas pelo medo, as
pessoas passaram a "acreditar" na Bblia muito mais por
medo e imposio do que por qualquer outra coisa.
O certo  que, independentemente de toda essa questo, a
Bblia passou a ser (autoritariamente) imposta e considerada
como um livro sagrado, ou o mais grave, imposta
autoritariamente como sendo a "palavra de Deus". E por ser
a "palavra de Deus" no havia como algum contestar as
sbias "palavras de Deus" (seno era fogueira na certa).
Foi preciso muita fora e coragem daqueles que sabiam que a
Bblia no era a "palavra de Deus" para contestar as bobagens
que estavam na Bblia e com isso trazer a luz (renascena) 
idade das trevas (idade mdia).
Hoje em dia, libertos do massacrante poder da igreja
(embora a igreja ainda detenha um certo poder hipcrita),
no temos mais que sujeitarmo-nos s regras imperiais da
igreja ou enfiar a cabea na areia como avestruzes esperando
que Deus nos proteja do medo e da superstio por estarmos
contestando palavras e preceitos errados passados pela
Bblia.
Ainda assim, embora atualmente ningum seja mais man-
dado para a fogueira da santa inquisio por discordar do que
est escrito na Bblia, a maioria das pessoas sente-se
intimidada e ameaada pela excomunho, pelas pragas que
so rogadas, pelas maldies e ameaas de arder no inferno,
ao apontarem erros e incoerncias do que est escrito na
Bblia. Em geral, estas pessoas que contestam a Bblia so
acusadas (pela via fcil da defesa religiosa) de serem o
anticristo ou de estarem incorporadas ou orientadas pelo
diabo."
        "Mas, pai, voc no vai ser acusado de anticristo, n pai?"
        "No sei. Pode at ser. Tem ignorante para tudo. A via
mais fcil de defesa da Bblia  excomungar a quem contesta,
ameaar com o inferno, chamar de herege ou coisa do
gnero. Mas tambm, se excomungarem, no faz a menor
diferena. No ser isso que ir alterar o rumo da minha vida
ou a firmeza das minhas contestaes.
De uma forma errada e fundamentalista, os cristos do
mundo inteiro so doutrinados a acreditar cegamente no que
est escrito na Bblia, de preferncia o mais cegamente
possvel, sem perguntar, sem contestar e esto condiciona-
dos a idolatrar a Bblia como sendo a "palavra de Deus", e a
aceitar e acreditar, fervorosamente, em tudo e qualquer
coisa, por mais estpida que seja, sem questionar, de ver-
dade. Porque, questionar, para a igreja,  proibido,  profa-
no,  anticristo.
Para voc, filho, entender as crticas  Bblia, primeiramente
voc tem que entender que a crtica e o questionamento
no so sacrilgio, heresia ou imoralidade. Porque perguntar,
questionar, tentar entender, no so sinais ou sintomas de
heresia. E, acima de tudo, antes de qualquer coisa, voc tem
que ter a mente aberta. At porque, os seus
questionamentos tm uma direo, uma finalidade, que  a
busca da verdade e de Deus.
Para saber o que diz a Bblia, antes  necessrio saber o que 
a Bblia, como ela est composta e dividida, para depois voc
tentar entender o seu contedo.
A Bblia  um conjunto de livros, escritos por pessoas
normais, comuns, de carne e osso como eu e voc, dife-
rentes somente por serem estudiosos de religio, que ano-
taram o que era passado pela tradio oral, boca a boca, e
que tambm copiaram e plagiaram grande parte do que est
escrito em outros livros e ensinamentos mais antigos, como
a Torah dos judeus, por exemplo. As palavras da Bblia, em
grande parte, so palavras de sabedoria e ensinamento, mas
tambm tem muita bobagem, muita mentira, muito erro,
muita contradio, conforme a gente vai ver a seguir.
Portanto, a Bblia no tm nada de "palavra de Deus", no
sentido literal. Isso  invencionice e historinha que aos
poucos voc vai entender perfeitamente.
A Bblia, embora existam muitas verses e tradues, uma
pluralidade de Bblias, por isso mesmo no  um livro nico,
de texto nico,  um dos maiores focos de discrdia entre os
cristos. Mas, de uma maneira geral, a Bblia est dividida em
Antigo Testamento (com vrios livros e vrios autores,
sendo que o mais tradicional e idolatrado por determinados
segmentos religiosos  o Pentateuco, ou os cinco livros de
Moiss) e Novo Testamento (composto por quatro
evangelhos teoricamente escritos por quatro evangelistas:
Mateus, Marcos, Lucas e Joo, e mais alguns livros, cartas ou
epstolas, entre eles o Apocalipse, que dependendo do
sculo e da verso da Bblia o Apocalipse ora est na Bblia,
ora no est). Ou seja, resumidamente, Antigo Testamento,
Novo Testamento.
Inicialmente a Bblia era somente o Pentateuco (os cinco
livros de Moiss), posteriormente foram acrescentados ou-
tros livros ao Antigo Testamento, e foi somente em 185
d.C., com o pronunciamento do Bispo Irineu, que os cristos
comearam a aceitar os quatro evangelhos do Novo
Testamento. Entretanto, de fato, de fato mesmo, foi em 367
d.C. com a epstola papal de Atansio que os quatro
evangelhos foram oficialmente aceitos, compondo o Novo
Testamento.
O Antigo Testamento, ou o livro do velho Deus, na parte do
Pentateuco,  parecido com um livrinho de histrias
infantis, falando sob a criao do mundo, da perseguio do
povo judeu e do sofrimento desse povo no Egito. Nele Deus
 apresentado de uma forma muito pequena, como um Deus
tribal, um Deus apenas dos hebreus (judeus), preocupado
com o povo hebreu (judeu) e com o seu quintal, como se o
infinito fosse pequeno e o mundo girasse somente em torno
de Israel, do Oriente Mdio, Norte da frica e o Oeste da
sia. E  neste livro de historinhas que  contado a
historinha fantstica de Ado e Eva, do dilvio e da arca de
No, entre outras historinhas mirabolantes..., enfim, tirando
a parte de sabedoria, provrbios, ensinamentos e salmos, o
Antigo Testamento  um livro de conto de fadas dos adultos,
tendo como protagonista um Deus personificado como
velho, barbudo, sentado numa nuvem, muito semelhante ao
ser humano, que numa hora  vingativo e que em outra
enche-se de culpa e perdoa. Ou seja, carrega todos os
amores, paixes, dios e defeitos do bicho-homem.  o
Deus velho, inventado e criado pelo homem,  imagem e
semelhana do ser humano.
Esse Deus velho "sentado numa nuvem",  que no tem
nada a ver com o Deus imaterial, criador do universo ,
coitado,  digno de pena. Parece uma caricatura estereo-
tipada de um marido mando, machista, preguioso, inde-
sejvel, e que qualquer esposa reconheceria nele seu par-
ceiro de infortnio. S faltando sentar-se em frente da
televiso e gritar pedindo para a mulher trazer uma lata de
cerveja.
Esse Deus personificado, quase humano, descrito pelos
escribas autores do Antigo Testamento, assemelha-se muito
aos Deuses gregos e romanos, pois alm de possuir emoes
e desejos notadamente humanos, Ele  do sexo masculino
(mulher naquele tempo no valia nada), tratava a mulher
como escrava ou como um ser ignbil e inferior. Ficava
bravo com facilidade, espraguejava, vociferava, gritava,
enganava, mentia, se enfurecia, castigava, era vaidoso,
exibicionista, gostava de ser bajulado e de receber oferendas.
Tinha at umas pessoas de quem Ele gostava mais, e outras
de quem Ele gostava menos. E, tinha at um povo (judeu) de
sua preferncia.
Por isso, filho, com um Deus to humano como esse
descrito no Antigo Testamento, eu no me surpreendi quan-
do voc me perguntou se Deus tinha av, se Ele era homem
ou mulher, se era preto ou branco, se tinha pai, me. Voc
no est errado no.  perfeitamente cabvel a sua dvida.
Esse Deus velho, do Antigo Testamento, assemelha-se muito
a um Papai Noel dos adultos.
No bastasse o Antigo Testamento apresentar um Deus
velho improvvel, acrescente-se ainda os erros e contradi-
es gritantes do Antigo Testamento (a Terra era chata, era o
centro do universo, o Sol  que girava em torno da Terra. As
estrelas e os planetas eram fixos e pareciam lmpadas
pregadas e penduradas no cu. Sem contar que o Sol poderia
ser parado durante algum tempo diante da Terra ou a Terra
diante do Sol e nada acontecer ao planeta Terra e ao sistema
solar).
Diante de tantos descalabros, ao longo dos anos, nem com as
fogueiras da inquisio e nem com as ameaas para que a
Bblia fosse lida e interpretada diferentemente do que estava
escrito e fosse sempre dado uma interpretao alucinada e
mirabolante para as bobagens ali escritas, o Deus velho do
Antigo Testamento, o tal "velho barbudo sentado numa
nuvem", desacreditado, coitado, no resistiu e teve que
passar para a aposentadoria, imposta pelos prprios cristos,
que renegaram este Deus e trataram de criar um novo Deus,
especfico para o Novo Testamento.
Hoje em dia, as religies crists (salvo os tradicionais
ortodoxos) evitam falar desse Deus velho, do Antigo
Testamento, evitam fazer referncia a Ele, tm vergonha
d'Ele. Rezam para que no se fale do Deus velho do Antigo
Testamento. Preferem o Deus novo do Novo Testamento. O
novo Deus. O Deus da moda. O Deus do terceiro milnio.
        "E quais so esses tantos erros bblicos do Antigo
Testamento, pai?"
        "Vamos por parte, com calma. Eu no quero que voc
entenda a Bblia na base da brincadeira, embora as vezes o
assunto descambe para o ridculo. Mas, ao contrrio, quero
abordar a questo de maneira sria, citando os principais
casos de erros e contradies, para que, munido de fatos e
dados, voc tire as suas prprias concluses.
Da mesma forma, eu no gostaria que voc, por falta de
informao, achasse que os budistas esto errados porque
vivem a vida somente preocupados com o lado espiritual e
esquecem da vida material, ou que os muulmanos so uns
fundamentalistas radicais mandando todo mundo, que
contrariar as leis de Al, arder no mrmore do inferno. Ou
qualquer outra religio que tenha este ou aquele seno.
Diante de qualquer religio, por mais absurda que possa
parecer, respeite. Questione, mas respeite. Entretanto, no
abra mo de sua sanidade, de sua inteligncia e de exercer o
seu direito de crtica. Questione. Questione sempre. Busque
a verdade e o conhecimento. Jamais leia a Bblia ou qualquer
outro livro religioso de mente entorpecida, disposto a aceitar
coisas improvveis e absurdas, aceitando as coisas por
aceitar. Muito menos leia os ensinamentos religiosos com
desdm ou menosprezo. Busque a verdade como uma coisa
universal, atemporal, que viva e resista por sculos e sculos,
no por perseguio ou imposio, mas porque  lgica,
racional e compreensvel.
Antes e acima de qualquer coisa, tenha em mente que Deus
no  regional, no  tribal. Deus no  um tiraninho de
aldeia, preocupado com coisas pequenas, com um povo,
com um lugar geogrfico. Deus no  privilgio das Amri-
cas, da Europa, da frica, ou da sia. Assim como no 
privilgio de pas algum, seja da China, do Japo, de Israel ou
dos pases rabes. Deus  e tem que pertencer a uma
verdade universal. E toda vez que voc estiver contrariando
a verdade universal voc estar sendo tribal, regional, tendo
um ser pequeno de mente estreita como sendo um Deus,
restrito  sua tribo, ao seu mundinho, ao seu pas ou
continente.
O cristo radical (fundamentalista), como qualquer
fundamentalista de qualquer religio, embora pense que
tem, no possui a verdade-verdadeira. O muulmano radical,
embora pense que tem, no possui a verdade-verda-deira.
Cada religio arroga-se no direito de achar-se nica e
soberana religio dona da verdade, chegando mesmo a sentir
pena e comiserao das demais religies, acreditando que
lodo mundo pode ter uma religio, mas o seu Deus, o seu
Deus particular,  o nico e verdadeiro Deus. E que o resto
do mundo est enganado a respeito de Deus.
No caia nessa armadilha. No crie um Deus para voc. No
invente um Deus. Busque o ensinamento, busque a
sabedoria, busque a universalidade da vida e voc encontrar
Deus no amor, porque Deus  amor, Deus  paz,  perdo, 
o respeito e o amor ao prximo, independentemente da
religio que voc professe. Pois s neste tipo de
universalismo o ser humano  solidrio e compreensivo."
        "Universalismo? O que  isso?"
        " o seguinte: O ser humano s concorda entre si nas
coisas universais. Paz, por exemplo,  universal e todo
mundo  a favor. Todo mundo concorda. Fome, por exem-
plo,  universal e todo mundo  contra. Mas, se o seu vizi-
nho  no particular  fizer uma besteirinha, der uma
pisadinha no seu calo... a o tempo fecha. E com Deus 
mais ou menos a mesma coisa, pois, em princpio, todo
mundo concorda com Deus (salvo os ateus). Mas, quando
voc sai do universalismo e particulariza a religio, dividindo
quem fica com o que... a a coisa descamba e acaba partindo
at para o fundamentalismo e a intolerncia religiosa. Por
isso  que eu estou dizendo que a gente deve primeiro
buscar as coisas imateriais e universais (paz, amor, perdo,
amor ao prximo, etc.) e fazer as religies convergirem para
este foco, pois na particularidade cada religio puxa a brasa
para a sua sardinha.
O maior dos problemas causados pela religio, de uma
maneira geral,  a intolerncia religiosa, o sectarismo, o
egosmo e egocentrismo religioso. Cada qual achando a sua
religio a melhor do mundo, se no a nica correta. E 
desta convico tola, estpida, de mente estreita, que nasce
o sectarismo, o fundamentalismo, a intolerncia religiosa.
Isto porque, as religies no colocam como fundamento
principal de sua existncia o ensinamento, o conhecimento,
o questionamento, at mesmo da prpria existncia do ser
humano diante de Deus. Antes pelo contrrio, preferem a
explorao da religio pelo domnio do medo (o castigo
"divino", o inferno e satans, so a base disso) como uma
forma de manter o devoto da religio em permanente estado
de dvida entre o cu e o inferno para manter a religio viva
acima de todas as coisas. Baseiam-se primordialmente na
ameaa da punio, do castigo, do cu contra a ameaa do
inferno.
As pessoas que temem o inferno ficam assombradas com a
punio eterna, cegas e dominadas pelo medo. A idia de
inferno (como um lugar, uma regio fixa e determinada) 
uma inveno maquiavlica para garantir a hegemonia
religiosa e estabelecer uma ditadura religiosa dominada pelo
medo. Essas pessoas que temem e acreditam no inferno
(como regio, lugar fixo) vivem sua vida debaixo de uma
tirania muito maior do que qualquer ditador humano possa
estabelecer. Essas pessoas sentem-se constantemente
vigiadas e acreditam at que permanentemente haja um olho
"divino" vigiando todos os seus atos e at mesmo lendo os
seus maus pensamentos. Essas pessoas acreditam que todas
suas palavras esto sendo registradas, todas suas aes esto
sendo anotadas, at mesmo seus pensamentos mais ntimos
so conhecidos e julgados pelo mestre cruel, pronto para
aplicar, sem d nem piedade, o castigo eterno."
        "Ento no existe o Diabo, pai?"
        "Personificado... no. Com rabo e chifre, no. Assim
como no existe o Deus personificado, como um velho
barbudo sentado numa nuvem. O bem existe, tanto quanto o
mal existe. A bondade existe, tanto quanto a maldade existe.
Mas, da voc personificar Deus e o Diabo,  imagem e
semelhana do homem, colocando um barbudo sentado
numa nuvem e o outro de rabo e chifre numa fogueira, a
diferena  grande.
Se voc falar no bem como foras de luz, tudo bem. Se voc
falar no mal como foras das trevas, tudo bem, tambm. So
sentidos figurativos aceitveis. Se voc falar na lei do
retorno, ou seja, se voc praticar o bem ele volta para voc
ou se voc praticar o mal voc ser vtima da sua prpria
maldade,  compreensvel. Pode-se at dizer que  uma "lei
universal" (a lei do retorno). Mas, colocar imagem para o
bem ou para o mal, a j no faz mais sentido. Errado 
personificar, dar forma humana a uma coisa imaterial como
a bondade e a maldade, o bem e o mal, a Deus ou ao Diabo.
Quando as religies transmitem ensinamentos (salmos,
provrbios, etc.) essas religies so lindas e caminham na
direo certa. Mas, quando partem para a ameaa de voc
(ou sua alma) arder no inferno, do castigo perptuo, na
abusiva e descarada explorao do medo do ser humano ao
desconhecido, ao invs da pregao do amor, da sabedoria e
do conhecimento, essas religies praticam o que h de pior
na humanidade. Voltam a agir como na poca do
obscurantismo, como na idade mdia ou idade do terror,
como se o ser humano fosse o mesmo ignorante da idade da
pedra. E tratam o ser humano da pior forma que existe,
mantendo-o permanentemente amedrontado e em profun-
do estado de ignorncia."
        "Mas, pai, eu no quero saber muito das outras religies,
depois a gente discute isso. Vamos falar sobre a Bblia e os
problemas da Bblia que  a religio mais perto da gente."
        "Veja bem, filho, quando eu falei de outras religies era
para deixar bem claro que eu no estava apontando esta ou
aquela como a religio ideal. Ao contrrio, eu queria mostrar
que qualquer que seja a religio que voc siga, fuja do
sectarismo e da intolerncia religiosa. Adote a religio que
quiser, mas seja ecumnico na postura. Aceite antes de tudo
o ecumenismo como regra de convivncia."
        "Ecumenismo? O que  isso?  religio?"
        "No. O ecumenismo no  religio,  um tipo de
comportamento, como aquilo que eu falei ainda h pouco
sobre o universalismo. Mas, se voc quiser adotar isso como
regra de vida, o ecumenismo at pode ser uma religio ou
uma convico. O ecumenismo surgiu no incio do
cristianismo sob a forma de gnosticismo, como uma soluo
para a pregao do evangelho, de maneira a alcanar a maior
quantidade de gente possvel. Foi a forma (gnstica)
encontrada para congregar todas as tendncias e
denominaes religiosas debaixo da mesma religio crist.
Ou seja, manter os cristos unidos. Embora a idia fosse boa,
no deu certo, pois a igreja catlica quis coordenar o ecume-
nismo e centrar em si o ecumenismo, da veio o fracasso e a
disperso (mas a idia de respeito e tolerncia ecumnica 
muito boa).
Hoje em dia, o sentido de ecumenismo  bem mais amplo
do que o que foi tentado pela igreja catlica no incio. O
Ecumenismo  uma universalidade de religies centrada na
disposio de convivncia e no dilogo entre vrias
tendncias religiosas. Em termos simples, quer dizer,
aceitao de dilogo entre todas as religies possveis.
Mas, voltando ao cristianismo e  Bblia, abordando
claramente a religio crist, em especial a religio catlica,
que  a que est mais prxima de voc. Se voc puder ler a
Bblia e tirar dela os ensinamentos que ela contm, timo.
Leia os salmos, leia os provrbios, leia os ensinamentos. H
muita coisa linda na Bblia.  um livro fantstico. Mas leia a
Bblia com a mente aberta, entendendo as coisas com o
corao, mas sem abrir mo do questionamento, da sua
sanidade e da sua inteligncia. No aceite as coisas por acei-
tar. No aceite interpretaes burras ou estpidas para re-
mendar as bobagens do que foi escrito. No aceite por ter
que aceitar, muito menos tenha a Bblia como "a palavra de
Deus". A Bblia foi escrita por seres humanos, de carne e
osso como voc. E principalmente tenha em mente que
assim como existem estes livros que compem a Bblia,
existem trocentos outros que foram retirados ou negados a
sua incluso na Bblia por serem gnsticos ou "apcrifos",
contradizendo a verdade regional e local do oriente mdio
nos sculos em que aquela realidade foi retratada.
Ns estamos falando da Bblia (e no do Coro (Alcoro),
Torah, etc.) porque voc, filho, est sendo parcialmente
direcionado para uma religio crist quase que por
hereditariedade ou por uso e costume do pas catlico em
que voc vive, porque  uma questo de cultura do nosso
povo. Fomos colonizados e catequizados por jesutas. Fomos
criados e educados na religio catlica, aceitando todos os ri-
tuais e sacramentos da religio: comunho, batizado, casa-
mento, etc. Eu fui batizado, crismado, ia sempre  missa,
participava das atividades regulares da igreja, fiz encontro de
casais com Cristo, fui coroinha, congregado mariano, ajudei
missa, estudei teologia, acompanhei procisso. E, queira ou
no, os filhos tendem a adquirir as convices religiosas dos
pais. Se eu fosse judeu, certamente voc teria ensinamentos
da religio judaica. Se eu fosse muulmano, voc estaria
tendo ensinamentos da religio muulmana. E assim por
diante.
O que eu estou querendo dizer  que, embora voc esteja
tendo toda a base e ensinamento da religio crist, por causa
da formao de seus pais, porque sua me  catlica e eu um
dia fui catlico, voc no tem necessariamente que seguir os
passos do que os seus pais so ou foram um dia, e muito
menos o que somos agora. Ao contrrio, voc est livre para
escolher a religio que quiser. No se atenha aos seus pais
como exemplos, at porque da mesma forma que eu
questionei a religio catlica, a que eu pertencia, assim como
questionei vrias outras religies, antes de pensar em adot-
las, cedo ou tarde voc dever questionar, tambm, tudo isso
que ora eu passo a voc como informao.
        "Se voc no  catlico, pai, qual  a sua religio?"
        "Eu at poderia me considerar catlico, na acepo da
palavra Katholiks = Universal, conforme usado pela
primeira vez no ano 110 por Incio da Antiquia. Mas,
jamais me consideraria catlico-apostlico-romano, por s-
rias e quase irreconciliveis divergncias com a igreja ro-
mana (do riqussimo Papa que mora no Vaticano). Desta
igreja, embora mantenha respeito, estou dela divorciado.
Honestamente eu no saberia classificar nominalmente a
minha religio, se  que o que eu acredito seja religio, c se
religio for, se ela tem nome.
No futuro, quando voc tiver maior conhecimento, voc
tambm poder e dever questionar tudo isso que estamos
debatendo agora.
Por agora, entenda somente que, racionalmente, nem a
Bblia, nem Alcoro, nem a Torah, nem livro religioso
algum, embora sejam livros inspirados, com grandes e pre-
ciosos ensinamentos, nenhum desses livros  a "palavra de
Deus" (literalmente). So livros que foram escritos por
escribas, seres humanos, e como tal, so imperfeitos.
Esses livros no so a palavra de Deus, literalmente, porque
nunca um ser humano viu Deus, nunca um ser humano
falou com Ele, e muito menos Deus se prestou ao pequeno
papel de escrever um livro ou vrios livros para dar aos seres
humanos um manual ou guia de sobrevivncia na Terra,
como algumas religies, de uma maneira geral, querem fazer
crer.
A bem da verdade, por mais contraditrio que possa parecer,
todos os livros religiosos, sejam de quais religio forem 
no sentido figurado  so a palavra de Deus, porque toda
palavra inspirada, de sabedoria,  tida como a palavra de
Deus. Mas, acontece que espertos religiosos, aproveitam-se
do sentido figurado, garantem literalmente que tal e qual
livro  a palavra de Deus, como se Deus fosse um executivo
ditando o que lhe convm, enquanto um escriba qualquer
faz o papel de secretrio particular de Deus. Isso  uma
bobagem infinita e de um fanatismo religioso sem
precedentes.
Note bem que isso de considerar determinado livro como "a
palavra de deus" no  privilgio da religio crist. Acontece
em qualquer religio. E, por esta razo, por terem sido
escritos por seres humanos, todos os livros religiosos, seja de
que religio for, tm erros, tm contradies, tm mentiras,
tanto quanto  prprio dos seres humanos cometerem estes
tipos de erros. At porque a perfeio humana no existe."
        "Ah, ento quer dizer que os erros que existem na
Bblia tambm existem nos outros livros religiosos?"
        "Claro que existem."
        "E estes erros, pai, existem porque esses livros foram
escritos por seres humanos iguais a ns? E por isso esses
escritores da Bblia cometeram um monte de erros?"
        "Exatamente isso."
        "Que erros bblicos so esses, pai?"
        "Bom, vamos ver se agora a gente engrena. Vamos
parar um pouco de explicaes paralelas e comear a falar
sobre os erros e contradies da Bblia sem fugir do tema.
Vamos falar primeiro do Antigo Testamento. OK?
Comecemos pela tentativa de explicao de como Deus
criou o universo e todas as outras coisas. J a, bem no
comecinho, a Bblia vira um livro de conto de fadas, quando
tenta explicar a criao do mundo, do primeiro homem, da
primeira mulher (Ado e Eva). A questo torna-se confusa,
imprecisa, ilgica e irracional. A criao do mundo, das
coisas e dos primeiros seres humanos, no resiste  menor
anlise, pois, conforme eu havia falado antes para voc, todo
aquele que estiver revelando para voc como o mundo
comeou (Gnesis) e como ele terminar (Apocalipse), esse
algum estar mentindo e falando de algo que nenhum ser
humano sabe e jamais saber.
No bastasse essa invencionice tola de conto de fadas, da
criao do mundo, os dois filhos de Ado e Eva, Caim e
Abel entram em disputa, um mata o outro, no se explica
como foi a questo dos sucessivos incestos dos filhos com a
me Eva (porque no havia outra mulher) para a criao da
humanidade. E a, solenemente, os primeiros seres do
mundo saem de onde esto e encontram um povo distante.
Isso mesmo... um povo (Surgido como e de onde, se Ado e
Eva eram os primeiros seres humanos?).  como a historinha
de Papai Noel que precisamente  meia noite ele chega na
casa de todo mundo, no mundo todo, ao mesmo tempo. Ou
como o coelhinho da Pscoa que mesmo no sendo ovparo,
coloca ovos, e de chocolate, e d de presente para todas as
pessoas.
Se voc acreditar em Papai Noel e Coelho da Pscoa voc
tem tudo para acreditar na histria da criao do mundo
relatada pela Bblia.
Outra histria fabulosa  a do dilvio e da arca de No, onde
aps chover terrvel e ininterruptamente na Terra, por
dezenas de dias, alagando tudo, todos os animais da
humanidade, de todas as partes do mundo: das Amricas, da
Europa, da frica, da sia, da Oceania e mais os do Polo
Norte e do Plo Sul  lembrem-se que o mundo  muito
maior do que Israel ou o oriente mdio, e os autores do
Antigo Testamento esqueceram-se disso -, todos os animais
do mundo dirigiram-se para um nico local do planeta, onde
estava a tal arca de No. E milhares de espcies diferentes de
animais, muitos deles carnvoros e predadores entre si,
foram recolhidos numa arca e sobreviveram mila-
grosamente. Como se os carnvoros pudessem comer vege-
tais e como se os animais no se comessem entre si e no
fizessem suas necessidades fisiolgicas na arca.
J pensou milhares e milhares de animais, vindos de todas as
partes da Terra, a maioria composta de predadores entre si,
no comerem nada, nem uns aos outros e ainda por cima
fazendo xixi e coc na arca? Isso faz parecer a histria de
Papai Noel e do Coelhinho da Pscoa ter uma credibilidade
acima de qualquer suspeita.
Envergonhados com isso e com outras histrias tolas e
absurdas, a maioria dos cristos admite: "Acredito na Bblia,
mas no acredito em Ado e Eva e na arca de No". Como se
isso fosse resolver o problema de credibilidade da Bblia. A
falta de credibilidade da Bblia e os grandes erros bblicos
esto muito alm de Ado e Eva e da arca de No.
Da, quando voc mostra mais e mais erros e contradies
da Bblia, os mesmos cristos, justificando, argumentam: "Eu
acredito na Bblia, mas s no Novo Testamento". Como se
isso tambm resolvesse a questo. Renegam o velho Deus do
Antigo Testamento, sentado na nuvem, em troca de um
Novo Deus, novinho em folha, mais bonito e mais
charmoso,
Os cristos no admitem, mas a maioria deles desejaria que o
Antigo Testamento nunca tivesse sido escrito. Por isso, eles,
envergonhados do velho Deus do Antigo Testamento, esto
mudando a adorao do sentido bblico genrico de religio
(Antigo e Novo Testamento) para focarem a religio bblica
somente num segmento evanglico especfico de um novo
Deus exclusivo dos evangelhos do Novo Testamento.
        "Mas, pai, alm dessas historinhas que voc citou, existe
ainda tanto erro e contradio assim na Bblia?"
        "Existe, filho. Muito mais do que voc possa pensar.
Alguns telogos e pesquisadores chegaram a apontar mais de
dois mil erros e contradies bblicas. Logicamente, no
vamos falar sobre todos esses erros e contradies bblicas,
mas somente alguns mais relevantes, mais gritantes, para
voc poder compreender e entender bem o que estou
falando, at para que voc entenda, de vez, que a Bblia 
um livro de humanos, escrito por humanos, para humanos.
(Sem que isso seja vergonha ou demrito algum) Vamos
comear pelo Antigo Testamento do velho Deus sentado
numa nuvem. Vejamos alguns exemplos:"

Quem  Deus e o que  Deus, segundo a Bblia?

Por uma questo de traduo do texto original da Bblia para
diversos idiomas, a palavra Deus  freqentemente utilizada
como uma palavra s: Deus. Entretanto, o prprio nome
"Deus", no original, era considerado to sagrado, to sagrado,
que era representado por um tetragrama (quatro letras) que
nem pronunciar seu nome era possvel ou permitido. Assim
 que nos textos originais existem vrias palavras que
referem-se a Deus. Porm, o mais estranho disso, no 
chamar Deus por vrios nomes diferentes, mas trat-lo
como se Deus fossem vrias pessoas diferentes e existissem
vrios Deuses. Seno, vejamos os nomes pelo qual Deus ou
os Deuses so citados pela Bblia, no original:

1)        Elohim / Eloah (Vindos do cu).
2)        El Chaddai (Onipotente / O todo poderoso)
3)        Elin (O Altssimo)
4)        Adonai (Divino)
5)        Jav (O Deus vivo) Jeov de Jehovah, transliterao das
quatro letras impronunciveis (IHVH, JHVH, JHWH,
YHVH e YHWH) que designavam Deus, cujo nome era tido
por sacratssimo, no podendo sequer ser pronunciado em
voz alta.

 "Afinal de contas, pai: Quem  Elohim? Quem  Eloah?
Quem  El Chaddai? Quem  Elin? Quem  Adonai? Quem
 Jav? Quem  Jeov? So todos a mesma pessoa? Ou so
vrios deuses?"
        "Aparentemente, filho, so a mesma pessoa. Mas
como a prpria Bblia diz que existem vrios Deuses..."
        "Vrios Deuses? Mas Deus no  um s?"
        "Pois ... veja s:"

Quantos Deuses existem?  (Deuteronmio 6:4) "O
senhor vosso Deus  o nico Senhor."
Essa  uma presuno universal bastante conhecida, e que
defende a tese do monotesmo. S no  dito se este Deus
nico  homem ou mulher, preto ou branco, novo ou velho,
tem pai ou me, tem av... aceita-se, informalmente, como
um Papai Noel de adultos, um Deus velho, mitolgico,
sentado numa nuvem. Uma verso mais moderna do
mitolgico Zeus (Deus dos gregos) ou de Jpiter (Deus dos
romanos).

(Gnesis 1.26) "Tambm disse Deus: Faamos o homem 
Nossa imagem,  Nossa semelhana."
Opa... pera a... Nossa? No plural? Se Deus  nico, no pode
haver plural...  uma questo de lgica elementar.

(Gnesis 3.22) "Ento disse o senhor Deus: "Aqui est o
homem, que pelo conhecimento do bem e do mal, se
tornou como um de Ns.
Novamente aqui Deus fala dele e de seus companheiros
Deuses, no plural, deixando claro que Deus  plural (mais de
um) e no singular (nico).
Essa questo pode ser resolvida de algumas formas. A mais
simples  atribuindo erro na "verso" da Bblia que voc
possui. Afinal, as Bblias so muitas, tm vrias tradues, e
muitas verses, tendo sempre uma com redao mais
propcia e mais adequada ao gosto de cada grupo religioso a
que pretende convencer.
A outra forma  alegar que o plural, no caso,  uma figura de
estilo, usado como um "plural majesttico". Exatamente igual
quando uma pessoa fala "ns isso... ns aquilo" querendo
dizer "eu'. ( uma desculpa at que razovel, diante das
tantas coisas indesculpveis, mas ainda assim  uma desculpa
bastante esfarrapada)
Bem, a seguir, vem a perfil cruel de Deus."
 "Como assim?"
Um Deus cruel e assassino  (Nmeros 15.32)
"...encontraram um homem a apanhar lenha num dia de
sbado (...) Ento o Senhor disse a Moiss: Esse homem
dever ser punido com a morte (...) e o apedrejaram at
morrer, como o Senhor tinha ordenado a Moiss."
Caramba!!! Veja s !!! S porque o pobre coitado do homem
estava apanhando lenha num sbado, e antigamente o
sbado era santificado para os judeus, l veio o velho Deus
rancoroso dos hebreus, raivoso e assassino, sentado na
nuvem, e mandou seu discpulo predileto, Moiss (e maior
figura do judasmo) apedrejar at matar o pobre coitado do
apanhador de lenha.
Em resumo, um sujeito, um pobre coitado, foi apanhar
lenha, e s porque era sbado, Deus vai e manda Moiss
apedrejar e matar o pobre coitado. E o pior... Moiss vai l e
mata o sujeito, cumprindo uma determinao "sagrada",
"divina".
Voc acredita neste Deus, filho?  esse o seu Deus? Vamos a
mais exemplos:"

(xodo 20.13) "No Matars"
Um belo ensinamento, como tantos outros que existem na
Bblia. At a nada demais.  parte daquilo que foi dito
antes... quando a Bblia cria normas de conduta, de
comportamento ou ensinamentos tudo vai muito bem... mas
quando descamba para atender os interesses dos sacerdotes
donos da religio...

(Levtico 24.17) "Quem matar algum, ser morto"
A j comea a "Lei de Talio". Olho por olho, dente por
dente.  a lei da vingana.  o Deus vingativo, odioso. Um
Deus de amor no pode, jamais, possuir uma lei destas. No
existe sabedoria alguma nisso. Isso  de uma falta de
sabedoria assustadora. Algo bem medocre, bem ao estilo
dos sacerdotes e escribas do templrio judeu que mandaram
escrever a Bblia sob encomenda. Alis, Mahatma Gandhi
destroou esse ensinamento odioso, raivoso, praticando
aquilo que os gurus e pacifistas (como Cristo) sempre
praticaram: a no-violncia.
Inspiradssimo, Gandhi ensinou: "Olho por olho, dente por
dente, e a humanidade terminar cega e banguela".
(Perfeito!!!)
Ressalte-se que Jesus tambm se insurgiu contra este
"ensinamento" bblico, contra esta "Lei de Talio". E foi
exatamente nesta hora que Ele falou que no devemos
revidar, mas sim oferecer a outra face.

(Samuel 6.19) "O Senhor... feriu deles setenta homens. O
povo chorou, porquanto o Senhor fizera to grande
castigo...Quem poder estar na presena do Senhor? E para
onde poder se afastar?"
Meu Deus !!! Mas o que  isso? Um Deus que deveria ser
somente amor, paz, fraternidade, impondo o medo e o
terror? Que Deus louco  esse, que castiga, impe tanto
medo que nem deixa espao sequer para onde o povo possa
correr?

(Osias 14.1) "Os seus filhos cairo ao fio da espada, sero
despedaados, e aberto os ventres das mulheres grvidas".
Pelo amor de Deus!!! (Do meu Deus, logicamente... no esse
Deus velho a) Um Deus que despedaa filhos e mulheres
grvidas, abrindo-as ao meio... ??? Esse no  o meu Deus, de
maneira alguma. E ainda querem que adoremos um Deus
assassino desse calibre, que passa os pobres no fio da espada
e despedaa mulheres grvidas abrindo-lhes os ventres.

(Deuteronmio. 20. 16) "Quanto s cidades daqueles povos
que o Senhor teu Deus d para ti por herana, no deixar
subsistir nelas uma s alma."
Um Deus justo e universal, que prega o amor, a paz, a
fraternidade entre as pessoas nunca falaria para religiosos
selvagens sacrificarem pessoas indefesas, derrotadas, no
deixando vivo uma s alma. Isso  uma mentira de sacer-
dotes saduceus selvagens e tribais para justificar o roubo e
assassinato de seus vizinhos. Isso  a pregao do dio, do
medo. Foi sustentado nisso que muitas religies se
mantiveram por sculos e sculos. Na pregao do medo, do
terror, da ameaa. Ensinava-se antes temer a Deus do que a
am-lo. Ensinava-se a matar o inimigo e no deixar subsistir
uma s alma.
Desde quando "no deixar subsistir nelas uma s alma" 
um ensinamento divino ou um conselho de Deus?
Deus, o verdadeiro, o de verdade mesmo,  amor. E um
Deus que  amor no pode mandar fazer carnificina, matar
apedrejando, matar crianas e abrindo mulheres grvidas ao
meio ou matando tudo que respire.
Esse Deus, velho e caduco do Antigo Testamento, 
exatamente o Deus que mata os cristos de vergonha e faz
com que sintam vergonha do Antigo Testamento e procu-
rem abrigo e um novo Deus no Novo Testamento.

O imprio do terror  (Deuteronmio 28.16) "Sers
maldito na cidade e nos campos... malditos sero os frutos de
suas entranhas... sers maldito quando entrares e maldito
quando sares... O Senhor suscitar em tua casa a infelicida-
de, a desordem, a runa... at que sejas aniquilado. O Senhor
enviar-te- a peste... O Senhor ferir-te- com a consumpo
(definhar), com a febre, com inflamaes de toda espcie,
com apatia, com ictercia que te perseguiro at que
sucumbas. O Senhor afligir-te-... com hemorridas, com
sarna seca e sarna mida, de que no poders curar. Casars
com uma mulher e outro a possuir. Edificars uma casa e
no morars nela. Plantars vinhas e no colhereis frutos. O
Senhor ferir-te- nos joelhos e nas coxas com furnculos
maus, incurveis, que se estendero da planta dos ps ao
cimo da cabea. Todas essas maldies cairo sobre ti se no
obedeceres  voz do senhor".
Este  o imprio do terror. (Voc ser maldito, seus filhos
sero malditos, sua mulher se deitar com outro, voc ter
furnculos incurveis, hemorridas, peste, ictercia, sarna
seca, etc., etc., etc.). Esta  a forma odiosa e repulsiva como
os religiosos saduceus, gerentes de templo, amedrontavam e
aterrorizavam as pessoas medrosas e ignorantes, obrigando-
as a acreditarem na Biblia como sendo a voz e a "palavras de
Deus" (As pragas de ontem, so o inferno e o diabo de hoje).
E, infelizmente,  baseado neste medo, neste terrorismo,
que as religies inspiradas na Bblia se mantiveram por
sculos e sculos e se mantm nos dias de hoje.
Nada disso tem a ver com Deus. Nada disso tem a ver com
amor, so insanidades feitas e pregadas na Bblia por
religiosos espertos e interesseiros, visando manter os fiis
debaixo de um regime de terror e na ignorncia como se as
palavras da Bblia fossem infalveis e tivessem sido ditadas
por Deus e feitas em nome de Deus.

O Deus vingativo  (Jeremias 13.14) "F-los-ei em pe-
daos, atirando uns contra os outros, tanto os pas como os
filhos, diz o Senhor. No terei compaixo, nem piedade,
nem clemncia, para que no os destrua."
(Deuteronmio 21.18) "Se um homem tiver um filho
rebelde... este ser levado ao conselho de ancios e morrer
apedrejado por todos os habitantes da cidade. Assim
eliminars o vcio, e todo o Israel, ao sab-lo, ter grande
temor."
(xodo 11.4) "Assim falou o Senhor: Pelo meio da noite
passarei pelo Egito, todo primognito morrer, desde o
primognito do fara at o primognito da escrava..."
Deus! Deus! Deus! Quem poderia adorar um Deus como
esse?  um Deus tirano, raivoso, vingativo.  o Deus dos
hebreus, dando fora especfica ao sindrio ("ser levado ao
conselho de ancios..."). Mostra o lado mais negro e cruel do
ser humano. Isso s faz com que "fiis" amedrontados que
no pensam, no raciocinam, no questionam, apenas se
abaixem e rastejem diante desse Deus tirano. S um ser
humano acovardado, amedrontado e ameaado poderia
adorar cegamente a um Deus assassino, sanguinrio, tirano,
vingativo como o que a Bblia descreve como o Deus velho
do Antigo Testamento, sentado numa nuvem.
Esse  o Deus que mata os cristos de vergonha. Esse Deus,
hebreu (judeu), amigo de Moiss,  to estranho e ntimo de
Moiss que at fornece o seu roteiro de viagem... "pelo meio
da noite passarei pelo Egito"... e depois, num grande conluio
com Moiss e com o povo hebreu (judeu), volta toda sua ira
contra os egpcios, ameaando desde o fara at a ltima
escrava. (D para acreditar num Deus desses?)
Que Deus  esse que ameaa fazer as pessoas em pedaos,
atirando uns contra os outros, pais contra filhos, sem ter
compaixo, piedade ou clemncia?

O Deus Mentiroso  (xodo 20.16) "No dirs falso
testemunho contra teu prximo"
 um belo ensinamento. Mas, no entanto, veja a seguir...
(Reis 22.23) "O Senhor ps o esprito da mentira na boca de
todos os profetas, e o senhor falou o que  mau contra ti."
Vamos tentar entender... A "palavra de Deus", ou o que
querem que seja a "palavra de Deus" diz para no haver falso
testemunho contra o prximo. Mas, ao mesmo tempo essa
tal "palavra de Deus" diz que foi o Deus velho do Antigo
Testamento, aquele velho barbudo sentado numa nuvem,
quem ps o esprito mentiroso na boca dos profetas...???... 
isso?

(II Tessalonicenses 2.11) (Aqui indo adiante ao Novo
Testamento) "Por isso  que Deus lhes mandar uma potn-
cia enganadora, a operao do erro, para darem crdito 
mentira."
E ainda refora... Deus manda errar, induz ao erro, para dar
crdito s mentiras.
Realmente, os seres humanos que se diziam inspirados por
Deus para escrever os textos bblicos apresentaram-se de
corpo inteiro, com todos os seus enormes defeitos humanos,
nos textos que redigiram.
Esse Deus, descrito no Antigo Testamento, (e corroborado
por Paulo em Tessalonicenses) no pode ser o Deus de
qualquer ser humano com um mnimo de raciocnio e
discernimento.

Adorao de imagens  (xodo 20.4) "No fars para ti
imagens esculpidas."
Aqui a Bblia fala para no fazer ou adorar imagens e
esculturas. Ou seja, no adorar essas tais esculturas de santos
que voc v espalhado por tudo quanto  igreja por a...
esculturas e imagens de santos, anjos, padroeiros, etc., dessas
que a gente v, adora, venera e compra a retalho por a nas
lojas e nas igrejas.

(xodo 25.18) "Fars dois querubins de ouro batido... um em
cada lado das extremidades do propiciatrio."
Veja bem... em xodo 20 diz que  para no adorar imagens.
J em xodo 25 a ordem  para fazer imagens (esculturas) de
querubins de ouro. E tem gente que acha que isso no 
contradio.

O Deus perfeito, sem arrependimento?  (Nmeros
23.19) "Deus no  mortal para mentir, nem filho de Ado
para que se arrependa ou mude de opinio."
Aqui Deus no mente e no se arrepende. Embora j
tenhamos visto anteriormente Deus mentindo e colocando a
mentira na boca dos profetas.

(xodo 32.14) "E o Senhor arrependeu-se do mal e das
ameaas que proferira contra o seu povo."
Aqui, o Deus que no se arrepende, j se arrependeu.  ou
no  contradio?

(Gnesis 6.7) "Ento arrependeu-se o Senhor de haver feito
o homem sobre a terra, e isso lhe pesou no corao (...) pois
me arrependo de os haver feito."
Aqui, mais uma vez, o Deus perfeito que no se arrepende,
se arrepende novamente. So contradies e mais contra-
dio, fruto da pluralidade, diversidade, de escribas, seres
humanos, que escreveram a Bblia sob encomenda dos
sacerdotes e religiosos. Mas, o mais estranho  como na
Bblia Deus  feito de bobo, de idiota... Todo mundo (na
Bblia)  esperto e bonzinho... David  espertssimo, Moiss
 super esperto, 'No  inteligentssimo... s Deus, coitado, 
um bobo aloprado e tem que ser instrudo e acalmado a todo
instante.
Na histria do bezerro de ouro, Deus  um destemperado,
perde a compostura, se irrita, diz que vai fazer e acontecer,
vai mandar matar todo mundo e Moiss, o calmo, o
tranqilo, o equilibrado, d uma acalmada no Deus
temperamental (e mata somente trs mil pessoas). No caso
anterior, de Gnesis 6.7, Deus se irrita ( quase o seu estado
normal, a irritao), fica arrependido de ter criado o ser
humano, e revoltado diz que vai acabar com a humanidade.
A, o "calmo" e sapiente No d uma lio de moral em
Deus, ri da birra e da infantilidade de Deus, acalmando-o e
fazendo-o voltar ao equilbrio...
Como os hebreus (judeus) vivos, No e Moiss, so
bonzinhos e como Deus  um destrambelhado, segundo a
Bblia...dos hebreus (judeus).

A escravido abenoada por Deus  (Levticos 25.44-
46) "O escravo ou escrava que pretendais adquirir, devem
sair dos povos que vos rodeiam... Pod-los tambm comprar
entre os filhos dos estrangeiros... Podeis deix-los em
herana aos vossos filhos, afim de que os possuam depois de
vs, tratandoos perpetuamente como escravos..."
Aqui Deus no s incentiva a escravido como cria
verdadeiras normas (na realidade um tratado escravagista)
regulando a escravido, incitando os "senhores" a comprar
escravos dos filhos dos forasteiros e dos povos vizinhos,
como se os forasteiros no fossem gente. (Uma viso bem
tribal do povo judeu que habitava o Oriente Mdio e que
espalhou variantes de sua religio pelo mundo).

(xodo 21.2,7) "Se comprares um escravo hebreu, seis anos
servir; mas ao stimo sair forro de graa...Se um vender
sua filha para ser escrava, esta no sair como saem os
escravos."
Como um Deus tribal, o Deus dos hebreus, estabelece dois
tipos de escravido: 1) Para os escravos no judeus,
adquiridos dos povos vizinhos a escravido era perptua
(Levticos 25.46). 2) Mas, se o escravo fosse um judeu
(hebreu) a escravido s durava seis anos... (Esperta essa
lei...!!!)
Legal esse Deus hebreu!!! Escravido eterna para todo
mundo e escravido mxima de seis anos para os hebreus
(judeus).
Para deixar bem claro que o Deus velho do Antigo
Testamento  feito, criado e inventado  imagem e
semelhana dos homens que o inventaram, e que este Deus
no passa de um Deus tribal dos hebreus, um tiraninho de
aldeia, aqui, novamente, faz a pregao em favor da
escravido, visando manter e garantir os privilgios dos
senhores nobres e sacerdotes, assim como atender aos
interesses econmicos da poca. E, logicamente, mesmo
garantindo o interesse econmico da escravido, estabelece
que a escravido para todas  perptua, mas para os hebreus
(judeus)  s por seis anos...
Igualdade e justia no so o forte desse Deus hebreu velho
do Antigo Testamento. Atender aos interesses religiosos de
amor, perdo, e compreenso que deveriam nortear uma
religio realmente inspirada em sentimentos divinos, nem
pensar...

(xodo 21.4) "Mas se for o senhor quem lhe deu uma es-
posa, e ele teve dela filhos ou filhas; a esposa e as crianas
dele sero de seu senhor e ele escravo sair apenas com suas
roupas do corpo."
Aqui,  dado seqncia ao tratado bblico escravagista de
como deve ser o comportamento tribal dos senhores nobres
diante dos escravos e da plebe ignara.
Esse  o Deus velho do Antigo Testamento, sentado numa
nuvem, o Papai Noel dos adultos, que os cristos tm tanto
medo e vergonha de admitir como Deus, pois no s
incentiva a escravido, como estabelece normas e regras
para se manter e cuidar de um bom escravo.

(xodo 21.5-6) "E se o escravo disser claramente, amo meu
senhor, minha esposa, e minhas crianas: No sair livre...
ento o senhor o trar at os juzes... e o amo dele furar a
sua orelha com uma sovela; e ele o servir sempre como
escravo."
Decididamente, isso no  um livro santo, isso  um tratado
escravagista. No  a palavra de Deus, e esse no  o Deus
que uma pessoa com um mnimo de inteligncia possa
aceitar.
Isso que est escrito em xodo 21  vergonhoso, mostra
exatamente a pequenez do Deus tribal de Israel que foi
criado  imagem e semelhana do homem. A igreja, de uma
maneira geral, sempre esteve ao lado do Estado por sculos e
sculos, e sempre apoiou a escravido. Sempre serviu ao
atraso da humanidade, defendendo as classes dominantes.
Sempre foi o cerne do obscurantismo. Esses dispositivos
religiosos, bblicos, so a prova mais viva disso e a mais
contundente das provas. E o pior  que considerando-se a
Bblia como "a palavra de Deus" todos estes textos em defesa
da escravido so textos tidos como se fossem santos,
inspirados como se fosse Deus falando, e foi desta forma
c|ue estes textos bblicos serviram para justificar a escravido
no mundo todo por muitos e muitos sculos e at re-
centemente justificavam (a srio) o apartheid na frica do
Sul, como se fosse algo divino, inspirado.
Acredite ou no, os escravagistas, os defensores da es-
cravido e do apartheid racial justificavam, a srio, para o
povo e para o mundo, que a escravido e a superioridade de
uns homens sobre outros era legtima e fruto da inspirao
divina e que esta superioridade dos brancos sobre os negros
estava, inclusive, em xodo, e portanto era a "palavra de
Deus" valorizando os brancos e escravizando os negros.

A vingana hereditria  (Deuteronmio 24.16) Os pais
no sero mortos pela culpa dos filhos, nem o filho pela
culpa dos pais.
At a tudo bem. Parece um ensinamento lgico que
fundamenta at um princpio legal, de direito (princpio da
personalizao da pena e da sua no-transmissibilidade).

(Isaias 14.21) "Preparai-vos para a matana dos filhos por
causa da maldade de seus pais."
Pronto... l vem de novo o velho Deus do Antigo Tes-
tamento pregando a matana de inocentes, o morticnio, a
chacina, a mortandade. E principalmente difundindo o ter-
ror, o medo, atribuindo aos filhos a punio hereditria por
culpa dos pais.
Esse no  e no pode ser o Deus de quem quer que seja que
tenha um mnimo de raciocnio elementar.

O Deus tribal, um tirano de aldeia  (Deuteronmio
13.6-8) "Se teu irmo, o filho de tua me. Ou teu filho, ou
tua filha, ou tua esposa a quem trazes no teu seio. Ou teu
amigo a quem amas como a tua alma, te quiser persuadir,
dizendo-te em segredo, vamos servir outros Deuses... Tens o
dever de matar... Apedrej-lo-s porque ele quis apartar-te
do Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito da casa da
servido."
Aqui, o Deus velho do Antigo Testamento, sentado numa
nuvem, mostra toda a sua pequenez, sua face menor. No s
est distante de questes realmente importantes como:
amor, paz, compreenso, fraternidade, justia, perdo e de
questes csmicas e universais, como exibe-se na qualidade
de um Deus tribal, um tiraninho de aldeia, preocupado com
os adeptos que possam deixar de contribuir para a riqueza de
sua religio de hebreus e que possam passar para outras
religies, adorando outros deuses.
O Deus velho do Antigo Testamento  to claramente
humano e to descaradamente inventado pelos humanos
que quase pode-se ver o choramingo de Deus: "No vo me
abandonar por outros Deuses. Afinal de contas quem te
mandou ser escravo no Egito no fui eu, mas quem te li-
bertou da escravido egpcia fui eu... no mnimo, voc me
deve gratido".
Pobre velho Deus velho do Antigo Testamento, sentado
numa nuvem, criado e inventado por homens... Chega a ser
ridculo assistir o choramingo desse Deus velho, implorando
para que no o deixem s e no o troquem por outros
Deuses ou por outras religies e invocando uma reserva de
mercado, um "direito de preferncia" na escolha religiosa.
Acredito em Deus. Lgico que acredito em Deus. Mas no
tenho nenhum tipo de desespero ou medo suficiente a
ponto de ter que acreditar num Deus medocre, falho, falso,
como esse Deus hebreu medocre do velho do Antigo
Testamento.
Acredito em um Deus de amor, que  grande, infinito, mas
nunca poderia acreditar em um Deus bizarro, pequeno,
tribal, exclusivo dos judeus, odiosamente pequeno. O
verdadeiro Deus do universo no  pequeno. O Deus que a
Bblia descreve no Antigo Testamento  um Deus muito
insignificante para uma crena inteligente. Quem poderia
adorar um Deus como esse Deus do Antigo Testamento que
 uma ofensa e afronta  inteligncia alheia?
No posso e no acreditarei num Deus assim. Esse Deus c
uma mentira, uma impostura.  uma blasfmia contra a
prpria idia de Deus.
Com um Deus medocre como o Deus descrito no Antigo
Testamento, os sacerdotes saduceus e os escribas nem
precisavam se dar ao trabalho de criar a figura do Diabo. O
prprio Deus j  uma ameaa de sofrimento eterno.

(xodo 29.45-46) "Residirei entre os filhos de Israel, e serei
o seu Deus....e eles sabero que eu sou o Senhor seu Deus
que os tirei fora da terra do Egito e que eu posso morar entre
eles: Eu sou o Senhor seu Deus."
Quanta arrogncia !!! E quanta estreiteza geogrfica. Um
Deus tribal, restrito aos hebreus, aos filhos de Israel, um
tirano de aldeia, sem grande alcance, preocupado somente
com a tribo de Israel e o seu relacionamento com o Egito. 
um Deus pequeno demais, tribal demais, criado por
sacerdotes hebreus, para justificar as cobranas de dzimos e
de prestao de servios de sacramentos e para justificar as
atrocidades que a tribo dos hebreus cometeu durante
sculos.
Pobre Deus velho, do Antigo Testamento. E querem fazer
desses escritos bblicos a "palavra de Deus".
Claro que isso, esse amontoado de bobagens e atrocidades,
no  a palavra de Deus.
Deus  bom e  da paz?  (Deuteronmio 32.4) "Ele 
justo e reto.
Este  e deve ser o princpio do que seja Deus. O Deus
inspirado no amor, csmico, universal, baseado no princpio
de justia e da retido de carter."

(Isaias 45.7) "Eu sou o Senhor... formo a luz, e crio as trevas,
eu fao a paz e crio o mal, fao a felicidade e a
infelicidade..."
Pronto, a j comea o dedo humano com suas bobagens,
invencionices e as interferncias dos desejos dos escribas e
sacerdotes.

(xodo 15.3) "O Senhor  um guerreiro, ele  quem dirige as
batalhas."
A est, de corpo inteiro, o retrato fiel do Deus dos hebreus,
o Deus particular de Israel.. Tem que ser forte, tem que ser
guerreiro, tem que matar, tem que mandar matar, tem que
impor o medo e o terror, seno eles acreditam que Deus
no ser temido o bastante para ser respeitado como Deus.
J o Deus do amor, da paz, da compreenso, da fraternidade,
da justia, do perdo, no passa nem perto dos textos
bblicos do Antigo Testamento.

O incitamento  caa s bruxas  (xodo 22.18) "No
deixars viver a feiticeira. (20) Aquele que oferecer sacrifcio
a outros deuses ser exterminado.
Tu castigars de morte aqueles, que usarem de sortilgios, t
de encantamentos."
Guarde bem esta passagem bblica. Foi exatamente este
trecho raivoso e discriminatrio que fundamentou os
maiores assassinatos da histria da humanidade. Foi alegando
obedecer  Bblia e perseguir a bruxaria, sortilgios e
encantamentos que, sacerdotes e religiosos, dizendo-se agir
em nome de Deus, que se praticou chacinas (orno a caa s
bruxas, a santa inquisio e trocentas perseguies religiosas
espalhadas pelo mundo obscuro da regueira religiosa. Bastava
algum ser acusado de bruxaria ou sortilgio ou de estar
usando de encantamento para ser acusado, pela igreja, de
ser bruxa para ser "purificada" na fogueira.
Esta citao bblica  "No deixars viver a feiticeira"
inspirou um dos episdios mais negros da humanidade, e
uma das maiores vergonhas pela qual o ser humano se viu
rebaixado. Uma mancha indelvel e que jamais ser
esquecida pelos registros histricos.
Outro importante destaque  para a exclusividade do
"franchising" religioso. Ou seja, Aquele que oferecer sacrif-
cio a outros deuses ser exterminado. Quer dizer, voc so-
mente poder dar dinheiro para este templo, para esta reli-
gio. Sua alma e seu dinheiro Me pertencem. Se fores adorar
outros Deuses sers exterminado...
Lamentvel... Terrivelmente lamentvel. No   toa que
cristos do mundo inteiro sentem vergonha do Antigo
Testamento, evitam-no de todas as formas e restringem-se a
reconhecer basicamente o Novo Testamento.

As exigncias de ofertas para Deus  (Gnesis 22.2)
"Deus disse a Abraho: "Toma teu filho, teu nico filho
Isaac, e a quem amas, e vai-te  terra de Mori; oferece-o ali
em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei."
(xodo 22.29) "No tardars em trazer ofertas do melhor das
tuas ceifas e das tuas vinhas; o primognito de teus filhos me
dars. Proceders da mesma forma com o primognito de
sua vaca e de sua ovelha..."
Holocausto perptuo  (xodo 29. 38) "Sobre o altar
oferecereis o seguinte: dois cordeiros de um ano,
diariamente e para sempre. Um oferecido de manh e outro
 tarde. Com o primeiro cordeiro, oferecers um dcimo de
flor de farinha, amassada, com um quarto de azeite, e um
quarto de vinho... este holocausto ser perptuo..."
 o imprio do terror e da vigarice religiosa.
Existe alguma dvida de que este Deus velho do Antigo
Testamento, sentado numa nuvem, tal qual Zeus (Deus dos
gregos) ou Jpiter (Deus dos romanos),  o Deus dos hebreus
(judeus)? Esperto, esse Deus... antes de cuidar das questes
existenciais e universais (amor, perdo, compaixo,
fraternidade, etc.) trata de instituir um esquema de ofertas
para manuteno dos espertos sacerdotes e religiosos
representantes comerciais de Deus na Terra. Na verdade,
alm de instituir o sistema de ofertas, estabelece a oferta
como algo sagrado, pertencente a Deus, e que, portanto, se
for desobedecido poder ensejar grande castigo, inclusive a
ira de Deus, que conforme j vimos anteriormente, domina
tudo e a todos pelo medo, pelo terror, matando ou
mandando matar.
Aqui nesta passagem bblica os espertos sacerdotes, como se
fosse Deus falando, instituem a vigarice do dzimo perptuo,
para manter as igrejas ("oferecers um dcimo de flor de
farinha") e ainda criam a exigncia de ofertas obrigatrias,
mantendo o pobre coitado do povo sofrido em permanente
estado de misria, obrigado a dar tudo que  seu para a
manuteno dos espertos sacerdotes dos templos,
representantes comerciais do Deus de Israel na Terra..
A cumprir essa vigarice de xodo 29, o pobre coitado do
crente e temente a Deus deveria viver em funo de dar
"dzimo" perptuo  igreja e de no fazer outra coisa na vida
a no ser dar seus bens para a igreja. Isto porque de manh e
de tarde ele, o pobre crente, tinha que dar "dois cordeiros de
um ano, diariamente e para sempre. Um oferecido de
manh e outro  tarde". E o mais apavorante: "este
holocausto ser perptuo..."
Mas, o mais cruel  perceber a interferncia humana dos
escribas judeus nesta histria toda. Veja bem. Segundo a
Bblia, a "palavra de Deus", oferecer sacrifcio ao Deus dos
hebreus  mais do que obrigatrio, para poder sustentar e
manter os sacerdotes que vendiam estes mesmos animais
nos templo (motivo da ira de Jesus) para serem mortos em
sacrifcio (holocausto) ao Deus dos hebreus.
Entretanto, os "espertos" sacerdotes vigaristas (a quem Cristo
expulsou do templo como vendilhes) fizeram constar na
Bblia, como se fosse a "palavra de Deus", que oferecer
sacrifcio a outros Deuses (que no fosse o Deus dos
hebreus) deveria ser punido com a morte.
Isso  uma descarada vigarice religiosa. Isso  a explorao
religiosa mais desavergonhada e cretina que possa existir.
Isto  ofender  inteligncia alheia e tratar o povo "temente"
a Deus como um bando de imbecis obrigados eternamente a
servir e a manter os espertalhes do templo (diariamente e
para sempre. Um cordeiro oferecido de manh e outro 
tarde". E o mais apavorante: "este holocausto ser
perptuo...)
Jesus tinha total razo em enfurecer-se com as leis e com as
palavras "divinas" dos sacerdotes vigaristas do templo. Essa
explorao humana feita pelos religiosos (representantes
comerciais de Deus na Terra), como se fosse em nome de
Deus, foi o grande divisor de guas da religio e o principal
motivo que levou Jesus  crucificao. Ou seja, o embate
frontal entre Jesus e os sacerdotes vigaristas do templo foi o
maior e o grande motivo que levou Jesus  crucificao.
Foram os sacerdotes do sindrio e no os romanos que
impuseram a crucificao e o castigo a Jesus por ser contra o
comrcio na igreja, contra os vendilhes do templo, contra
as cobranas de pobres coitados para manter a riqueza e
grandeza da igreja.
Mil vezes Jesus venha  Terra e mil vezes se indispor
contra a enganadora cobrana coercitiva do dzimo por sa-
cerdotes vigaristas, representantes comerciais de Deus na
Terra. Mil vezes Jesus se indispor contra as "ofertas" divinas
obrigatrias para beneficiar os vigaristas dos templos. Mil
vezes se indispor contra a matana de animais. Mil vezes se
indispor contra este holocausto de animais e contra a
explorao de pobres "tementes" a Deus.
Essa vigarice de pregao religiosa de dzimo obrigatrio, de
holocausto de animais, de "ofertas" obrigatrias a Deus,
perdura por sculos e  a base e riqueza das religies. Uma
contradio completa. Isso porque, ainda hoje, algumas
religies endeusam Jesus e contraditoriamente vivem da
explorao em seu nome, ao mesmo tempo exigindo,
coercitivamente, o dzimo obrigatrio para se manterem,
enquanto, ao mesmo tempo, abenoam as ofertas e o
holocausto dos animais.
 claro que uma igreja, um templo, deve viver de seu
trabalho e das doaes (voluntrias,  claro) de seus mem-
bros ou componentes. Agora, da a tornar obrigatria a
doao ou o dzimo, enganando o povo, dizendo que isso  a
vontade e a palavra de Deus, que est na Bblia, e por isso
no pode e no deve ser desobedecido,  uma grande, uma
enorme vigarice religiosa.

Morcego virou ave?  (Deuteronmio 14:11-18) "Toda a
ave pura comereis. Porm estas so as que no comereis: a
guia, (...) a poupa e o morcego."
Para deixar bem claro que a Bblia no  a palavra de Deus, e
que o que ali est escrito foi escrito e inspirado por
humanos, expondo toda sua ignorncia e todas as suas fra-
gilidades, aqui vai mais uma dessas fragilidades: a ignorncia
(o desconhecimento) em zoologia.
A guia  uma ave, a poupa, para quem desconhece,  uma
ave (da famlia dos corvos), o morcego, apesar de voar,  um
mamfero. No  uma ave.
A cultura cientfica universal e a zoologia evoluram
bastante, mas independentemente desta evoluo, se a Bblia
fosse a palavra de Deus, se tivesse sido ditada por Deus, o
morcego seria naquele tempo o mesmo morcego que 
agora, um mamfero, e Deus, sendo Deus, sapiente
atemporal, saberia naquele tempo o mesmo que sabe agora,
no se enganaria numa questo to simples de zoologia. Mas
como a Bblia no  a palavra de Deus, foi escrita por
escribas comuns, a mando de sacerdotes e religiosos
humanos, ignorantes em zoologia, que naquele tempo no
sabiam diferenciar uma ave de um mamfero, fica aqui a
evidncia e prova de quanto o ser humano interferiu
pessoalmente na Bblia.

Insetos tm quatro patas?  (Levtico 11.21-23) Mas de
todo inseto que voa, que anda sobre quatro ps, podereis
comer...
Aqui mais uma ignorncia dos sacerdotes e dos religiosos
humanos que escreveram a Bblia e que colocaram a culpa
em Deus. Insetos no tm quatro patas (ou ps). Insetos tm
trs pares de pernas, na realidade seis patas.
E ainda querem fazer crer que Deus naquela poca
desconhecia isso, ditou errado para os escribas da Bblia e s
agora, com a evoluo do conhecimento da humanidade, 
que os escribas ficaram sabendo que os insetos possuem seis
patas.
Essa  mais uma, dentre as tantas provas e evidncias, de que
a Bblia, a despeito dos inmeros erros,  um grande livro de
ensinamentos filosficos, sim, mas que est longe, muito
longe de ser a palavra de Deus ou de ter sido escrita por Sua
ordem ou inspirao.
Apesar de ser um livro que em alguns momentos contm
grande sabedoria espiritual, a Bblia  um livro de humanos,
escrito, feito e impresso pelos humanos, com todos os erros
e defeitos inerentes ao ser humano. Falsear isto,  falsear
tudo.

Dvida terrvel  Temos que amar a Deus (Deuteronmio
6.5), ou temos que ter medo de Deus (Deuteronmio 6.15)?
Essa "obrigao" de ter que amar a Deus, em si, j
desqualifica o Deus bblico do Antigo Testamento como um
verdadeiro Deus de amor, isto porque amor no se impe e
no se obriga. Ao contrrio, o Deus do Antigo Testamento 
um. Deus ameaador, que nada tem a ver com amor,  um
Deus imposto, obrigatrio, onde voc  obrigado a tem-lo
antes de am-lo. Isto porque, segundo a Bblia, antes de tudo
e acima de qualquer outra coisa, voc deve temer a Deus.
(At recentemente, os religiosos confessavam-se como po-
vos tementes a Deus, o que  um absurdo completo e total)
Isso no  Deus. Isso no pode ser Deus. Isso no tem nada a
ver com amor, com perdo, com paz, com fraternidade,
amor ao prximo. Isso  um Deus especfico e particular, um
Deus dos hebreus, para servir ao sindrio judaico. S e to
somente isso.

O cu amparado por colunas?  (J 26.11) As colunas
do cu tremem, e se espantam da sua ameaa.
Mantendo aquela ignorncia j citada, de que a Terra era
plana, que o cu era uma coisa fixa que cobria-nos a cabea,
que os planetas e as estrelas eram coisas fixas no cu, como
se fossem lmpadas pregadas no teto, aqui o cu  amparado
por colunas...
Santa ignorncia dos sacerdotes que ordenaram aos escribas
para colocarem na Bblia essas coisas tolas e colocaram a
culpa em Deus, dizendo que a Bblia  a palavra de Deus.
O "santo" Moiss  (Nmeros 31.14.17.18) Indignou-se
Moiss grandemente contra os oficiais do exrcito (...)
Disse-lhes: Por que deixastes com vida todas as mulheres?
(...) Agora matai todas as crianas do sexo masculino. E
matai tambm a todas as mulheres que coabitaram com
algum homem, deitando-se com ele... mas todas as donzelas
que no conheceram homem e deitaram com ele, trinta e
dois mil, reservem-nas vivas para vocs mesmos."
Grande imagem do patrono e figura principal da religio
judaica. Assassino cruel, matador de mulheres e crianas (do
sexo masculino, pois as do sexo feminino ele tomava-as para
si e para os seus) e de mulheres casadas (que coabitam com
homem), pois as donzelas serviam de pasto para o "grande"
Moiss e seus homens.
Alis, Moiss era mesmo um "santo", mandou passar no fio
da espada milhares e milhares de pessoas que adoravam o
bezerro de ouro, menos,  lgico, seu "santo" irmo. Moiss
tinha um senso de justia fantstico, bastante peculiar e
particular.
Graas aos escribas hebraicos, que escreveram a Bblia como
se fosse a palavra de Deus, fica para toda a eternidade o perfil
exato e por inteiro das "santas" figuras bblicas, como
Moiss.

Bom conselho  (Deuteronmio 21.10) "Quando fores 
guerra... se vires uma mulher de bela aparncia...
primeiramente lev-la-s para a sua casa... despirs teu
vestido de cativa... ela chorar durante um ms... depois
disso ela ser tua mulher."
Isso no  nem pode ser um texto bblico inspirado por
Deus. Isso  um manual de rapto, seqestro e estupro. Que
no ponham a culpa em Deus, como se sua palavra fosse,
pelos relatos das atrocidades contidas na Bblia. E nem se
atribua a Deus a origem de tais relatos. Isso  uma insanidade
da associao dos seres humanos (sacerdotes) que
escreveram a Bblia e do Deus velho do Antigo Testamento,
que no tem nada a ver com o Deus de verdade.

O "santo" David  (Samuel 11.2) O Rei David obteve uma
das suas muitas esposas por seqestro, estupro e assassinato.
Bathsheba (Betsab), esposa de Uriah, ficou grvida de
David. Para se livrar de Uriah, David manda-o numa misso
suicida, onde  morto. Sem Uriah, David traz Bathsheba
(Betsab) para viver em sua casa. E, por "castigo", o Senhor
perdoou o pecados de David mas golpeou, matando, a
criana que a esposa de Uriah teve de Davi.
Mas que belo exemplo de "justia divina" do Deus velho do
Antigo Testamento. A pobre da Bathsheba (Betsab), esposa
de Uriah, depois de ter sido seduzida e seviciada por David,
de ver seu marido ser morto por artifcio de David, foi
estuprada por David, teve um filho ilegtimo proveniente
desse estupro... e o que fez o Deus velho do Antigo
Testamento? Puniu David? No! Matou o filho da viva de
Uriah estuprada por David.
Mas que bela "justia divina".
E o "santo" David continua a ser, como o "santo" Moiss,
uma das figuras patriarcais centrais da religio judaica.

A face de Deus  (xodo 33.20) "No poders ver a
minha face, pois homem nenhum pode ver a minha face, e
viver."
Este  o grande preceito bblico e grande dogma universal.
Ningum v Deus. Ningum nunca viu Deus. Ningum
pode ver Deus.

(xodo 33.23)  "Depois, quando eu tirar a mo, me vers
pelas costas, mas a minha face no se ver."
Voltamos ao reino da fantasia, da mentirinha. Apesar de no
se ver a face de Deus, v-se a personificao do Deus velho
do Antigo Testamento, de roupo branco, sentado numa
nuvem, mas de costas. Sem mostrar a face... mas
conversando normalmente.
Belo progresso. No mostra a face, mas mostra... as costas.

(Gnesis 32.30) "Jac chamou quele lugar Peniel, pois disse:
Vi a Deus face a face, e a minha vida foi poupada."
A mentira vai evoluindo, evoluindo, evoluindo
gradativamente. Primeiro ningum pode ver a face de Deus.
Depois, Deus s aparece de costas, sem mostrar a face, mas
conversando. Agora Deus j aparece cara a cara para uns
apaniguados...
Jac, para ser santificado pelos simpatizantes escribas da
Bblia, diz ter visto Deus, face a face (cara a cara), como se
isso fosse possvel.
Mentira? Erro? Contradio? Ou pura bobagem dos escribas,
seres humanos, que redigiram a Bblia como se fosse a
palavra de Deus, atribuindo ao livro uma santificao
inexistente?

(xodo 33.11) "Falava o Senhor a Moiss face a face, como
qualquer um fala com o seu amigo."
Pelo visto, Moiss, David e Jac tm grande prestgio com
os escribas da Bblia. Seqestram, estupram e matam, e nada
de mal lhe acontece. Jac esteve com Deus cara a cara e sua
vida foi poupada. E agora  a vez de Moiss, que esteve com
Deus, cara a cara, como com um amigo, numa conversa
bastante coloquial e informal.
E ainda querem que o Antigo Testamento tenha
credibilidade...
Depois das bobagens sobre a criao do mundo, de Ado e
Eva, da arca de No, de parar o Sol diante da Terra, do Sol
girar em volta da Terra plana, onde o cu  fixo e sustentado
por pilastras, dos planetas e estrelas serem fixos pendurados
no cu como se fossem lmpadas num teto; do morcego
virar ave; dos insetos terem quatro patas; agora apresentam
Deus como um sujeito velho e barbudo sentado numa
nuvem e que nos momentos de folga, na falta do que fazer,
mantm conversas coloquiais com Moiss, David e Jac.
E depois no sabem como e porque o Antigo Testamento 
to repudiado (pelos prprios cristos) e criticado pela parte
inteligente da humanidade.

(xodo 24.9-11) Subiram Moiss e Aaro, Nadab e Abi, e
setenta dos ancios de Israel, e viram o Deus de Israel.
Debaixo dos seus ps havia como que uma calada de pedra
de safira que se parecia com o cu na sua claridade. Mas
Deus no estendeu a sua mo contra os escolhidos dos filhos
de Israel... eles contemplaram a Deus, e comeram e
beberam.
Virou festa. Decididamente no  de Deus, do Deus
verdadeiro, que estamos falando.  uma "coisa" qualquer
apelidada de Deus de Israel (aquele tal Deus tribal, aquele
tiraninho de aldeia que mata, manda matar, que xinga,
esbraveja, que odeia, que se vinga).  o tal Deus dos
hebreus, ntimo de Moiss, o grande patrono dos hebreus.
Aquele que  um assassino cruel, matador de mulheres e
crianas (do sexo masculino, pois as do sexo feminino ele
tomava-as para si) e de mulheres casadas (que coabitam com
homens), pois as donzelas serviam de pasto para o "grande"
Moiss e seus homens.
Pois , este mesmo Moiss, ntimo que estava do Deus dos
hebreus, o Deus velho do Antigo Testamento, Deus de
Israel (o tal Deus tribal), agora no s encontrava-se cara a
cara com Deus como Deus ainda recebia Moiss e seus
amigos Aaro, Nadab e Abi e mais setenta ancios do
sindrio para uns comes e bebes informal, onde o mximo
de protocolo que Deus exigia era no estender a mo aos
convidados.
Esse  o momento exato em que as religies bblicas deixam
a condio de religio e assumem a face de mitologia bblica.
As mitologias grega e romana eram to fantasiosas quanto a
mitologia bblica, mas ningum era obrigado a acreditar num
livro grego ou romano como se fosse a "palavra de Deus"
(embora os gregos fossem excelentes intelectuais, escritores
e escultores)

O incentivo ao incesto  (Gnesis 19.31-32) "A mais
velha disse  mais jovem: "Nosso Pai  velho, e no h um
homem na terra com quem possamos casar, segundo o
costume de todo o mundo. Venha, vamos fazer nosso pai
beber vinho, e deitaremos com ele, que podemos preservar
a semente de nosso pai."
(Gnese 19.36) "Assim estavam ambas as filhas de L
esperando um filho de seu pai."
Desde os relatos da criao do mundo, a Bblia, de uma
maneira geral e direta, entende o incesto como uma coisa
normal, natural. Foi assim na historinha fantasiosa de Ado e
Eva e seus descendentes, e  assim em L e suas filhas,
sendo que ao longo da Bblia diversos casos de estupro e
incesto so praticados como atos de pura normalidade.  a
moral "atemporal" dos "slidos" ensinamentos tribais b-
blicos.
 bem da verdade, esse Deus dos hebreus pouca diferena
faz dos Deuses gregos e romanos. Os Deuses gregos e
romanos costumavam estuprar e engravidar virgens, praticar
o incesto, tendo filhos com suas filhas... um hbito que foi
passado para os hebreus como uma cultura normal da poca.
As diversas semelhanas entre as mitologias grega e romana
e a mitologia das religies bblicas so mais do que claras e
evidentes.

Incentivo  prostituio  (Osias 1.2) "O Senhor co-
meou a falar com Osias: "Vai, toma por mulher uma
prostituta e gera filhos de prostituio, porque a nao no
cessa de se prostituir"
Dizer o qu diante de um descalabro desses? Esse sbio
conselho, segundo a Bblia,  o que de melhor Deus podia
fazer por Osias em termos de ensinamento.
Esse, por acaso,  o seu Deus? Voc pode imaginar o seu
Deus dando um conselho desses?

Sbios conselhos  (Provrbios 26.4) No respondas ao
tolo segundo a sua estultcia, para que tambm no te faas
semelhante a ele.
(Provrbios 26.5) Responde ao tolo segundo a sua
estultcia, para que tambm no te faas semelhante a ele.
(Em algumas verses bblicas, esses provrbios so em re-
lao ao louco e sua loucura, ao invs do tolo e sua tolice.
Mas o sentido  o mesmo)
Sbio conselho:
No respondas ao tolo segundo a sua estultcia.
Responde ao tolo segundo a sua estultcia.
Parece o Orculo de Delfos, que quando perguntado o que
aconteceria na guerra entre os dois maiores imprios gregos
da poca, o orculo deu como "sbia" resposta que "um
grande imprio iria ser destrudo". Mas  claro. Se os dois
maiores imprios gregos iriam lutar entre si, um iria ser
destrudo e deixaria de ser um grande imprio.
Como no Orculo de Delfos: "Responda e no responda ao
tolo segundo a sua estultcia".  um sbio conselho. Digno
de um orculo grego.

Matando o que no mais existia  (xodo 9:3-6) Deus
mata todos os animais dos egpcios com uma forte
pestilncia; nenhum deles sobreviveu  pestilncia.
Depois, no mesmo xodo, (xodo 9.19-21,25) Deus mata
todos os animais dos egpcios com uma chuva de granizo.
Como Ele (Deus) poderia matar novamente todos os animais
dos egpcios com uma chuva de granizo se Ele j havia
matado antes todos os animais de pestilncia e no havia
sobrado nenhum?
 claro que esta  somente mais uma das trocentas
contradies bblicas em que ora  dito uma coisa e a seguir
 dito outra, completamente diferente.

Questes indigestas
Que me perdoem pela abordagem voltaireana, a seguir, mas
vejamos alguns questionamentos, pertinentes, surgidos em
razo de dvidas do nosso dia a dia, imaginando-se as
questes como tendo sido levantadas em razo do
seguimento fiel ao texto do Antigo Testamento da Bblia.
        O Brasil  tido como a terra do churrasco, mesmo longe
do Rio Grande do Sul, onde a carne de boi  quase um
objeto de adorao. Assim sendo, questiono: Quando eu
fao um churrasco e queimo a carne como um touro no altar
de sacrifcio, e sei que de uma maneira bblica, isso cria um
odor agradvel para Deus, conforme Levticos 1.9.
Entretanto, surge um grande problema: os meus vizinhos
enlouquecem com o cheiro do churrasco. Eles reclamam
que o odor  terrvel para eles. Devo mat-los por heresia,
conforme manda a Bblia?
        Face s desigualdades sociais existentes nos pases do
terceiro mundo, um pobre conhecido meu gostaria de
vender sua filha como escrava, como  permitido na Bblia
em xodo 21.4 a 7. Entretanto, tenho uma grande dvida de
aconselhamento quanto  questo financeira: Qual seria o
preo bblico justo por ela, como escrava? Continua valendo
somente trinta moedas ou o cmbio mudou?
        Em Levticos 25.44 a Bblia afirma que eu posso possuir
escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem
comprados de naes vizinhas. Ou seja, posso comprar nos
pases vizinhos do Brasil, mas no posso comprar escravos
aqui no Brasil. Um amigo meu diz que essa permisso de
compra de escravos nos pases vizinhos somente se aplica
aos paraguaios, mas no aos argentinos. Por que eu no
posso comprar um escravo argentino?
        Um conhecido meu insiste em trabalhar aos sbados. Em
xodo 35.2 claramente afirma que ele deve ser morto por
trabalhar aos sbados. Da eu pergunto: Eu sou moralmente
obrigado a mat-lo mesmo? Devo usar que prtica religiosa
para este fim? Apedrejamento, passar no fio da espada, abri-
lo ao meio igual o que se fazia com as mulheres grvidas,
segundo a Bblia?
        Um outro amigo acha que comer marisco, camaro e
lagosta  uma abominao (Levticos 11.10). Seria esta
abominao (comer marisco, camaro e lagosta) uma
abominao maior ou menor que a homossexualidade, que
para a Bblia tambm  uma abominao passvel de morte?
        Naquele tempo em que os escribas fizeram a Bblia no
existiam os culos. E em Levticos 21.18-20-21 afirma que
eu no posso me aproximar de Deus se eu tiver algum
defeito na viso. Como eu uso culos para ler, a minha viso
para perto no  l muito boa, eu questiono: Devo me afastar
de Deus por problema de viso? Ser que  por isso que
algumas igrejas mandam os fiis atirarem fora seus culos
durante certos cultos pblicos em estdios e os transmitidos
pela televiso?
        Eu confesso: Eu corto meus cabelos e aparo a barba e o
bigode, inclusive o cabelo das tmporas, mesmo que isso
seja expressamente proibido em Levticos 19.27. Como isso
 um crime, segundo a Bblia, eu devo me matar ou pedir a
algum que me mate em nome de Deus?
        Eu sei que comer a carne de porco, por ser um animal
com ps bifurcados, me faz impuro (Levticos 11.7-8). Mas
eu adoro torresmo, lingia, costeleta de porco, e feijoada.
Devo me matar biblicamente pelo crime da feijoada?
 Eu tenho uma horta, planto diversas rvores frutferas e
tenho uma plantao variada de verduras e vegetais. Sei que
isso viola Levticos 19.19 (plantando dois tipos diferentes de
vegetais no mesmo campo) pois a Bblia probe plantar duas
plantas diferentes no mesmo campo. Minha esposa tambm
viola Levi ticos 19.19, porque usa roupas feitas de dois tipos
diferentes de tecido (algodo e polister), que a Bblia
tambm probe o uso de dois tecidos diferentes na mesma
roupa. Alm do mais, quando eu me enfureo, tenho o
hbito de xingar e blasfemar muito, como o Deus da Bblia.
Ser que eu corro o risco de morrer apedrejado conforme
Levticos 24.14-16? Alis, eu tenho um monte de
conhecidos meus que agem da mesma forma. Ser que eu
poderia queim-los em uma cerimnia privada, conforme
previsto em Levticos 20.14?

A bem da verdade, esses questionamentos, voltaireanos,
entram aqui como um testemunho do absurdo que  quando
ao invs da Bblia estar tratando de questes universais s-
rias, entra na discusso de pormenores tribais como: pragas e
ameaas divinas, castigos divinos, maldies divinas,
vinganas divinas, assassinatos divinos, ou estabelecendo
como possuir escravos, inclusive fixando uma tabela de
preos de escravos.
Quando o Antigo Testamento da Bblia deixa de se preo-
cupar com coisas srias e universais e passa a definir e a
estabelecer regras para pureza e impurezas de animais e de
seres humanos, virgindade, incesto, sacrifcios e holocausto
de animais, dzimo e ofertas, brigas tribais, que no tm o
menor sentido para um Deus csmico, universal, a Bblia
transforma-se, a partir da, num livro absolutamente co-
mum. Pois somente um Deus pequeno, tribal, como o Deus
velho do Antigo Testamento,  que questes tribais como
estas passam a ter sentido.
Envergonhados com este Deus tribal do Antigo Testamento,
os cristos no admitem, mas a maioria deles desejaria que o
Antigo Testamento jamais tivesse sido escrito. Por isso, a
nova gerao de cristos  predominantemente evanglica,
ou seja, adoradores do evangelho, em especial os quatro
evangelhos que compem o Novo Testamento,
envergonhados que esto do velho Deus velho do Antigo
Testamento, e por isso mesmo esto mudando de Deus,
trocando o Deus velho do Antigo Testamento para um Deus
novo, o Deus do Novo Testamento: Jesus.



Erros e Contradies Bblicas
Novo Testamento

        "E Jesus, pai?  Deus de verdade?"
        "No, filho... Deus  Deus, Jesus  Jesus. Pretender
transformar Jesus em Deus, trocando um Deus pelo outro,
fingir que o Deus do Antigo Testamento no existe, nunca
existiu, e que somente existe o Deus do Novo Testamento,
no modifica muita coisa. Ao contrrio, sob certos aspectos,
at complica e desacredita o Novo Testamento. Isto porque,
se Jesus  filho do mitolgico e personificado Deus velho da
Bblia, conforme faz crer a Bblia, ento Jesus sendo filho do
Deus personificado do Antigo Testamento... continua a
histria... filho do Deus mitolgico velho do Antigo
Testamento, barbudo, de roupo branco, sentado numa
nuvem... etc."
        "Como  que ? No entendi, pai...!!!"
        "Se o novo Deus do Novo Testamento, Jesus, no  filho
de Jos e sim filho de um outro Deus personificado (um
outro Deus que no o Deus mitolgico e velho do Antigo
Testamento)... ento esto criando um outro Deus, tambm
personificado como no Antigo Testamento, e incorrendo
em novos e velhos erros. Isto porque, ao personificar o
novo Deus, tratando-o como uma pessoa (seja o Deus velho
ou um novo Deus criado), sendo Ele a imagem do ser
humano, e como tal, responsvel pela fecundao de Maria,
mantendo ou no relaes sexuais com ela (exatamente
como os Deuses da mitologia grega e romana faziam para
"produzir" novos deuses, semideuses, etc.), volta-se a todo
aquele questionamento de Deus ser uma figura mitolgica
criado e inventado  imagem e semelhana do ser humano,
e a vem todo o questionamento de ser homem ou mulher,
preto ou branco, ter pai e me, av, etc.
Entendeu agora, filho? Realmente admitir a fecundao de
Maria, por Deus,  trocar seis por meia dzia. Voltaramos 
estaca zero do Deus velho do Velho Testamento ou de um
Deus personificado.
Para facilitar a compreenso e no entrar numa discusso
interminvel que remete ao Antigo Testamento e todos os
questionamentos de um Deus velho e mitolgico que
envergonha os cristos  embora eles no admitam 
vamos admitir que Jesus  filho de Deus (o verdadeiro
criador do universo, sem forma, que ningum sabe como  e
que jamais foi visto por quem quer que seja) como todos ns
somos filhos de Deus e tudo mais que existe no mundo 
filho ou criao de Deus. (Sem falar na fecundao fsica de
Maria, feita por Deus, pois a a questo fica interminvel)
Vamos admitir dessa forma e ignoremos, por instantes, essa
fantasia mitolgica de que Deus (como se fosse gente) veio
ao mundo, teve relaes sexuais com Maria, engravidou-a, e
ela continuou virgem. Isso  coisa de mitologia, e sequer
chega a ser original, posto que  uma cpia mal feita das
mitologias grega e romana."
        "Quer dizer, pai, que antes de Cristo os Deuses tambm
engravidavam pessoas para fazer novos Deuses?"
        "Pois era assim, filho, que funcionavam as mitologias,
principalmente a mitologia grega."
        "E a me de Jesus, pai? Como foi que ela engravidou?"
        "Normalmente, ora. Como todo mundo. Jesus inclusive
teve irmos e irms."..
        "Teve irmos e irms? Por que  que no se fala disso?"
        "No s falam como est escrito e documentado, na
prpria Bblia. A gente vai ver isso com mais detalhe e
preciso mais para a frente. Por enquanto entenda que
Maria, apesar de muito jovem (e por isso as tradues
oportunamente "confundem" jovem com virgem), teve uma
vida de casada absolutamente normal. Casada com Jos,
Maria teve filhos, e vrios (ao todo foram sete. Ou seja,
Jesus, mais quatro irmos e duas irms), conforme Mateus
confirma em seu evangelho (13:55-56): "Por acaso no  Ele
o filho do carpinteiro? No se chama sua me Maria?, e seus
irmos Tiago, Jos, Simo e Judas, e suas irms no vivem
elas todas entre ns?"
 bem da verdade, nestes versculos s existe um equvoco,
 tratar Jesus e Jos como carpinteiro, quando na realidade a
palavra correta utilizada  "tekton", que  uma espcie de
"faz tudo", um campons, um arteso, que alm de cuidar do
campo faz de tudo um pouco, inclusive carpintaria. E Jesus
era bem isso, um arteso campons (que tambm fazia
servios de carpintaria). Tanto que em suas parbolas esto
bastante presentes e impregnadas sua vida de campons com
exemplos ligados  agricultura e  pecuria.
E tem mais. Em Glatas (1:19) est claramente dito: "No vi
mais nenhum dos apstolos, a no ser Tiago, irmo do
Senhor".
Recentemente foi encontrado a funerria de Tiago, irmo de
Jesus, com a inscrio original em aramaico: "Yakv, bar
Yosef, akhui di Yeshua" (Tiago, filho de Jos, irmo de
Jesus)"
        "Mas pai, se Maria teve uma vida comum e normal, como
todo mundo, por que inventaram essa histria de
virgindade?"
        "Para tornar Jesus "puro" desde o nascimento. Quem
acompanhar outros versculos dos evangelhos da Bblia, meu
filho, entender perfeitamente a razo e o porqu de ter sido
inventado a histria da virgindade de Maria. Pois, se Jesus
fosse uma pessoa comum, um qualquer, filho de um
campons, um carpinteiro, ningum lhe daria credibilidade,
pois "santo de casa no faz milagre". Ou conforme registrado
em Mateus (13:57-58): "Mas Jesus disse-lhes: um projeta s
 desprezado na sua ptria e em sua casa. E no fez ali
muitos milagres por falta de f daquela gente". Ou seja, para
que acreditassem em Jesus foi preciso que Ele fosse fazer
milagre longe de sua terra natal, e com isso foi criado uma
histria mitolgica de que Ele era filho de Deus, fecundado
em uma virgem, e que Maria ficou virgem at morrer. Como
se a conjuno carnal de Maria desacreditasse Jesus e sua
obra."
        "Ento "eles" (os religiosos escribas) queriam Deus ou um
quase Deus que j nascesse puro como se fosse um Deus?"
        " mais ou menos isso. A Bblia at promove uma grande
confuso, ora chamando Jesus de Filho do Homem (porque
ele , realmente, filho de Jos), ora chamando Jesus de Filho
de Deus (porque tambm ele , como todos ns somos  s
que a Bblia no esclarece isso e cria uma grande confuso,
dando a entender que Jesus  filho carnal de Deus  o que 
uma bobagem terrvel)
Em Joo (5:25)  dito: "Em verdade, em verdade vos digo
que a hora vem, e j chegou, em que os mortos ouviro a
voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem vivero".
Entretanto, no mesmo Joo (5:27)  dito: "E lhe deu o poder
e autoridade para julgar, porque  o Filho do Homem".
Veja bem, filho, que Joo mesmo cria a confuso, ora
chamando Jesus de Filho de Deus, ora chamando Jesus de
Filho do Homem.
Mas, isso no  um caso isolado, pois tanto Joo quanto os
outros evangelistas chamam Jesus, em vrias passagens,
alternadamente, de Filho de Deus e de Filho do Homem,
demonstrando que Jesus era homem de carne e osso, filho
do homem (com direito at a rvore genealgica, conforme
traado por Mateus), nascido e concebido como todo e
qualquer ser humano. E Maria, sem que isso a desmerea, s
foi virgem at o casamento, pois da em diante teve vrios e
vrios filhos e Jesus teve irmos e irms.
Quer ver exemplos, na prpria Bblia?
(Mateus 13:55-56): "Por acaso no  Ele o filho do
carpinteiro? No se chama sua me Maria?, e seus irmos
Tiago, Jos, Simo e Judas, e suas irms no vivem elas todas
entre ns?"
(Mateus 12:46) "Estava Ele ainda a falar  multido, quando
apareceram Sua me, Seus irmos, que do lado de fora
procuravam falar-Lhe."
(Lucas 8:19) "Sua me e Seus irmos vieram ter com Ele,
mas no podiam aproximar-se por causa da multido.
(Joo 7:3-6) "Disseram-Lhe, pois, Seus irmos: Sai daqui e
vai para a Judia, a fim de os Teus discpulos tambm verem
as tuas obras, pois ningum que pretende ser conhecido atua
em segredo. J que fazes estas coisas, manifesta-te ao
mundo." De fato, nem Seus irmos acreditavam Nele. Jesus
disse-lhes: O Meu tempo ainda no chegou.
Est mais do que claro. No est? Inclusive  bom reparar na
citao anterior, de Joo, que de uma vez s, cita no mesmo
versculo os irmos e os discpulos de Jesus, mostrando que
so diferentes irmos e discpulos. Jogando por terra, desta
forma, a desculpa esfarrapada, inventada por alguns
religiosos (exegetas de bicicleta), de que o termo "irmos"
referia-se aos discpulos de Jesus ou a Seus primos ou
parentes distantes.
Se os verdadeiros irmos de sangue de Jesus, no so seus
verdadeiros irmos, pelo simples argumento cnico de que
"irmos" queria dizer qualquer parente ou amigo, ento
Maria tambm no seria me de Jesus, pois Jesus s a tratava
por "Mulher", e quase nunca por me.
Essa histria de nascimento de virgem decorre sim-
plesmente de uma cpia judaica das mitologias existentes,
principalmente das mitologias grega e romana, onde os
Deuses para criar novos Deuses ou semideuses ou heris,
engravidavam virgens como uma forma de  desde o
nascimento  considerar a autoridade do novo Deus como
sendo inquestionvel. O novo Deus ou semideus, ao ser
fecundado por Deus em uma virgem, j nascia poderoso por
ter sido fecundado por um Deus, e isento de "pecado", por
ter sido gerado em uma virgem.
Outro fator que contribuiu para a inveno mitolgica de
Jesus ter nascido de uma virgem, decorre de uma neces-
sidade de se adaptar a vinda do messias s profecias exis-
tentes no Antigo Testamento, que diziam que o messias viria
do ventre de uma virgem. Entretanto, meu filho, nem isso 
verdade, pois nos textos originais a palavra mal traduzida por
"virgem"  "almah", que na realidade, bem traduzida, em sua
forma mais exata, significa simplesmente "jovem mulher",
"rapariga", "menina", "donzela". No necessariamente uma
virgem."
        "Mas, pai... eles no poderiam ter confundido e errado na
traduo?"
        "De maneira alguma... No se pode nem alegar que a
virgindade de Maria foi um mero "erro de traduo", pois a
palavra que realmente significa "virgem"  "bethulah". Tanto
que no livro de Isaas, "bethulah", como "virgem", aparece
quatro vezes (23:12, 37:22, 47:1, 62:5). Ou seja, os
tradutores sabiam o tempo todo que "almah" no significava
virgem, e que a palavra "bethulah", significando realmente
virgem, jamais foi usada em relao a Maria ou em relao 
profecia da vinda do messias.
Resumidamente, at mesmo no texto da Bblia, em hebreu, a
virgindade de Maria e a alegada virgindade na profecia da
vinda do messias no existem e so obra da inveno
humana, mais especificamente de religiosos interessados em
adaptar os textos da Bblia (Antigo Testamento) aos
interesses religiosos momentneos, pretendendo, com isso,
manter os "fiis" na mesma ignorncia que sempre tentaram
manter em relao  parte de conto de fadas do Antigo
Testamento."
        "Quer dizer, pai, que em momento algum a Bblia fala em
virgem Maria?"
        "No original, no. S nas tradues e verses. O correto a
respeito de Maria  jovem mulher ("almah"), que no quer
dizer, necessariamente, virgem. Mas, alguns podero alegar
que nos evangelhos de Mateus (1:18-25) e Lucas (1:26-35)
consta que Jesus nasceu de uma virgem (embora a maioria
dos textos destes evangelhos seja cpia entre si, adulterados
pela igreja e adaptados s profecias do Antigo Testamento,
para fazer coincidir as profecias do Antigo Testamento com
o que ocorreu no Novo Testamento).
Vejamos: S Mateus (1:23) apela para as escrituras hebraicas
(Antigo Testamento) como explicao para a virgindade de
Maria, induzindo o leitor da Bblia a acreditar que isso era
proftico, que h muito estava escrito no Antigo Testamento
e que profeticamente iria acontecer. Entretanto, no  bem
isso que est no Antigo Testamento. Veja:
Isaias (7:14) "Por isso mesmo, o Senhor, por Sua conta e
risco, vos dar um sinal: Olhai: A jovem (palavra correta)
mulher est grvida e dar a luz a um filho, por-lhe- o
nome de Emmanuel".
Veja bem. O Antigo Testamento no fala em virgem, mas
sim numa jovem mulher, e que o filho desta jovem mulher,
segundo o profeta Isaias, ir chamar-se Emmanuel.
Se por um lado Mateus adultera o texto bblico do Antigo
Testamento, pois "almah" no significa virgem e sim jovem
mulher. Por outro lado Mateus adultera mais ainda a
"profecia", posto que Jesus no se chama Emmanuel,
conforme previsto na profecia do Antigo Testamento. Alis,
o prprio nome de Jesus  de um mistrio absoluto.
        "Mistrio como? O nome dele no  Jesus?"
        "Tambm..."
        "Tambm como?  ou no  Jesus?"
        "Ele chama-se Jesus ou Yesus em latim. Ou Yeshua
tambm em latim ou Jeshua em hebraico. Mas tambm 
Josu ou Giosu ou Joshua ou Yoshua, dependendo de onde
Ele  chamado. E at mesmo atende pelo ttulo de Cristo ou
Christs em grego."
        "No entendi nada. Qual o seu verdadeiro nome de
Jesus?"
        "Para ns  Jesus e pronto. Pois todos esses nomes, na
realidade no so nomes como ns conhecemos. Na verdade
so ttulos honorficos ou apelidos que significam "Salvador",
"Ramo", "Vara", "Ungido", "Messias", "Escolhido".
Coincidncia ou no,  assim tambm em relao a Deus
que, no texto original da Bblia,  chamado de Elohim, Eloah
(Vindos do cu), El Chaddai (Onipotente / O todo
poderoso), Elin (O Altssimo), Adonai (Divino), Jav (O
Deus vivo) ou Jeov. E no caso de Jesus aconteceu algo bem
semelhante, vez que ele recebeu vrios nomes, ou melhor,
vrios apelidos, significando ttulos honorficos.
Um outro apelido de Jesus bastante comum  o de "Jesus de
Nazar", adaptado do hebraico Yeshua (Salvador) Netser
(Ramo). Entretanto, "Jesus de Nazar" ou Yeshua Netser no
 um nome, e sim um ttulo, que significa o Salvador de
Nazar, ou o Ramo de Nazar, ou o Ramo Salvador de
Nazar. Isto porque, havia a necessidade de se adaptar o
nome de Jesus s benditas profecias do Antigo Testamento,
como em Isaias 11:1, ao tentar predizer que de Jess (pai do
Rei David) nasceu a Vara ou o Ramo, predizendo um
messias "E sair uma Vara do tronco de Jess, e um Ramo
crescer fora de suas razes..."
        "Ah... ento quer dizer que o nome d'Ele, na verdade, 
um ttulo, e como Ele chama-se Jesus e no Emmanuel no
se cumpriu a profecia do Antigo Testamento?"
        "Exatamente isso. O nome de Jesus  um ttulo honorfico
(O Salvador). E por Jesus no se chamar Emmanuel, no se
cumpriu a profecia do Antigo Testamento."
        "Bom, pai, mas qualquer que seja o nome de Jesus, isso
no modifica a vida dele... Ou modifica?"
        "No. Claro que isso no modifica a vida de Jesus. Estes
registros em relao a Jesus no modificam em nada a sua
histria e nem pretendem modificar, pois qualquer que seja
ou tenha sido seu nome, mundialmente ser conhecido
simplesmente como Jesus para a maioria, com direito a
variaes como Jesus de Nazar, Jesus Cristo e para uns
tantos ser Joshua, ou Jeshua.
Veja bem, filho, eu somente abordei a questo do nome de
Jesus por dois aspectos: Primeiro, porque os apelidos e os
nomes na "Sociedade Secreta de Jesus"  absolutamente
fundamental (Jesus  Xpto, Simo  Pedro, Joo irmo de
Tiago  Boanerges, Batolomeu  Natanael, Levi  Mateus,
Tom  Ddimo, etc.)."
        " mesmo?"
        " sim !!!"
        "Segundo, porque o nome desmistifica a profecia
falsificada no Novo Testamento, feita s avessas. Ou seja,
inicialmente foi dito no Antigo Testamento que o messias
seria o filho de uma virgem (na verdade uma "jovem") e que
se chamaria Emmanuel. E posteriormente tentou-se
adulterar esta histria e foi colocado no Novo Testamento,
70 anos depois de Jesus ter nascido, uma nova "profecia
retroativa" dizendo que o filho da "virgem" se chamaria
Jesus e com isso tentando enganar as pessoas como se a
"profecia" tivesse acontecido."
        "Nossa... mas tanta briga s por causa de um nome?"
        "No existe briga. O que existe  o fato de, se voc
questionar e pesquisar, a verdade sempre acaba aparecendo,
apesar das pessoas ficarem escondendo para tentar
transformar Jesus em Deus, como se isso fosse salvar a
humanidade. (Alis, se isso, essa bobagem de Mateus, fosse
fundamental, a humanidade j estaria salva e no haveria
mais sofrimento)."
        "Bom... ento a histria parou por a...??? No insistiram
mais no fato da profecia e nem que Jesus  Deus?"
        "Que nada. At hoje insistem em transformar Jesus em
Deus, esquecendo-se do mais elementar disso tudo: Deus 
Deus e Jesus  Jesus. Isso  inquestionvel.
Voc quer ver uma coisa? Veja como a prpria igreja ensina
errado para voc. Por exemplo: reze a "Ave Maria".
 "Ave Maria cheia de graa, o Senhor  convosco, bendito
 o fruto do Vosso ventre: Jesus. Santa Maria, Me de
Deus..."
        "Pode Parar!!! Viu s? Voc mesmo repete a bobagem
sem sequer notar. Santa Maria, Me de Deus? Desde quando
Jesus  Deus? E desde quando Deus tem me?
Essa confuso com relao  questo de Jesus ser filho de
Deus ou filho do homem (Jos), acontece porque a prpria
Bblia, para variar, confunde isso tudo, inmeras vezes, e em
passagens at no muito distantes."
        "Mas, pai, se isso  to claro, Deus  Deus e Jesus  Jesus,
conforme voc diz, por que e como foi criada a confuso
originalmente?"
        "Por vrios motivos, mas sendo o principal deles devido 
invencionice de Joo (Evangelista), que em 10:30 afirma que
Jesus teria dito que Ele (Jesus) e o pai (Deus) eram um s
("Eu e o pai somos um"). Da, para explicar a diferena entre
a verdade e a fora de expresso, so sculos de disse que
disse, falou mas no disse. Falou mas no foi bem isso que
quis dizer... uma complicao.
Na verdade, essa bobagem de confundir Jesus com Deus s
interessa ao segmento religioso que, sentindo-se incapaz de
amar a Deus sem uma forma definida, atribui a Jesus a
condio de ser Deus. Mais especificamente,  imagem
bonita de Jesus, cada vez mais bonita fisicamente, que
comeou com uma figura bizantina feia, foi aformoseando,
aformoseando, sendo melhorado por pintores, at que hoje
em dia j h imagens lindssimas de Jesus com cabelos louros
e de olhos azuis. Repare que ningum quer a imagem de
Jesus bizantino feio, muito menos a imagem de Jesus que foi
criada por computador, retratando-o como Ele deveria ser
fisicamente, segundo estudos antropolgicos de como
deveria ser o judeu mediano daquela poca.
        "Mas, pai, no h um meio de desmentir isso? Jesus
mesmo no poderia desmentir isso?"
        "Ele mesmo, Jesus, j desmentiu, filho. Os homens  que
no querem ver. Jesus renegou esta condio de ser Deus
inmeras vezes. At mesmo a sua condio de rabino judeu,
sbio essnio religioso, no lhe permitia assumir a identidade
de Deus, o que seria uma heresia para ele, justo Ele, um
"rabi" (mestre), profundo conhecedor das leis divinas
judaicas. Seria uma blasfmia inominada. Isto, sem contar
que a prpria Bblia relata os dilogos de Jesus com Deus, na
cruz, onde, primeiramente, ele pede perdo a Deus pelos
seus algozes, dizendo: "Pai, perdoa-lhes, eles no sabem o
que fazem". (Logicamente, se Jesus fosse Deus este dilogo
seria impossvel). E no clmax do martrio, Jesus chega
mesmo a duvidar de seu relacionamento com Deus, ao
questionar: "Pai, Pai, por que Me abandonaste?" (Coisa que
ele no faria se fosse Deus e se tivesse conhecimento dos
planos  de Deus  divinos). E rendendo-se a Deus e aos
planos divinos que Ele desconhecia, conclui: "Est con-
sumado. Seja feita a Vossa vontade" (a vontade de Deus e
no a vontade de Jesus).
        "Quer dizer que Jesus duvidou de Deus?"
        "No  bem assim... Jesus achava que sabia tudo,
conhecia todos os planos de Deus, mas no conhecia. E
quando viu-se frente a frente com a morte, sem entender os
planos de Deus, Ele duvidou e perguntou: "Pai, por que Me
abandonaste?" Mas, rapidamente, Ele lembrou-se de Suas
reflexes no horto. Lembrou-se que Ele teria que tomar
daquele "clice amargo", e rendendo-se a Deus concluiu:
"Seja feita a Vossa vontade".
Filho,  absolutamente desnecessrio alongar a questo se
Jesus  Deus ou no  Deus. Pois somente para atender
interesses religiosos comerciais de determinados segmentos
de igrejas  que Jesus  confundido com Deus, sob a
afirmativa dbia e tola de que "Jesus Cristo  o Senhor",
como se "Senhor" (dono de escravos) fosse designativo de
Deus. S isso. Nada mais do que isso.
Entenda bem e de uma vez por todas: Jesus no  Deus.
Jesus no  Senhor, pois Senhor  feitor de escravos. Jesus 
Jesus. Deus  Deus e Senhor  uma herana maldita dos
tratados escravagistas implantados na Bblia e que os re-
presentantes comerciais das igrejas fazem questo de man-
ter. Chamar Deus ou Jesus de Senhor  uma bobagem do
tamanho do universo.
        "Quer dizer ento que Jesus ser Deus  meramente
para atender a uma questo de interesse financeiro-
religioso?"
        " isso a. S isso. Exatamente isso."
Resta alguma dvida de que Deus  Deus e Jesus  Jesus?
No? Ento abordemos a questo da segunda metade da
Bblia (Novo Testamento), j que o Antigo Testamento,
excludo a parte mitolgica e fantasiosa da criao do
mundo, Ado e Eva, arca de No, dilvio e etc., sobra exa-
tamente o mais importante e o que vale a pena ler na Bblia,
que so as belas palavras dos salmos, dos provrbios, e dos
ensinamentos e sabedorias.
Diferentemente do Antigo Testamento, que
messianicamente  tido como a "palavra de Deus", escrito e
inspirado por Deus, o Novo Testamento (ou a principal parte
dele) foi escrito por quatro apstolos ou evangelistas, seres
humanos, de carne e osso, que contaram a saga e a vida de
Jesus. So eles: Mateus (que foi um coletor de impostos 
Levi , que tambm viveu na poca de Jesus e foi Seu
discpulo); Marcos (que no conheceu Jesus, registrou o
evangelho por ouvir dizer.  tido por alguns como o autor
do primeiro evangelho); Lucas (um mdico que tambm no
conheceu Jesus e reproduziu seus escritos por ouvir dizer, a
quem atribui-se, tambm, o "Ato dos Apstolos") e Joo
(que viveu na mesma poca de Jesus, foi Seu discpulo, foi
evangelista, pregador do evangelho  boas novas  de
Jesus, a quem atribui-se, tambm, o "Apocalipse", e algumas
cartas ou epstolas).
Com muita boa vontade, e bota boa vontade nisso, aceita-se
que os quatro evangelhos sejam de autoria de Mateus,
Marcos, Lucas e Joo, isso porque os evangelhos no so
assinados, no existe qualquer prova, qualquer referncia ou
comprovao histrica quanto os evangelhos terem sido de
autoria destes apstolos, e o mais grave, no existe sequer
prova material da existncia fsica desses manuscritos
originais em aramaico (Os manuscritos originais no eram
assinados, suas autorias so questionveis, os textos eram
folhas soltas, foram misturadas, traduzidas, refundidas pelas
igrejas de acordo com os interesses e a convico religiosa
da poca).
A bem da verdade, sabe-se que estas autorias foram
atribudas e impostas pela igreja de modo a conferir um
certo ar de credibilidade a estes manuscritos. (Embora isto
possa parecer irrelevante,  de vital importncia para a
aceitao dos evangelhos e a sua propagao no mundo
cristo).
De uma maneira geral os quatro evangelhos ficaram
divididos em trs evangelhos chamados sinpticos (do grego
"synoptiks", que quer dizer sinopse, ou vrias coisas vistas
de maneira resumida), que so os de Mateus, Marcos e
Lucas, mas que na realidade so os que foram assumi-
damente copiados uns dos outros, como se fosse uma coisa
s e refundidos (reescritos) pela igreja. E o quarto evangelho
 o "no-sintico", que  o de Joo, o vaidoso, o pernstico e
carente Joo Evangelista, que de versculo em versculo
achava sempre um jeito de se incluir no prprio texto,
escrevendo sobre ele mesmo como "o discpulo a quem
Jesus amava". Entretanto, esta separao entre evangelho
sintico e no sintico  absolutamente irrelevante, haja
vista que a igreja refundiu (reescreveu) os quatro evan-
gelhos, pasteurizando-os com o mesmo interesse e atribuiu-
lhes as autorias que ora so as conhecidas.
Independentemente das questionveis autorias dos
evangelhos, h que se fazer o registro que somente o
evangelho de Mateus foi originalmente escrito em aramaico
(lngua falada na Galilia e na Judia), mas ainda assim, estes
manuscritos foram perdidos, restando somente verses em
grego. Enquanto que os outros trs evangelhos,
estranhamente, foram "encontrados" j escritos em grego
(lngua que mal se falava na regio da Galilia e na Judia).
O que representa dizer que, de tudo que existe como re-
gistro histrico dos evangelhos, restam somente cpias em
grego (e no em aramaico) e que as exatas palavras de Jesus
 em aramaico  esto perdidas para sempre. E isso talvez
explique a confuso de palavras trocadas, palavras no ditas
e/ou conflitantes quando comparadas entre os evangelhos.
Os evangelhos seriam "perfeitos" se as autorias pudessem ser
determinadas e confirmadas e se os manuscritos existissem
fisicamente em original (manuscritos e em aramaico) e
pudessem ser estudados. Entretanto, a igreja colocou tudo a
perder, pois o que resta so cpias "refundidas" e tradues
do que seriam os originais. Sem contar que a igreja primeiro
selecionou quais folhas soltas ela queria e quais no queria,
em seguida atribuiu suas autorias a Mateus, Marcos, Lucas e
Joo, para finalmente excluir e banir os evangelhos que,
cinicamente, a igreja chama de apcrifos (os Gnsticos, o
evangelho dos hebreus, o evangelho dos essnios, o
evangelho dos ebionitas, o evangelho dos egpcios, o de
Tom, o proto-evangelho de Tiago, o de Andr, o de
Bartolomeu, o de Filipe, o de Maria Madalena, o de
Nicodemos, o de Barnab, o de Pedro, e at mesmo os
Manuscritos do Mar Morto) que no interessavam e no
interessam porque conflitam muito com os quatro evange-
lhos (tambm apcrifos) escolhidos pela igreja, vez que estes
evangelhos banidos  considerados cinicamente como
apcrifos ("cinicamente, porque todos os evangelhos so
apcrifos, inclusive os quatro de Mateus, Marcos, Lucas e
Joo, uma vez que nenhum evangelho  assinado e suas
autorias so imputadas e no podem ser comprovadas) 
pois os chamados raivosamente pela igreja de evangelhos
apcrifos assim foram considerados pois retratavam a vida de
Jesus, do nascimento aos 30 anos, que a igreja tanto queria
esconder e por isso desmistificavam as interpretaes
mirabolantes criadas pela igreja a respeito de Deus e de
Jesus.
Este banimento dos evangelhos, raivosa e vingativamente
alcunhados pela igreja como "apcrifos", teve lugar durante
o Conclio de Nicia, 325 d.C., quando a igreja mandou
destruir as cpias dos evangelhos que desagradavam as
verses da igreja, bem como mandou condenar  morte
quem possusse cpia dos evangelhos "apcrifos", como por
exemplo os cinco evangelhos de Tation que demonstram
Maria e Jesus como no pertencentes  nobre descendncia
da casa de Davi; o evangelho egpcio demonstra a passagem
adulta de Jesus no Egito e sua experincia no zoroastrismo; o
evangelho essnio destaca a vida de Jesus como essnio; o
evangelho dos hebreus apresenta a atuao de Tiago na
condio clara de irmo de Jesus, enfocando a infncia de
Jesus como um simples ser humano; o evangelho de
Barnab mostra as viagens de Jesus ao extremo oriente
(principalmente China e ndia) no registradas na Bblia; os
evangelhos de Tom e Filipe relatam que os cristos no
acreditavam que Jesus havia morrido na cruz; e em atos de
Tom  demonstrado que no s Jesus viveu na ndia como
Tom foi o introdutor do cristianismo na ndia. Tom foi
proscrito principalmente por relatar em seu evangelho que
Jesus no nasceu de nenhuma virgem. O evangelho de
Filipe, por sua vez, no s destaca a ida de Jesus para a ndia
como acrescenta como companheiros de viagem a sua me
Maria e a consorte de Jesus, Madalena.
Logicamente, a igreja no queria e no quer nem de perto (e
nem de longe) ouvir falar desses evangelhos. Mas, apesar dos
esforos e ameaas da igreja os registros destes evangelhos
atravessaram sculos e sculos, sobreviveram e esto a
desmentindo e desmistificando as coisas que a igreja tanto se
empenhou em ocultar.
Hoje, no h mais como a igreja esbravejar, ameaar de
morte ou sustentar as mentiras contra os evangelhos que ela
cinicamente chama de "apcrifos" (embora evite discutir
sobre o tema) pois diante das evidncias gritantes o melhor 
silenciar e quem sabe daqui a mil anos pedir perdo,
novamente, como teve que fazer em relao s cruzadas e os
crimes praticados por ela, igreja, durante a santa inquisio.
Entretanto, apesar disso tudo,  bom que se enaltea a atual
posio da igreja catlica, onde j h um grande avano, pelo
fato da igreja reconhecer nas prprias explicaes (bulas) das
Bblias atuais que os quatro evangelhos do Novo Testamento
(Mateus, Marcos, Lucas e Joo) so realmente apcrifos e
que foram montados ao gosto e interesse da igreja, com fins
meramente de catequese. Ou seja, a igreja confessa que
pegou as folhas soltas que interessavam, montou os quatro
evangelhos que haviam sido escolhidos por ela, reescreveu-
os a bel-prazer, de acordo com os interesses da igreja da
poca, visando basicamente ter algo escrito para as misses
de catequese."
        "E como foi que a igreja criou esses evangelhos e atribuiu
aos quatro evangelistas, pai?"
        "Comeou por volta do ano 150 da nossa era. A igreja
pegou aquela "papelada" toda  isso porque os evangelhos
no eram livros completos, eram folhas soltas  e foi
separando e atribuindo autoria: Isso  de fulano, isso  de
sicrano, isso  de beltrano... e no final, depois de ter pilhas
de papis amontoadas, separou em evangelhos por autoria,
reescreveu tudo, dando uma redao final a seu gosto, e
criou um salseiro terrvel. Pois, na tentativa de harmonizar
os textos e fazer tudo coincidir (Mateus copiava Marcos, da
Marcos copiava Mateus, e Lucas copiava os dois. A tal ponto
isso aconteceu, que acabou at perdendo a importncia se
quem escreveu primeiro foi Marcos ou no, pois tudo
acabou sendo cpia de tudo e pasteurizado pela igreja), e
ento a prpria igreja acabou deparando-se com um
problema enorme. Ou seja, quando os evangelhos estavam
narrando o mesmo fato, quando aparecia contradio e
discrepncia... a quem dar maior credibilidade?"
        "A quem? A qual evangelista?"
        "A ningum... pois se originalmente j havia discre-
pncia e contradio entre os textos, at mais no poder, na
dvida a igreja preferiu deixar as contradies entre os textos
a ter que dar razo a um e tirar a razo de outro."
        "Como assim, pai?"
        "Por exemplo, se um evangelista dizia que tal coisa
havia acontecido numa determinada hora ou num deter-
minado lugar, e outro evangelista dizia que havia acontecido
noutra hora ou noutro lugar, a igreja preferiu deixar as duas
verses, mesmo sabendo que uma das duas verses estava
errada, porque ela no sabia qual das duas verses era a
verso correta. E como ela, igreja, caso fizesse uma escolha,
poderia estar fazendo a escolha da verso errada, foi
prefervel manter as duas verses mesmo sabendo que uma
estava certa e a outra estava errada. At porque, seria mais
fcil colocar a culpa em quem l do que remendar o texto."
        "Colocar a culpa em quem l? De que maneira?"
        "Simples. Basta chamar de herege a pessoa que ques-
tiona qualquer parte do texto bblico. Basta ameaar de
excomunho quem duvidar do texto e amaldioar com a
pena de penitncia eterna. Basta dizer que quem duvidar da
legitimidade do texto est possudo pelo demnio.  s
chamar de anticristo a pessoa que contesta."
        "E tem gente que acredita nisso?"
        "Se tem? Como tem... A maioria acredita cegamente
nos quatro evangelhos!!!"
        "Mas a igreja reescreveu mesmo os evangelhos?"
        "Olha... para no ficar parecendo opinio pessoal
minha, vou citar a prpria verso do Vaticano, a prpria
palavra oficial, inscrita na Bblia Sagrada  Nova Edio
Papal, feita pelos missionrios capuchinhos de Lisboa, Por-
tugal.
Pg. 973  "Atualmente temos quatro Evangelhos
cannicos: segundo Mateus, segundo Marcos, segundo
Lucas e segundo Joo. Tais livros no nasceram desses
autores de uma s assentada, como geralmente acontece
com os livros modernos. Antes de verem a luz, eles
passaram por um perodo de gestao nas primitivas
comunidades crists. Por isso, no tm apenas a garantia
dum simples autor, mas tambm a da igreja, em cujo seio
nasceram."
"Uma primeira compilao de tais "folhas soltas" deve ter
sido feita em Jerusalm, em arameu; o seu autor, segundo a
tradio, foi o apstolo Mateus. Mas este original no chegou
at ns. Traduzido para o grego, e muito ampliado por volta
do ano 70,  o atual Evangelho segundo Mateus. Esta
refundio deve ter-se verificado provavelmente em
Antiquia."
"Estas narraes,  fora de serem repetidas, tendiam a to-
mar uma forma unitria e fixa. Pouco a pouco comearam a
pr-se por escrito para atender s necessidades catequticas."
"A presente obra leva por ttulo "Evangelho segundo S.
Mateus". Este ttulo, porm, no pertence ao original. Os
autores no costumavam assinar os seus escritos. Mas a igre-
ja, j por volta do ano 150, atribui esta obra a Mateus, um
dos doze, identificado como Levi, o cobrador de impostos."
D para perceber como foi feito? Primeiro foram coletadas
folhas soltas, que eram uma coletnea de citaes de Jesus
(Sem histria, s frases soltas. As histrias foram montadas
mais tarde). Depois, em suas respectivas igrejas na Antiquia
/ Anatlia (feso, Esmirna, Prgamo, Tiatira, Sardes,
Filadlfia, e Laodicia) o texto foi refundido (montado uma
histria para harmonizar com o texto), posteriormente os
evangelhos foram novamente refundidos e adaptados aos
interesses da catequese. Da surgiram Marcos como o
primeiro evangelho a ser escrito e Mateus como a primeira
compilao dessas folhas soltas compondo um evangelho,
observando-se a seguinte cronologia:

        60 a 70 d.C.  Evangelho atribudo a Marcos
        70 a 85 d.C.  Evangelho atribudo a Mateus
        85 a 95 d.C.  Evangelho atribudo a Lucas
        95 a 110 d.C.  Evangelho atribudo a Joo
        150 d.C.  Refundio dos quatro evangelhos pela
igreja

Qualquer pessoa que queira aprofundar-se no estudo da vida
de Jesus, e que queira chegar o mais prximo possvel da
verdade jamais poder aceitar somente estes quatro
evangelhos como os nicos evangelhos de Jesus, e muito
menos aceitar o texto desses evangelhos como de autoria
inquestionvel, absolutamente corretos e inalterados, pois
eles foram reescritos de acordo com os interesses das igrejas,
na poca. E a prpria igreja catlica confessa e assume ter
sido feita esta "refundio" dos textos.
Infelizmente, a igreja do passado, aquela que imps o Antigo
Testamento pelo medo e pela ameaa, que praticou as
barbaridades das santas cruzadas, das santas inquisies, que
levou a humanidade ao seu mais negro perodo: o
obscurantismo da idade mdia; fiel s suas origens
reescreveu os evangelhos fabricando e montando uma
"verdade" editada, que ela, igreja queria como verdade, e ao
mesmo tempo impondo quais evangelhos deveriam ser lidos
e quais deveriam ser banidos.
Ocultando e renegando os demais evangelhos e manuscritos,
a igreja omitiu, com isso, por exemplo, uma vida inteira de
Jesus, do nascimento at sua morte (?). Reescrevendo os
textos dos evangelhos, fala parcialmente e de maneira
equivocada do nascimento de Jesus. Omite a infncia de
Jesus e conta a entrada na adolescncia (Bar Mitzvah) como
uma precocidade de Jesus (12/13 anos) numa tal "conversa
com os sbios", quando na realidade tratava-se de um
conhecido ritual judaico de Bar Mitzvah (um ritual judaico
que representa a sada da infncia e entrada na juventude,
onde o adolescente deve dizer aos adultos, amigos e
parentes, porque merece deixar de ser criana e ser recebido
no mundo dos adultos). Tudo isso numa competio
religiosa tola, para descaracterizar a forte ligao de Jesus
com sua religio de bero, o judasmo. Como se Jesus no
fosse judeu e nunca tivesse sido judeu.
E da, a igreja omite toda a adolescncia, juventude e vida de
Jesus at os 30 anos, aproximadamente.
Bom, mas comparando-se o Antigo e o Novo Testamento,
pelo menos nesta questo de "autoria, tem uma coisa de
bom nos quatro evangelhos tambm apcrifos (apesar de
estarem na Bblia) que foram escolhidos para formar o Novo
Testamento, os autores so assumidamente seres humanos,
de carne e osso, so conhecidos: Mateus, Marcos, Lucas, e
Joo, criando, assim, um aspecto de maior credibilidade que
o Antigo Testamento e no se impinge ao povo, como
"verdade" absoluta, que o evangelho seja a "palavra de
Deus". Ao contrrio, os evangelhos passam a ser o relato de
quatro pessoas, seres humanos, falando sobre a vida do ser
humano mais fantstico e mais importante que a
humanidade j produziu at hoje: Jesus."
        "Bom, ento a fica tudo certo, n pai?"
        "No. Melhora, mas no resolve. Porque existem trs
grandes fatores de complicao: 1) O fato da igreja ser co-
autora dos textos. 2) A falta de provas de que foram eles
mesmos (os quatro evangelistas) que escreveram os textos e
que estes textos em folhas soltas no foram misturados com
os dos escribas saduceus e fariseus. 3) O fato do relato ser
pessoal e com isso cada um interferir diretamente no texto."
        "De que maneira?"
        "Sabe-se que a histria contada por cada um dos
quatro evangelistas  o relato de pessoas (seres humanos)
que, segundo o que viram ou o que ouviram falar, esto
contando a vida de Jesus como um relato "histrico", ainda
que observados pela tica estritamente religiosa.
Embora os evangelhos sejam de autoria conhecida (pelo
menos imputadas a certas pessoas) e de serem uma espcie
de relatos "histricos" de uma vida, existe embutido no
relato a interferncia humana e pessoal de quem relata a
histria, a paixo de quem conta, a emoo, a vontade de
fazer uma coisa to bonita e to perfeita que acaba incor-
rendo em srios e quase irreparveis erros, onde a cada
conto  aumentado um ponto, e a soma desses pontos
acrescentados acaba comprometendo o prprio relato. Sen-
do salvo, somente, pela grandiosidade da verdadeira vida de
Jesus, que  maior do que o que os evangelistas pretenderam
contar.
A bem da verdade, os relatos dos quatro evangelistas da
Bblia s no prejudicam mais a vida de Jesus porque a vida
d'Ele  to fantstica, to fantstica, to fantstica (mesmo
tirando os erros e absurdos dos relatos), que torna-se
proveitosa sob qualquer aspecto."
        "Mas, ser, pai, que os evangelistas interferiram tanto
assim nos textos bblicos?"
        "O que? A melhor forma de demonstrar o quanto os
quatro evangelistas interferiram pessoalmente nos relatos
bblicos  citando exemplos.
Inmeras so as distores dos fatos e da realidade, algumas
chegam a ser to gritantes que mal se pode supor que tais
barbaridades tivessem sido ditas ou vividas por Jesus.
Assim como no Antigo Testamento, em certas oportu-
nidades os quatro evangelistas escorregam, carregam nas
tintas, e pintam um Jesus to medocre, arrogante e autori-
trio quanto o Deus do Antigo Testamento, como por exem-
plo quando atribuem a Jesus a frase: "Ningum vai ao Pai
seno por mim".
        "Sim... E da?"
        "E da? D para imaginar um Jesus arrogante? D para
imaginar Jesus excluindo todas as demais religies e dizendo
que s Ele pode levar as pessoas a Deus?"
        "... Eu no tinha pensado nisso."
        "Quem estudou a vida de Jesus sabe que Ele jamais foi
arrogante. Sabe que jamais Ele diria semelhante barbaridade.
Esta frase, se fosse verdadeira, supe dizer que antes de Jesus
existir ningum ia a Deus porque Jesus nem existia... e se Ele
no existia, como ir a Deus, se para ir a Deus tinha que
passar por Jesus? Ou seja, antes d'Ele (Jesus) existir ningum
ia a Deus pois no passava por Jesus. E depois d'Ele (Jesus)
existir somente os cristos vo at Deus... (Uma bobagem
total e completa)
Isso  fanatismo religioso, isso  excludncia, isso 
sectarismo, isso  fundamentalismo puro. Segundo essa
bobagem evanglica, os muulmanos esto desgraados, os
judeus esto desgraados, os budistas esto desgraados, os
espritas esto desgraados, etc., toda a humanidade que no
for crist est desgraada, pois na concepo fundamentalista
crist, "s Jesus Cristo salva" e leva as pessoas a Deus.
Quando  mais do que sabido que Jesus disse exatamente o
oposto:  "Na casa de Meu Pai h muitas moradas" (Joo
14:2), e a sim, nesta citao de Joo, Jesus mostra-se
universal, ecumnico, afinado com um Deus aberto a todas
as religies."
        ", pai... olhando assim, dessa maneira, voc tem razo.
Acho que Jesus no falaria aquilo de s Ele levar as pessoas a
Deus."
        "Filho, esta frase fundamentalista, profundamente infeliz
("Ningum vai ao Pai seno por mim")  de um sectarismo,
de uma arrogncia, de uma intolerncia religiosa
incompatvel com a postura e o legado do prprio Jesus. Esta
frase, alm de ufanistamente burra  de uma intolerncia
inconcebvel para com tudo que Jesus fez e pregou para a
humanidade.
D para acreditar que uma bobagem dessas tivesse sido dita
por Jesus? Pois , mas, no entanto, assim como essa
bobagem est na Bblia atribuda a Ele, certamente cultivada
por escribas saduceus, muitas outras foram cometidas pelos
quatro evangelistas, isto porque eles (ou quem escreveu por
eles e a eles atribuiu os escritos) eram frutos do meio em que
viviam, e em razo disso os escritores dos evangelhos
aceitavam e acreditavam nas velhas bobagens do Antigo
Testamento.  s ver as passagens do Antigo e do Novo
Testamento para verificar que quase nada mudou em relao
a questes semelhantes a esta. Ou seja, continuavam a tratar
a mulher como um ser inferior e como um ser de segunda
classe; achavam natural a escravido; a separao da
sociedade por castas, e coisas do gnero (coisas que Jesus
jamais pregou ou compactuou). E em razo disso, ao no
atentarem corretamente para a postura pacifista de Jesus,
para a postura de no-violncia de Jesus, para a postura
humanitria de perdo e amor ao prximo, os evangelistas
inverteram a prioridade em seus relatos e passaram a
valorizar coisas menores como o curandeirismo, os milagres
e coisas do gnero (que qualquer pregador ou mistificador de
esquina faz  "em nome de Jesus"  para auferir lucros e
benefcios, contrrio ao que Jesus ensinava), e deixaram em
segundo plano exatamente a maior obra de Jesus, que foram
os seus ensinamentos.
Jesus  o que ... no porque Ele sofreu. Porque muita gente
sofre ou sofreu at mais do que Ele.
Jesus  o que ... no porque Ele morreu na cruz. Porque
todo mundo morre um dia e teve gente que teve morte
muito pior do que a de Jesus na cruz. Inclusive, no dia de
sua crucificao, dois ladres foram crucificados ao seu lado
e nem por isso os ladres merecem ser santificados.
Jesus  o que ... simplesmente porque o que Ele disse
ningum jamais disse ou havia dito antes. O que Ele passou
de ensinamentos ningum jamais passou. O que Ele deixou
como legado e exemplo de vida, ningum jamais deixou.
Super valorizar curas e curandeirismo, como "milagres", 
fazer o jogo dos algozes de Jesus, os saduceus.  deixar de
dar importncia ao humanitarismo essnio de Jesus e
valorizar o curandeirismo, os holocaustos de animais, e a
venda, no templo, de produtos "bentos" e milagrosos para
curas,  reeditar os fariseus vendilhes do templo que Jesus
um dia expulsou do templo s chicotadas."
        "E por que voc, pai, acha que algum escreveu os
evangelhos e atribuiu a autoria aos evangelistas?"
        "Eu no digo que eles, os quatro evangelistas, no tenham
escrito os evangelhos. Eu digo que eles no assinaram o que
escreveram (e por isso os evangelhos bblicos so apcrifos),
e que no escreveram sozinhos os evangelhos. Tem muita
co-autoria nisso. Tem os escribas saduceus (que no
acreditavam na imortalidade da alma e por isso valorizavam
o lado material e o curandeirismo que  atribudo a Jesus),
tem os fariseus que impuseram suas idias contrrias aos
essnios, tem a igreja que refundiu os escritos todos. Nunca
esquea que os manuscritos eram "folhas soltas" e que estas
"folhas soltas" escritas em aramaico foram perdidas, e que as
verses em grego podiam ser acrescentadas e subtradas
conforme o gosto de quem montou o evangelho. (E o
detalhe mais importante:  poca quase ningum sabia ler
ou escrever na Judia. E basicamente a leitura e a escrita
eram privilgios de uns poucos dos saduceus e fariseus, o
que no era o caso dos discpulos de Jesus.)
        "E como a gente vai saber o que cada evangelista
escreveu? Como saber o que os escribas saduceus escreve-
ram? E o que a igreja escreveu ou "refundiu"?"
        "No vamos saber nunca. O mximo que a gente vai
conseguir  agir por eliminao."
        "Como assim?"
        "Como Michelngelo, por exemplo. Certa feita uma
pessoa maravilhada com as esculturas de Michelngelo (as
mais belas e mais perfeitas que o mundo j viu), perguntou a
ele, como  que ele olhava para um bloco de pedra mrmore
e conseguia fazer sair dali uma escultura to perfeita, sem
um erro, sem um remendo, como se fosse viva. No que
Michelngelo respondeu: " simples, basta voc imaginar o
objeto que voc vai esculpir, como um cavalo, por exemplo,
e tirar do bloco de pedra tudo que no for cavalo."
Com os evangelhos deve ser feito a mesma coisa. Basta
imaginar o Jesus humilde e humanitrio como conhecemos,
como um pregador do amor ao prximo, da fraternidade, um
humilde, um pacifista, e retirar do texto tudo que for
discrepante disso.
- "Falando assim, pai, at parece fcil."
        "Eu no digo que seja fcil. Mas, ao menos sei que tudo
que me revoltar e parecer incompatvel com o que Jesus foi
como figura humanitria, tudo que for contrrio ao que Ele
viveu, ensinando, com humildade, as mais belas palavras de
sabedoria, eu posso atribuir como obra de um escriba
saduceu, fariseu ou da prpria igreja. Ou seja, O Jesus
ecumnico que disse que "Na casa de Meu Pai h muitas
moradas", no  o mesmo radical excludente e sectarista que
"disse" que ningum ia ao Pai seno por Ele (Jesus).
Tudo que for diferente e incompatvel com: Amai-vos uns
aos outros como eu vos amei; Se algum bater em tua face,
oferece a outra, No deixes a tua mo esquerda saber o que
faz a mo direita; ou como em Mateus (6:1-5): Quando
fizeres milagres, no se exiba e no o faas em pblico;
Quando orares, no seja como os hipcritas que gostam de
rezar de p nas sinagogas e nas ruas para serem vistos pelos
homens; Quando fizeres o bem a algum no permitas que
trombeteiem por ti. Porque todas estas lies de humildade
que Jesus sempre passou so incompatveis com as bobagens
que os escribas saduceus alegam que Ele disse ou fez, como
o curandeirismo super valorizado nos evangelhos, o
exibicionismo, a arrogncia e a soberba atribuda a Jesus. E
por isso, tudo o que for diferente de humildade,
humanitarismo, amor, paz, fraternidade, no-violncia, 
incompatvel com a imagem de Jesus.
Desculpe eu insistir, filho, mas a frase atribuda a Jesus,
"Ningum vai ao Pai seno por mim", ela  emblemtica e
um dos exemplos mais claros do que Jesus jamais diria. Pois
esta frase representa o que de pior pode exprimir em termos
de sentimento cristo.  fundamentalismo cristo puro.
        "E cristo tambm  fundamentalista, pai?"
        "Mas  claro, filho. Qualquer religio pode ensejar o
radicalismo, o fundamentalismo. Diferentemente do que
supe os cristos, como se radicais e fundamentalistas fos-
sem somente os outros, o fundamentalismo atinge toda e
qualquer religio baseada na intolerncia religiosa. At por-
que Deus no  propriedade privada de qualquer seita ou
religio. E, "Ningum vai ao Pai seno por mim"  uma frase
basicamente fundamentalista, pois no s os cristos vo a
Deus.
O fato de os fundamentalistas de todas as espcies, cristos,
judeus, muulmanos (seja de que religio for) clamarem que
eles e apenas eles vo para o cu e que o "seu
Deus"  o nico e verdadeiro Deus, joga por terra toda a base
e todo o castelo de areia que fundamenta a base da religio a
que os fundamentalistas professam.
Os fundamentalistas, de qualquer religio, no s agem com
base na suposio de que eles so os nicos que esto certos
e que s eles vo a Deus, como agem com base no
terrorismo religioso, na base da ameaa, do terror, sempre
apelando para o lado frgil das "vtimas", induzindo-as a
acreditarem no que eles querem ameaando-as e
aterrorizando-as.
A insensibilidade dos fanticos religiosos, fundamentalistas,
cristo ou no-cristo,  revelada em sua pregao
oportunista, tendo como alvo as pessoas frgeis e
desesperadas, que num determinado momento de dor es-
tejam passando por dificuldades, por privaes, ou por
grande necessidades. E, sob o pretexto de levar conforto
espiritual e conhecimento religioso s pessoas, acabam por
incutir-lhes grande e terrvel ameaa (Diabo, Sat, Satans,
Inferno) aterrorizando ainda mais as pessoas frgeis e inse-
guras, como se quem no acreditasse em suas palavras e
pregaes fosse sofrer o terrvel mal do castigo do sofri-
mento eterno."
- "Quer dizer, pai, que o terror e a ameaa de pragas que
existia no Antigo Testamento persiste no evangelho?"
- "Pior, filho, muito pior. Acabaram com aquelas pragas
malucas do Antigo Testamento, como ser consumido por
hemorridas, ictercia, furnculos, sarna seca e sarna mida
ou que a esposa iria ser possuda por outro, e acabaram
criando coisa muito pior. Substituram a promessa e crena
de vida eterna por uma ameaa de sofrimento eterno.
Os fundamentalistas religiosos, interessados na manuteno
da "clientela", por mero interesse econmico e financeiro,
trataram de difundir o medo, a ameaa, o pavor, antes
mesmo do amor ao prximo. E com isso, a igreja materialista
crist criou, fundou e inaugurou um cristianismo baseado e
fundamentado no medo, na ameaa da tortura perptua, no
fogo eterno. E essa injustia perptua  essa ameaa
permanente  tornou-se a base e o corao da religio
crist. As pessoas passaram a "acreditar" e a depender da
religio crist no pela razo, no pelo desejo de amor ao
prximo, no pelo sentido de melhorar e evoluir
espiritualmente, mas pelo medo, pelo simples medo da
tortura eterna em substituio  vida eterna."
        "Mas os evangelistas pregam isso na Bblia?"
        "Se pregam? Chega a ser criminoso o que Lucas diz em
12:4-5, atribuindo tais palavras a Jesus: "No temais os que
matam o corpo e depois nada mais podem fazer. Vou
mostrar-vos a quem deveis temer: Temei a aquele que
depois de matar-vos tem o poder para lanar-vos na Geena
(no inferno). Eu digo a vs, esse  a quem deveis temer."
("Geena"  ficava nos arredores de Jerusalm, era uma
espcie de lixeira da cidade, onde, inclusive, imolava-se
pessoas pelo fogo. Razo pela qual a Bblia refere-se 
"Geena" como um inferno bem prximo, bem aterrorizante,
um lugar de suplcios, martrios e sofrimentos.)
Essa  uma das piores faces do fundamentalismo cristo: A
pregao do medo e do terrorismo. Estas palavras de Lucas,
atribudas a Jesus, jamais seriam proferidas pelo Jesus
pacifista, da pregao do amor ao prximo.
Um enviado de Deus, pregador de palavras de sabedoria,
jamais iria difundir o medo pela ameaa do sofrimento
eterno. Isso,  substituir o velho Deus do Antigo Testamen-
to por um Deus muito pior, que ao invs de amor e perdo
prega o medo e a ameaa do sofrimento eterno.  a substi-
tuio da vida eterna pelo fogo eterno.
Declaraes como estas, atribudas a Lucas, que sabemos so
palavras de homens materialistas, cruis, avarentos,
insensveis, de mente pequena, so palavras de ameaa, de
terror e vingana. So palavras usadas para assustar e
oprimir. So palavras para dar poder ao pregador, ao pastor,
ao padre,  igreja e aos gerentes de religio de uma maneira
geral. So palavras para destruir a razo do ser humano e
fazer da mente humana um escravo.
Com certeza, essa  uma lasca de mrmore que deve ser
excluda do bloco. Porque "isso", seguramente, no  uma
citao que Jesus faria."
- "Mas, pai, como eu vou saber, com certeza, o que  de
Jesus e o que no  de Jesus?"
- "Filho, o seu corao dir. Basta ter a mente aberta. Basta
questionar. No tenha medo de questionar. No aceite as
coisas pacificamente s porque foram impostas como um
dogma religioso. Busque a verdade, sempre, e a verdade te
libertar.
Aqueles que formam sua base religiosa fundamentada no
medo do sofrimento eterno do inferno, e que temem e
acreditam na personificao do diabo com rabo e chifre, no
inferno como um lugar indesejvel onde se  jogado nele,
no fogo eterno que queima as almas e quetais, tornam-se
servos e escravos da religio. Nunca tero condies de
questionamento e de libertao da alma. Estaro abrindo
mo de um ensinamento cristo precioso, que  a busca da
verdade ("Conhecereis a verdade e a verdade vos libertar")
e jamais sabero a verdade, pois quem abre mo de
questionar, de raciocinar, de buscar a verdade, de perguntar,
e passivamente aceita essa ameaa de sofrimento eterno,
estar cego e escravizado pelo medo fundamentalista
religioso. A idia de inferno foi inventada para subjugar a
humanidade e estabelecer uma ditadura religiosa to terrvel
que aqueles que nela acreditam vivem toda sua vida sob uma
tirania muito maior e muito pior do que qualquer tirania
imposta por um tirano humano.
A religio deve servir como base de paz e para o consolo dos
seres humanos, nos momentos de angstia, nos momentos
de dor e sofrimento. Jamais ser usada para ameaar.
Toda religio que ameaa, ao invs de consolar, est no
caminho errado.
A Bblia, em seus salmos, provrbios e ensinamentos,  um
instrumento poderoso para meditao, orao, consolo e
conforto nas horas de solido, tristeza ou adversidade, mas
quando usada como uma arma de terror, tortura, ameaa e
propagao do medo, ela perde a sua validade,
transformando algo sagrado em uma pardia bizarra.
O conceito de inferno, do fogo eterno, do castigo eterno,
diabo, ou sat, ou demnio,  uma pardia bizarra sim, uma
inveno religiosa que visa basicamente estabelecer o
domnio pelo medo. A prpria personificao de "Sat" (com
chifres, rabo e pata bifurcada)  uma inveno religiosa
deturpada, vez que a prpria palavra "Sat"  derivada de
uma palavra hebraica que significa "obstculo".
Com isso,  partir deste "obstculo" foi criado uma entidade
"divina", personificada, com chifre, rabo e pata bifurcada,
para rivalizar com um Deus, tambm personificado como
um velho, de roupo, sentado numa nuvem, tocando harpa.
Estabelecendo assim uma batalha csmica eterna entre o
bem e o mal, entre Deus e o Diabo, como se o mal, ou sua
personificao: o Diabo, pudesse deixar de ser algo humano
e passasse a ser uma falha ou um lapso do prprio Deus.
Sim, porque se o mal (ou sua personificao: o Diabo) ao
invs de ser algo criado pelo livre arbtrio do ser humano,
passa a ser personificado como uma divindade do mal,
logicamente passa a ser uma divindade criada e permitida
pelo prprio Deus, to poderoso quanto Deus, lutando di-
retamente com Deus, por toda a eternidade.
Com isso, ao inventarem o Diabo personificado com rabo e
chifre, dando a ele poderes to grandes quanto os poderes de
Deus, logicamente esse Deus, tambm personificado, ento
passa a ser um Deus falho e medianamente poderoso, vez
que tem que se sujeitar a viver, conviver e lutar,
permanentemente, com o Diabo, que  o mal que Ele (Deus)
mesmo criou, to poderoso quanto Deus. Ou seja, esse
terrorismo de personificao de Deus e Diabo  uma
bobagem total.
Assim como nas demais religies onde o Diabo rivaliza com
Deus, a obsesso dos cristos, amedrontados com o Diabo,
passou a ser to importante, to essencial, to vital para a
sobrevivncia do cristianismo como religio quanto Deus. E
passou-se a prestar muito mais ateno no mal e na sua
erradicao do que na prtica do bem. O Diabo virou figura
de destaque e o responsvel direto pela caa s bruxas, que
foi, na verdade, um endurecimento e uma propagao muito
maior ainda do que o que a igreja tanto tentou reprimir por
quase mil e quinhentos anos. Ou seja, a maioria das religies
no s criou a figura personificada do Diabo como
adversrio natural de Deus (para explicar e justificar a
existncia da maldade, como coisa imaterial, no
personificada), como criou, com isso, a pior de suas
invenes: o culto ao ocultismo, o culto ao medo, o culto ao
terror e  maldade. Pois, como ensina Aldous Huxley,
"Pensando primeiramente no mal ns tendemos, mesmo
com excelentes intenes, a criar oportunidades para o mal
se manifestar".
Com a institucionalizao desse culto s avessas ao Diabo,
personificado com rabo e chifre, passou-se a atribuir ao
Diabo tudo que de errado acontecesse na humanidade e
tudo mais que no fosse do agrado dos dirigentes religiosos.
Fundamentalistas religiosos passaram a ver as pegadas (de
patas bifurcadas) do demnio em toda parte e em tudo que
no se lhes agradasse. Tudo que existisse de errado passava
automaticamente a ser "obra do Diabo". E  com base nesta
justificativa que passaram a impor e governar as religies (de
vrias denominaes, crists e no-crists) com base no
medo e no terror, ameaando tudo e a todos com o estigma
do Diabo.
Se voc ficou doente, foi obra do Diabo. Se algum ente
querido morreu, foi obra do Diabo. Se qualquer coisa deu
errado na sua vida, foi obra do Diabo. At mesmo os
questionamentos bblicos como os que agora esto sendo
feitos no s passam a ser heresia, como, tambm, so
atribudos a obra do Diabo, que  para que as pessoas fiquem
cegas religiosas, devotadamente exploradas por diretores de
religio, de modo a que ningum jamais venha a questionar
os erros e as contradies religiosas ou bblicas."
        "Ento, pai, Deus existe e o Diabo no existe?"
        "No  bem assim. Deus, o criador do universo existe,
mas no  um velho barbudo sentado numa nuvem. O
Diabo (a maldade) existe, mas no  um ser de rabo, chifre e
pata bifurcada. O Diabo conforme equivocadamente apre-
sentado pelas religies  a personificao (material) da
maldade (imaterial). A maldade, que  imaterial,  fruto e
obra do ser humano, exclusivamente do ser humano e no
tem nada a ver com Deus, o criador do universo."
- "Pai, mas como a gente consegue se livrar do terrorismo
dessas pessoas (pregadores) que citam textos da Bblia e
ameaam as pessoas, com o Diabo e com o inferno, dizendo
que esto agindo "em nome de Jesus"?"
- "Combatendo fogo com a razo. Citando para o pregador
os textos da prpria Bblia. Afinal, ele no  pregador? No
diz que age em nome de Jesus? No diz que faz curas e
expulsa demnios? No prega e diz que acredita piamente
que toda palavra da Bblia  verdadeira? Ento que prove do
prprio veneno, nos textos da Bblia.
(Marcos 16:17-18) "Eis os milagres que acompanharo
aqueles que acreditarem: Em Meu nome expulsaro os
demnios, falaro lnguas novas, apanharo serpentes com
as mos e se ingerirem alguma bebida mortfera no sofrero
nenhum mal; imporo as mos sobre os enfermos e eles
recuperaro a sade."
Agora ficou bastante simples identificar e desmascarar os
charlates religiosos que vivem ameaando as pessoas com o
Diabo, com o inferno, dizendo-se capaz de expulsar
demnios e fazendo cura "em nome de Jesus". Basta mand-
los pegar  como manda a Bblia  uma serpente venenosa
com as mos para serem picados, e ingerirem bebida
mortfera (veneno). Se forem pregadores verdadeiros e
crentes com f em Jesus, no sofrero mal algum. No 
mesmo? Eles no esto operando "em nome de Jesus"?
Ento? No h o que temer. No  isso que est na Bblia?
Ou ser que desta vez, para este caso, os charlates no
acreditam mais na Bblia?"
        "Mas voc, pai, no pode ser acusado de estar
distorcendo ou profanando a Bblia?"
 "Depende. Acusar qualquer um pode acusar qualquer um
do que quiser. Ter razo  diferente. Isso que eu fiz no 
distorcer as palavras da Bblia, porque se pregadores
vigaristas aproveitam-se de incautos, dizendo que  como
manda a Bblia  expulsam demnios e operam milagres
"em nome de Jesus", ento que provem que esto agindo
"em nome de Jesus". Que sejam picados por uma serpente
venenosa e que bebam veneno e provem estar agindo "em
nome de Jesus". No te parece lgico que o texto da Bblia
seja usado neste sentido? Ou ser que somente neste caso o
texto da Bblia no dever ser lido e entendido conforme
est escrito?
Isso, filho, no  heresia ou profanao,  questionamento.
No se deve abrir mo do questionamento pelo simples e
mero receio de estar sendo profano. Pois o inverso disso  a
ignorncia e a total submisso aos textos da Bblia
interpretados por vigaristas, ou pior, sujeitando-se a uma
submisso incontestvel aos textos bblicos e rendendo-se a
um cone muito pior do que tudo que possa existir, ou seja, a
bibliolatria (idolatria  Bblia acima de todas as coisas).
Na realidade, esta bibliolatria nasceu e foi concebida
juntamente com a idolatria a um absurdo Deus do Antigo
Testamento, forjado inicialmente por escribas saduceus,
seguido pelo culto ao terror, na personificao exacerbada
do Diabo (no Novo Testamento). A bibliolatria foi inventa-
da, por gerentes de religio, fundamentalistas cristos, como
se a Bblia fosse um cone, um dolo para ser adorado, e
jamais questionado suas palavras sob qualquer forma, sob
pena de profunda heresia e cultuamento ao Diabo e s foras
das trevas.
A bem da verdade, no sentido contrrio a esta estpida e
burra bibliolatra, quem quiser saber e conhecer Jesus e o
cristianismo h que questionar cada palavra da Bblia em
busca da verdade crist ("Conhecereis a verdade e a verdade
vos libertar") e ter uma mente bem aberta, sem pre-
conceito, para poder enxergar os erros, as contradies, as
bobagens e os exageros contidos no s no Antigo Testa-
mento, como os erros, as contradies, as bobagens e os
exageros contidos no Novo Testamento, principalmente nos
quatro evangelhos. A comear pelo fato de que os evange-
lhos foram manipulados e escritos nos interesses da igreja e
que deliberadamente esta mesma igreja ditatorialmente
excluiu outros evangelhos, proibindo-os de compor a Bblia,
por estrito interesse econmico e financeiro das religies
crists, acomodadas na manuteno da ignorncia dos fiis e
ao mesmo tempo amparadas pelo chicote e pela ameaa do
sofrimento eterno aos "hereges" que ousavam contestar as
"santas e sbias palavras" da Bblia ou que fossem contrrios
 bibliolatria (idolatria da Bblia como um cone ou um
dolo).
Antes de aceitar cegamente as palavras escritas na Bblia
como verdade absoluta, h que se questionar, questionar,
questionar e questionar as contradies gritantes, as
incoerncias evidentes entre os prprios textos da Bblia que
se desmentem seguidamente. H que se questionar a
autenticidade de quem relata, e principalmente se os fatos
narrados condizem com o que se conhece historicamente
sobre o fato ou sobre tal pessoa. H que se questionar e
buscar, permanentemente, a verdade, at como forma de
libertao religiosa.
 "Pai, d para citar algum exemplo de coisas que esto na
Bblia, mas que voc tem certeza de que no deveriam estar
porque Jesus no falaria ou no agiria assim?"
        "Mas  claro que d. So trocentos os exemplos.
Vamos ver alguns dos exemplos principais ou os mais sig-
nificativos, pois no d para listar todos eles, uma vez que
so muitos os casos de absurdos, erros, discrepancias e con-
tradies.
Por exemplo, filho, d para imaginar Jesus dizendo que Ele
no  da paz e sim da guerra?"
- "De maneira alguma, pai."
- "Algum em s conscincia pode imaginar que Jesus teria
dito que no veio trazer a paz e sim a guerra?
Pois ento  s conferir Mateus (10:34) para verificar esta
bobagem sada da boca de Mateus (ou de quem quer que seja
que a ele atribuiu a autoria do evangelho) afirmando que
Jesus disse: "No pensais que estou vindo para enviar paz
para a terra: Eu no vim trazer a paz, mas a espada."
Na realidade esta passagem representa bem o sonho do povo
hebreu (judeu), mormente os saduceus e fariseus, que
queriam um messias forte, vigoroso, um guerreiro, de espada
na mo, montado em um cavalo branco e que viesse libertar
o povo hebreu, e que antes de tudo, que fosse nascido de
um Deus e parido por uma virgem.
Jesus era justamente o oposto. No tinha cavalo branco e
sim um jumento (e emprestado, ainda por cima). No era
forte fisicamente, mas franzino. Era filho de um homem
comum, um simples campons ou carpinteiro. No era um
guerreiro, mas sim um humilde pacifista, adepto da no-
violncia. Sua me no era virgem e sim uma mulher
comum e me como tantas outras, com vrios filhos. Essa
era a realidade e o grande pesadelo dos judeus (hebreus) que
esperavam o messias. E por isso, para tentar alterar essa
realidade, dura e cruel para quem esperava tanto,  que os
evangelistas (na realidade, ajudado por escribas saduceus e
fariseus), e mais a igreja catlica que no ano 150 da nossa era
selecionou e reescreveu os manuscritos, tentando alterar a
realidade dos fatos, interferiram pessoalmente nos relatos da
vida pessoal de Jesus, atribuindo a Ele fatos e situaes
absolutamente incompatveis com a figura de Jesus.
E quem pensa que o relato evanglico de Mateus  s um
pequeno equvoco e um caso isolado, observe-se a se-
qncia em Mateus (10:35), atribudo a uma pregao de
Jesus: "Porque eu vim separar, o filho do seu pai, e a filha da
sua me, e a nora da sua sogra. (36) de tal modo que os
inimigos de um homem sero seus prprios familiares. (37)
Aquele que amar pai ou me mais que a mim no  digno de
mim: E aquele que amar o filho ou filha mais do que a mim
no  digno de mim."
- "Meu Deus do cu, pai. Jesus disse isso mesmo?"
        "Claro que no.  aquela histria que a gente havia
conversado antes.  s tirar do bloco de pedra tudo que no
for da escultura. E no caso do evangelho,  s tirar do
evangelho tudo que no for de Jesus...
"Isso", essa coisa, essa aberrao, no pode ser palavras de
Jesus.  inimaginvel que Jesus, humilde, como pacifista e
humanitrio, um pregador do amor e da no-violncia, um
religioso e sbio essnio (a ser visto em relatos sobre "A
Sociedade Secreta de Jesus") tenha dito que no veio trazer a
paz e sim que veio trazer a guerra e a espada. Isso  muito
semelhante s bobagens ditas sob encomenda pelos
judeus/saduceus/fariseus "autores" e "inventores" do Deus
velho do Antigo Testamento. Isso parece-se muito com
aquele Deus pequeno, tribal, rancoroso do Antigo
Testamento. No se parece em nada com quem realmente
foi Jesus.
Algum pode imaginar Jesus jogando filho contra pai, filha
contra me? S mesmo na mente tortuosa dos escribas do
Antigo Testamento e dos judeus/saduceus/fariseus que
"inspiraram" os trechos dos quatro evangelistas do Novo
Testamento. Razo pela qual as pessoas interessadas em
religio de uma forma geral, os estudiosos, os pesquisadores
e os telogos tm que questionar, questionar, questionar e
questionar, e ter a mente bastante aberta, comparar e
entender que no relato dos quatro evangelistas existe muita
coisa de opinio pessoal e particular, e que os quatro
evangelistas ao relatarem os acontecimentos da vida de Jesus
acrescentaram coisas segundo a crena do templrio da
poca e/ou segundo suas convices pessoais. Pois, qualquer
pessoa, por mais leiga que seja, sabe que Jesus no era cruel,
a ponto de jogar filho contra pai e filha contra me, e que
no era arrogante a ponto de dizer que s ele salvaria e
levaria as pessoas a Deus."
        "Pai, isso no  um caso isolado?"
        "No!"
        "Uma exceo?"
        "No!"
        "Um caso de interpretao errada?"
        "No! Se bem que sempre haver um religioso ten-
tando inventar uma verso ou interpretao mirabolante
para algo to simples, claro, cristalino. At porque,  mais
fcil inventar uma verso ou interpretao mirabolante para
as barbaridades que esto escritas na Bblia, como se tives-
sem sido ditas por Jesus, do que admitir que foram os pr-
prios religiosos da igreja que manusearam, manipularam e
"refundiram" os textos dos manuscritos adaptando-os aos
interesses da prpria igreja.
Religiosos supem que admitir, agora, os erros bblicos
retiraria da Bblia a aura de livro santo. Da, insistem na
manuteno do erro e da mentira, at como forma de so-
brevivencia da prpria igreja, pois  mais fcil converter
uma pessoa  cristandade pelo smbolo da cruz do que pelo
smbolo do peixe; pelo sofrimento do que pelo altrusmo; do
curandeirismo do que pelos ensinamentos humanitrios. E
com isso os erros bblicos so secularmente mantidos."
        "Tem outros exemplos como este?"
        "Mais exemplos? So vrios. Marcos diz que Jesus
mandou as pessoas cortarem suas mos, seus ps, e arran-
carem seus olhos, ante o pecado. Marcos (9:43:48): "E se tua
mo te ofende, corte-a:  melhor para ti entrar na vida
eterna mutilado, que tendo duas mos, ir para o inferno,
para o fogo que nunca apaga: (44) onde o bicho que ri
nunca morre, e o fogo nunca apaga. (45) e se teu p te
ofende, corte-o;  melhor para ti entrar na vida eterna coxo,
que tendo dois ps ser lanado no inferno, no fogo que
nunca ser extinto: (46) onde o bicho que ri nunca morre,
e o fogo nunca apaga. (47) e se o teu olho te ofende,
arranque-o fora:  melhor para ti entrar no Reino de Deus
com um olho, que tendo dois olhos ser lanado no fogo de
inferno: (48) onde o bicho que ri no morre, e o fogo no 
extinto."
        "Meu Deus do cu, pai!!! Jesus falou isso?"
        "Estas no so palavras sensatas de um humanitrio
sensato como Jesus. No so palavras do Jesus que a
humanidade conhece como humilde, humanitrio, manso,
pacifista, adepto da no-violncia. Estas so palavras de
loucura, dos insanos escribas judeus/saduceus/fariseus, os
mesmos que criaram as ameaas, as maldies e as pragas do
Antigo Testamento.  s atentar para o tanto de terror, de
ameaa, de crueldade que existe no texto para perceber,
claramente, a caligrafia dos religiosos saduceus/fariseus in-
teressados na manuteno do terrorismo religioso e do
"status quo" de benesses e benefcios destinados aos donos,
gerentes e senhores do templo.
Os exemplos dessas insanidades so tantos, tantos, tantos
que d para se perceber claramente a inteno da igreja em
manusear os "escritos sagrados" do evangelho. So vrios os
casos atribuindo citaes como se fossem de Jesus, mas que
na realidade so pensamentos e desejos pessoais de quem
redigiu os evangelhos e de quem os "revisou", como se
fossem palavras de Jesus. So aberraes gritantes. So casos
assustadores.
Pode algum imaginar, por exemplo, Jesus dizendo que
quem tem muito vai ter mais ainda, e que o pobre miservel
que nada tem ter menos ainda?"
        "De maneira alguma, pai. Jesus jamais diria que os ricos
tero mais e mais, e que os pobres tero cada vez menos.
Isso  loucura."
        "Pois  exatamente esta bobagem, na realidade uma
opinio pessoal de quem escreveu, que aps relatar a mag-
nfica parbola do semeador, contada por Jesus, eis que
inventa a parbola dos talentos e acrescenta uma opinio
pessoal, interferindo na histria, como se fosse Jesus falando.
Vejamos Mateus (13:12): "Pois a aquele que tem, dar-se-lhe-
 e ter em abundncia; mas aquele que no tem, ser-lhe-
tirado at o pouco que tem". (Um absurdo completo)
 possvel algum acreditar que algo desse tipo tivesse sido
dito por Jesus? Sim, porque das duas uma: Ou Jesus nunca
disse uma barbaridade dessas e os evangelistas (ou quem
escreveu por eles) esto mentindo e interferindo na histria.
Ou Jesus no  nem perto e nem parecido com o que se
conhece dele. E obviamente entre as duas opes  mais
crvel que os evangelistas (ou quem escreveu por eles)
estejam mentindo (como fizeram muitas vezes em seus re-
latos) e que Jesus jamais teria dito uma bobagem dessas."
        "Pai, esta citao no poderia estar no lugar errado,
referindo-se a outra coisa?"
        "No!"
        "No poderia ter uma interpretao diferente?"
        "No!  a bobagem contada e repetida na "Parbola dos
Talentos". A questo  clara, cristalina. Embora, conforme a
gente j viu, sempre haver um religioso tentando inventar
uma verso ou interpretao mirabolante para algo to
simples, claro, cristalino."
        "Meu Deus, pai... realmente os casos apresentados so
terrveis. Jesus jamais diria algo desse jeito. Est muito claro
que as pessoas que escreveram os evangelhos interferiram
demais no relato."
        ", filho, mas Jesus foi proftico e via longe, veja o que
ele disse sobre os escribas pregadores.
        "Tomai cuidado com os escribas pregadores que gostam
de se exibir de vestes sbrias, de pregar e ser reconhecido
nas praas e de ocupar os primeiros lugares no templo; eles
devoram as casas dos pobres e das vivas a pretexto de
oraes. Estes recebero um castigo mais severo."(Marcos
12:38-40)
Os escribas pregadores, os saduceus e os fariseus que
interferiram e co-escreveram os evangelhos, assim como a
igreja que "refundiu" os textos atribuindo a autoria a quatro
evangelistas, erraram muito, principalmente ao invs de
valorizarem os ensinamentos de Jesus e a Sua pregao de f,
passaram a apresentar Jesus como um simples curandeiro,
um farsante que fazia milagres a torto e a direito, em geral
exibindo-se em pblico, contrrio ao que Jesus mesmo
pregava. Este Jesus incongruente, apresentado pelos
evangelistas como curandeiro, exibicionista, arrogante, no 
nem perto e nem parecido com o Jesus que se tem
conhecimento.
Eles, os escribas, abriram mo de valorizar as pregaes e
ensinamentos de Jesus, para valorizar, prioritariamente as
curas e o curandeirismo. Os escribas saduceus e fariseus, co-
autores dos evangelhos como se fossem os citados
evangelistas, supervalorizam o curandeirismo, sem explicar,
por exemplo, por que ressuscitar alguns mortos? (ocupando
o mesmo corpo material) Por que ressuscitar uns e no
outros? Por que no ressuscitar todos os justos? Jesus no
acreditava numa vida eterna? Jesus no acreditava na
imortalidade da alma? Por que Jesus ressuscitou Lzaro? S
porque Jesus chegou atrasado a um encontro com Lzaro e
porque era ntimo de uma de suas irms? Por que Jesus
ressuscitou Lzaro e no Jos, Seu prprio pai? (Pois quando
Jos morreu, e Jesus tinha cerca de 30 anos, Jesus entrou em
pnico, desespero e profundo sofrimento) Por que curar
alguns doentes e no outros? Acaso todos os justos no
merecem cura?
Com essa histria de curandeirismo bblico, Jesus acabou
sendo pintado pelos escribas como um vulgar curandeiro,
arrogante, presunoso e exibicionista, bem diferente do
Jesus conhecido como humilde e pacifista, avesso a exibio
e arrogncia. E com isso, os escribas acabaram criando uma
ndoa, uma mancha quase que irreparvel na biografia de
Jesus. E pior, passaram a incentivar o curandeirismo e a
vigarice religiosa das curas imediatas "em nome de Jesus".
Seno vejamos:
Ao invs de mostrar Jesus procedendo com humildade, sem
vaidade, sem soberba e sem arrogncia, no deixando a mo
esquerda saber o que a mo direita fazia (como ele mesmo
ensinou); fazendo o bem sem dar publicidade do fato, ou
conforme citado em Lucas 8:57, em que  numa das
poucas vezes de humildade e sensatez  recomenda aos
beneficirios da cura para que no contassem o "milagre" da
cura para ningum, os escribas saduceus e fariseus,
misturados aos evangelistas "pintam" um Jesus como um
curandeiro, presunoso, vaidoso, arrogante e exibicionista,
praticando todos os seus atos de curandeirismo em pblico,
exibindo-se, e mais, mandando que todos tomassem
conhecimento do fato, para a glria d'Ele mesmo."
        "Puxa vida, pai...  muita maldade apresentar Jesus desta
maneira, como arrogante e curandeiro."
        "Mas foi bem isso que os escribas fizeram, filho. No
interesse de valorizar o curandeirismo ao invs dos
ensinamentos humanitrios e pacifistas de Jesus, os escribas
pregadores, visando o lucro dos templos com a venda de
curas milagrosas "em nome de Jesus", em proveito prprio,
para que pregadores curandeiros de toda espcie sassem por
a praticando curandeirismo "em nome de Jesus", eles
pintaram Jesus como um presunoso e arrogante curandeiro.
Nas "Bodas de Can", por exemplo, por pura exibio, sem
qualquer fundamento religioso, os escribas pintam Jesus
exibindo-se e transformando gua em vinho, na frente de
muitos, simplesmente para que houvesse vinho numa festa
em que ele estava presente. (Em outras passagens exibe-se
como um curandeiro, fazendo curas pblicas milagrosas)
Qual o sentido bblico desse "milagre" de transformar gua
em vinho? Qual a necessidade disso? Que lio tirar desse
"milagre"? (Se bem que sempre haver um religioso 
exegeta de bicicleta  tentando inventar uma verso ou
interpretao mirabolante para algo to simples, to claro,
to cristalino).
Numa outra oportunidade, Jesus  apresentado pelos escribas
exibindo-se na frente de todos fazendo o "milagre" da
multiplicao de pes e peixes, no seu estrito interesse
pessoal, para alimentar pessoas interessadas em v-Lo e
ouvi-Lo fazer um sermo.
De incio,  de se deixar bem claro que o "milagre" da
multiplicao de pes e peixes, conforme contado na Bblia,
 exatamente o oposto de como  relatado. Isto porque, no
existe a multiplicao de pes e peixes. O que existe  a
diviso de pes e peixes, o que  bem diferente. Ou seja, ao
invs de um "milagre" de mgica de multiplicao de pes e
peixes, que no encerra ensinamento religioso algum,  s
um mero ato pblico de magia, existe, sim, o milagre 
verdadeiro  da diviso de pes e peixes, que encerra um
magnfico ensinamento cristo de dividir o que se tem com
os irmos mais necessitados.
E, de mais a mais, Jesus jamais faria um milagre ou qualquer
coisa que O beneficiasse pessoalmente, como no caso da
alimentao a seu pblico ouvinte com pes e peixes, como
uma forma de "pagamento" s pessoas que vieram para
escut-Lo e segui-Lo em pregaes. Ele mesmo disse isso de
maneira bem clara e inconteste: (Joo 5:30) "Eu nada posso
fazer por mim mesmo".
Estas "mgicas" em pblico, estas curas em pblico, estes
"milagres" em pblico, toda esta exibio pblica, 
totalmente incompatvel com o recatado Jesus, humilde, que
conhecemos, despido de qualquer vaidade (Mateus 6:2)
"No permitais que toquem trombetas por ti"; "Guardai-vos
de fazer as vossas obras diante dos homens para vos
tornardes notados por eles. (Mateus 6:1). Pois, at para dar
esmola Jesus recomenda que se d em segredo; que at para
orar Jesus recomenda que se faa recluso e no nas ruas e
praas para ser visto pelos homens.
Como pode este exemplo e smbolo de humildade ser
pintado por escribas saduceus e fariseus como um curan-
deiro, um mgico, um exibicionista, um arrogante, exibindo-
se em pblico? Como pode isto estar na Bblia e as pessoas
aceitarem pacificamente e no questionarem este contra-
senso?
 s questionar e as intenes pessoais dos escribas
aparecem por inteiro: Qual o sentido bblico de Jesus fazer
esta mgica em pblico ou este milagre de alimentar, ora
4.000, ora 5.000 pessoas, fora mulheres e crianas?  troco
de que? Mostrar poder? Exibir-se em pblico? Isso contraria
tudo que Jesus sempre pregou sobre anonimato, segredo,
silncio e humildade. E, se era para alimentar os famintos...
por que alimentar somente a sua platia, seu pblico ouvinte
e os seus "amigos" e no os necessitados? Se era para curar
alguns... por que no os justos e somente alguns? Se era para
ressuscitar algum, por que ressuscitar Lzaro e no seu pai,
Jos? E por que no ressuscitar todos os justos e todos que
necessitassem?
Esse curandeiro exibicionista no  Jesus. Jesus jamais agiria
conforme o relatado pelos escribas.
Qual o sentido de ressuscitar Lzaro? Para que? Trazer de
volta  vida uma pessoa que estava fedendo, cheirando a
carnia depois de quatro dias de morto? S porque Jesus
chegou atrasado na casa de Lzaro e no pde cur-lo quan-
do estava doente?
Isso  uma bobagem atroz.
No existe um nico motivo para Jesus ressuscitar Lzaro
que no seja exibicionismo. At porque, se Jesus fosse
ressuscitar algum que merecesse, teria ressuscitado seu pai,
Jos, que foi uma perda enorme para Ele, que apesar de
sofrer, chorar e pedir a Deus por seu pai, Jesus foi incapaz de
ressuscitar a quem ele mais amava na vida, que foi seu pai,
Jos. Assim como transformar gua em vinho nas bodas de
Can (de seu primo Benjamim) no passa de mero relato
atribuindo publicamente poderes mgicos a Jesus.
A ressurreio de Lzaro  uma das piores invenes da
Bblia, pois no s joga por terra o conceito de renascimento
e vida eterna (valorizando sobremaneira a vida material)
como retira da morte o caminho natural de Deus. Isto
porque, a nica coisa certa na vida  a morte e a morte da
matria  a maior de todas as justias de Deus. A morte
nivela igualmente a todos: ricos, pobres, cultos, incultos,
religiosos, ateus. Todos so inapelavelmente igualados pela
morte. E o que a ressurreio de Lzaro faz  desdizer todos
os conceitos de espiritualidade. E pelo motivo mais ftil do
mundo... algo como: "...desculpe-me por ter chegado
atrasado, e como compensao vou ressuscitar Lzaro para
me desculpar pelo atraso..." (Inimaginvel na mente de uma
pessoa normal, mas bastante compreensvel para quem
escreveu as pragas e as historinhas fantasiosas do Antigo
Testamento)
Na realidade, os fatos aconteceram de maneira bem
diferente do narrado pelos escribas. Claro que aconteceram.
E nesse caso,  bom atentar para o que Jesus realmente disse
dos escribas e alertou sobre eles:
"Tomai cuidado com os escribas pregadores..." (Marcos
12:38)
"Se a vossa virtude no superar a dos escribas e fariseus, no
entrareis no reino dos cus." (Mateus 5:20)
"Vs, portanto, acautelai-vos, pois de tudo vos preveni."
(Marcos 13:23)
(Nota: Num sentido bblico, escribas e pregadores tm o
mesmo significado, (Marcos 1:22, 2:6, e 2:16), uma vez que
os escribas tambm exerciam o sacerdcio e eram
pregadores)
Atentem! Tomem tento! Jesus est claramente alertando:
"Cuidado com os escribas pregadores, no se deixem
enganar pelas palavras. Usem a inteligncia. Pensem.
Questionem. Quem souber ler, leia. Quem tiver ouvidos,
oua."
O "milagre" dos pes, por exemplo,  to absurdo quanto
controverso, e choca-se frontalmente quando Jesus foi
instado a fazer milagre semelhante, diante da tentao do
Diabo, no deserto. Posto que Ele mostrou-se incapaz de
transformar pedra em po, pois os milagres de Jesus no so
para serem exibidos em pblico, no so para serem usados
em proveito prprio. No so para fazer Deus exibir Seu
poder e Sua fora. Portanto, os escribas erraram, e muito,
em apresentar Jesus como um exibicionista pblico. Esse
curandeiro exibicionista no  Jesus.
No sabendo como lidar com determinados fatos, por falta
de conhecimento da doutrina crist que principiava nascer,
e no sabendo dimensionar a importncia do que Jesus fazia
(achando que mgica e milagre so mais importantes que as
lies de vida e os ensinamentos deixados por Jesus), os
escribas confundem o fato de Jesus no querer fazer com
no conseguir fazer. E assim  o caso relatado como no
tendo conseguido fazer "milagres" de cura em sua prpria
terra, jogando a culpa nos "homens de pouca f", alegando
que ningum faz milagre em sua prpria terra.
A bem da verdade, por ignorncia dos escribas, este  s
mais um triste e pobre retrato, dentre tantos casos, de um
messias curandeiro, arrogante e exibicionista, pintado pelos
escribas que a igreja selecionou como o ideal para retratar a
vida de Jesus. Vejamos mais alguns casos incompatveis com
Jesus:

        (Mateus 17:17)  Aps curar um louco, Jesus vocifera
 "Gerao descrente e perversa, disse Jesus, at quando
estarei convosco? At quando vos hei de suportar?"
Ser esse o Jesus humilde, manso, pregador da paz, da
fraternidade, do amor, que por simples e humana in-
tolerncia diz claramente estar de saco cheio dos homens e
da humanidade?  esse o retrato de Jesus que a igreja e os
escribas querem passar? "At quando vos hei de suportar?"

         (Marcos 2:1-12)  Jesus exibe-se curando um pa-
raltico na frente de todos, "para que todos soubesse do
poder do Filho do Homem" (Ele) e Ele fosse glorificado".
 esse o significado da "obra de Jesus" retratado pelos
escribas? Um curandeiro vaidoso e exibicionista que realiza
uma cura de um paraltico somente para dar uma
demonstrao de fora e poder do "Filho do Homem"?

         (Joo 9:13)  Jesus cura um cego cuspindo na terra e
fazendo uma pasta de lodo para colocar nos olhos do cego.
Curandeirismo?
Se isso  cuspir na terra e fazer lama para colocar no olho
do paciente  no  curandeirismo, ento o significado de
curandeirismo mudou muito.
Esse relato dos escribas saduceus/fariseus s interessa mesmo
aos dirigentes vigaristas curandeiros do templo, os quais
Jesus expulsou como vendilhes.
Que outra mensagem os escribas pretenderam passar com
esse relato que no fosse o do curandeirismo, do qual eles
eram devotos, praticantes e beneficirios?

         (Marcos 7:33-34)  Jesus cura um surdo-gago
enfiando o dedo no ouvido do surdo e cuspindo na boca do
gago.
Curandeirismo? Mais curandeirismo?  essa a mensagem que
a Bblia quer passar reiteradamente com o evangelho de
Jesus?

         (Marcos 5:19-20) Aps curar um "endemoniado",
Jesus recomenda que seja dado grande publicidade de seus
milagres: "Vai para a tua casa, para junto dos teus, e conta-
lhes tudo que o Senhor fez por ti. Ele retirou-se e comeou
a apregoar na Decpole o que Jesus fizera por ele, e todos
ficavam admirados.
Esse retrato de curandeiro exibicionista, muito mais do que
um retrato imperfeito de Jesus,  todo o pretexto e mau
exemplo que pregadores vigaristas e curandeiros, que
exploram o povo "em nome de Jesus", precisam para sarem
vendendo curas, remdios, amuletos e "objetos santos" ou
de sorte. Pois, se o prprio Jesus est sendo apresentado na
Bblia pelos evangelistas como um curandeiro que exorciza,
retira demnios em pblico e ainda se exibe com ampla
publicidade do feito, nada mais natural que atualmente
hordas de pregadores curandeiros ajam da mesma maneira,
"em nome de Jesus", vendendo, pelas praas e pelas
esquinas: curas, "milagres", amuletos e objetos tidos como
sagrados para cura imediata de "fiis".
Felizmente Jesus v mais longe,  sbio o suficiente para
saber que os escribas distorcero suas palavras, curandeiros
vigaristas iro sair pelo mundo prometendo e fazendo falsos
milagres "em nome de Jesus", e que muita mentira ser dita
em seu nome. Da, Jesus, por ser especial, diferente de tudo
que existiu na Terra, deixou-nos um legado que
simplesmente explica tudo.

Jesus alerta contra os pregadores, escribas e
profetas.

        "Tomai cuidado com os pregadores escribas que gostam
de se exibir de vestes sbrias, de pregar e ser reconhecido
nas praas e de ocupar os primeiros lugares no templo; eles
devoram as casas dos pobres e das vivas a pretexto de
oraes, listes recebero um castigo mais severo." (Marcos
12:38-40)
        "Muitos Me diro: Senhor, Senhor, no foi em Teu nome
que profetizamos? Em Teu nome que expulsamos os
demnios? Em teu nome que fizemos muitos milagres? E
ento dir-lhes-ei: "Nunca vos conheci, afastai-vos de mim,
vs que praticais a iniqidade." (Mateus 7:22-23)
        "Surgiro muitos falando em meu nome. E seduziro
muitos". (Marcos 13:6)
        "Acautelai-vos para que ningum vos iluda". (Marcos
13:5)
        "Acautelai-vos dos falsos pregadores e falsos profetas que
se vos apresentam disfarados de ovelhas, mas que por
dentro so lobos vorazes." (Mateus 7:15)
         "... pois surgiro falsos pregadores e falsos profetas
que faro sinais e prodgios a fim de enganarem."(Marcos
13:22)
"Se a vossa virtude no superar a dos escribas e fariseus, no
entrareis no reino dos cus." (Mateus 5:20)

        "Vs, portanto, acautelai-vos, pois de tudo vos preve-
ni." (Marcos 13:23)

Simplesmente perfeito. Proftico. Irretocvel.

Filho, a maldade que foi feita com Jesus, pelos escribas, aps
a sua "morte", assemelha-se com toda a maldade que os
saduceus e fariseus fizeram com Ele em vida, levando-O 
crucificao. Se em certos momentos no for pior.
Veja, por exemplo, que existiam dois grandes homens,
pertencentes  Sociedade Secreta dos Essnios, que (inclu-
sive nasceram com diferena de seis meses entre um e ou-
tro) vieram para mudar o mundo, e que eram muito amigos
e quase irmos: Jesus e Joo Batista. Inclusive, havia uma
grande dvida, na poca, at mesmo dentro da Sociedade
Secreta dos Essnios, se o messias era Jesus ou se o messias
era Joo Batista.
E, no entanto, o que fizeram os escribas saduceus e fariseus
para se vingar, ao mesmo tempo, desses dois amigos, quase
irmos, para toda a posteridade? Simplesmente jogam um
contra o outro e apresentam um Jesus pequeno, vaidoso,
mesquinho, preocupado com a rivalidade mesquinha e
pequena com Joo Batista. Veja:
         (Marcos 7:22-23)  "(Jesus) Tomando a palavra
disse aos enviados: lde contar a Joo o que vistes e ouvistes:
Os cegos vem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos,
os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, a boa nova 
anunciada dos pobres, e feliz de quem no tiver em Mim
ocasio de queda".
 esse o messias-curandeiro cuja "grande obra" so somente
curas?  esse o messias esperado, pintado pelos escribas
como um curandeiro?  esse o messias que em Sua enorme
vaidade disputa e rivaliza com Joo Batista a preferncia em
ser o primeiro ou "o maior"?  uma maldade terrvel dos
escribas atriburem tamanha pequenez e vaidade a Jesus.
Mas, as vinganas contra Joo Batista e contra Jesus no
param por a. Vejamos (Marcos 11:12). Jesus procura uma
figueira para comer uns figos e no acha os frutos. Irritado
com a falta de frutos na rvore Ele amaldioa a figueira. No
dia seguinte  (Marcos 11:20)  a figueira secou e morreu.
 esse o "Jesus superstar", irritadio, temperamental e
vaidoso messias que o mundo tanto esperou? Um sujeito que
fica irritadinho porque a rvore no tem frutos para
aliment-lo e com isso amaldioa-a secando-lhe at a morte?
Que exemplo de vida  esse? Esse no  Jesus... Essa  mais
uma lasca de pedra a ser retirada do bloco, pois esse no 
Jesus.
(Joo 2:18:20)  Exibindo-se para os religiosos que o
questionavam por haver expulso os vendilhes do templo,
Jesus garante que se quiser poder destruir o templo dos
judeus e que mesmo sem ajuda poder reerguer, sozinho,
em apenas trs dias, o templo que levou 46 anos para ser
construdo.
 esse fanfarro e exibido o messias que esperavam? Que
destri e constri quando quiser?  essa a imagem que
esperam poder passar?
 esse o messias que sai por a fanfarronando e dizendo que
 o tal,  o maior, e que se quiser destri e constri quando
quiser, como fez com a pobre figueira...???
Esse no  o Jesus dos sonhos de ningum!
Esse  um retrato mal acabado de um messias pintado pelos
escribas saduceus e fariseus, que por no ser o messias que
eles esperavam, vingativamente, pelos escritos que
deixaram, agora querem enterr-Lo, mesmo depois de "mor-
to" e "ressuscitado".
Mas, o mais lamentvel nesta histria toda de textos irreais e
inadmissveis  que embora um grupo de religiosos cristos,
ao invs de enxergar fatos como estes como sendo erro dos
escribas, prefere inventar e criar interpretaes mirabolantes
e fantasiosas, levando o sentido do texto para longe, muito
longe, do sentido do que realmente est escrito.
Este segmento de igreja, por falta de coragem em apontar os
erros dos escribas saduceus e fariseus, e incapaz de
reconhecer seus prprios erros na montagem da "salada de
frutas" das folhas soltas que viriam a compor os evangelhos,
prefere inventar interpretaes fantasiosas e mirabolantes
atravs de exegetas (pessoas que fazem exegese =interpretao de palavras ou textos) para montar explicaes
sobre o inexplicvel. Ou seja, ao invs de reconhecerem o
erro dos saduceus, fariseus e da prpria igreja, no que est
escrito, como est escrito, a igreja inventa e cria uma
histria to fantasiosa que s vezes at acaba dizendo coisa
muito pior do que o que est escrito, quando no troca seis
por meia dzia e diz a mesma coisa com uma interpretao
diferente. So os exegetas de bicicleta."
        "Exegeta de bicicleta? O que  isso, pai?"
        "O exegeta de bicicleta  aquele que interpreta qual-
quer texto, no importando o que esteja escrito, levando o
sentido das palavras sempre para o mesmo local ou con-
cluso, no interesse do que ele quer como resultado.
Por exemplo, se algum diz: "Deus mata as pessoas".
Qualquer pessoa interpreta que Deus mata as pessoas. Pura e
simplesmente. Mas se for colocado na Bblia a mesma
expresso: "Deus mata as pessoas", o exegeta de bicicleta dir
que a frase  igual bicicleta, mas s que completamente
diferente. Ou seja,  isso que est escrito, mas no  isso que
se quer dizer. Que nem bicicleta, s que completamente
diferente.
Para o exegeta de bicicleta, tudo que ele no sabe explicar
fica sendo igual a bicicleta, s que completamente diferente.
Por exemplo: Um carro  que nem bicicleta (tem roda,
direo, se movimenta, mas...), s que completamente
diferente. Ou seja, interpreta, explica, mas no quer dizer
absolutamente nada.
Pergunte ao exegeta de bicicleta sobre o que  o amor. Ele
dir que o amor  que nem bicicleta (d prazer, mas...), s
que completamente diferente.
Pergunte ao exegeta de bicicleta sobre o que  o dio. Ele
dir que o dio  que nem bicicleta (s vezes machuca,
mas...), s que completamente diferente.
Pois , religiosos "exegetas de bicicleta" criaram uma
"verso" fantasiosa e mirabolante para este caso da destruio
do templo e reconstruo em trs dias, dizendo que o que
Jesus quis dizer  que Ele, Jesus, se quisesse, poderia destruir
o templo dos judeus (no fisicamente, mas pela comoo
pela sua morte), e que com a sua ressurreio, aps trs dias,
ele reconstruiria o templo (ou construiria outro).
Pura exegese de bicicleta.  que nem bicicleta (a gente
desmonta e monta, mas...), s que completamente diferente.
Primeiro: Em que, isso muda a histria? Jesus continua
sendo apresentado como o mesmo arrogante e prepotente,
conforme descrito no versculo, dizendo que  o tal, o
poderoso, que destri e constri quando quiser. (Isso no
muda nada a histria).
Segundo: Jesus colocava as suas pregaes de duas maneiras
bem distintas: 1) Quando Ele queria que as pessoas
pensassem sobre o que Ele estava falando, ele falava por
parbolas para que as pessoas pensassem, raciocinassem,
interpretassem, e chegassem a uma concluso. 2) Quando
Jesus no queria que distorcessem o que Ele estava dizendo,
Jesus falava diretamente, (para evitar os exegetas de
bicicleta) como  o caso das bem-aventuranas; amai-vos
uns aos outros; conhecereis a verdade e a verdade vos
libertar; buscai primeiramente o reino de Deus e sua justia
e todas as coisas materiais vos sero acrescentadas; sereis
medidos com a medida que empregardes para medir, etc. E,
no caso da citao do templo e dos trs dias, mesmo que
fosse parbola, ainda assim, a explicao  to ruim quanto a
citao do texto original.
 mais fcil, simples e honesto, reconhecer que os
versculos do caso so obra da "criatividade" dos escribas
saduceus e fariseus, e da "refundio" dos textos pela igreja
que no foi bem isso que Jesus disse, do que tentar inventar
uma histria de exegese de bicicleta para melhorar a
infelicidade que foi colocada como um texto evanglico de
Jesus.

Mas, continuemos com os exemplos...  (Joo 10:9) "Eu
sou a porta. Se algum entrar por mim salvar-se-."
Mesmo interpretando-se o texto como sendo um indicativo
de que Jesus  o caminho, a verdade e a vida, aqui Jesus
aparece como um messias auto-proclamado. Ou seja, um
messias vaidoso proclamado por Ele mesmo (e no por
terceiros) como a salvao do mundo. "Eu sou. Eu posso. Eu
fao... Eu, eu, eu... irritante "Eu". Essa falta de humildade
no  de Jesus.

         (Joo 10:11) "Eu sou o bom pastor"
Aqui, novamente, Jesus aparece como um messias auto-
proclamado, tipo: "Eu... Eu... Eu... Eu sou o bom. Eu sou o
mximo. Eu sou o bom pastor. Eu, eu, eu... irritante Eu".
Essa falta de humildade no  de Jesus.

         (Joo 10:18) "Ningum me tira a vida. Sou eu que a
dou a Mim mesmo". Tenho o poder para d-la e tornar a
tom-la."
Eu, eu, eu... irritante "Eu". E Deus? Onde Deus fica nisso?
Deus  mero coadjuvante? Isso  um absurdo total e
completo. Como Jesus poderia ter dito isso dessa forma
arrogante, presunoso, pretensioso? Justo Ele que sabia de
Sua sina e que at havia prevenido os discpulos em relao
ao clice amargo (sacrifcio e morte) que Ele iria ter que
tomar, segundo os planos de Deus.  inconcebvel esta des-
crio feita pelos escribas, da arrogncia de Jesus, supondo-
se Ele como o todo poderoso. Jesus, jamais falaria isso.
Inclusive, este texto choca-se total e violentamente com a
Sua confisso aos discpulos de que Ele nada podia fazer por
Ele mesmo, conforme (Joo 5:30) "Eu nada posso Jazer por
mim mesmo".
Resta a voc, filho, retirar do bloco de pedra tudo que no 
escultura, retirar dos textos evanglicos tudo que no for de
Jesus, pois como ele mesmo ensinou: "Se a vossa virtude no
superar a dos escribas e fariseus, no entrareis no reino dos
cus." (Mateus 5:20). Ou seja, no seja refm dos escribas.
No adianta nada ler o texto do evangelho, se voc no
puder perceber com o corao o que Jesus realmente disse e
fez, e o que os escribas escreveram distorcendo a Sua vida,
sua obra e suas palavras."
        "Mas pai, Jesus no poderia estar dizendo uma coisa
querendo dizer outra?"
        "De maneira alguma. Jesus sabia exatamente o valor de
cada palavra. Tanto que quando Ele dizia uma frase ou um
pensamento, Ele sabia exatamente o sentido e o significado
de cada palavra e do que Ele estava dizendo. Jesus era
essnio, sabia a fora e o poder das palavras e as usava como
um mantra, como uma reza, como uma orao. As palavras
eram para ser entendidas exatamente como Ele as havia dito,
sem interpretaes mirabolantes e fantasiosas. Pois quando
Ele queria que o que Ele estivesse dizendo fosse fruto de
reflexo, de meditao, de interpretao Ele falava por
parbolas. (E por isso ele deixou um nmero enorme de
parbolas para serem interpretadas, meditadas, refletidas).
A frase: "Ningum me tira a vida. Sou eu que a dou a Mim
mesmo" no tem nada de parbola,  uma frase, somente
uma frase, medocre, ufanista, arrogante, prepotente. E que
jamais teria sido dita por Jesus que sabia da Sua morte e da
Sua submisso a Deus. Quer dizer, uma frase como esta
jamais seria dita pelo Jesus que ns conhecemos.
Bom, mas voltemos aos exemplos das barbaridades bblicas
dos textos dos escribas saduceus e fariseus:

         (Joo 15:5) "... porque sem mim nada podeis fazer."
Aqui, Jesus  retratado como um arrogante e
fundamentalista. Sempre focado no prprio umbigo do Eu,
eu, eu... irritante "Eu".

         (Joo 8:12) "... j no vos chamo servos."
Quer dizer que j no chama mais os discpulos de servos,
mas antes chamava? S interessava ter discpulos se fossem
servos? De maneira alguma isso  verdade. Jesus era um
humilde sbio essnio, chamava os discpulos de discpulos e
os discpulos chamavam-no de rabi (mestre). Jamais um
humilde-humanitrio como Jesus pregaria a escravido, a
servido.

         (Joo 15:6) "Se algum no estiver em Mim, ser lan-
ado jora como uma vara e secar; lana-lo-o ao jogo e
arder."
Aqui d para perceber, claramente, o terrorismo e
fundamentalismo que nortearam a maior parte do Antigo
Testamento escrito pelos escribas saduceus e fariseus. Aqui
est, por inteiro, a caligrafia dos saduceus e dos fariseus.
Algo do tipo: "Eu fao e aconteo, e quem no estiver co-
migo vai arder no inferno". Terrorismo puro.

         (Joo 15:14) "Vs sereis Meus amigos se fizerdes o
que eu vos mando."
O mnimo que se pode dizer desta infeliz frase medocre dos
escribas saduceus, atribuda a Jesus,  que trata-se de uma
chantagem. Pretendem apresentar Jesus como um
chantagista? Querem os escribas que ele condicione a ami-
zade  obedincia?

         (Joo 8:12) "Eu sou a luz do mundo"
Eu, eu, eu... irritante "Eu". Vejam a mediocridade dos
escribas saduceus. Aqui pretendem apresentar Jesus como
um presunoso, arrogante. Mas, no entanto, em outra pas-
sagem colocam a coisa da maneira correta. Ou seja, ao dizer
que: "Vs sois a luz do mundo... vs sois o sal da terra..."
(Esse sim,  Jesus. Esse  o Jesus que humildemente
reconhece o valor do ser humano e que v alm do prprio
umbigo, no o que se acha o mximo, o tal, o poderoso, e
que se titula como a luz do mundo e o sal da terra).
Portanto,  preciso ter discernimento, a mente bastante livre
e aberta, para separar a lasca de pedra da esttua. Separar o
texto que  de Jesus do texto saduceu, fariseu ou "refundido"
pela igreja imperial do segundo e terceiro sculos.
Ao se ler o Novo Testamento tem-se que ter o cuidado
permanente, permanente, permanente, de que TODOS os
textos foram escritos em folhas soltas, e por isso mesmo,
muitas outras folhas soltas foram acrescentadas por escribas
saduceus e fariseus, misturadas e incorporadas s dos
verdadeiros evangelistas e depois "refundidos" pela igreja.
Portanto, as autorias dos textos pelos quatro evangelistas so
presumidas e no necessariamente verdadeiras, geradas pela
co-autoria, pela pasteurizao e uniformizao dos textos
pela igreja.

 (Joo 14:6) "Ningum vai ao Pai seno por mim"
Arrogante, presunoso e fundamentalista. Nada  mais
arrogante, presunoso e fundamentalista do que esta frase.
Pois encerra como ensinamento que na humanidade inteira,
antes de Jesus, ningum ia a Deus e depois de Jesus somente
quem fosse cristo iria a Deus. (Esta frase  de uma
imbecilidade fundamentalista a toda prova)
Jesus, por ser um humilde pacifista humanitrio, um manso
ao extremo, pertencente  Sociedade Secreta dos Essnios (o
que irritava profundamente aos saduceus e aos fariseus), e
sendo Ele um profundo conhecedor das escrituras, um rabi,
um mestre, jamais seria portador de tamanha arrogncia e
vaidade pintada pelos escribas saduceus e fariseus.
Exatamente porque Jesus era essnio e conhecia muito bem
as escrituras e os ensinamentos essnios, jamais se enredaria
na arrogncia e na vaidade, pois um dos primeiros
ensinamentos dos essnios era a humildade. E o contrrio da
humildade,  a vaidade, que est claramente condenada no
ensinamento essnio, retratada inclusive em Eclesiastes, ao
qual Jesus jamais desobedeceria.

(Eclesiates 1:2 "Vaidade das vaidades, dizia o pregador,
vaidade das vaidades, tudo  vaidade" ("Vanitas vanitatum,
eclesiastes dixit, vanitas vanitam, omnia vanitas")

Para melhor compreender a luta surda que existia entre os
diversos grupos de hebreus (saduceus, fariseus, essnios,
zelotes), simplificadamente chamados de judeus, vejamos
algumas das principais caractersticas de cada grupo:

        Saduceus  Eram a elite religiosa, sacerdotal e
aristocrtica de Jerusalm. Dominavam tudo. Eram ricos, em
geral sabiam ler e escrever (o que era raro na poca); tinham
o poder, juntamente com os romanos, que dominavam os
povos daquela regio. Eram conservadores. S admitiam o
Pentateuco (os cinco livros de Moiss), no aceitavam nem
mesmos os outros livros de sabedoria, salmos e
ensinamentos. No aceitavam a ressurreio. No
acreditavam em vida aps a morte. No acreditavam na
imortalidade da alma. S existia um Deus: o Deus tribal de
Israel. Os saduceus foram os responsveis diretos pela
crucificao de Jesus.
        Fariseus  Fariseu quer dizer "o que est separado".
Eram parecidos com os saduceus, tambm pertenciam a uma
elite (mas no to importante ou com tanto poder quanto os
saduceus). Eram extremamente racistas e radicais. No
aceitavam os Gentios (os no judeus). Diferenciavam-se dos
saduceus por acreditarem na ressurreio (No caso a
ressurreio final, s no fim dos tempos).
        Essnios  Sociedade secreta a que Jesus e Joo Batista
pertenciam. Os essnios eram parcialmente vegetarianos
(No comiam carne "vermelha", mas comiam peixe e
gafanhotos). Viviam separados dos demais judeus. Eram
doutos e sbios. Tinham slidos conhecimentos religiosos e
doutrinrios. Eram essencialmente espiritualistas, acre-
ditavam na imortalidade da alma, na ressurreio, na reen-
carnao e na vida eterna. Pregavam o batismo como o
renascimento para uma nova vida ainda nesta vida terrena.
Adotavam a liturgia da ceia de po e vinho como a celebra-
o de irmandade e unio. A direo da seita era composta
por 12 "homens da santidade". Eram adeptos da humildade
como norma de vida. Pregavam a no-violncia. Praticavam
a imposio de mos. Faziam curas gratuitas aos doentes
atravs da emanao de energia corporal. Eram odiados por
saduceus, fariseus e zelotes. Os essnios adoravam mais a
Jesus e a Joo Batista do que a Moiss. E por isso eram
odiados pelos demais judeus, e por este motivo,
principalmente os essnios, foram dizimados pelos outros
grupos de judeus na dispora de 70.
        Zelotes  Grupo radical, ultranacionalista. Odiavam os
romanos dominadores. Promoviam protestos e constantes
rebelies, embora quase nunca tivessem muito sucesso
nestes atos de insubordinao, pois os zelotes eram minoria,
um grupo, embora barulhento, era muito pequeno. Os
zelotes achavam que Jesus era um pacifista traidor, que no
tinha coragem de enfrentar Roma. (Jesus bar Abas - Jesus
filho de Abas  mais conhecido como Barrabs, foi o zelote
mais conhecido, citado pelos textos bblicos)  Gentios 
Os no-judeus.

Erros e contradies do Novo Testamento

No contentes em apresentar Jesus como um curandeiro,
vaidoso, arrogante e presunoso, at porque esta era a
convico do smbolo de poder de um Deus dos saduceus da
poca, haja vista a forma como atribuam o "poder" de Deus
no Antigo Testamento, os escribas saduceus e fariseus,
misturando seus escritos aos dos evangelistas, ainda
cometeram um nmero enorme de erros e contradies em
seus relatos. Seno vejamos:
Confronto entre esprito e matria
(Lucas 20:38) "Ora, Deus no  Deus dos mortos, mas dos
vivos, pois, para Ele, todos esto vivos."
(Joo 11:25) "Eu sou a ressurreio e a vida; quem cr em
mim, ainda que esteja morto, viver."
Viver... sim... mas... como esprito ou como matria?
Existe um conceito bsico, universalmente aceito, de que
matria  matria (concreto) e que esprito  esprito
(imaterial), e a evoluo deste raciocnio  que ns, seres
humanos, enquanto estivssemos vivendo a nossa vida
material, aqui na Terra, seramos espritos (imateriais),
energia imaterial, fundido (aprisionado) dentro de um corpo
fsico (material) e usando o corpo temporariamente e
meramente como meio de locomoo e no como um fim.
Entretanto, como nem sempre este conceito foi assim. Ou
melhor, o conceito entre matria e esprito, dois mil anos
atrs, era bem diferente disso, os escribas do Novo
Testamento acabaram provocando uma confuso terrvel
sobre o assunto, principalmente em duas situaes. A
primeira na ressurreio de Lzaro e a segunda na
ressurreio de Jesus.
Na ressurreio de Lzaro, depois de quatro dias morto, aps
o esprito j ter abandonado o corpo fsico, com a sepultura
ftida de carne podre, conforme relatado na prpria Bblia,
Jesus faz Lzaro voltar  vida e retomar o seu corpo podre.
(Afinal... A vida eterna no  espiritual? Ento, para que
ressuscitar Lzaro e fazer sua carne podre voltar  vida? Isso
contradiz todo o conceito entre carne e esprito. Contradiz,
destri e aniquila com o conceito e a valorizao da vida
espiritual, para supervalorizar o apego  vida material e
fsica).
Na ressurreio de Jesus, num primeiro momento, nenhum
dos discpulos reconhece Jesus (Nem Maria Madalena, nem
as outras mulheres, nem os discpulos no caminho de
Emas, nem os discpulos no outeiro santo). Sinal de que a
materializao do esprito de Jesus era bem diferente do cor-
po fsico original de Jesus, pois nem as pessoas mais ntimas
O reconheceram. Mas o mais espantoso  que o "esprito" de
Jesus ressuscitado  material. Isso mesmo: esprito material.
Ou seja, Jesus sente sede, sente fome, conversa com os
discpulos e pede para que toquem nele (esprito), na sua
carne/esprito, e para que tirem a dvida Ele pede a Tom
que toque nas chagas, nas mos e nos ps, onde os cravos
haviam feito as perfuraes na cruz. Um absurdo total,
somente imaginvel no conceito dos saduceus que no
tinham o conceito de vida eterna e no acreditavam em
reencarnao. E por isso, est mais do que claro que este
texto  de um judeu saduceu e no de um essnio. (A no
ser que Jesus no tenha morrido na cruz e a "ressurreio"
no seja verdadeiramente uma ressurreio. Ser?)
Apario para Maria Madalena (Joo 20:4) "Dito isto, (Maria
Madalena) voltou-se para trs e viu Jesus de p, mas no
sabia que era Jesus."
Sinal de que a apario estava diferente do corpo original de
Jesus
Apario para dois discpulos no caminho de Emas, sem
reconhecerem Jesus (Marcos 16:12) "Depois disso, apareceu,
com um aspecto diferente, a dois deles (discpulos) que iam
a andar a caminho do campo (Emas)."
Sinal de que a apario estava diferente do corpo original de
Jesus.
Apario, novamente, para os discpulos, sem reco-
nhecerem Jesus (Marcos 16:14) "Apareceu aos prprios
onze, quando estavam  mesa, e censurou-lhes a
incredulidade e a obstinao em no acreditarem naqueles
que O tinham visto ressuscitado (Lucas 24:36-39) "Jesus
apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja
convosco... Vede minhas mos e meus ps, sou eu mesmo.
Apalpai-me e olhai que o esprito no tem carne nem ossos,
mas verificais que Eu tenho."
Sinal de que a apario no s estava diferente do corpo
original de Jesus, como a apario era fsica a ponto de Jesus
pedir para que o tocassem, que o apalpassem.
Com fome aps ter morrido e ressuscitado, Jesus pede
comida: (Lucas 24:41-42) "Ele perguntou-lhes: Tendes a
alguma coisa que se coma?. Ento deram-Lhe uma posta de
peixe assado; e tomando-a, comeu diante deles."
Como assim? Fome fsica (material)? Um esprito, imaterial,
que acabara de ressuscitar estava com fome? Morrer d
fome? Que tipo de mensagem esperavam os escribas
saduceus e os "evangelistas", os pregadores e a igreja com
esse tipo de relato? (A no ser que Jesus no tenha morrido
na cruz e a "ressurreio" no seja verdadeiramente uma
ressurreio. Ser?)
No h como atribuir ao leitor uma outra interpretao ou a
falta de compreenso do texto. No h como imputar culpa
do texto ao leitor por falta de f. No h como solicitar
profunda ignorncia do leitor para se poder fazer um texto
como esses ser digervel e compreensvel. Decididamente, a
prpria falta de conhecimento dos escribas sobre o que era
fsico e imaterial, carne e esprito e de como seria ou deveria
ser o processo de reencarnao,  que provocam erros
grosseiros e absurdos como estes. (A no ser que Jesus no
tivesse morrido na cruz. Ou melhor, no tivesse morrido na
crucificao, e antes de morrer na cruz, houvesse sido salvo
da morte e posteriormente, j curado, apareceu como corpo
material. Ser?)
Esta questo, no mnimo confusa, sobre reencarnao,
material e imaterial, somente se torna compreensvel a partir
do ponto em que voc assume que Jesus era um sbio
essnio, pertencente  Sociedade Secreta dos Essnios (odi-
ada pelos saduceus, fariseus e zelotes, e que foi dizimada por
eles na dispora de 70), e que tinha convices muito
prprias sobre ressurreio, reencarnao, incorporao, e
materializao, como sendo quatro coisas distintas e bem
diferentes, e que o esprito e a materializao de Jesus ocor-
reram de acordo com a crena daquela sociedade. Ou seja,
ressurreio (ressurgir dos mortos, como Jesus, indicando a
existncia de vida eterna); reencarnao (como Lzaro que
reencarnou no prprio corpo); incorporao (no corpo
alheio, como o possesso, cujos "demnios" ou espritos ruins
incorporaram-se nele e depois transferiram-se para os
porcos, ou como em (Marcos 6:14) quando Herodes diz que
Jesus estava incorporado por Joo Batista); e materializao
(que  transformar algo imaterial em matria, como o
esprito  imaterial  de Jesus que se materializa para
Paulo/Saulo, no caminho de Damasco, ou quando aparece
aos discpulos).
Mas, continuando sobre os erros e contradies do Novo
Testamento:
A terra perecer? (Como no Novo Testamento)
(II Pedro 3:10) "Os cus passaro com um grande estrondo...
a Terra e todas as obras que nela h sero consumidas."
(Hebreus 1:10-11). "Tu, Senhor, no princpio fundaste a
Terra e os cus, so obras das Tuas mos. Elas perecero, mas
Tu permanecers."
Ou a terra vai durar para sempre? (Como no Antigo
Testamento)
(Salmos 104:5) "Fundastes a Terra sobre bases slidas,
inabalveis para sempre."
(Eclesiastes 1:4)...mas a Terra subsiste sempre."
Afinal, a Terra vai acabar ou vai durar para sempre?

O reino dos cus est prximo?
(Mateus 4:17) "Arrependei-vos, porque est prximo o reino
dos cus."
Ou j chegou?
(Lucas 17:20-21) "O reino dos cus j chegou. Ele est
dentro de vs."
Afinal, o reino dos cus chegou ou no chegou?

O testemunho de Jesus  verdadeiro?
(Joo 8:14) "Ainda que Eu d testemunho de Mim mesmo, 
verdico o Meu testemunho, porque sei de onde vim e para
onde vou."
Ou Jesus era contraditrio e o Seu testemunho 
falso?
(Joo 5:31) "Se Eu dou testemunho a respeito de Mim
mesmo, o Meu testemunho no  verdadeiro."
Afinal, o testemunho de Jesus  falso ou verdadeiro?

Jesus pregava a paz e o amor?
(Joo 13:34 e 15:12) "Amai-vos uns aos outros como eu vos
amei."
(Mateus 5:44) Eu, porm, vos digo: "Amai a vossos inimigos
e orai pelos que vos perseguem."

Ou pregava a desunio e a guerra?
(Mateus 10:34-36) "No penseis que vim trazer paz  Terra.
No vim trazer a paz, mas a espada. Porque eu vim separar,
o filho do seu pai, e a filha da sua me, e a nora da sua sogra.
(36) de tal modo que os inimigos de um homem sero seus
prprios familiares."
(Lucas 22:36) "...e quem no tem espada, venda sua capa e
compre uma."
Afinal, Jesus pregava a paz ou a guerra?
 bem da verdade, isso j foi abordado antes.  claro que
Jesus era essnio, humanitrio, pacifista, pregador da no
violncia. Atribuir a Jesus a pregao da guerra  mais uma
das tantas violncias cometidas contra Ele pelos escribas
saduceus e deve ser retirada do contexto assim como o
escultor retira da pedra bruta o que no  escultura.

Quem foi o pai de Jos, e av de Jesus: Jac ou Heli?
(Mateus 1:16) "E Jac gerou a Jos, marido de Maria, da qual
nasceu Jesus, que se chama Cristo."
(Lucas 3:23) "Ao iniciar o Seu ministrio Jesus tinha cerca
de trinta anos, sendo filho, como se supunha, de Jos,
filho de Heli"
Afinal, quem era o av de Jesus? Jac ou Heli?
Aqui est uma daquelas situaes que havamos comentado
antes. Quando a igreja revisou e "refundiu" os textos dos
quatro evangelhos, tentando harmonizar ao mximo os
escritos entre si, em diversas situaes deparou-se com a
dvida atroz: "Diante de relatos conflitantes e
contradissentes dos evangelistas, a quem dar maior
credibilidade?" "Qual texto deve ser considerado o correto?"
Ante a este impasse, a igreja preferiu deixar os dois textos,
contraditoriamente, exatamente como estavam, pois se
escolhesse uma das verses poderia estar fazendo a escolha
errada, e com isso destruindo uma possvel verso correta.
Razo pela qual diversas contradies bblicas como esta
passaram a fazer parte da Bblia, sem qualquer
constrangimento ou justificativa maior.
E assim, na mesma situao de dvida histrica e
genealgica da igreja, ficamos sem saber: Afinal, quem era o
av de Jesus? Jac ou Heli?


Deus confiou o julgamento a Jesus?
(Joo 5:22) "O Pai no julga ningum, mas entregou ao Filho
o poder de tudo julgar"
(Joo 5:27) "... e deu-lhe o poder de julgar por ser Filho do
homem"
(Joo 5:30) "Eu nada posso jazer por mim mesmo; conforme
ouo  que julgo, e o Meu juzo  justo, porque no busco a
Minha vontade, mas a vontade Daquele que a Mim enviou".
(Joo 8:26) "Tenho a vosso respeito, muito o que dizer e que
julgar"
(II Corintos 5:10) "Porque todos havemos de comparecer
perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba o que
mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver jeito,
enquanto estava no corpo."
Jesus, porm, disse que no julga ningum.
(Joo 8:15) "Vs julgais segundo a carne, Eu no julgo
ningum"
(Joo 12:47) "... no sou Eu que condeno, porque no vim
para condenar o mundo, mas para o salvar."
Os santos  que iro julgar o mundo?
(I Corintos 6:2) "Por ventura no sabeis que os santos ho de
julgar o mundo?"
Aqui repete-se a mesma situao de dubiedade de narrao
dos evangelistas, sendo que no caso, o prprio Joo
Evangelista, o vaidoso e pernstico Joo, que se definia
como: "o discpulo a quem Jesus amava"   quem mais se
contradiz.

Para os cristos, a ltima ceia foi na quinta-feira, a
priso de Jesus foi na madrugada de quinta para sexta-
feira, a morte de Jesus foi na sexta feira, e a
ressurreio foi no domingo (pscoa crist).
H que se considerar inicialmente duas coisas bem distintas:
A pscoa judaica, no  um nico dia, mas uma semana, e se
inicia com a festa dos zimos (comida de pes no
fermentados), por isso mesmo, pode comear em qualquer
dia da semana, dependendo da fase da lua e termina uma
semana aps em qualquer dia da semana; e a pscoa dos cris-
tos, que  celebrada sempre, sempre, sempre aos domingos.
Ou seja, os sete dias de semana da pscoa judaica (que come-
a e termina em qualquer dia da semana) no tm
necessariamente correlao com o domingo da pscoa crist.
A pscoa judaica inicia-se com os zimos (pes no
fermentados) para celebrar a fuga dos judeus escravos do
Egito, onde os judeus fugiram com sacos de farinha nas
costas, e que em razo do suor do corpo molhando e
secando a farinha nas costas, fabricavam, espontaneamente,
pes no fermentados (zimos) que serviam de alimento para
os judeus em fuga. E este ato  extremamente simblico
para os judeus  passou a ser o incio da celebrao pascal,
preconizada por um grande jejum semanal, cujo incio era a
festa dos zimos e terminava com a fartura da morte do
cordeiro pascal (churrasco de cordeiro). Onde se pode
constatar que as pscoas judaicas e crists so
completamente diferentes, sendo a judaica regida pelas fases
da lua enquanto que a crist  regida pelo calendrio solar.

A santa (ltima) ceia foi na quinta-feira?
(Joo 13:1-2) "Antes da festa da pscoa, sabendo Jesus que
chegara Sua hora de passar deste mundo para o Pai... E no
decorrer da ceia..."
Ou seja, a ltima ceia podia ser qualquer dia da semana antes
da festa da pscoa judaica. Supor que a ltima ceia tenha
ocorrido na quinta-feira  absolutamente falta de qualquer
fundamento histrico, concreto.

Ou a santa (ltima) ceia foi na tera-feira?
(Mateus 26:17) "No primeiro dia dos zimos, os discpulos
foram ter com Jesus e perguntaram-lhe: Onde queres que
faamos os preparativos para comer a pscoa?."
Joo diz que a ceia foi antes da pscoa e Mateus diz que a
ceia foi no primeiro dia da pscoa (no primeiro dia dos
zimos, quando no se comia fermento, para celebrar a
pscoa judaica, que era a celebrao da libertao do povo
Judeu do Egito). Mas, independentemente de ter sido antes
da pscoa (como quer Joo) ou no seu primeiro dia (como
quer Mateus) no se sabe qual foi o dia da semana em que
isto ocorreu, porque a pscoa judaica poderia iniciar-se em
qualquer dia da semana.
Flvio Josefo, o maior historiador judaico conhecido, afirma
que a morte de Cristo ocorreu no 14 dia de Nissan (o dia de
preparao da Pscoa dos Judeus), que naquele ano havia
cado numa sexta-feira (nossa sexta-feira santa). Diversos
outros registros religiosos tambm indicam que a morte de
Jesus ocorreu numa sexta-feira.
Entretanto, no se pode concluir de imediato que se Jesus
morreu numa sexta-feira (vspera do sagrado sbado
judaico), sua priso foi feita no mesmo dia (nossa madrugada
de quinta para sexta-feira) e que a ltima (santa) ceia foi feita
no dia anterior (quinta-feira). Isto porque, aps Jesus ter sido
preso, Ele foi levado at Ans no Sindrio (Ans era
membro dirigente do Sindrio), e ali Jesus foi interrogado.
Posteriormente saiu dali e foi enviado a Caifs (sumo
sacerdote) no templo, e Jesus foi novamente interrogado.
Depois foi enviado ao palcio de Pncio Pilatos, e foi
novamente interrogado. Reconhecendo Pilatos que Jesus era
galileu, foi encaminhado ao palcio de Herodes, e foi mais
uma vez interrogado (Aqui uma observao: No primeiro
interrogatrio de Pilatos, Jesus declarou-se galileu de
nascimento  Galilia, no norte  e como Pilatos tinha
poderes somente na Judia  no sul  no poderia
interferir na jurisdio de Herodes (no norte). Da o motivo
de Jesus ter sido enviado a Herodes). Absolvido por
Herodes, Jesus retorna a Pilatos, agora com a autorizao
para julgar sobre crimes locais, pois nenhum crime contra
Roma havia sido encontrado por Herodes. Pilatos, interroga
novamente Jesus e Ele  levado para terrvel castigo fsico de
chicoteamento na masmorra do palcio, para ver se esse
castigo aplacaria a ira dos saduceus contra Jesus. No dia
seguinte, os saduceus inconformados com a simples priso e
chicoteamento de Jesus, exigem de Pilatos um julgamento
pblico para a crucificao de Jesus. Finalmente, Jesus volta
da masmorra (chicoteado e sangrando) para um julgamento
pblico de Pilatos, exigido pelos saduceus, onde Jesus 
confrontado com Barrabs (Jesus bar Abas). Depois segue-se
o coroamento de espinhos, a "via crucis" at o Glgota, e a
crucificao na terceira hora (nove horas da manh) (Marcos
15:25) "Era a hora terceira quando o crucificaram. "
Logicamente,  fsica e humanamente impossvel acontecer
tudo isso num espao de tempo to curto entre o nascer do
sol at as nove horas da manh. Isso  fsica e praticamente
impossvel. (Priso, Ans, Caifs, Pilatos, Herodes, Pilatos e
chicoteamento, Pilatos novamente no dia seguinte em
julgamento pblico, coroao de espinhos, via crucis, e
crucificao s nove da manh)
Assim, a data da morte de Jesus (sexta-feira) no tem relao
automtica com o dia da Sua priso. Que, por sua vez, no
tem relao automtica com a data da ltima (santa) ceia.
Os escritos tidos como "apcrifos" e os manuscritos do Mar
Morto (Qunram) desmentem estas datas bblicas confusas
dos evanglicos. A prpria Bblia catlica reconhece o crasso
erro entre Joo e os outros trs evangelistas, mostrando ser
impossvel determinar estas datas, seno vejamos:
"Bblia Sagrada  Nova Edio Papal  Traduzida dos
"originais" pelos missionrios capuchinhos de Lisboa  Pg.
1004  Nota sobre Mateus 26:17  " difcil harmonizar o
texto de Joo 19:31, para quem o primeiro dia dos zimos
cairia numa sexta-feira santa  tarde, com esta data dos
sinticos. Descobertas recentes do ensejo  possibilidade de
haver discrepncia a cerca dos calendrios. Qunram e outros
seguiriam o calendrio solar, indicando a celebrao da
pscoa na tera-feira, ao passo que, oficialmente, no templo,
a pscoa teria sido celebrada na sexta-feira."
Aqui um caso raro. Pela primeira vez a Igreja Catlica
Apostlica Romana cita nominalmente e admite (num
comentrio  bula  da prpria Bblia) o que no mais
pode ser escondido: a importncia dos Manuscritos do Mar
Morto e dos evangelhos raivosamente alcunhados de
apcrifos ("Qunram e outros seguiriam o calendrio solar"),
posto que os manuscritos de Qunram so os nicos
documentos historicamente autnticos, verdadeiros e
irrepreensveis sobre os acontecimentos envolvendo a vida
de Jesus. E os documentos de Qunram desmentem
categoricamente muitas fantasias, erros e contradies dos
quatro evangelhos "refundidos" pela igreja.
Em outras palavras, a data da ltima (santa) ceia, assim como
a data da Sua priso, pode ter acontecido em qualquer dia da
semana  presumivelmente segunda e tera-feira.
De comum acordo, em toda esta histria, somente o fato da
morte ter sido na sexta-feira, vspera do sbado sagrado dos
judeus. E a "ressurreio" ter ocorrido no domingo, que
acabou se transformando na data da pscoa crist. Mas da a
dizer que de sexta-feira a domingo passaram-se trs dias para
fazer coincidir com as profecias do Antigo Testamento, "ao
terceiro dia ressurgiu dos mortos", a distncia  grande, pois
de sexta para sbado  um dia, e de sbado para domingo 
um segundo dia e no terceiro.
O terceiro dia cairia na segunda-feira. Em nmero de horas 
pior ainda. Pois se Jesus morreu na tarde de sexta-feira e
ressuscitou na manh de domingo, no havia se passado
sequer 48 horas.
Essa histria de ressurgir dos mortos depois de trs dias, 
para fazer coincidir a "profecia retroativa" de Mateus (escrita
mais de 70 anos depois da data do nascimento de Jesus) com
a profecia bblica de Jonas (da baleia) e o relatado pelo
prprio Mateus como tendo acontecido semelhantemente
com Jesus:
(Mateus 12:40) "Assim como Jonas esteve no ventre da
baleia por trs dias e trs noites, assim o Filho do Homem
estar no seio da Terra trs dias e trs noites."
Especializando-se em "profecias retroativas", Mateus cria,
inventa "profecias" sobre fatos que ele mesmo ir relatar
como se tivessem acontecidos como profecia. Isto porque,
Mateus estava escrevendo o evangelho mais de 70 anos
depois da data do nascimento de Jesus, e mais de 40 anos
depois da "morte" de Jesus. E com isso, j que Mateus no
podia reescrever o Antigo Testamento, Mateus "previu"
(posteriormente ao ocorrido) que Jesus ressuscitaria dos
mortos ao terceiro dia, conforme a previso que ele mesmo
inventou em 20:19: "Entreg-lo-o aos pagos, para o
encarnecerem, aoitarem e crucificarem. Mas ele
ressuscitar ao terceiro dia."
Conforme dito anteriormente, da morte de Jesus, na sexta-
feira  tarde at a Sua "ressurreio" no domingo de manh,
no so trs dias e trs noites. Sequer chegam a 48 horas. E
quanto a Jonas ter sido engolido por uma baleia (na realidade
"grande peixe"), a impossibilidade resulta do lato da baleia
ser um animal que no se alimenta de carne humana, e que
biologicamente, em razo do tamanho do esfago de uma
baleia, alimenta-se basicamente de pequenos peixes, crios
(uma espcie de camares) e plancton. Seria um caso nico,
na humanidade, de uma impossibilidade biolgica, to irreal
quanto ressurgir intacto do estmago da baleia aps trs dias
e trs noites, sendo bombardeado por poderosos sucos
estomacais que destroem ossos, espinhas e couraas de
crustceos. Mas, como na Bblia, morcego  ave e insetos
tm quatro patas... pode ser que o caso de Jonas com a baleia
seja mais um caso bblico zoolgicamente raro e impossvel.

Jesus foi crucificado na hora terceira, sexta ou nona?
(Marcos 15:25) "Era a hora terceira quando o crucificaram."
(Joo 19:14) "Era a parasceve pascal (dia da preparao da
pscoa judaica), e quase na sexta hora. Pilatos disse aos
judeus: "Eis aqui vosso rei".
Marcos garante que Jesus foi crucificado na hora terceira, ou
seja, nove horas da manh. Mas segundo Joo, foi bem
depois da hora sexta (meio-dia). Ou seja, algum tempo aps
Pilatos ter apresentado Jesus aos judeus/saduceus e fariseus,
condenado, na hora sexta (meio dia).
J para Mateus, a crucificao foi prximo da hora nona (trs
horas da tarde).
Decididamente, no h como harmonizar estes horrios. E,
como a igreja, ao "refundir" (reescrever) os textos das folhas
soltas que viriam a ser os evangelhos, recusou-se a eleger um
horrio como o definitivo, fica a critrio de cada um admitir
o horrio que melhor aprouver.
Para melhor compreenso da contagem do tempo naquela
poca, o dia no se iniciava  meia-noite, iniciava-se ao
anoitecer, s seis horas da tarde e terminava s seis horas da
tarde do dia seguinte, quando s a partir da eram iniciadas
as horas. Ou seja, o dia iniciava-se pelo anoitecer e
terminava com o fim da luz do dia seguinte e neste perodo
as horas no eram contadas. As horas s eram contadas com
a luz do dia.
A nossa zero hora coincide com a meia noite, e da segue-se
pela madrugada: 1 da manh, 2 da manh, 3 da manh etc. A
zero hora judaica iniciava-se s seis horas da manh e a
primeira hora era s 7h, a segunda hora era s 8h, a terceira
hora era s 9h, a quarta hora era s 10h, a quinta hora era s
11h, a sexta hora era s 12h, a stima hora era s 13h, a
oitava hora era s 14h, a nona hora era s 15h, a dcima
hora era s 16h, a dcima primeira ou undcima hora era s
17h, a dcima segunda hora era s 18h.

Quantas mulheres foram ao sepulcro?
Uma mulher foi ao sepulcro?
(Joo 20:1) "Na madrugada do primeiro dia da semana, sendo
ainda escuro, Maria Madalena foi as sepulcro, e viu que a
pedra fora revolvida da entrada. Correu ela e foi ter com
Simo Pedro e com o outro discpulo, a quem Jesus
amava..."
Duas mulheres foram ao sepulcro?
(Mateus 28:1) "Passado o sbado, ao alvorecer do primeiro
dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram visitar
o sepulcro."
Trs mulheres foram ao sepulcro?
(Marcos 16:1-2) "Passado o sbado, Maria Madalena, Maria,
me de Tiago, e Salom compraram aromas para irem
embalsamar o corpo de Jesus. Muito cedo, no primeiro dia
da semana, logo depois do nascer do sol, foram ao sepulcro."
Vrias mulheres foram ao sepulcro?
(Lucas 23:54-55; 24:1; 24:10) "Era o dia da preparao e ia
comear o sbado. As mulheres que tinham vindo com Ele
da Galilia, seguiram a Jos e viram o sepulcro, e como o
corpo fora ali depositado (...) No primeiro dia da semana
bem cedo, elas foram ao sepulcro, levando os perfumes que
tinham preparado (...) Voltando do sepulcro, foram contar
tudo aos onze e a todos os restantes. Eram elas Maria
Madalena, Joana, Maria, me de Tiago e as outras que com
elas estavam..."

Quais foram as ltimas palavras de Jesus?
Mateus (27:46) "E por volta da hora nona exclamou Jesus em
alta voz: "Elli, Elli, lema sabacthani?." (Deus, Deus, por que
me abandonaste?) e que alguns at pensaram que Ele estava
chamando por Elias.
Marcos (15:34) "Elo, lama sabachthni" (Deus, por que me
abandonaste?)
Lucas (23:46) "... Jesus clamou com grande voz- Pai, em
tuas mos entrego o meu esprito. Havendo dito isto,
expirou".
Joo (19:30) Quando Jesus recebeu o vinagre oferecido por
um soldado, embebido em uma esponja, disse: Tudo est
consumado! E inclinando a cabea, entregou o seu esprito.

Jesus profetizou que Pedro o negaria antes do galo
cantar uma vez.
(Mateus 26:34) "Jesus retorquiu-lhe: "Em verdade te digo
que, nesta mesma noite, antes que o galo cante, trs vezes
me negars.
Ou duas vezes?
(Marcos 14:30) "Jesus disse-lhe: "Em verdade te digo que
hoje, esta noite, antes que o galo cante duas vezes, trs
vezes me negars"."

Pedro negou conhecer Jesus...
.. trs vezes, antes do galo cantar uma vez...
(Mateus 26:74-75) Ento comeou ele a praguejar e a jurar,
dizendo: "No conheo esse homem." E imediatamente o
galo cantou. Ento Pedro se lembrou das palavras que Jesus
lhe dissera: "Antes que o galo cante, trs vezes me negars."
(Lucas 22:60) "...e Pedro lembrou-se da palavra que o
Senhor lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, trs
vezes me negars."
.. trs vezes, antes do galo cantar duas vezes...
(Marcos 14:70-72) "Mas ele negou a segunda vez, (e pela
terceira vez Pedro nega a Jesus) "No conheo esse homem
que dizeis". E, imediatamente o galo cantou pela segunda
vez. Pedro lembrou-se ento do que Jesus havia dito: "Antes
que o galo cante duas vezes, trs vezes me negars." E
desatou a chorar"
.. duas vezes, antes do galo cantar uma vez...
(Joo 18:27) "Pedro negou novamente (a Jesus), e naquele
momento um galo comeou a cantar."
.. ou trs vezes, sem que o galo cantasse uma nica
vez?
(Joo 13:38) Disse-lhe Jesus: "Tu dars a tua vida por mim?
Em verdade, em verdade te digo: No cantar o galo antes
que tu Me negues trs vezes."

Ser que d para perceber algum tipo de contradio, nisso?

Judas beijou Jesus durante a traio?
(Lucas 22:48)  "Judas  com um beijo que entregas o Filho
do Homem?" (Porm, segundo Mateus, Jesus teria dito:
"Amigo, a que vieste?" ou tambm "Amigo, foi para isso que
vieste?")
Ou no?
Em Joo 18:1-11, numa longa narrativa, Jesus sequer fala
com Judas, e aparece como um valento apresentando-se aos
guardas. "A quem buscais?", "A Jesus, O Nazareno?", "Sou
eu". "J vos disse que sou eu". "Se  a Mim que buscais,
deixai partir os demais (discpulos)".

 O anjo que anunciou a virgindade de Maria apa-
receu para Jos?
(Mateus 1:19-21)  "Jos, seu marido, que era um homem
justo e no queria difam-la, resolveu deix-la secretamente.
Andando ele a pensar nisto, eis que um anjo do Senhor lhe
apareceu em sonhos e lhe disse: Jos, da casa de David, no
temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi
fecundado  obra do Esprito Santo. Ela dar a luz a um filho
e por-lhe-s o nome de Jesus."
Ou para Maria?
(Lucas 1:28-31)  "Ao entrar na casa dela, o anjo disse-
lhe:Salve Maria, cheia de graa, o Senhor est contigo... Hs
de conceber em teu seio e dar  luz a um filho, ao qual pors
o nome de Jesus."

Os trs reis magos eram trs? Eram reis? Eram magos?
(Mateus 2:1-3)  "Tendo Jesus nascido em Belm, na
Judia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalm uns
magos vindos do oriente. Onde est o rei dos judeus que
acaba de nascer?  perguntavam. Vimos sua estrela no
oriente e viemos ador-lo."
Um pequeno trecho e um amontoado de erros.
Primeiro, Jesus, de Nazar, no nasceu em Belm, conforme
iremos verificar em outra oportunidade.
Segundo, a Bblia no fala em reis e no existe o registro de
trs reis vindos do oriente. Alis, a Bblia no fala em reis e
sim em magos e no em trs, mas sim em "uns" magos.
Muito menos diz que estes "reis" se chamam Gaspar,
Baltazar e Belquior (ou Melchior). Estes registros da visita
dos "trs reis magos" esto em trechos aleatrios nos evan-
gelhos proibidos pela igreja e que a prpria igreja rejeita.
Terceiro, no existe qualquer registro histrico que d
veracidade a que algum dia tenha existido no oriente, em
qualquer pas, trs reis com os nomes de Gaspar, Baltazar e
Belquior (ou Melchior).
Em quarto, registre-se que a expresso "magos" est
traduzida errada, pois na realidade a expresso original
refere-se a "magi" como sacerdotes mitrais (usando mitra,
chapus pontudos), confundido assim estas figuras de sa-
cerdotes mitrais com mgicos ou magos.
E finalmente, em quinto, a coisa mais pattica: Estavam
seguindo uma estrela? Como algum segue uma estrela?
Como algum acha o fim de um arco ris? Uma estrela
somente  seguida para orientar uma direo, e no um
lugar, como no caso das navegaes, em que ao seguir-se
numa direo baseado num ponto fixo de uma estrela segue-
se sempre para o norte, ou para o sul, ou para o leste ou para
oeste.  como orientar-se pelo sol. Mas seguir uma estrela,
igual a uma placa luminosa, indicando: " aqui, chegaram", 
abusar demais da pacincia, da credulidade e da ignorncia
de quem l.
Existe ainda um outro erro geogrfico terrvel. Segundo
Mateus, os tais "reis" foram visitar Herodes, o Grande, em
Belm/Jerusalm (na Judeia, no sul), quando Herodes, O
grande, naquela poca estava situado na Galileia, no norte.
Um erro de cerca de 150km de distncia.

"Ser chamado Nazareno?"
(Mateus 2:23)  "... assim se cumpriu o que foi anunciado
pelos profetas: Ele ser chamado Nazareno."
Aqui, num pequenino trecho, no s um amontoado de
erros, como muita mentira e m f de Mateus (ou do escriba
que fez o texto e atribuiu a ele a autoria do versculo).
Mateus especializou-se em inventar "profecias retroativas"
que aconteciam muitos anos (pelo menos 40 anos) depois
dos fatos terem sido relatados como acontecido. Como tam-
bm Mateus inventava muitas profecias do Antigo Testa-
mento, sem que as citadas profecias realmente estivessem
no Antigo Testamento. Isto porque, no existe um nico
registro no Antigo Testamento a respeito de Nazar ou
Nazareno. Trata-se de invencionice de Mateus (ou do
escriba que escreveu por ele), escrevendo sobre a vida de
Jesus mais de 70 anos aps o seu nascimento e aps a
destruio de Jerusalm no ano 70, e tentando fazer
coincidir, no ano 70, "profecias retroativas", como se elas
tivessem realmente se realizado. Alis, Nazar sequer existia
como cidade quando Jesus nasceu. Existia, sim, o lago de
Genesar (Mar de Tiberades), mas no a cidade de Nazar,
que somente veio a existir alguns anos (cerca de quinze
anos) aps Jesus ter nascido.
Vejamos a m f de Mateus (ou do escriba que escreveu por
ele). Ele afirma, aps o ano 70, poca da destruio de
Jerusalm e da dispora e extermnio dos essnios, portanto
70 anos depois de Jesus j ter nascido, que 70 anos antes iria
se realizar uma "profecia retroativa" e que Jesus iria ser
chamado de Nazareno.
Uma profecia ao contrrio, relatada depois do fato ter
acontecido, passados mais de 70 anos. Porm, o mais gri-
tante  que alm de Nazar sequer existir quando Jesus
nasceu, sendo impossvel, dessa forma, tal registro, Mateus
ainda confunde Nazireu com Nazareno, que so coisas
completamente diferentes.
Para efeito de argumentao, vamos conceder o benefcio da
dvida e admitir que Mateus estivesse com falhas mentais
(pois ele era contemporneo de Jesus e que quando
teoricamente escreveu o seu evangelho, logicamente j
tinha mais de 80 anos) e com isso no se lembrou ou
"confundiu" que Nazar (a cidade) no existia quando Jesus
nasceu, mas to somente o lago de Genesar.
Entretanto, como Mateus pode ter "confundido", no-
vamente, Nazareno (nascido em Nazar) com Nazireu (de
Nazir), que  um judeu que tomou os votos de sacrifcios
especiais, de no beber vinho, no comer uvas e no cortar
os cabelos, que no era o caso de Jesus, pois Jesus era
essnio, e como tal era adepto da eucaristia, do ritual do po
e do vinho, e comia uvas. No podendo, por isso mesmo, ser
um Nazireu.
A profecia do Antigo Testamento a respeito do Nazireu,
refere-se a Sanso e no a Jesus. Dessa forma, Mateus ao
"confundir" a profecia do Antigo Testamento sobre Sanso,
que era Nazireu, que no bebia vinho, no comia uvas e no
cortava os cabelos, com Jesus, chamando-o de Nazareno,
no  o que se pode dizer como um caso do acaso, quando a
m f e m inteno esto bastante claras. Mas o pior de
tudo  dizer que cumpriu-se a profecia do Antigo
Testamento afirmando que o messias se chamaria Jesus,
quando os nomes de "Jesus", assim como Nazar, sequer so
citados no Antigo Testamento. Muito pelo contrrio, o
messias, segundo o Antigo Testamento, no viria de Nazar
e sim de Belm e deveria chamar-se Emannuel, conforme:
Isaias (7:14) "Por isso mesmo, o Senhor, por Sua conta e
risco, vos dar um sinal: Olhai: A jovem (palavra correta)
mulher est grvida e dar a luz a um filho, por-lhe- o
nome de Emmanuel".
Portanto, a me de Jesus, Maria, era uma jovem mulher
("almah", que no quer dizer virgem), e no uma virgem
("bethulah"), e Jesus de Nazar, no era de Nazar (e nem de
Belm) e no se chama Emmanuel conforme previsto pelas
profecias de Isaias no Antigo Testamento. Ou seja, as
profecias alegadas por Mateus como tendo sido cumpridas,
jamais se realizaram (mesmo ele "prevendo" isso 70 anos
depois do acontecimento). As profecias de Isaias, no Antigo
Testamento tambm no se realizaram, pois Jesus chama-se
Jesus e no Emmanuel.


Jesus nasceu em Nazar, na Galilia (Norte)?
(Joo 7:41) "O Cristo vir da Galileia?"
Ou em Belm, na Judeia (Sul)?
(Joo 7:42) "No diz a escritura que  da descendncia de
David e do povoado de Belm, de onde vem David, que
vem o messias?"
(Joo 7:52) "Investiga e vers que projeta algum surgiu na
Galilia"
Vezes h em que a Bblia afirma que Jesus  de Nazar, na
Galileia, no norte. Outras vezes a Bblia afirma que Jesus  de
Belm, na Judia, no sul. E na maioria das vezes refere-se a
Jesus como o Nazareno, como se fosse nascido em Nazar,
na Galilia, no norte. Mas, percebendo que messias algum
nasceu na Galilia e isso seria "menos nobre" para o messias,
os escribas mantm a confuso bblica em relao ao local de
nascimento de Jesus e transferem o Seu nascimento para a
Judia (Belm), no sul, para que Jesus pudesse ter como local
de nascimento o mesmo local nobre e santificado do
nascimento de David, o mais famoso dos hebreus, o grande
expoente do povo hebreu,.
Por mais contraditrio que possa parecer, Jesus no nasceu
em Nazar pelo fato de Nazar sequer existir como cidade 
poca do nascimento de Jesus (existia, sim o Lago de
Genesar ou Mar de Tiberades). Assim como Jesus tambm
no nasceu em Belm (na Judia), pelo fato de Jesus ser
galileu, natural da Galileia (mas no da cidade de Nazar), e
isto  sobejamente comprovado no julgamento de Jesus.
Pois, quando Pncio Pilatos (na Judia, no sul) pretendeu
julgar Jesus (na Judia, no sul, sob o domnio de Arquelau),
foi constatado um erro de jurisdio, vez que Jesus era
galileu e confessava-se galileu de nascimento (da Galileia, no
norte, sob o domnio de Herodes), por isso Jesus teve que
ser enviado primeiro para Herodes (que tinha a Galilia
como sua jurisdio), para s depois, somente aps a recusa
de Herodes em condenar Jesus e ter aberto mo de sua
jurisdio  que Jesus retornou (mais uma vez) para ser
julgado por Pilatos, na jurisdio de Arquelau, a Judia, no
sul.
Portanto,  assustador a quantidade de erros bblicos, que
vo desde um aparente erro de "m traduo" da palavra
"virgem", atribuda a Maria, Me de Jesus, at este falso,
contraditrio e confuso local de nascimento de Jesus, pas-
sando pelas contradies, j citadas ao longo deste relato,
onde a cada hora aparece um fato contradizendo outro, ou
as mais puras e simples invencionices dos escribas que re-
digiram os evangelhos, sejam estes escribas quais forem.
Sejam eles os quatro evangelistas apontados pela igreja:
Mateus, Marcos, Lucas e Joo. Sejam eles saduceus e
fariseus. Sejam eles religiosos da prpria igreja, os que "re-
fundiram" as folhas soltas dos manuscritos no que ora co-
nhecemos como os quatro evangelhos.
Mas o mais estarrecedor so as ofensas  inteligncia do
leitor do evangelho, com as afrontosas falsificaes de
profecias, na realidade "profecias retroativas", feitas aps o
ano 70 da nossa era. Ou seja, muito tempo depois dos fatos
terem ocorrido (no mnimo quarenta anos aps a morte de
Jesus e dos fatos j terem acontecido). Assim como  de
todo lamentvel que os escribas tenham aberto mo de
priorizar a vida de ensinamentos de Jesus, para dar priori-
dade ao enfoque de Jesus como um simples curandeiro
exibicionista, e com isso interferindo e desacreditando o
texto bblico, pintando Jesus como um arrogante, vaidoso e
presunoso, obrigando as pessoas de bom senso a separar o
verdadeiro Jesus, grandioso e humanitrio, com profundos e
definitivos ensinamentos, do rascunho mal desenhado
criado pelos escribas, autores e co-autores, do evangelho de
Jesus.
Tentando minimizar os enormes danos causados pelos
escribas bblicos, a igreja adota uma postura evanglica
(priorizando o evangelho em detrimento do Antigo
Testamento) e praticamente finge que o Antigo Testamento
no existe ( at compreensvel que a igreja abandone a
parte de historinhas mitolgicas do Antigo Testamento e
valorize somente os ensinamentos, salmos, provrbios e
sabedorias) e em relao ao Novo Testamento (apesar de
tentar fugir do Deus mitolgico sentado numa nuvem) a
igreja tenta minimizar o impacto dos erros e contradies
bblicas, hipocritamente, como tendo sido erros menores,
oriundos de relatos despretensiosos de seguidores de Jesus,
transmitidos originalmente pela tradio oral, sem que os
quatro evangelistas tivessem a preocupao em registrar
detalhadamente a "vida de Jesus" como se eles, evangelistas,
fossem reprteres apurando cada fato e cada detalhe da vida
de Jesus.
Ora! Se no era para relatar fiel e historicamente a vida de
Jesus, a Sua vivncia, a Sua experincia, com preciso e
exatido, ento por que o detalhamento de rvore
genealgica completa de Jesus desde Ado e Eva? Por que a
preciso de locais, datas e at mesmo de horas? Por que
esconder a Sua vida do nascimento at os 30 anos? Por que a
censura e o banimento dos outros evangelhos chamando-os
de gnsticos e de apcrifos? Por que, hipocritamente, tentar
esconder e minimizar o relacionamento e envolvimento de
Jesus com mulheres, com vagabundos e com prostitutas? Se
Ele mesmo disse que no tinha que se preocupar com os que
j esto salvos, mas sim com os que precisavam de salvao..
E assim, manquitolando, a igreja tenta fugir de um Deus
mitolgico do Antigo Testamento, velho, barbudo, sentado
numa nuvem, e cai na invencionice dos escribas (uma
mistura de folhas soltas de quatro evangelistas, mais ma-
nuscritos de escribas saduceus e fariseus, "refundidos" pela
prpria igreja) que pintam Jesus como um Deus de carne e
osso, preocupado com o curandeirismo, arrogante, vaidoso,
presunoso, que chega a ficar difcil enxergar, nos mal
escritos e mal orientados textos bblicos, a grandiosidade da
maior figura humana que o mundo j viu: Jesus.
Felizmente, o prprio Jesus, com sua inspirao divina, nos
alerta  sistematicamente  justamente para o perigo dos
escribas e do quanto de mal eles podem produzir para a
humanidade, por toda a eternidade, com seus textos dbios,
confusos, muitas vezes mentirosos e de contraditrias
informaes, levando-nos a refletir sobre a veracidade do
que est escrito e atribudo a ele, Jesus, como se o que est
relatado fosse realmente verdade.
"Se a vossa virtude no superar a dos escribas e fariseus, no
entrareis no reino dos cus." (Mateus 5:20)
"Vs, portanto, acautelai-vos, pois de tudo vos preveni."
(Marcos 13:23)
Estes "profticos" versculos de citaes de Jesus, atribudos
a Mateus e a Marcos, incitam claramente ao questionamento
sobre o que os escribas escreveram, e dizem claramente 
os versculos  que se a virtude de sua/nossa inteligncia
no enxergar alm do que foi escrito pelos escribas, nada do
que foi lido teve valia. Em verdade, em verdade, vos digo:
Questione. Quem tiver olhos que veja. Quem tiver ouvidos
que oua. Quem tiver crebro que use.

Os Ensinamentos de Jesus

O verdadeiro Jesus, humilde, humanitrio, pacifista,
pregador da no-violncia, est presente, e de corpo inteiro,
em sua grande obra, que so os seus sbios ensinamentos
que modificaram o mundo.
O mundo todo se modificou, parou e comeou uma nova
era e at uma nova contagem de tempo a partir do
nascimento de Jesus. O mundo passou a ter seu tempo
cronometrado antes de Jesus Cristo e depois de Jesus Cristo,
em funo de sua gloriosa vida de sabedoria e ensinamento.
O mundo no se modificou pela dor e sofrimento na cruz,
pois muitos seres humanos sofreram e sofrem, ainda hoje,
dores iguais ou piores do que as sofridas por Jesus. O mundo
no se modificou pelas suas curas, pois Deus cura pessoas
todos os dias. O mundo no se modificou pela dor da cruz,
smbolo do sofrimento, mas pelas palavras, pelos
ensinamentos e exemplos que Ele nos deixou.


O Sermo da Montanha e
As bem-aventuranas

1)        Bem-aventurado os pobres de esprito, porque deles  o
reino dos cus.
2)        Bem-aventurado os que choram, porque sero
consolados.
3)        Bem-aventurado os mansos, porque possuiro a Terra.
4)        Bem-aventurado os que tm fome e sede de justia, por-
que sero saciados.
5)        Bem-aventurado os misericordiosos, porque alcanaro a
misericrdia.
6)        Bem-aventurado os puros de corao, porque eles vero a
Deus.
7)        Bem-aventurado os pacficos, porque sero chamados
filhos de Deus.
8)        Bem-aventurado os que sofrem perseguio por causa da
justia, porque deles  o reino dos cus.
9)        Bem-aventurado sereis quando vos insultarem e
perseguirem, mentindo, disserem todo o gnero de calnias
contra vs, por minha causa.

A Sabedoria e os Ensinamentos de Jesus

Amars o teu prximo como a ti mesmo (Marcos 12:31)
        Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. (Joo 13:34 e
15:12)
        Amai a vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem
(Mateus 5:44)
        Sereis medidos com a medida que empregardes para
medir (Marcos 4:24)
        No julgueis e no sereis julgados. No condeneis e no
sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-
vos- dado (Lucas 6:37-38)
        Se algum te bater najace direita, oferece a outra face
(Mateus 5:40)
        Se algum te pedir para acompanh-lo por uma milha,
acompanha-o por duas (Mateus 5:41)
        Entrai pela porta estreita, porque larga  a porta que
conduz ao caminho da perdio (Mateus 7:13)
        Conhecereis a verdade e a verdade vos libertar (Joo
8:32)
        Quem exaltar a si mesmo ser humilhado. E quem for
humilde ser exaltado (Mateus 23:12)
        Guardai-vos de Jazer as vossas obras diante dos homens
para vos tornardes notados por eles. (Mateus 6:1)
        Quando orardes, no sejais como os hipcritas que gostam
de rezar de p nas sinagogas e nas ruas para serem vistos
pelos homens (Mateus 6:5)
        Quando deres esmola, no permitais que toquem trom-
betas por ti, como jazem os hipcritas nas sinagogas e nas
ruas (Mateus 6:2)
        Quando deres esmola, que a tua mo esquerda no saiba o
quejez a direita, afim de que tua esmola permanea em
segredo (Mateus 6:3-4)
        Buscai primeiramente o reino de Deus e sua justia e
todas as coisas materiais vos sero acrescentadas (Mateus
6:33)
        Na casa de Meu Pai h muitas moradas (Joo 14:2)
        Pelo fruto se conhece a rvore (Mateus 12:33)
        No  o que entra pela boca que torna o homem impuro,
mas o que sa pela boca (Mateus 15:11)
        Pelas tuas palavras sers condenado (Mateus 12:37)
        Os ltimos sero os primeiros, e os primeiros sero os
ltimos (Mateus 20:16)
        Muitos so os chamados, mas poucos sero os escolhidos
(Mateus 20:16)
        A quem muito joi dado, muito mais ser exigido (Lucas
12:48)
        Por que reparas no cisco do olho de teu irmo, se no
reparas no tronco que est no seu olho? (Mateus 7:3)
        D a quem te pede e no voltes as costas a quem te pedir
emprestado (Mateus 5:42)
        Orai e vigiai, para no cairdes em tentao (Mateus 26:41)
        A carne  fraca. O esprito est pronto, mas a carne 
fraca (Mateus 26:41)
        Nem s de po vive o homem (Lucas 4:4)
        Tudo quanto ligares na Terra ficar ligado no Cu, e tudo
que desligares na Terra ser desligado no Cu (Mateus 16:19)
        Eu no vim chamar os justos, mas os pecadores (Marcos
2:17)
        Meu reino nao  deste mundo (Joo 18:36)
        O cu e a Terra passaro, mas as minhas palavras no
passaro (Mateus 24:35)
        Minha paz vos deixo, minha paz vos dou (Joo 14:27)
        Onde estiverem reunidos, em Meu nome, dois ou trs, l
estarei no meio deles (Mateus 18:20)
        Ningum pode servir a dois senhores, pois h de amar a
um e odiar o outro (Mateus 6:24)
        Vinde a mim ejarei de vs pescadores de homens (Mar-
cos 1:17)
        Deixai vir a mim as criancinhas, pois  delas o reino dos
cus (Marcos 10:14 e Mateus 19:14)
        Ningum deita remendo de pano novo em vestido velho,
pois o remendo novo arranca parte do velho e o rasgo fica
maior (Marcos 2:21)
        O sbado foi feito por causa do homem e no o homem
por causa do sbado (Marcos 2:27)
        Afasta de mim este clice (Mateus 26:39)
        No permitais que vos tratem por doutores (Mateus
23:10)
        Quem no  contra ns,  por ns (Marcos 9:40)
Para maior compreenso dos ensinamentos de Jesus, 
recomendvel que sejam lidas as parbolas, em especial a do
convite  humildade (Lucas 14:7-11), a do semeador
(Mateus 13:3-9), a do joio e do trigo (Mateus 13:24-30) e a
do gro de mostarda (Mateus 13:31-32).
 "A paz esteja convosco." (Joo 20:19)

Os Essnios

O maior pesquisador e historiador judeu de todos os tempos,
autor de "Antigidades Judaicas", Flvio Josefo, com toda a
autoridade que lhe  conferida mundialmente afirma que:
"Existem, com efeito, entre os judeus, trs escolas filosficas:
os adeptos da primeira so os fariseus; os da segunda, os
saduceus; os da terceira, que apreciam justamente praticar
uma vida venervel, so denominados essnios: so judeus
pela raa, mas, alm disso, esto unidos entre si por uma
afeio mtua, maior que a dos outros"
A origem dos essnios  bastante discutvel e improvvel.
Alguns acreditam que, por volta do ano 170 a.C., os
primeiros judeus que fugiram do Egito com a finalidade de
estabelecer uma civilizao prpria, rumou para o deserto na
Judia e passou a viver s margens do Mar Morto, criando os
primeiros grupos de essnios. E, por isso, sofreram forte
influncia religiosa dos egpcios, durante o perodo de
dominao. (Os "Rosacruzes", por exemplo, defendem a
origem dos essnios ligada a uma ramificao da Grande
Fraternidade Branca, fundada no Egito, no tempo do fara
Akenaton). Outros, no entanto, crem que a titulao
"Essnio" deriva de "Essen", filho adotivo de Moiss, a quem
foi confiada a incumbncia de dar continuidade na tarefa de
manter pura as tradies religiosas dos ensinamentos
bblicos do povo hebreu. Isto porque, os hebreus comea-
ram a dividir-se tanto em relao aos conceitos religiosos,
formando grupos distintos, e proliferava tanto a corrupo
religiosa em seu meio, comandada por um mercantilismo
em nome da religio e de Deus, que Moiss teria atribudo
ao seu filho adotivo Essen a incumbncia de conservar as
tradies hebraicas e os segredos da doutrina pura.
De certo, somente a comprovao histrica de que os
essnios, j por volta de 150 a.C. encontravam-se nos
arredores de Jerusalm e Belm (em Qunram), e viviam
isolados da opulncia e corrupo de costumes em que
Jerusalm estava mergulhada.
Independentemente de sua origem e do silncio em que
viviam, a marca da passagem dos essnios pelo mundo 
uma das mais significativas da histria da humanidade. No
ano 70 d.C., quando houve a dispora (disperso do povo
hebreu (judeus) por motivos polticos e religiosos), e a
destruio de Jerusalm pelas legies romanas, a maior das
perseguies foi empreendida, contra os essnios, no s
pelos romanos, mas principalmente pelos prprios judeus
(saduceus e fariseus), onde quase todos os essnios foram
mortos e os que escaparam jamais puderam retornar s suas
comunidades de trabalho e orao. Mas, no entanto, antes
de fugirem, deixaram o maior legado que o cristianismo e a
arqueologia poderia encontrar: "Os Manuscritos do Mar
Morto".
Em 1947 (historicamente bastante recente), nas cavernas
em Khirbet Qunram, guardados em urnas, potes e vasos,
hermeticamente lacrados por quase dois mil anos, foram
descobertos os "Manuscritos do Mar Morto" ou os
"Manuscritos de Qunram". E, diferentemente dos evange-
lhos, que so tradues do grego e no do aramaico, de
autenticidade e idade nem sempre comprovadas, agora havia
uma quantidade imensa de manuscritos, de idade e
autenticidade comprovada, que viria jogar nova luz sobre a
histria das religies, principalmente sobre o cristianismo.
A descoberta de Qunram se tornou a maior prova e o maior
marco histrico palpvel do cristianismo. As runas de cinco
mosteiros no deserto da Judia so o marco da existncia dos
essnios em passado distante, alm de outros mosteiros
dispersos por diversas regies na Samaria e na Galilia.
Antes de Qunram, ou dos "Manuscritos do Mar Morto", a
maior crtica e acusao que se fazia  e com justia  era
que os documentos (manuscritos em grego e no em
aramaico) que formavam o Novo Testamento eram
inconfiveis, sem autoria certa e definida, e de autenticidade
questionvel. No entanto, aps a descoberta dos manuscritos
de Qunram, no s novas informaes surgiram como
revalidaram, fortificaram e consolidaram algumas j
existentes.
Enquanto o Antigo Testamento, em especial o Pentateuco,
ou os cinco livros de Moiss, o Deus ali descrito era um
Deus quase humano e um Deus tribal, muito particular do
povo hebreu, s dos judeus (O tal Deus velho, barbudo,
sentado numa nuvem) aps as revelaes dos manuscritos
de Qunram  surpreendentemente  aparece, pela
primeira vez para os judeus (no caso, essnios), um Deus
universal (e no tribal) que iria enviar um messias, que no
seria rei, mas um salvador, e que viria para redimir, no s o
povo judeu, mas toda a humanidade.
Est certo que as bases de expanso do cristianismo esto
bastante ligadas  peregrinao de Paulo (Saulo) Apstolo.
No entanto, a expanso empreendida por Paulo tambm
esteve ligada a uma propagao errada, torta e destorcida do
que foi Jesus. Principalmente quando se valorizava o Jesus
curandeiro, arrogante e presunoso e um Jesus sofredor
pregado na cruz, em detrimento do Jesus humanitrio,
doutrinador, pregador da paz, mensageiro da boa palavra e
dos ensinamentos de Deus.
De fato, a importncia do surgimento dos documentos dos
essnios conhecidos como "Os manuscritos do Mar Morto"
foi corretamente retratada pelo jornalista do New York
Times, Edmund Wilson, numa srie de reportagens
histricas sobre os documentos de Qunram, encontrados em
1947, que sem paixo, sem fanatismo, escreveu: "O con-
vento, esse prdio de pedras, junto s guas amargas do Mar
Morto, com seus fornos, tinteiros e piscinas sacras, tmulos,
 mais do que Belm e Nazar,  o bero do cristianismo".
Em 1951, quatro anos apenas aps a descoberta dos
manuscritos de Qunram, Hempel escreveu:
"Verdadeiramente esclarecida a origem dos cristos. O
cristianismo  apenas essnio. Essnio ou cristo, d no
mesmo."
No ano de 1923, cerca de quarenta anos antes dos
manuscritos de Qunram serem descobertos, o telogo e
pesquisador religioso hngaro, Edmond Szekely, obteve
permisso do Papa para pesquisar os arquivos da biblioteca
do Vaticano, e qual no foi sua surpresa ao traduzir uma obra
antiqussima (originria do primeiro sculo d.C.), ocultada
dos meios religiosos, principalmente catlicos, chamada de
"O evangelho essnio da paz", que falava sobre os essnios e
suas caractersticas (mas que a igreja no gostaria que fosse
divulgado, ou pelo menos de conhecimento do grande
pblico, de modo a no causar controvrsia com o que at
ento era dito e tido como verdade).
Antes mesmo disso acontecer, j em 1880, o reverendo
ingls Gideon Jasper Ouseley traduziu do aramaico (lngua
que Jesus falava, que  a maior garantia de autenticidade que
um documento em princpio possa ter  e no o grego
como nos evangelhos), um manuscrito essnio chamado "O
Evangelho dos doze santos", que tambm foi ocultado do
grande pblico, pois representava a verso mais autntica do
Novo Testamento de Jesus, e conflitava terrivelmente com
as "verses" dos quatro evangelistas que a igreja reescreveu
ou "refundiu".
Neste evangelho essnio, Jesus aparece como uma figura que
veio inspirar um segmento religioso muito forte. Segmento
este de grande humildade, extrema devoo a Deus e
imensurvel piedade pelos seres humanos e pelos animais,
que de fato orientou a ordem franciscana de So Francisco
de Assis. Jesus  apresentado neste evangelho como um
vegetariano parcial (no mximo comia peixe e gafanhotos) e
sua mansido e paz so descritos assim: "As aves se reuniam
ao seu redor e lhes davam boas-vindas com seu canto e
outras criaturas vivas se postavam  seus ps e ele as
alimentava com suas mos."
Claro que no interessava  igreja, impregnada pelo Deus
velho do Antigo Testamento, que fosse divulgado um Jesus
simbolizado pelo peixe (ao invs da cruz), humilde, manso,
humanitrio e pacifista (sem grandes apelos de mdia e de
marketing) ao invs do carismtico curandeiro presunoso e
arrogante, conforme descrito nos quatro evangelhos,
principalmente caracterizado pelo impacto da emoo e
piedade causados pelo sofrimento que a cruz representava.
Tudo isso, um revisionismo religioso, poderia causar um
cisma e uma tremenda diviso entre e dentro das igrejas
crists. E de fato, para a maioria que tomou conhecimento
da realidade, criou-se este divisionismo, vez que um
segmento religioso esclarecido, fiel  verdade, desejava
trazer  baila a verdadeira histria de Jesus, humilde, manso,
humanitrio e pacifista. Entretanto, o tradicionalismo
religioso, receoso em mexer no sucesso de marketing do
Jesus sofredor, pregado na cruz, era to imenso, to maior,
que a prpria igreja desencorajou-se em alterar algo to
fantasticamente carismtico e to mercadologicamente
vitorioso.
E, entre manter o sucesso secular do Jesus sofredor, pregado
na cruz, simbolizando o cristianismo ou ter que colocar em
risco todo este sucesso de marketing, admitindo os erros e as
mentiras, revendo os conceitos errados emanados pelos
evangelhos, assumindo o smbolo do cristianismo como o
peixe e restituindo a Jesus a imagem de humilde, manso,
humanitrio e pacifista, a igreja mais uma vez optou pelo
vencedor sucesso de marketing ao invs da verdade. (Foi
uma opo de marketing, comercial, de mercado)
Talvez o Papa ainda leve mais mil ou mil e quinhentos anos
para novamente pedir desculpas pelas mentiras e atrocidades
praticadas pela igreja catlica, conforme recentemente o
Papa fez ao admitir, pela primeira vez, e pedir perdo pelo o
que a igreja fez durante as chacinas de caas s bruxas e as
mortandades das "santas" cruzadas, libertaes do "santo"
sepulcro e "santas" inquisies. Talvez daqui a mil anos um
novo Papa venha nos pedir desculpas pelas ocultaes de
verdades, pela ocultao de documentos e pelas mentiras e
perseguies contra os evangelhos tidos como apcrifos, os
evangelhos gnsticos e os Manuscritos do Mar Morto.
Mas, voltando aos essnios. Sobre esta extraordinria vida
comunitria dos essnios, diz Flvio Josefo (a maior
autoridade histrica e o maior pesquisador de antiqidades
judaicas) que entre os essnios todos partilhavam igualmente
de todos os bens pertencentes  comunidade. Quando um
novo membro entrava para a sociedade os seus bens eram
igualmente divididos entre todos, evitando, com isso, que
houvesse pobres e ricos na sociedade essnia.
Com efeito, esta prtica essnia era uma lei. Aqueles que
entravam para o grupo entregavam seus bens  comunidade
para serem partilhados por todos, de tal forma que entre eles
no se visse absolutamente nem a humilhao da pobreza
nem o orgulho da riqueza. As posses eram comuns e
encontravam-se disponveis a todos, no existindo seno um
nico haver, comunitrio, como ocorre entre irmos.
(Comparativamente, foi exatamente isso que Jesus props
quele jovem rico que queria segu-lo com os discpulos. Ou
seja: (Mateus 19:21)  "Se queres ser perfeito, disse-lhe
Jesus, vai, vende tudo que possures, d o dinheiro aos
pobres e ters um tesouro nos cus; depois vem e segue-
Me").
Esclarecendo melhor esta questo. Na citao anterior, Jesus
no pregava contra a prosperidade, mas sim contra o
acmulo desnecessrio e desmedido de riqueza e no diz a
todas as pessoas que faam o abandono das coisas materiais,
mas sim somente queles que querem se tornar discpulos e
segu-lo numa vida de simplicidade, humildade e de desa-
pego material. Isto porque, Jesus, no como mestre da hu-
manidade, mas como um discpulo de Deus, no caso, obser-
vava um princpio essnio que afirma que a maior
abundncia  ter poucos desejos e fceis de serem satisfeitos.
Esta simplicidade essnia, muito rara entre os religiosos de
uma maneira geral e principalmente entre as pessoas
comuns, mesmo comparativamente com outras pocas e
com vrios costumes e culturas, assemelhava-se  em
simplicidade, mansido e humildade  aos conhecidos
monges tibetanos, e foram fortemente exemplo e inspirao
para a vida de Jesus e dos frades franciscanos. E a vida
comunitria essnia era de tal forma igualitria, que em suas
reunies a cadeira principal era deixada sempre vazia, como
uma forma de demonstrar que no havia lder, no havia
chefia e no havia algum que pudesse se violentar a ponto
de abrir mo da humildade para vestir a arrogncia de ser
melhor ou mais importante do que os demais "irmos".
(Comparativamente, esta humildade  exatamente o que
Jesus prope no convite  humildade (Lucas 14:7-11) e na
citao  "Quem exaltar a si mesmo ser humilhado. E
quem for humilde ser exaltado" (Mateus 23:12).
A averso dos essnios pela empfia e pela arrogncia ia
muito alm dos homens comuns, atingia diretamente quem
mais deveria prezar a humildade ao invs de valorizar a
arrogncia, como os sacerdotes, oradores e escribas, que
com as pomposas vestimentas dos doutores das leis,
lideravam seus templos com presuno, soberba e arro-
gncia. Desnecessrio dizer o quanto Jesus se indisps com
sacerdotes e escribas, principalmente pela soberba deles,
pela arrogncia deles, at mesmo pelas vestimentas pom-
posas e pelos ttulos que "se" auto-concediam de "doutores".
 "No permitais que vos tratem por doutores" (Mateus
23:10). Logicamente, o Jesus arrogante, presunoso, vaido-
so, e curandeiro, equivocadamente apresentado nos quatro
evangelhos "refundidos" pela igreja, no representa e no
pode retratar e representar o que foi e o que  Jesus. Razo
pela qual sugerimos retirar estes textos dos evangelhos como
as lascas que so retiradas do bloco de pedra para dar lugar a
uma irretocvel esttua.
Embora hebreus (judeus), os essnios no comiam carne
vermelha, principalmente cordeiro, pelo aspecto de paz e
mansido do animal. Eram parcialmente vegetarianos (mas
comiam peixe e eventualmente gafanhotos), e em razo
disso desligaram-se das festas tradicionais do judasmo,
inclusive a da Pscoa, dos tabernculos e outras mais,
mormente quando nelas envolvia matana e holocausto de
animais (em especial o cordeiro).
Comparativamente, Jesus insurge-se contra a matana de
animais, ao expulsar os vendilhes do templo que vendiam
cordeiros, cabras, pombos e outros animais para serem
sacrificados "no altar de Deus". Desnecessrio dizer que os
essnios praticavam a liturgia da eucaristia  a celebrao
do po e do vinho  exatamente a liturgia que Jesus passou
aos seus discpulos como um dos principais sacramentos.
Se as semelhanas dos usos e costumes e dos ensinamentos
dos essnios com os ensinamentos de Jesus podem parecer
poucas, vejamos algumas prticas, usos e costumes, e
ensinamentos dos essnios: 1) Os essnios ensinavam o
amor ao prximo mais do que a si mesmo, que  exatamente
o foco central dos ensinamentos que Jesus pregava; 2)
Pregavam a busca da verdade como a maior fonte do
conhecimento e uma das suas maiores diretrizes religiosas.
Que  o ensinamento de Jesus, muito pouco valorizado pelas
igrejas crists: "Conhecereis a verdade e a verdade vos
libertar"; 3) Acreditavam na ressurreio, reencarnao, na
imortalidade da alma e na vida eterna (Exatamente o que
Jesus ensinava, contrariando saduceus e fariseus); 4) O
conselho que dirigia a entidade essnia era composto por
doze membros, exatamente como Jesus instituiu os doze
apstolos para criar a base de sua pregao. 5) O nascimento
do essnio dava-se pelo batismo, que foi um dos principais
sacramentos que Jesus incorporou  sua pregao; 6) Eram
humildes, humanitrios e pregadores da paz, que  o perfil
mais exato de Jesus; 7) Mas o mais surpreendente: os
essnios possuam como seu mantra (reza) principal, um
hino sobre as bem-aventuranas, cuja idia central  o
"Sermo da Montanha" de Jesus.
Vivendo em comunidades distantes, os essnios sempre
procuravam encontrar na solido do deserto (o lugar de
reflexo escolhido por Jesus) o lugar ideal para desen-
volverem a sua espiritualidade. Prezavam o silncio como
um instrumento de disciplina e norma de conduta. Sabiam
guard-lo como uma jia preciosa ("O falar  de prata, mas o
silncio  de ouro"). A voz era usada como um instrumento
e tinha um grande poder, no podendo jamais ser
desperdiada. Atravs da voz, dependendo do ritmo, da
freqncia e da intensidade podia ser estabelecido um con-
tato com Deus e at ser objeto de transmisso de energia
(boas e ms) entre pessoas. Por isso, evitavam falar alto,
jamais discutiam em pblico, jamais gritavam, e sempre
ouviam em silncio a argumentao de seu interlocutor,
respeitando o direito de palavra de cada um.
Diferentemente de outros religiosos que tambm se
abstiveram de bens materiais (como os monges budistas), os
essnios trabalhavam a terra (plantavam, irrigavam, colhiam)
e em seus cuidados com a terra mantinham hortas e
pomares irrigados com a captao de gua das chuvas guar-
dadas em cisternas. Estudavam, escreviam e dedicavam-se s
artes. Entretanto, o que obtinham pelo fruto de seus
trabalhos era o necessrio para a manuteno e sustento da
comunidade. Viviam pelo necessrio para a vida. Apenas o
necessrio.
No era possvel encontrar entre eles aougueiros ou
fabricantes de armas, mas sim grande quantidade de mestres,
pesquisadores, instrutores, que .atravs do ensino passavam,
de forma sutil, os pensamentos da ordem religiosa aos leigos.
Cultivavam hbitos saudveis, zelando pela alimentao,
pelo fsico e pela higiene pessoal. Antes e aps as refeies
 realizadas em completo silncio  oravam e agradeciam
a Deus pelo alimento vindo da terra, o qual consideravam
como algo vivo e sagrado.
Faziam manipulaes com ervas, eram profundos
conhecedores das propriedades curativas das ervas e eram
excelentes mdicos, praticando uma medicina estritamente
natural. Faziam visitas constantes a pessoas enfermas, por
entenderem como obrigao dos sos o permanente cuidado
pelos doentes, assim como respeitavam  e quase que
idolatravam  os velhos, cuidando deles com as prprias
mos, como filhos gratos. E estendiam esse cuidado e
ateno, dispensados aos velhos, tambm aos antepassados,
cultuando-os e respeitando-os.
Contrastando com esta vida de absoluta simplicidade,
preocupavam-se com questes de fsica, astronomia e cin-
cias em geral, buscando, inclusive, a harmonia das cincias
com a existncia de Deus e a origem do universo.
Um assunto, entretanto, causava repulsa, indignao e at
mesmo intolerncia aos essnios: a escravido. Consi-
deravam a escravido um ultraje, uma violao  vida, 
misso do homem dada por Deus. No s porque destrua a
igualdade entre os seres humanos, como atentava ao mais
elementar princpio da irmandade e fraternidade que torna
os seres humanos iguais e irmos.
Por mais estranho que possa parecer, um essnio jamais
jurava. Para eles a jura era um sacrilgio to grande quanto a
mentira. Isto porque tinham na palavra dita a sustentao da
honra, e somente o mentiroso, que no honra o que fala, 
que precisava jurar para tornar verdadeiro o que disse ou que
tenha soado como falso. Alis, este preceito est muito bem
definido nos relatos do evangelho atribudo a Mateus (5:33-
37) em que Jesus prega que no se deve jurar em hiptese
alguma.
Conforme dito, os essnios eram humanitrios, pacifistas, e
no toleravam a guerra sob hiptese alguma. Mas, no
entanto, falavam constantemente de uma espcie de guerra:
a dos filhos da luz contra os filhos das trevas, uma luta
constante que se trava principalmente no interior de cada
criatura.
Para os essnios no existia nem a personificao (imagem)
do bem e nem a personificao (imagem) do mal. Toda a
essncia do bem era uma ddiva de Deus e toda a raiz do mal
era fruto do livre arbtrio do prprio homem. E ambos, o
bem e o mal residiam dentro de cada ser humano,
cumprindo a cada um domar o seu mal interior e fazer
florescer o bem.
A principal razo de viver dos essnios consistia em
aperfeioar-se como ser humano, buscando a Deus como
amor e perdo, e buscando eternamente o bem dentro de si
mesmo, sufocando toda e qualquer forma do mal.
De costumes irrepreensveis, moralidade exemplar, de
extrema boa f, dedicavam-se aos estudos espiritualistas, 
contemplao e  caridade, longe do materialismo
avassalador que imperava entre os saduceus e fariseus. Os
essnios suportavam com admirvel estoicismo os maiores
sacrifcios para no violar o menor preceito religioso. Pro-
curavam servir  Deus, auxiliando o prximo, sem imolaes
no altar e sem cultuar imagens.
Embora os essnios fossem judeus, diferentemente dos
saduceus e dos fariseus, no consideravam Israel como o
centro de todas as coisas, nem como o grande bem a ser
preservado, mas sim o mundo. O Deus dos essnios no era
tribal, personificado, e a promessa de uma "Nova Jerusalm",
por ser uma idia, tribal, dos saduceus, de viso estreita e
limitada, era inconcebvel para os essnios. Entretanto, um
novo mundo, um novo porvir, como uma nova viso de
esperana, adequava-se perfeitamente  filosofia essnia. At
porque os essnios acreditavam que Deus  a causa de todo o
bem e de nenhum mal. O ser humano, sim, que tendo
recebido a bondade como herana divina e usando o livre
arbtrio concedido por Deus  quem cria as possibilidades do
mal.
Para ser um essnio, o pretendente a discpulo era preparado
desde a infncia na vida comunitria de suas aldeias isoladas.
Em geral, os essnios recebiam esses futuros adeptos ainda
muito jovens, em geral crianas, para serem educadas, e
tratavam-nos como se fossem realmente filhos.
J adulto, o adepto, aps cumprir vrias etapas de
aprendizado, recebia uma misso definida que ele deveria
cumprir at o fim da vida.
Vestidos sempre com roupas brancas, muito alvas, o que era
muito raro para a poca e para a regio, pois o traje comum
era o tecido cru (bege); ficaram conhecidos em sua poca
como aqueles de branco que "so do caminho".
Os essnios eram como santos que habitavam muitas aldeias
e vilas ao sul da Palestina. No se uniam por cl lamiliar ou
por raa, mas sim por meio de associaes voluntrias,
formadas com o intuito de melhor praticar a virtude e o
amor entre as criaturas humanas.
O celibato era um dos raros assuntos bastante contraditrios,
vez que mesmo no sendo obrigatrio o celibato, muitos
no se casavam porque acreditavam que matrimnio era
impedimento  vida simples do sacerdcio. Outros, no
entanto, afirmavam que os que no se casavam recusavam a
melhor parte da vida doada por Deus, que  a propagao da
espcie.
Havia uma forte preparao religiosa ao iniciado na
comunidade essnia. Liam muito, debatiam muitas questes
religiosas, e principalmente recebiam muitos ensinamentos
atravs de parbolas, que acabavam fazendo parte de suas
bases religiosas.
Os mais velhos e mais preparados explicavam aos mais
novos a simbologia usada nos ensinamentos. Entretanto, no
necessariamente os graus mais elevados eram ocupados
pelos mais velhos, pois o grau de cada um dependia mais de
sua capacidade prtica em ensinar e passar as mensagens e
ensinamentos do que da idade e do nvel de cultura geral de
cada um. Isto porque o mais importante era que as
mensagens pudessem chegar com clareza ao maior nmero
de pessoas.
Os essnios formavam uma ordem religiosa extremamente
devotada, muito diferente da dos saduceus materialistas, e
completamente oposta  dos hipcritas e vaidosos fariseus.
Evitavam a vaidade, o egosmo, o individualismo e toda
meno de si prprios, tendo na vaidade um dos piores
males corruptores do carter. (Razo pela qual so irreais e
inimaginveis as citaes imputadas a Jesus nos quatro
evangelhos, retratando-O como vaidoso, presunoso e
arrogante)
Ainda hoje em dia, alguns conceitos e prticas essnios so
considerados como absolutamente revolucionrios. E para a
poca, ento, eram inimaginveis e incompreensveis para a
maioria das pessoas. Como, por exemplo, o fato dos essnios
praticarem a imposio de mos (como Jesus), tendo como
premissa que todo ser humano emana energias, boas e ruins,
e que toda negatividade provm da desarmonia e do
desequilbrio entre as energias boas e ruins de cada um,
como uma doena. Baseado nisso, aprendiam a reconhecer
as diferentes vibraes da matria, bem como manter todas
estas vibraes sob controle, para atingir a harmonia do
corpo e da mente.
O conceito de tempo e espao era outro conceito ex-I
ternamente revolucionrio para a poca. O pensamento dos
essnios no estava voltado apenas para sua vida atual. A
vida era vista como um eterno presente. O passado, o
presente e o futuro se tornavam uma unidade na grande
harmonia divina. Para os essnios tudo sempre estava inter-
relacionado, ligado com tudo e com todos. E como numa
ciranda ou numa mandala, a vida conduzia  morte. A morte
conduzia  vida, e o nascimento ou renascimento era sem-
pre um retorno  condio material e primitiva do ser hu-
mano.
Embora os hbitos e prticas dos essnios possam ser
provados e documentados (mais seriamente do que em
qualquer outra religio)  certo que nenhum dos Manus-
critos do Mar Morto comprova nominalmente a vivncia
essnia de Jesus (pois os essnios, sabendo das perseguies
que sofriam, no citavam nomes e at mudavam seus nomes
aps o batismo), tanto quanto  certo que historicamente h
muita contestao quanto a comprovao documentalmente
sria da prpria existncia real de Jesus. No entanto, os
documentos de Qunram, que registram e comprovam a vida
essnia, que so documentos verdadeiros, srios e
incontestveis, demonstram que todos os atos (srios)
relatados a respeito de Jesus em "verses" evanglicas
indicam a educao de Jesus como tendo sido, inega-
velmente, essnia.
O mais espantoso entre todos os ramos judeus,  que, ao
contrrio dos demais ramos judaicos, os essnios no
aguardavam um s messias, e sim, dois. Um messias era
esperado para preparar a vinda do segundo messias. Nasceria
e seguiria a tradio da linhagem sacerdotal dos grandes
mrtires. Sua morte representaria o sofrimento e humilhao
por que teria que passar, em vida, por destino previamente
traado por Deus.
Para muitos, a figura do pregador Joo Batista se encaixa
perfeitamente no perfil deste messias preparador do messias
salvador.
Um segundo e definitivo messias, salvador, que viria para
legislar e estabelecer a justia restituiria ao povo a sua
soberania, restauraria a dignidade e semearia a esperana,
instaurando um novo perodo de paz social e de prosperi-
dade, que no ficaria restrito s tribos de Israel, mas resta-
beleceria uma nova ordem para o mundo inteiro.
Jesus foi recebido por muitos como a encarnao deste
messias salvador.
Muito se tem dito a respeito de Jesus e de Joo Batista, sobre
a importncia de cada um, dependendo da linha religiosa
que se adote, mas o que surpreende  a indicao de forma
alternada de que ora Jesus  considerado como o messias,
ora Joo Batista  esse messias. Para a maioria dos cristos,
Jesus  o messias. J para alguns batistas, Joo Batista  o
messias.
At os nossos dias, no sul do Ir, os mandeanos, sustentam
ser Joo Batista o verdadeiro messias essnio. O rei da
Prssia, escrevendo a Voltaire, afirma: "Jesus foi o messias
essnio". Gratz, em sua obra, afirma: "Joo Batista, era o
messias essnio". Entretanto, para os essnios, nunca houve
esta dvida se eles eram de fato o messias, pois eles espera-
vam, de fato, a vinda de dois messias, que mais tarde viria a
se materializar nas figuras de Joo Batista e de Jesus. (Os
essnios s no sabiam qual dos dois teria a misso prepa-
ratria que antecederia o derradeiro messias e qual teria a
misso de reformar a humanidade)
Harvey Spencer Lewis, assim como muitos telogos e
estudiosos do assunto, afirma que Jesus recebeu desde o
incio, na infncia e na adolescncia, educao conforme os
preceitos essnios. Inclusive, foi previamente preparado
num mosteiro localizado no Monte Carmelo, na Palestina
para se tornar o Cristo, o Messias, o Salvador. (A bem da
verdade, Joo Batista tambm recebeu, juntamente com
Jesus, este tratamento por parte dos essnios, uma vez que
(Jes  os essnios  tinham nos dois a imagem dos dois
messias que estavam por vir e por isso no sabiam qual seria
o messias preparador da vinda do messias salvador e qual
seria o derradeiro messias salvador)
Posteriormente  essa iniciao e preparao essnia, os
jovens Joo Batista e Jesus levaram o pnico  comunidade
essnia ao abandonarem temporariamente a vida essnia de
preparao para a vida messinica e comeam ento a
estudar profundamente as antigas religies egpcias, algumas
religies orientais (ndia, Nepal e China) e diversas seitas que
influenciaram o desenvolvimento da civilizao mundial.
Para isso teriam feito diversas viagens pelo mundo antigo,
indo para a ndia e o Nepal, onde conviveram durante
alguns anos com os principais sbios budistas. Ao deixarem a
ndia, viajaram para a Prsia (atual Ir), onde estiveram com
os religiosos eruditos do pas, aprenderam tambm com os
sbios da Assria e j nessa poca atraam multides  sua
volta, por seus poderes de imposio de mos e por suas
palavras.
Em seguida, atravessaram a Babilnia, estiveram na Grcia e
por fim voltaram ao Egito, onde teriam sido iniciados nos
mistrios da Grande Fraternidade Branca.
Terminada toda essa preparao, Joo Batista e Jesus
voltaram a Qunram e aos essnios, onde reiniciaram suas
vidas de pregao e seus ministrios.
Foi somente no momento do batismo de Jesus, por Joo
Batista, que foi decidido quem batizaria quem. Isto porque,
at aquele momento, no existia, por parte dos essnios,
uma definio de quem batizaria quem. Se Jesus batizaria
Joo Batista. Ou se Joo Batista batizaria Jesus. Inclusive este
momento  descrito figurativamente nos evangelhos como
tendo sido o momento em que o Esprito Santo faz a escolha
entre os dois e desce sobre Ele, Jesus, em forma de uma
pomba branca, transformando-o no Cristo, no Messias, no
Salvador.
Segundo alguns estudiosos, foi com base na cultura essnia
de Jesus, aliada aos conhecimentos adquiridos durante estas
viagens aos diversos pases pelos quais passou, que Jesus
adquiriu maturidade e conhecimento que o levaram  vida
apostlica relatada pela Bblia, infelizmente restrita somente
 idade de 30 anos.
A igreja, de uma maneira geral, procura ocultar a prtica e os
hbitos de Jesus como judeu (e principalmente como
essnio). Tanto que quando a igreja admite ser Jesus um
judeu, no O enquadra como saduceu (que Jesus chamava de
hipcritas e vboras); como fariseu (que Jesus nem podia se
imaginar como um arrogante e presunoso fariseu); ou como
um louco, destemperado e revolucionrio zelote (que Jesus
sequer podia ser enquadrado como tal, uma vez que os
zelotes tinham Jesus como um covarde pacifista e um
traidor, por ser um manso e humilde). Em outras palavras, a
igreja admite que Jesus era judeu, mas nega que Jesus tenha
sido saduceu, fariseu ou zelote. E hipocritamente furta-se
em admitir ter sido Jesus um essnio.
No obstante esta omisso hipcrita, a igreja lana um
silncio sepulcral sobre a infncia de Jesus, sobre Suas via-
gens pelo oriente (seguindo a rota da seda) e sobre Sua vida
entre os 13 e 30 anos, e principalmente oculta, de todas as
maneiras, a formao religiosa de Jesus como um mestre
religioso (rabi) essnio, apesar de trat-lo na Bblia como
"rabi" essnio (mesmo sem ser saduceu, fariseu ou zelote).

A Sociedade Secreta de Jesus

No ano sete a.C., data em que, segundo o conhecido
astrnomo britnico da Universidade de Cambridge, Colin
Humprey, em 1991, e confirmado por antigos astrnomos
chineses, teria havido um cometa bastante visvel, formando
um brilho todo especial no cu, na noite de 08 para 09 de
novembro, nas montanhas da tribo de Jud, na Judeia, nascia
o primognito de Isabel e Zacarias, um menino que iria
mudar o mundo, chamado Joo (Batista).
No ano seis a.C., data em que, segundo o astrnomo alemo
Johannes Kepler, houve a conjuno de Jpiter e Saturno,
formando um brilho todo especial no cu, como se fosse um
cometa ou uma lenta estrela cadente, na noite de 19 para 20
de abril, em Cafarnaum, na Galileia, nascia o primognito de
Maria e Jos, um menino que iria mudar o mundo, chamado
Jeshua, e que para ns  simplesmente: Jesus.

(Notas do autor: 1) O monge Dionsio, o Pequeno,
(500-545 d.C.) cometeu um erro de clculo na
determinao do ano zero, entre 6 a 8 anos. 2) A
igreja, impossibilitada em determinar com preciso o
dia exato do nascimento de Jesus, e submetida s leis
de Roma, acatou a data de nascimento de Jesus como
25 de dezembro, fixada entre 525 d.C. e 533 d.C.,
para celebrar uma festa pag de Roma (e no religiosa)
que tinha como motivo a confraternizao da
felicidade, semelhante ao natal de hoje em dia.
Chamava-se "Dies Natalis Invicti".

Primas entre si, Isabel e Maria tiveram uma sina de vida
muito semelhante, isto porque os primos Joo (que o mundo
viria a conhecer por Joo Batista) e Jesus, criados juntos
como irmos, tiveram vidas bastante prximas e entrelaadas
e que muitas e muitas vezes e em momentos absolutamente
decisivos para os dois e para toda a humanidade
protagonizaram uma das mais fantsticas vivncias
experimentadas pelo ser humano.
Por enorme coincidncia, os pais de Joo Batista (Zacarias) e
de Jesus (Jos), tiveram srias e quase que irreconciliveis
dvidas a respeito de suas paternidades e da fidelidade de
suas mulheres. Isto porque Zacarias, pai de Joo Batista
possua idade muito avanada para ter filhos, e sua esposa
Isabel era considerada estril, pois apesar das inmeras
tentativas, jamais havia engravidado na juventude e na
maturidade, e no era imaginvel que justamente agora, em
idade avanada, estar esperando um filho.
Jos, por sua vez, tinha semelhantes suspeies a respeito de
Maria, pois sendo ela uma moa muito jovem, e ele com
idade bem superior  dela, no conseguia entender como
aps tanto tempo de casada, Maria ainda permanecia como
se fosse virgem. (E da a sua dvida, pois se mesmo depois
de casada ainda aparentava "virgindade"... como acreditar
que quando havia se casado era virgem de verdade?)
 poca, no se conhecia e sequer se falava em hmen
complacente (que no se rompe e retorna ao seu estado
anterior, mesmo aps a relao sexual, mantendo uma
impresso de permanente virgindade). Mas, no entanto,
aps o parto de Jesus, constatando Jos que ainda assim
Maria aparentava virgindade, conforme continuou, apesar
dos vrios filhos que Maria teve, Jos passou a acredi-lar que
algo diferente havia com a "virgindade" de sua esposa, e que
a sua aparente virgindade no deveria ser empecilho para
seu relacionamento com to devotada esposa.
Com o tempo, as dvidas sobre possveis infidelidades que
assombravam Zacarias e Jos finalmente foram sanadas e os
relacionamentos com Isabel e com Maria, foram
restabelecidos sem as suspeies de traio que pairavam no
ar. E isso trouxe um grande alvio para ambos, pois Zacarias
era um sacerdote, um fervoroso religioso, e Jos, que apesar
de um humilde campons, tinha profundo respeito e
devoo pelas leis religiosas. E estas leis religiosas eram bem
claras em relao s mulheres infiis: Deveriam ser
apedrejadas e mortas publicamente. E, logicamente, pelo
amor que devotavam s suas esposas, ambos no queriam ler
que fazer cumprir as leis divinas que determinavam a morte
de ambas por apedrejamento.
Restabelecer o convvio matrimonial foi mais do que um
alvio imenso para Zacarias e para Jos, pois foi tambm,
coincidentemente, um restabelecimento de suas sades. Vez
que, por motivos inexplicveis, Zacarias havia perdido a voz
e Jos passara a ter sua sade bastante debilitada, sem nimo
sequer para o trabalho. E o restabelecimento das relaes
conjugais de ambos resultou no coincidente
restabelecimento da sade de ambos. Pois Zacarias recupe-
rou sua voz e Jos voltou ao trabalho com o nimo que antes
havia perdido.
Pela poca do nascimento de Jesus, em Cafarnaum, no
norte, na regio da Galilia, apareceram uns pregadores
religiosos, praticando a catequese e falando de um novo
mundo, um novo porvir. Iam de casa em casa, vestiam seus
paramentos religiosos, suas mitras (chapus pontudos se-
melhantes aos chapus de magos) e iniciavam suas prega-
es. Falavam de um novo Deus, uma nova conscincia,
uma nova ordem religiosa, e como era hbito nas pregaes
de nmades vindos do oriente, faziam uma srie de
previses de futuro para os moradores que os recebiam em
troca de abrigo e comida. At que deparando-se com o re-
cm nascido, Jesus, foram tomados por uma intensa energia,
um grande impacto e comoo. E como que inspirados ou
tomados por entidades divinas comearam a falar
torrencialmente e a fazer profecias a respeito do recm nas-
cido, principalmente em razo de seu nascimento ter coin-
cidido com a grande luminosidade do cu causado por uma
luz que no sabiam bem como explicar.
Entre as profecias que faziam para o recm nascido, uma
assustou muito a Jos e Maria. Exatamente a que predizia
que Jesus viria a ser um rei, que mudaria o mundo, iria trazer
muita paz, mas que antes disso seria responsvel por muita
dor e sofrimento. (As profecias eram muito comuns na
poca, e ainda hoje em dia o so  no sob o nome de
profecia, mas como adivinhaes ou "previses do futuro"
 pois muitas predies ou previses so feitas
simplesmente por dinheiro ou para angariar simpatizantes
para seitas, ordens e religies, e em geral dificilmente qual-
quer dessas previses se concretiza)
Jos, apesar de campons, bronco, estava acostumado com
previses, vez que era muito comum a prtica de adi-
vinhao ou premonio em troca de alimentos. Entretanto,
embora respeitasse e temesse certas previses, como a
maioria das pessoas, ficou muito assustado e situado entre o
medo de estar traindo a sua religio judaica (por estar dando
ouvidos  religiosos de outra agremiao religiosa) e a
possibilidade de seu filho vir a ter um trgico destino
messinico.
Ento, Jos, usando como pretexto a possibilidade de poder
vir a se concretizar a profecia dos religiosos, e isso tornar-se
um risco para seu filho e para a sua famlia, diferentemente
das outras vezes em que Jos insistentemente tentou mudar-
se para Belm, sua terra natal, Jos aproveitou que dentro de
alguns meses seria a poca de recenseamento judaico,
institudo por Roma para poder aumentar a coleta de
impostos, Jos passou a pressionar Maria para que ambos
fossem para Belm.
Aps alguns meses, com muita insistncia, Jos conseguiu
convencer Maria de que deveriam aproveitar a oportunidade
do recenseamento e irem juntos para a sua terra natal,
Belm, na Judia, afastando-se, desta forma, de Cafarnaum,
na Galileia, e da proximidade de Herodes, o Grande, que po-
deria vir  saber da tal profecia messinica dos religiosos da
nova ordem e insurgir-se contra seu filho, considerando-o
como uma ameaa ao imprio de Herodes, o Grande.
Embora Maria no acreditasse piamente que isso fosse
possvel, pois aquela deveria ser mais uma das tantas
profecias que so feitas diariamente, a cada pessoa, em troca
de alimentos ou algum outro pagamento e que nunca se
concretizam, Maria, entre a dvida e o medo, concordou
com a mudana para Belm e a longa viagem (cerca de 150
km, ou dois a trs dias de viagem).
Das vezes anteriores em que Jos quis mudar-se de
Cafarnaum para Belm, Maria sempre demonstrava m
vontade com a viagem e recusava insistentemente alegando,
principalmente, que no podia viajar em razo de sua
gravidez. Mas agora, diante de uma ameaa de perigo real, e
com o filho (Jesus) j com alguns meses de vida, Maria
poderia, finalmente, atender  vontade de seu marido e ir a
Belm, ao menos por um breve perodo de tempo.
Procurando pousada em Belm, Jos e Maria buscam ajuda
com parentes, em especial na casa da prima Isabel. E ao
visitarem a casa de Zacarias e Isabel algo de inusitado
aconteceu. Pois o primeiro encontro entre Joo Batista e
Jesus foi arrepiante para os pais de ambos. Isto porque,
Zacarias e Isabel incentivavam a aproximao entre os pri-
mos e tentando ensinar Joo Batista a falar corretamente o
nome de seu primo Jesus (Jeshua). Ficavam repetindo: 
"Seu primo, Jeshua (Yeshua), Jeshua (Yeshua), Jeshua
(Yeshua)".
Subitamente Joo Batista balbuciou algo como:  "lesthus",
e abraou Jesus apertado para s larg-lo aps grande
insistncia dos pais.
Foi um espanto geral, pois o que Joo falara ("lesthus") tanto
poderia ser "Jeshua" (Yeshua), como poderia ser "Ichtus",
que em grego significa "Peixe". Ou... o final da palavra
"Christus". Foi algo to inesperado e surpreendente que
ningum sabia o que realmente havia sido balbuciado por
Joo Batista e a estranha razo de tamanha afinidade
assombrosa, repentina e imediata entre Joo Batista e Jesus.
Embora isso possa parecer algo comum entre crianas, e at
mesmo possa acontecer muitas e muitas vezes entre pessoas,
o olhar de admirao de Joo Batista para Jesus e a paixo
instantnea que foi estabelecida entre ambos foi algo que
tornou-se marcante para os pais de Joo Batista e de Jesus
que chegou a assombr-los, assustando-os mesmo.
Esse vnculo inexplicvel entre Joo Batista e Jesus, como se
fossem "duas almas gmeas", dois irmos inseparveis de
outras vidas, viria a se estender por toda a existncia de
ambos.
J havia se passado mais de seis meses do encontro de Jos e
Maria com os religiosos da nova ordem mitral, quando
Herodes, o Grande, por reclamao de religiosos hebreus,
temendo a concorrncia de novas e proibidas religies, com
adoraes a novos deuses, toma conhecimento de que al-
guns religiosos de terras distantes, do Egito e da ndia, es-
tavam profetizando sobre gente do seu povo.
Chamados ao palcio de Herodes, o Grande, os religiosos da
nova ordem mitral apresentam-se a Herodes, o Grande, mas
nada do que foi dito por eles era novidade ou coisa que j
no tivesse ouvido. Eram as religiosidades de sempre e as
previses habituais, das quais ele, Herodes, estava cansado
de ouvir. Aparentemente, eram s mais uns profetas e
visionrios, iguais aos demais que trocam previses por
dinheiro ou alimento, exatamente iguais aos tantos que
existiam espalhados da Judia  Galileia. Entretanto, um
detalhe no escapou de Herodes, o Grande: O fato de que
entre as previses havia uma que detalhava sobre um dos
primognitos recm nascidos na Galileia que um dia viria a
ser rei.
Percebendo que Herodes, o Grande, havia se interessado em
especial pela profecia do novo rei e que hipocritamente mal
disfarava sua ira ao solicitar aos religiosos mitrais que
fossem at Cafarnaum e Genesar, recomendando que
fossem at a criana que viria a ser rei e trouxessem-na para
que ele mesmo, Herodes, o Grande, adorasse o "futuro rei".
Foi o suficiente para que os religiosos mitrais percebessem as
reais intenes de Herodes, o Grande.
Uma vez percebido as intenes mal ocultadas de Herodes,
o Grande, demonstrado por um incontido rancor sobre a
possibilidade de haver um rei ameaando seu trono, os
religiosos da nova ordem, com a conscincia pesada pelo
possvel mal que tal previso poderia causar, partem ento
em busca dos pais de Jesus para alert-los sobre o
descontentamento de Herodes, o Grande, e de uma possi-
bilidade de vingana ou retaliao sobre o "futuro rei".
Como Jos, Maria e Jesus no foram encontrados em
Cafarnaum ou em Genesar, os religiosos mitrais comeam
ento a perguntar sobre o paradeiro deles, at que so
informados por amigos que a famlia havia se mudado para
Belm.
Como Belm ficava no sul, no exato caminho para o Egito,
de onde os religiosos mitrais haviam vindo, eles foram at
Belm, sua passagem obrigatria, e por estranha
coincidncia encontram-se com Jos em um mercado p-
blico (uma espcie de feira) e alertam do acontecido no
palcio de Herodes, o Grande.
Assustado, e temendo por sua famlia, Jos convence Maria
a fugir mais uma vez, posto que agora o perigo no era s
uma suposio, era real. E, aceitando a oferta de abrigo e
esconderijo oferecido pelos religiosos mitrais preparam-se
para uma fuga para o Egito, longe do alcance de Herodes e
seus filhos, que dominavam a Judia e a Galilia.
Temendo tambm pela vida de Joo Batista, seu sobrinho,
filho de Zacarias e Isabel, de quem tanto havia recebido
ajuda, Jos tenta convencer Zacarias e Isabel a deixar Joo
Batista fugir com eles para o Egito, uma vez que, segundo os
religiosos mitrais, Herodes, o Grande, iria mandar matar
todos os primognitos nascidos nos dois ltimos anos para
evitar que um rei nascesse em seu reino.
Sabendo que Joo Batista, agora com pouco mais de um ano,
se ficasse em Belm, iria ser morto pelos guardas de
Herodes, o Grande, pois Joo Batista era somente quase seis
meses mais velho do que Jesus, Zacarias consente em que
Joo escape com os tios para o Egito. Entretanto, Zacarias re-
cusa-se a ir junto, pois sendo um sacerdote muito conhecido
em Belm e pelo fato de ter tido um filho j em idade
avanada, com uma mulher tida como estril, e que o fato
do nascimento de seu filho ser de grande conhecimento
pblico, Zacarias preferiu ficar em Belm, com Isabel, e
simular a morte do prprio filho, para garantir a sua
sobrevivncia no Egito.
Nesse meio tempo, de fato, Herodes, o Grande, manda
vasculhar seu reino, da Galilia  Judia, em busca do tal
primognito que poderia um dia vir a ser um rei. E aps
longa e incessante busca, frustrada em seu intento em loca-
lizar o "menino-rei", e sentindo-se trado pelos religiosos
mitrais, que poderiam ter advertido  famlia do menino
sobre as suas reais intenes, eis que ele chega  concluso
de que no tendo sido possvel localizar pacificamente o tal
"futuro rei", a nica soluo seria mandar matar todos os
primognitos, da Galilia  Judia, que tivessem menos de
dois anos de vida.
Ensandecido, Herodes, o Grande, passa das palavras  ao e
determina a "matana dos inocentes". Algo dantesco,
inimaginvel, uma chacina terrvel, cruel. Eram mes e pais
desesperados, vendo seus filhos sendo arrastados por sol-
dados de Herodes, o Grande, para serem assassinados fria-
mente, na presena do rei, para que ele tivesse a certeza de
que nenhum primognito (varo) com idade inferior a dois
anos pudesse escapar com vida.
Embora nos nveis de hoje em dia, 30 a 40 crianas,
primognitos do sexo masculino, possa parecer um nmero
pequeno, em razo da exploso demogrfica do mundo
atual, proporcionalmente  populao de cerca de dois mil
habitantes, entre Cafarnaum, Genesar e Belm,  um
nmero altamente significativo, em termos de mortandade,
sem falar na crueldade que , para um pai, a morte prema-
tura de um filho, primognito ainda por cima.
Felizmente, graas  providencial informao dos religiosos
mitrais, Jesus havia escapado com vida da matana dos
inocentes. E Joo Batista tambm, pois tendo menos de dois
anos e se seus pais no tivessem sido alertados por seus tios,
dos riscos que corria, teria tido um triste fim caso houvesse
permanecido em Belm.
Durante trs longos anos, Jos, Maria, Jesus e Joo Batista,
passam a viver no Egito, e com isso a conviver e a aprender
outra cultura, novas lnguas, a confrontar sua religio com
outras religies e a adquirir novos ensinamentos e a sofrer
um processo de aculturao. Que acabaram sendo
basicamente a "cultura de bero" de Jesus e Joo Batista.
Ao fim de trs longos anos, eis que finalmente Herodes, O
Grande, vem a falecer, deixando seu reino para os seus
filhos: Herodes Antipas (Galilia), Arquelau (Judia) e Filipe
(Cesaria de Filipe e Transjordnia). Quando ento Zacarias
vai at o Egito e avisa a Jos e Maria da morte de Herodes, o
Grande, e que com isso eles agora poderiam voltar em paz,
pois o perigo de vida (ou de morte) para Jesus e Joo Batista
havia passado.
Foi uma festa enorme o retorno de Jesus e Joo Batista a
Belm. Zacarias e Isabel no cabiam em si de contentamento
pela volta de Joo Batista, e de seus primos e sobrinho. At
porque, agora, aps trs anos sendo criados juntos, Jesus e
Joo Batista eram quase que como irmos, a afinidade entre
os dois (um com quatro para cinco anos e o outro com trs
para quatro anos) era algo incrivelmente indescritvel. Pois
se desde o nascimento j havia algo de transcendental e
inexplicvel entre os dois, imagine agora aps os trs
primeiros anos sendo criados juntos... como irmos.
Embora houvesse uma afinidade muito grande entre Jos e
Zacarias, e entre Maria e Isabel, Jos no se sentia bem em
Belm, embora fosse sua terra natal. Algo de assustador e
muito negativo Jos via em Arquelau (filho de Herodes o
Grande) que governava a Judeia, pois seu perfil era de um
grande corrupto e meio louco. No ntimo Jos sentia que
Arquelau era muito parecido com o pai, Herodes, o Grande,
e que a loucura e os atos pblicos de Arquelau, poderiam
causar grande revolta popular, ou at mesmo uma revoluo
ou um perodo de muita conturbao (que de fato acabou
acontecendo), o que colocaria em risco a famlia de Jos.
Conseqentemente, isto no inspirava confiana para que
Jos permanecesse em Belm.
A ter que escolher um lugar para morar dentre os trs reinos
dos filhos de Herodes, o Grande, Jos escolheu retornar 
regio da Galilia, onde morara antes, e que agora era
governada por Herodes Antipas, filho de Herodes, o
Grande, e que parecia mais confivel do que o pai e o irmo
Arquelau. Vez que sua quase nica e grande preocupao
era construir, construir e deixar um grande legado de
construes, de modo a deixar sua marca para a posteridade.
E foi assim que Jos mudou-se novamente para Cafarnaum
(na Galileia), s margens do Lago de Genesar (Mar da
Galileia ou Mar de Tiberades), vizinho s cidades de
Corozaim e Betsaida, onde ele tinha grandes amigos e
muitos conhecidos, o que, por sua vez, tornaria a vida mais
fcil para seus trabalhos.
Foi uma grande, sentida e dolorosa separao entre os quase
irmos Joo Batista e Jesus e os parentes Zacarias e Isabel,
Jos e Maria.
Em Cafarnaum, a vida seguia normalmente para Jos e
Maria. Mas, no entanto, algo de muito estranho acontecia
com Jesus, pois, por mais que os pais tentassem ocultar e
esconder dos vizinhos os dons de Jesus, no conseguiam
ocultar um incontrolvel poder dele sobre a matria, que
causava danos, transtornos e problemas para os vizinhos e
para a comunidade.
Sem que Jesus desejasse, ou soubesse como, as coisas
aconteciam  sua revelia, coisas estranhas aconteciam ao seu
toque, e s vezes nem ao seu toque. Era algo inexplicvel. E
por ser algo que ele, criana, no sabia como direcionar ou
controlar, logicamente muitas coisas boas aconteceram, mas
principalmente muitos problemas foram criados por Jesus
para Jos e Maria, que nada entendiam sobre o que se
passava.
O fenmeno mais comum era a telecinesia, explicada pela
parapsicologia (e no espiritismo) como a movimentao de
objetos inanimados,  distncia, sem qualquer ao mecnica
humana.
Eram objetos que caiam sem que ningum os houvesse
tocado, eram coisas que se moviam sem que ningum
conseguisse explicar. E o estranho disso tudo  que todos
sabiam que era Jesus quem fazia aquilo acontecer, mas
quando ele era instado a fazer deliberadamente o que se
pedia para fazer acontecer, ele no conseguia... tinha o
poder mas no sabia como us-lo ou direcion-lo.
Logicamente, a fama dos acontecimentos no tardaram a se
espalhar pela vizinhana e no faltava gente apegando-se s
coisas de Jesus, como suas vestes, restos de suas roupas, gua
em que ele tivesse sido banhado, qualquer coisa que ele
tivesse tocado ou usado, para serem utilizados como
amuletos de sorte ou objeto das mais variadas curas, sendo a
mais comum a de enfermidades. E como costuma acontecer
nos casos em que pessoas esperanosas de determinados
acontecimentos desejarem tanto, tanto, tanto a realizao de
um acontecimento que, por sugesto, induo ou coisa que
o valha, muitos "milagres" (frutos do acaso, coincidncia ou
no) passaram a ser atribudos a Jesus.
Sua fama logo correria por toda a cidade e pelas cidades
vizinhas. E logo no tardaram a se formar verdadeiras
romarias ao menino abenoado, em busca de solues de
problemas. Mas o que viam era simplesmente um menino
parecido com quase todos os meninos de sua idade e que
realizava coisas estranhas e inexplicveis, mas todas elas
independente de sua vontade.
Por outro lado, no tardou que as opinies ficassem divididas
 respeito dos "milagres" de Jesus. Uns achando que
realmente muitas pessoas foram curadas pelo seu toque
divino ou por objetos pertencentes a Jesus, mas muitos (a
maioria, frustrada por no alcanar a graa ou o resultado
esperado) achando que os casos acontecidos eram mera
coincidncia, pois somente alguns casos (a minoria) havia
surtido efeito.
Os que alcanaram o resultado esperado acrescentavam ao
seu resultado alguns outros acontecidos com terceiros para
dar maior credibilidade e veracidade  sua histria. E no
faltavam histrias de que Jesus ressuscitava pssaros mortos,
ou que matava pssaros acidentalmente. Ou que fazia
rvores secarem a um simples toque ou rebrotarem depois
de mortas. Ou que fazia levitao em pleno campo aberto.
Enfim, muitas histrias eram contadas a respeito de Jesus.
Por outro lado, muitos descontentes tratavam de espalhar
como falsos os poderes de Jesus e citavam casos e mais casos
de gente que havia buscado a cura e nada havia acontecido,
quando no havia piorado do estado em que estava. Gente
que estava "quase" sadia e que morrera sem maiores
explicaes. Enfim, as opinies dividiam-se muito, at que
com o passar do tempo as pessoas passaram a conviver com
naturalidade com as coisas estranhas que Jesus fazia, e no
tardou que Jesus voltasse  vida normal de qualquer criana.
E as coisas inexplicveis que Jesus fazia passaram a ser
recebidas sem espanto ou sem maiores alardes.
Como as coisas ditas, boas e ruins, sobre uma pessoa no
ficam aprisionadas e circunscritas ao seu convvio direto,
no tardou que a fama de Jesus chegasse a um ou outro em
Belm e em Jerusalm. E em l chegando a fama dos
acontecimentos de Jesus, no tardou que chegasse ao
conhecimento de seu tio, Zacarias, um conhecido sacerdote
hebreu.
To logo pde, Zacarias foi a Cafarnaum, a pretexto de uma
visita para conhecer Tiago, o mais novo filho de Jos e Maria
e de aproveitar dos prazeres da vida prxima ao mar, no lago
de Genesar. E em l chegando, demonstrou enorme
satisfao pelo seu mais novo sobrinho, Tiago, mas, sem
disfarar, apressou-se a verificar o que ouvira a respeito de
Jesus. E para sua surpresa, constatou a realidade e assustou-se
com as coisas que via e com os poderes de seu sobrinho
Jesus. Para, logo em seguida, recuperando-se do susto, ter
uma viso muito clara do proceder.
A Jos, Zacarias confessa, ento, estar ensinando a seu filho
Joo, a ler e escrever, juntamente com fundamentao
religiosa (Para a poca, saber ler, escrever e interpretar era
muito pouco comum para as pessoas de uma maneira geral.
O ensino bsico era aprendido, em geral, para somente
alguns privilegiados, na juventude).
Zacarias, mostrava-se espantado com os prodgios de seu
filho Joo Batista, com alguns de seus poderes inexplicveis
(semelhantes aos de Jesus) e confessava-se temeroso de
ensinar na mesma velocidade com que seu filho aprendia. E,
por isso, ele preferia que Joo Batista fosse educado de
maneira mais competente por sbios religiosos, estudiosos,
prximo a Belm, em Monte Carmelo ou Qunram. E, sendo
Joo Batista e Jesus praticamente irmos, e com claros dotes
especiais e incomuns de pessoas super especiais, ele,
Zacarias, entendia que seria bastante proveitoso para Jesus se
Jos permitisse que Jesus fosse aprender o ensino
fundamental (ler, escrever e interpretar) juntamente com
seu primo Joo Batista.
A primeira reao de Jos foi totalmente negativa. Era
inconcebvel entregar Jesus para Zacarias para que ele
enviasse Jesus e Joo Batista para serem educados por sbios
em um mosteiro em Monte Carmelo ou Qunram. A resposta
era "no", "no" e "no".
Jos, entre assombrado e curioso, questiona ento a Zacarias
se, sendo ele um sacerdote saduceu, no o incomodava ou se
no era um contra-senso confiar a educao de seu prprio
filho Joo a um grupo essnio. No que Zacarias contesta e
garante que quer para seu filho o melhor que a cultura
pudesse dar. Descontente com sua prpria religio, Zacarias
diz que Belm e Jerusalm esto  beira do caos, com
corrupo moral e de costumes, uma verso "moderna" de
Sodoma e Gomorra. Os ensinamentos religiosos dos
saduceus e dos fariseus estavam menos educando do que a
prpria ignorncia. Por isso, a melhor soluo para a
educao estava em tirar Joo Batista de Belm ou Jerusalm
e envi-los a quem pudesse dar bons ensinamentos de base e
uma slida orientao religiosa ortodoxa, pautada na
humildade, na caridade e na sabedoria do
autoconhecimento.
Zacarias, apelando para o sentimentalismo e para a dvida de
gratido, argumentou com Jos que pelo bem de seu filho
uma vez confiara a vida de Joo Batista a Jos, quando da
fuga para o Egito. Agora, no era s uma questo de
confiana, mas Jos deveria pensar primeiro no futuro e
bem estar de Jesus antes de quer-lo agarrado a si, sem dar
uma chance dele ter uma oportunidade de ser alguma coisa
diferente de um simples campons. E, de mais a mais, Jos
no poderia esquecer que Jesus iria ser tratado como a um
filho, como  habito entre os essnios, e que iria estar
permanentemente na companhia de seu quase irmo Joo
Batista, o que seria timo para a formao de carter e o
desenvolvimento de ambos.
Maria foi mais sensvel s palavras de Zacarias do que Jos.
Ela reconheceu de imediato que Zacarias iria fazer por Jesus
o mesmo que iria fazer por seu filho Joo Batista. Iria dar-lhe
a melhor instruo, o melhor preparo para a vida e quem
sabe ter at um destino conforme o previsto nas profecias...
e, de mais a mais, Maria e Jos no ficariam ss, vez que
estavam com um filho nascido h pouco (Tiago) e Maria j
estava grvida de outro.
E foi dessa maneira, com o apoio de Maria e com Jos meio
a contragosto, que Jesus foi enviado por meio de Zacarias
para ser educado junto com seu primo Joo Batista.
No incio, Joo Batista e Jesus foram enviados para a
iniciao dos ensinamentos no em Qunram, mas no mos-
teiro essnio em Monte Carmelo, ao sul de Belm e Jerusa-
lm, onde tiveram a instruo elementar. Posteriormente,
foram enviados para Qunram para a fase mais profunda e
madura do aprendizado.
Durante o perodo em que estiveram sob a orientao dos
essnios, Joo Batista e Jesus receberam vrias vezes as
visitas de seus pais, o que no era um fato comum entre os
internos do mosteiro. Nas principais festas religiosas eles iam
para a casa de suas famlias e para as celebraes festivas. E a
cada ano Joo Batista e Jesus iam passar uma curta temporada
em casa com seus pais, o que tambm era algo incomum, e
que denotava um tratamento especial e diferenciado que era
destinado a Jesus e a Joo Batista.
Esta liberdade de ir e vir e este procedimento pouco
comum, permitido a Joo Batista e a Jesus, criava um grande
embarao e constrangimento entre os essnios. Isto porque,
em geral as crianas eram entregues nos mosteiros essnios,
nas mais tenras idades, eram tratados verdadeiramente como
filhos, e somente aps estarem totalmente prontos, na
puberdade, com o carter bastante forjado com slidos
ensinamentos,  que voltavam a ter sadas mais freqentes
dos mosteiros e contatos com seus familiares. Entretanto,
percebendo a luz interior de ambos e os seres especiais que
eram Joo Batista e Jesus, foram-lhes concedidas condies
diferenciadas e especiais de tratamento.
Embora Jesus fosse pobre (e Joo Batista nem tanto), o
aprendizado da leitura e da escrita, assim como a
interpretao de textos, parbolas e ensinamentos era algo
incomum e quase inalcansvel para sua classe social. Essa
aculturao provocou uma gradativa ascenso social de Jesus,
que passou a freqentar e a privar de determinados grupos
sociais, antes inatingveis para a sua classe social.
Judeus convictos, circuncisados desde os oito dias do
nascimento (nota do autor, deixar a palavra circuncisado,
pois circuncidado  mais uma das tantas "preciosidades" de
dicionaristas), aos 12 anos Joo fez o seu tradicional Bar
Mitzvah (uma festividade judaica que consiste na entrada da
puberdade, onde a criana deve justificar e dizer aos adultos
como e porque merece adentrar  vida adulta), o que no se
constituiu numa grande surpresa, pois sendo Joo Batista um
filho de um sacerdote, presumia-se uma grande cultura
capaz de impressionar os mais velhos, no templo, no seu
discurso de entrada na juventude. Era algo esperado. Mas,
quando no ano seguinte Jesus fez seu Bar Mitzvah, que para
surpresa geral ningum esperava tamanha fonte de
conhecimento por parte de um humilde filho de campons,
foi algo absolutamente marcante, isto porque, alm de
demonstrar um incrvel e fantstico conhecimento,
incompatvel para um filho de campons (os religiosos do
templo no sabiam da instruo essnia de Jesus), e por isso
Jesus foi sendo mais e mais questionado pelos mais velhos, e
quanto mais questionado, mais conhecimento Ele
demonstrava. A ponto de estarrecer os sacerdotes e seniores
do templo, com tamanho conhecimento das leis religiosas,
bem como demonstrando uma impressionante cultura geral.
Inegavelmente, Jesus era o irmo destacado de uma famlia
comum, tradicional da poca. Nada de especial havia sido
manifestado em seus irmos. Tiago j estava bastante
crescido, com quase sete anos. Os outros irmos, Jos,
Simo, e Judas, eram crianas absolutamente normais, co-
muns. Sem que merecessem registro destacado. Mas, para
Jesus (e tambm para Joo Batista) de certa maneira, a che-
gada dos doze/treze anos acabou marcando no s uma
posio de passagem para a adolescncia, como exps de
maneira mais acirrada as contradies entre a doutrina e a
vida dos essnios e o convvio com os demais grupos judeus,
como os saduceus e os fariseus. As disparidades eram muito
grandes e gritantes.
Os essnios, por seu turno, no estavam contentes com os
rumos das vidas duplas de costumes diferentes de Joo
Batista e Jesus. Assim como eles (Jesus e Joo) no estavam
plenamente satisfeitos em ater-se a uma s cultura. A
curiosidade e a fome de saber consumiam os dois jovens. E,
coincidentemente, estava chegando o momento de ambos
decidirem (ou os pais de ambos) se iriam dar seqncia 
doutrina essnia, optando por tornarem-se mestre (rabi) ou
sacerdote essnio, ou se optariam por outro tipo de rumo ou
religiosidade.
De certo, certo mesmo, somente as slidas bases de cultura
geral e religiosa, passadas pelos essnios, que eles haviam
adquirido. Mas, isso era muito pouco ante o fogo e a fome de
saber que ardia em ambos, visto que eles ansiavam por mais
e mais conhecimentos, que eles sabiam que existia mundo a
fora, e que por esta razo no se contentavam com o que
tinham, apesar de muitos acreditarem que era conhecimento
suficiente. Mas que para eles era muito pouco.
A inquietude e o fogo da adolescncia empurravam Joo
Batista e Jesus para aventuras alm das terras da Palestina. Os
propalados mistrios do Egito e da ndia, e mais os desafios
de suas culturas e religiosidades, colocavam os agora jovens
Joo Batista e Jesus em verdadeiro estado de tormento e
nsia pelos desafios que se apresentavam.
Com a chegada da juventude aumentaram a inquietude, a
angstia e o tormento. O cho queimava sob seus ps.
Foram mais alguns anos vivendo a contragosto entre a
Galilia e a Judia, at que a fora e o mpeto da juventude
os empurrou definitivamente para o mundo de aventuras em
viagens de experincias fantsticas.
Foram viagens ao Egito (a sudoeste), para rever velhos
conceitos, ensinamentos e relembrar dos primeiros anos de
vida, quando haviam fugido para o Egito e passados os
primeiros anos de suas vidas. Mas, o principal motivo das
viagens era o de confrontar e adicionar novos conhecimen-
tos, verificando, de perto, cincias que despertavam enorme
curiosidade como o ocultismo, previses e o zoroastrismo
(Religio de Zoroastro ou Zaratustra, nascido na Mdia, no
sculo sete a.C., criador da casta dos magos e reformador do
masdesmo  religio antiga dos iranianos = persas e medas
-, caracterizada pela divinizao das foras naturais e pela
admisso de dois princpios em luta, aura-masda e arim (o
bem e o mal), do qual conservou-se a concepo dualstica
do universo.)
Como conseqncia da curiosidade pelos conhecimentos
egpcios (os essnios cultuavam muito a cultura egpcia e
respeitavam a influncia que tiveram da ramificao da
Grande Fraternidade Branca, fundada no Egito pelos
ascendentes do fara Akenatom, em cerca de 1450 a.C.),
interligado aos conhecimentos dos persas (Ir), e  cultura
budista da ndia e do Nepal, mormente referente  medita-
o transcendental dos monges tibetanos e aos ensina-
mentos humanitrios, pacifistas e adeptos da no-violncia,
isto sem falar em reencarnao, vida eterna e evoluo
espiritual (que o judasmo saduceu e fariseu se furtavam a
discutir e sequer queria ouvir falar), no tardou que uma
longa jornada fosse empreendida no sentido oposto ao Egito.
Ou seja, seguindo a Rota de Seda, a nordeste (Sria e Turquia)
e depois ao sudeste e sul, atravessando os pases hoje
conhecidos como Iraque, Ir, Paquisto, ndia e Nepal.
A vida de Jesus, dos 16 aos 28 anos, perodo em que esteve
em constantes viagens e aprendizado no extremo oriente,
pode ser lido em diversas publicaes de diversos
pesquisadores (conforme citado em grande bibliografia
anexa), mas de uma maneira sria e inconteste, pode ser
confirmado pela prpria igreja catlica, na biblioteca do
Vaticano, onde existem 63 (sessenta e trs) manuscritos
variados, em diversas lnguas orientais, referindo-se s via-
gens de Jesus ao extremo oriente: Egito, Arbia, Sria, Tur-
quia, ndia, Nepal e China, com especial vivncia na ndia e
no Nepal, onde Jesus era conhecido e chamado de "Issa",
conforme constatado em 1887 pelo pesquisador russo, da
Crimia, Nicolai Notovitch.
Outros manuscritos (atos e evangelhos) que tratam do
assunto, e que por isso mesmo haviam sido banidos pela
igreja nos primeiros quinhentos anos da era crist, foram
redescobertos e trazidos por missionrios cristos, entre eles
os Atos de Tom, publicados em 1823, Atos de Barnab,
publicado em 1870, o evangelho de Pedro 1893, o evange-
lho secreto de Tom, descoberto no alto Egito, em 1945,
dois anos antes (1947) dos manuscritos (Qunram) do Mar
Morto.
Outro que pesquisou a fundo estes documentos no Vaticano
foi o alemo Holger Kersten, o que ensejou a autoria do
livro "Jesus viveu na ndia", onde descreve com riqueza de
detalhes a longa estada de Jesus ("Issa") na ndia e no Nepal.
E no diferente so os estudos e pesquisas do telogo-
pesquisador russo Nicolai Notovich, que alis foi o primeiro
a descobrir (em 1887) os manuscritos sigilosos da biblioteca
do Vaticano, e que foram por muito tempo ocultados do
mundo cristo, assim como seu livro "A vida desconhecida
de Jesus" (The unknown life of Jesus).
Portanto, escrever sobre a vida de Jesus, dos 16 aos 28 anos,
baseado em manuscritos do Vaticano e livros srios j
editados e confirmados, parece ser um ato repetitivo e que
muito pouco acrescentaria ao relato atual sobre a vida de
Jesus, vez que o foco de nossa abordagem  especificamente
"A Sociedade Secreta de Jesus".
Assim sendo, retornemos a Jesus e Joo Batista, aos 27 e 28
anos, aps as longas viagens de ambos ao extremo oriente.
De volta  Palestina, impregnados de novos e slidos
conhecimentos religiosos, do zoroastrismo ao budismo, com
uma viso espiritualista amplificada, Jesus e Joo Batista
deparam-se com uma terrvel corrupo de costumes, da
Judeia  Galileia. Era como uma anteviso muito prxima de
Sodoma e Gomorra. Havia uma sria inverso de valores e
uma tremenda injustia social que infelicitava e empobrecia
cada vez mais o povo.
A poltica dos romanos era perversa. Exigiam mais e mais,
cada vez mais e contavam com total apoio e cumplicidade da
elite dos judeus (saduceus) para ajudar cada vez mais a
Roma. Enquanto que os judeus pobres e os gentios (no-
judeus) viviam em lastimvel estado de misria.
A ttica dos romanos era mais ou menos simples: No
impunham seus Deuses e as vrias divindades do panteo
romano, e permitiam que a elite dos judeus (saduceus),
sabidamente corrupta e canalha, controlasse o povo pela
religio casustica deles e pela cega e inconteste adorao a
Jav. Em troca, exigiam que os saduceus sangrassem o povo
ao mximo, com tributos escorchantes, para "honra e glria
de Roma". E com isso o povo tinha que trabalhar mais e
mais, cada vez mais, para sustentar essas duas classes da elite
parasitria.
 certo que isso (injustia social e corrupo de costumes,
principalmente a desenfreada libertinagem que havia se
instalado nas classes dominantes) revoltava e indignava
terrivelmente a Joo Batista e a Jesus. Mas cada um tinha sua
revolta particular dirigida para um foco da questo.  Joo
Batista indignava mais a promiscuidade, a libertinagem, a
devassido e a corrupo de costumes.  Jesus indignava
mais a corrupo religiosa, pois os templos haviam se
transformados em verdadeiros mercados e casas de cmbio,
onde alguns dos impostos s poderiam ser pagos com a
moeda "tetradracma tria", que obrigatoriamente tinha que
ser trocada no templo dos saduceus (como se fosse uma casa
de cmbio), enquanto que ao mesmo tempo os espertalhes
saduceus obrigavam  sob ameaa dos "fiis" arderem em
fogo eterno do inferno  aos pobres coitados ansiosos por
melhorar de vida, que para melhorarem de vida tinham que
fazer sacrifcio de animais, comprar amuletos e oferendas no
templo, pagar dzimo, e seguir determinados rituais que
beneficiavam diretamente os gerentes e mercadores do
templo.
O poder de explorao da ignorncia alheia pelos gerentes e
mercadores do templo dos saduceus era de tal ordem que
aos pobres "fiis", amedrontados ante o fogo eterno do
inferno, nem o direito de trazer seus prprios animais para
serem sacrificados era permitido. Nem trazer sua gua para
ser benzida. Nem trazer seus azeites e leos para serem
benzidos. Nem trazer seus prprios amuletos. Tudo isso era
considerado impuro pelos vigaristas do templo. Os "fiis"
ignorantes s podiam oferecer em holocausto animais
"puros", comprados com exclusividade no templo dos
vigaristas. A gua, os azeites, os leos e os amuletos para
serem santos, bentos, tinham que ser "puros" e para isso
tinham que ser comprados no templo dos gerentes, sacer-
dotes e mercadores vigaristas, que detinham uma exclusiva
reserva de mercado, concedida por Roma  em retribuio
 subservincia dos saduceus e fariseus  e que ao mesmo
tempo era garantido pela ignorncia do povo ameaado pela
igreja. (Esta explorao religiosa da ignorncia, desejada e
mantida por uma igreja que se pretende fazer e manter
prspera, em benefcio dos gerentes do templo, foi o que
tanto irritou Jesus a ponto de  em determinada ocasio 
perder o controle e expulsar os vendilhes do templo).
No se pode nem dizer que as lutas de Joo Batista e Jesus
ficaram centradas somente neste aspecto de revolta contra a
explorao do povo e as desigualdades sociais. Claro que isso
no  a verdade inteira. Isso era, tambm, um tema e um
assunto de interesse permanente dos revolucionrios
ultranacionalistas zelotes. Que infelizmente tinham uma
viso desfocada do problema e a tudo atribuam a culpa a
Roma, esquecendo-se que seus prprios irmos judeus
(saduceus e fariseus) eram os maiores culpados de tudo.
No se pode esquecer e nem perder de vista que de alguma
forma este aspecto de uma vida corrupta e mundana de
romanos, saduceus e fariseus, influenciou o direcionamento
e a vida de Joo Batista e de Jesus.
Estas corrupes, religiosa  que tanto revoltou, irritou e
angustiou Jesus  e a de costumes, pela degradao de
valores morais, ligados  libertinagem e devassido  que
tanto revoltou, irritou e angustiou Joo Batista, acabaram
sendo decisivas para suas vidas e responsveis pela "sorte" e
tragicidade de seus destinos.
Os quase irmos, Joo Batista e Jesus, decepcionados com a
permissividade e corrupo instalada por toda a Palestina,
vendo e assistindo a degradao de Belm e Jerusalm
espalhando-se por toda a Judia e Galileia, voltam ento ao
mosteiro essnio em Qunram para retomar seus antigos
contatos, trocar conhecimentos e experincias com os
"irmos" essnios, e estabelecer uma forma de resistncia e
luta contra o que estava acontecendo com o povo hebreu
(judeu).
Puros como o branco das roupas que vestiam (conforme j
explicado, o branco no era uma cor to comum quanto
possa parecer. Ao contrrio, eram raros os tecidos brancos,
bem brancos, pois como os tecidos eram todos feitos
artesanalmente, por isso tinham a cor crua original e
caracterstica dos tecidos (bege) ou a cor de seus tingimentos
mais berrantes: vermelho, azul, amarelo, etc. Exceto o bran-
co que era uma descolorao difcil de ser conseguida) os
essnios juntaram-se a Joo Batista e a Jesus em suas preo-
cupaes quanto  corrupo de costumes que havia tomado
conta do povo hebreu (judeu), associado  degradao dos
romanos.
Algo deveria ser feito para conter aquele avano
incontrolvel de devassido e corrupo. E foi exatamente
diante deste quadro que um grupo de essnios (no era a
maioria) resolveu organizar um combate sistemtico  po-
drido de costumes que campeava pelas cidades.
Inicialmente falavam em ir s ruas fazer pregaes e usar o
poder de convencimento. Mas esta idia encontrou bastante
resistncia por vrios motivos. Primeiro, porque os essnios
mais velhos e tradicionais primavam pela vida reclusa dos
mosteiros e no se aventuravam por pregaes abertas em
ruas. Segundo, porque a pregao aberta em ruas envolveria
crticas alm da religiosidade e esta no era a finalidade da
religio essnia. Alis, sem sucesso os zelotes j criavam
tumulto suficiente (e sem muito sucesso) combatendo e se
insubordinando contra a corrupo de costumes dos
romanos, dos saduceus e dos fariseus. Terceiro, porque
grande parte das crticas iria encontrar resistncia religiosa
junto aos grupos saduceus e fariseus, com conseqncias
drsticas para os essnios, onde a menor delas seria a
perseguio pessoal aos essnios: Quarto, porque
identificando abertamente os revoltosos essnios eles seriam
presas fceis e colocariam em risco no s suas vidas como a
de seus familiares.
Era uma situao extremamente difcil, mas da necessidade e
do debate surgiu ento uma soluo alternativa, qual seja:
uma irmandade, uma fraternidade, uma sociedade agindo
secretamente  em princpio desvinculada dos mosteiros
essnios  visando combater a corrupo de costumes e de
religio, onde seus membros usariam nomes falsos de
batismo de modo a dificultar as suas identificaes e para
no terem seus parentes, familiares e amigos perseguidos.
Suas regras de funcionamento eram bastante simples. Iriam
fazer pregaes dos conceitos religiosos tradicionais dos
essnios (ampliados e associados aos conhecimentos
religiosos adquiridos por Joo Batista e por Jesus, quando de
suas viagens ao extremo oriente. Basicamente ndia, Nepal e
China); iriam revolucionar e despertar a religiosidade de
cada pessoa, iniciando pelo renascimento, pelo batismo,
dando a cada alma uma nova oportunidade de renascimento
e uma vida nova a cada pecador. Iriam manter rituais
sagrados como a eucaristia (po e vinho) para selar os laos
da arca da amizade. Iriam pregar a paz e o amor acima de
todas as coisas, pois s a paz e o amor conduzem  harmonia
com Deus. Iriam pregar a busca da verdade como meta a ser
alcanada, sempre, como uma forma de libertao (at para
que os fiis parassem de ser enganados por pregadores
vigaristas). Iriam pregar a reencarnao e a vida eterna,
como a base da esperana de vida do ser humano e
estabelecer um ritual de reza (mantra) com as principais
aspiraes do ser humano, conforme encontram-se
colocadas no hino dos essnios, sobre as bem-aventuranas.
Estas eram as principais metas de orientao. Mas ainda
faltava a questo prtica de operacionalidade. Ou seja, como
fazer isso tudo funcionar sem despertar a ira dos saduceus e
dos fariseus.
Assim como a sociedade dos essnios, a sociedade secreta
que dali estava surgindo iria ser dividida por respon-
sabilidades. Os mais capacitados iriam formar a base da
sociedade secreta, num grupo de doze mestres, rabinos, que
iriam buscar a evoluo dentro do grupo, para que
posteriormente cada um dos doze mestres viesse a formar
seu prprio grupo de doze, onde cada um dos doze formaria
novo grupo de doze discpulos e assim sucessivamente,
numa progresso matemtica assustadora. Ou seja, a misso
no buscava somente convencer o discpulo s convices
religiosas, mas convenc-lo a convencer outros, que
convenceriam outros e assim sucessivamente, sempre em
grupos fechados e sucessivos de doze.
Para que os membros da sociedade secreta no pudessem ser
identificados publicamente, ou pelo menos dificultar a sua
identificao, todos teriam um novo nome dentro da
sociedade, adquirido depois de um batismo especialmente
feito para celebrar a entrada de cada membro na sociedade
secreta, e por este nome deveriam ser tratados em pblico
para que nenhum vnculo pudesse ser estabelecido com suas
famlias e seus amigos, ou que pelo menos fosse dificultado a
identificao direta, e com isso preservar a segurana
familiar e o crculo de amizades dos pregadores.
O smbolo da sociedade seria o peixe, um dos poucos seres
vivos que comiam e que representa o milagre da vida, a
fonte de energia e alimentao da sabedoria dos seres
humanos e a perpetuao das espcies, pois mesmo sendo
adeptos de um parcial vegetarianismo, os essnios enten-
diam que o homem precisava de nutrientes animais para a
sua dieta, sustentada pobremente  base de vegetais, e que o
peixe e o sal, ligado ao peixe, tinham um significado sim-
blico de sobrevivncia do ser humano e por isso o peixe foi
escolhido como um smbolo muito especial para a sociedade
secreta originria dos essnios ("Vs sois o sal da terra.
Imprescindveis. Sem o sal no h gosto, no h vida. Sem o
peixe no h alimento que haste ao homem sobre a Terra, e
sem alimento o homem no vive").
E aperfeioando o smbolo do peixe, foi sugerido que o
perfeito equilbrio e a perfeita harmonia do peixe seria
exatamente a colocao de dois peixes em posies opostas.
Ou melhor, um peixe com a cabea apontada para a cauda
do outro, dando a dimenso exata da harmonia e do
equilbrio, que poderiam significar, o bem e o mal, o certo e
o errado, o dia e a noite, o corpo e a alma, a matria e o
esprito, num eterno dualismo.
Do smbolo do peixe surgiu o sinal (cdigo) de comunicao
secreta da sociedade em pblico. Pois, os membros da
sociedade, que eventualmente no se conhecessem entre si,
ou que quisessem ter uma conversa reservada, longe dos
olhos das demais pessoas identificavam-se pelo desenho do
peixe. Ou seja, faziam um arco como se fosse um
semicrculo, abrindo os dedos polegar e indicador, e o outro
membro da irmandade fazia o mesmo, e em seguida
tocavam polegar com polegar e faziam o dedo indicador
passar pelo indicador de seu companheiro, completando,
com isso, o desenho de um peixe.
Vezes havia em que este mesmo desenho era feito riscando-
se na areia, com gravetos ou com os prprios dedos, fazendo
cada um o seu semicrculo, que juntos, ao se cruzarem,
perfaziam o desenho do peixe.
Partindo do planejamento terico para a prtica, ini-
cialmente foram nomeados doze jovens mestres (Jesus, Joo
Batista, Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob, Aaro, Josias,
Nicodemos, Ams, Silas e Osas), indicados pelos doze
mestres veteranos que dirigiam a comunidade essnia. Estes
mestres veteranos, que elegeram os doze membros da
sociedade secreta, mas que a ela no pertenciam, em prin-
cpio no iriam se envolver diretamente com as atividades
da sociedade secreta, mantendo suas vidas normais como
mestres essnios, reclusos nos mosteiros. Enquanto isso,
cada um destes doze jovens mestres (rabi), membros da
sociedade secreta, deveria ir buscar junto ao povo, atravs de
pregao, doze discpulos (cada um) para segui-los e levar
adiante a sociedade secreta, para que no futuro cada
discpulo constitusse sua prpria irmandade de doze, e
assim sucessivamente. Este era o sistema de irradiao de
idias que daria sustentao prtica  sociedade ou irman-
dade.
Para cada um dos membros da sociedade secreta, alm das
atividades normais desenvolvidas, caberia uma atividade
especfica e prioritria. A Jesus coube a pregao visando a
recuperao da religiosidade e a recomposio das tradies
religiosas, contra o mercantilismo dos templos. A Joo
coube a pregao contra a libertinagem, a devassido, e a
corrupo dos costumes. Aos outros dez (Benjamim,
Samuel, Isaac, Jacob, Aaro, Josias, Nicodemos, Ams, Silas,
Osas) coube temas diferentes como orientadores de suas
pregaes e objetivos.
E foi com esta sociedade secreta instituda e constituda
dessa forma que Jesus e Joo Batista iniciaram as suas
pregaes especficas pela Judeia e pela Galileia, cumprindo
a grande orientao e determinao da sociedade essnia: 
"Ide. Batizai a todos. Pesquem almas como peixes".
Em muito pouco tempo, Joo Batista na Judeia e Jesus na
Galilia j haviam conquistado seus doze discpulos, embora
vivessem rodeados de um nmero muito maior de
seguidores do que o nmero de doze discpulos. A
receptividade s suas pregaes eram fantsticas, imediatas,
muito alm do que havia sido planejado ou esperado. Eles
diziam exatamente aquilo que o povo, cansado da de-
gradao moral e religiosa, queria ouvir. Logo se formavam
imensos grupos e pequenas multides para ouvir os prega-
dores essnios, sem que fosse dito  obviamente  que
eles eram essnios ou sequer que pertenciam a qualquer
religio. Pois at mesmo nos templos dos saduceus eles
faziam as suas pregaes livremente, como rabinos inde-
pendentes, vez que eles no se definiam a que ramo hebreu
pertenciam. Foi uma revoluo de pregao religiosa como
nunca dantes vista.
s margens do Lago Genesar (Mar de Tiberades ou Mar da
Galilia), com todos os seguidores reunidos, especialmente
convocados para uma grande reunio, Jesus explicou que,
dentre todos, dezenas de seguidores, Ele iria convocar 12
(doze) discpulos que iriam assumir a funo de apstolos e
que iriam segu-lo permanentemente. E aps a escolha dos
doze discpulos, Jesus explicou a cada um o funcionamento
da Sociedade Secreta de Jesus, de modo a que cada um dos
doze se tornasse responsvel pela difuso e propagao das
idias da sociedade secreta.
Os discpulos escolhidos eram, e sua esmagadora maioria, da
Galilia, e por isso tinham uma forte ligao com o mar, com
a pesca, com o peixe, at por serem, na maioria, pescadores
ou viverem nas proximidades do mar. Os 12 (doze)
primeiros discpulos a quem Jesus batizou como membros
da Sociedade Secreta de Jesus foram: Simo a quem Jesus
batizou como Pedro; Andr irmo de Simo/ Pedro;
Bartolomeu a quem Jesus batizou como Natanael; Levi a
quem Jesus batizou como Mateus; Tom a quem Jesus
batizou como Ddimo; Tiago a quem Jesus batizou como
Boanerges Maior; Joo irmo de Tiago e filho de Zebedeu, a
quem Jesus batizou como Boanerges Menor (os irmos
Filhos do Trovo); Tiago irmo de Judas Tadeu e filho de
Alfeu; Judas Tadeu irmo de Tiago e filho de Alfeu; Filipe;
Simo o cananeu e Judas Iscariotes, que por ser o mais
prximo e chegado a Jesus e de sua maior confiana foi
escolhido como o tesoureiro da irmandade de Jesus. Isto
porque, em cada irmandade de 12 membros sempre havia
um tesoureiro, independente, para que cada irmandade
trabalhasse de forma autnoma e independente, ficando o
tesoureiro responsvel pelo controle das doaes recebidas e
do fruto do trabalho de cada um dos membros da sociedade,
de modo a garantir a manuteno e sustento da irmandade.
Junto com a nova vida os discpulos eram instrudos da
importncia do novo nome que assumiam perante a
Sociedade Secreta de Jesus e as razes de se ter uma outra
identidade, de acordo com os preceitos da sociedade a que
agora pertenciam. E como uma recomendao de prtica
religiosa, seguiam o conselho de Jesus:
 "Ide pelo mundo. Eu vos dou a Minha autoridade. Pregai
a liberdade, a vida nova e a revoluo pela paz. No carre-
guem nada exceto o que Deus vos deu. Usem vestimentos
simples, carreguem somente um cajado e calcem as sandlias
da humildade do pescador. Eu vos farei pescadores de
homens. Batizai a todos. Pescai almas como peixes. E Eu
estarei convosco at o fim dos tempos.", Disse Jesus.
Alm dos doze discpulos, Jesus foi chamando e batizando
um a um de seus demais seguidores (eram dezenas, no
incio, e chegou rapidamente a milhares posteriormente),
sem dar-lhes novos nomes, pois o batismo especial da
sociedade secreta era aplicvel somente aos doze membros,
apstolos, discpulos da Sociedade Secreta de Jesus. E pelo
batismo aos demais seguidores Jesus foi purificando-os pela
gua, e explicando o significado e a importncia do batismo,
demonstrando que  partir daquele ritual cada um estaria
tendo a oportunidade de comear uma vida nova, in-
dependentemente dos erros e dos pecados anteriores. Essa
era a idia da converso batismal.

(Nota do autor: A fim de evitar confuso de alguns nomes ao
longo do relato, esclarea-se que existiam muitos nomes
comuns e corriqueiros para a poca, razo pela qual deve-se
fazer distino entre eles, quais sejam:
        Tiago irmo de Joo e filho de Zebedeu
        Tiago Irmo de Judas Tadeu e filho de Alfeu
        Tiago irmo de Jesus e filho de Jos
        Judas (Tadeu) irmo de Tiago e filho de Alfeu
Judas (Iscariotes), o tesoureiro, a quem atribuiu-se traio.
        Judas irmo de Jesus
        Jos pai de Jesus
        Jos irmo de Jesus  Jos (de Arimatia)
        Simo discpulo a quem Jesus chamou de Pedro.
        Simo irmo de Jesus
        Simo o cananeu
Joo (Batista)  Primo de Jesus, que batizou Jesus e teve
uma vida fantstica, paralela  de Jesus.
        Joo (Evangelista)  A quem atribui-se um dos evange-
lhos e que vaidosamente e pernosticamente arrasta seus
escritos insinuando-se como "o discpulo a quem Jesus
amava" (Como se Jesus s amasse a ele)
        Maria me de Jesus
        Maria (Madalena) seguidora de Jesus
        Maria irm de Jesus
        Maria irm de Lzaro

Na escolha dos discpulos de Jesus e de Joo Batista, de
imediato, apresentou-se uma grande e quase irreconcilivel
diferena. Pois, enquanto Joo Batista escolheu, como
discpulos, basicamente jovens de vida regular e correta,
praticamente sem grandes vcios aparentes e que por isso
mesmo foram facilmente doutrinados, Jesus escolheu uma
corja, um bando totalmente heterogneo. Pessoas comuns, a
maioria muito mais velha do que ele, com muitos vcios e
muitos pecados, inclusive com descrentes e materialistas
absolutos dentre eles.
Certa feita, aps um banquete na casa de Levi, o publicano
(coletor de impostos) a quem Jesus batizou como Mateus (a
quem atribui-se um dos evangelhos), a ttulo de provocao,
uns fariseus questionaram Jesus por ter Ele se banqueteado
com comerciantes, coletores de impostos, prostitutas e
vagabundos que bebiam e tinham grandes vcios. No que
Jesus respondeu que no so os que tm sade que precisam
de mdico, mas os que esto doentes. No foram os justos,
mas os pecadores a quem Ele veio chamar. Demonstrando
claramente, com isso, que Seus discpulos e Seus seguidores
no so santos e muito mais do que isso, so declarados
pecadores, pessoas normais, comuns, e que pelo batismo
estavam renascendo para a vida. (Parcialmente relatado em
Lucas 5:27-32)
        "Mas alguns de seus discpulos sequer acreditam em Deus,
so materialistas como ele, Tom".  Retrucou o fariseu.
        "Mais uma razo para t-lo entre os Meus. Existe maior
mrito do que a converso de um descrente?"  Acrescen-
tou Jesus.
Insistindo nas provocaes, os fariseus tentam jogar os
discpulos e os conceitos de Joo Batista contra Jesus,
dizendo que os discpulos de Jesus no eram como os de
Joo Batista. Os discpulos de Jesus no jejuavam, no faziam
oraes antes das refeies, no faziam ablues (higiene
antes e aps as refeies), eram mal educados e agiam como
animais. No que Jesus retrucou, entre conformado e com
graa, que no se pe remendo novo em pano velho, como
que a explicar que existiam coisas muito mais profundas a
serem ensinadas aos discpulos e  humanidade do que jejuar
ou fazer higiene s refeies. Eles iriam mudar no que fosse
preciso, ou seja, na questo religiosa, mas que poderiam
continuar mantendo velhos hbitos, pois ningum muda
tudo radicalmente, de uma hora para outra, e para Jesus
bastava que eles mudassem o essencial. (Parcialmente
relatado em Lucas 5:33-39)
No fundo, Jesus reconhecia que o caminho dos discpulos
era longo, rduo e no era pelo fato d'Ele hav-los
escolhidos que se deveria esperar desses discpulos uma
imediata santificao e beatificao (Alis, se a santificao
feita por homens j  um erro, outro erro muito maior e
mais terrvel ainda  essa automtica santificao destes
discpulos, pela igreja, considerando-os como "santos ho-
mens" baseado somente no fato de Jesus t-los escolhidos
para discpulos, e no pelos seus mritos de vida).
Jesus no se incomodou com as provocaes dos fariseus.
Sabia muito bem que estas no seriam as nicas provocaes
e que muitas outras viriam. E com esta certeza, um tanto a
contragosto, Jesus d continuidade  sua pregao na
Galilia, mesmo sabendo que seu alvo era e deveria ser
Jerusalm, pois a sua maior meta era o faranico templo de
Jerusalm, onde estava o corao da religiosidade dos
saduceus e dos fariseus, e por conseqncia o foco da
corrupo religiosa.
Lentamente Jesus vai fazendo pregaes cada vez maiores,
em Cafarnaum, e aos poucos vai conquistando adeptos em
todos os lugares por onde passava: Genesar, Corozaim,
Betsada, Tiro, Sidnia. Por onde passava arrastava multides
de adeptos s suas pregaes e aos seus ensinamentos
religiosos, absolutamente revolucionrios para a poca.
Enquanto isso, os outros 11 (onze) lderes religiosos da
sociedade secreta (Joo Batista, Benjamim, Samuel, Isaac,
Jacob, Aaro, Josias, Nicodemos, Ams, Silas, Osas) trata-
vam de arregimentar 12 (doze) discpulos cada um, e espa-
lhar as idias da nova ordem religiosa.
De longe, acompanhando tudo com muita curiosidade e
apreenso, os 12 lderes (mestres) essnios permaneciam no
mosteiro e coordenavam a irmandade monasterial dos
essnios, que no necessariamente intervinham diretamente
na sociedade secreta composta pelos novos 12 jovens
mestresQesus, Joo Batista, Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob,
Aaro, Josias, Nicodemos, Ams, Silas, Osas) que havia sido
formada  partir da fraternidade essnia, e da qual Joo
Batista e Jesus eram destacadamente considerados mais do
que mestres ou rabi, mas como messias.
Sendo Joo Batista e Jesus os messias que a comunidade
essnia esperava, e no tendo ainda sido ambos batizados,
pois eles eram tidos como essnios desde criana quando
estudavam no mosteiro, da no haver sentido em um ba-
tismo imediato de quem j era purificado desde a infncia...
Entretanto, como eles iriam continuar pregando o batismo
como forma de renascer para uma vida nova, ainda em vida,
nada mais natural que eles mesmo (Jesus e Joo Batista)
fossem oficialmente e formalmente batizados.
Surge ento a grande dvida: Se eles iriam ser batizados,
quem os batizaria?
Eis que chegam, ento,  concluso de que ambos deveriam
ser batizados publicamente, em cerimnia de grande
conhecimento de todos e que Joo Batista batizaria Jesus e
Jesus batizaria Joo Batista, numa simblica igualdade, a fim
de evitar conflitos. Vez que quem batizasse Jesus ou
batizasse Joo Batista seria tido como um ser humano pri-
vilegiado. Um privilgio que a nenhum essnio jamais seria
concedido.
Em razo desta deciso, Jesus  chamado  Judia para o seu
batismo e a ambos (Joo Batista e Jesus)  comunicado a
deciso dos 12 mestres sbios essnios a respeito do batismo
recproco.
Jesus e Joo Batista passam, simultaneamente aos seus
discpulos e  comunidade essnia, a imagem messinica da
condio de quase irmos. Cada qual enaltecendo o outro e
julgando-se inferior ao seu quase irmo e atribuindo-lhe a
condio de verdadeiro messias salvador.
Jesus se ope a batizar Joo Batista e diz que no existe entre
os homens, nascidos e a nascer, algum que se iguale a Joo
Batista. E garante que Joo Batista, sim,  o verdadeiro
messias.  "Ele  o Elias que est por vir."
Joo Batista, por sua vez, se ope a batizar Jesus. Per-
guntando:  "Quem sou eu para batizar a Ti? Eu  que
tenho a necessidade de ser batizado por Ti. E Tu vens a mim
para que eu te batize?"
E foi ante a este impasse, que a comunidade essnia tomou a
salomnica deciso de ambos batizarem-se mutuamente. O
que de fato ocorreu com grande pompa e circunstncia, pois
era algo to inusitado, to fabulosamente espetacular, que foi
tido como um dos eventos religiosamente histricos mais
importantes acontecido na humanidade.
Contando com a presena dos doze discpulos de Joo
Batista, dos doze discpulos de Jesus, dos discpulos dos
outros dez lderes da sociedade secreta, dos demais mem-
bros da irmandade essnia, cerca de trezentas pessoas as-
sistiram, no Rio Jordo, ao batismo de Joo Batista e de Jesus.
Primeiramente, Jesus batizou Joo Batista, nas guas do Rio
Jordo, numa cerimnia absolutamente carregada de uma
energia fantstica que tomava conta de todos. Em seguida,
Joo Batista comeou a batizar Jesus.
Segundo alguns, no momento em que Joo Batista estava
batizando Jesus, uma pomba branca pairou por alguns
instantes sobre a cabea de Jesus, e em razo deste
acontecimento, atribuiu-se como um sinal do Esprito Santo
a presena da pomba, indicando que, entre os dois, Jesus
teria sido escolhido como o messias salvador e que Joo
Batista seria o messias que iria anunciar a vinda do Salvador,
o Cristo. E de fato Joo Batista disse para que todos
ouvissem: "Tu s o Cristo. Tu s o Salvador. Que a irmandade
te conhea como XPTO"
 partir daquele instante, Joo Batista assumiu a sua sina de
pregar a vinda do messias e de lutar contra a devassido, a
libertinagem e a corrupo de costumes instalada por toda a
Palestina. E de imediato iniciou esta sua misso por uma
pregao pelo deserto, para que nenhum canto ficasse sem
ouvir a boa nova da vinda dos novos tempos com a chegada
do messias salvador.
Da rdua peregrinao do deserto, Joo Batista volta aps
longo jejum, comendo somente pes no fermentados, uvas
secas e alguns gafanhotos encontrados no deserto. E
satisfeito pela misso cumprida, por falar e anunciar ao vento
e aos quatro cantos vazios do mundo a vinda do messias,
Joo Batista retorna  cidade para a complementao de sua
obra, iniciando por Jerusalm.
Jesus, por seu turno, temporariamente afastado da Galilia,
principia tentar acomodar seus discpulos nas terras da
Judia. E j conformado por ter sido ungido por Joo Batista
como o messias, como o Cristo, assume a sua misso e sina
como o messias salvador, e por conseqncia a identidade
de XPTO (letras que designam, na comunidade secreta, o
Cristo).
Embora tivessem tido a mesma educao, as personalidades
de Jesus e a de Joo Batista eram marcadamente diferentes.
Pois enquanto Jesus era mais calmo, comedido e manso,
Joo Batista era mais explosivo, mais impulsivo, mais
vibrante messianicamente.
Dentro do seu estilo e comportamento, Joo Batista
questiona seu quase irmo Jesus sobre as suas amizades com
bbados, vagabundos, desocupados e prostitutas. E at
mesmo a escolha dos discpulos de Jesus foi objeto de crtica
por parte de Joo Batista.
Jesus, com um leve sorriso e com a serenidade e calma que
Lhe era peculiar, responde a Joo Batista, com um certo
humor nos lbios, o mesmo que havia respondido aos
fariseus. Ou seja, Ele estava interessado nos que haviam que
ser curados e no por aqueles que no necessitavam de cura.
Joo Batista contra-argumenta que ele, Joo, no teria como
criticar os corruptores sociais se Jesus andava em bando com
pecadores, vagabundos, bbados e prostitutas, e que at
mesmo entre seus discpulos vrios exemplos destes eram
visveis e reconhecidos.
Jesus, mantendo a serenidade messinica, responde
aconselhando a Joo Batista:  "No critique os que esto
errados, Joo. Recupere-os. No amaldioe a escurido.
Acenda uma luz."
Reconhecendo a clareza de raciocnio de Jesus, seu quase
irmo, eis que Joo Batista aceita a lio e volta  sua misso
de pregao em Jerusalm.
Jesus, por seu turno, tentava administrar um bando quase
que incontrolvel. Eram vaidades exacerbadas, brigas por
posies dentro do grupo, disputas por proximidades com
Jesus (para ver quem ficava mais prximo ou mais perto de
Jesus), cimes terrveis. Era realmente um bando disforme
onde quase todos brigavam com todos.
Pedro tinha cimes terrveis da amizade de Jesus com Maria
Madalena, a quem Jesus freqentemente beijava na boca.
Mateus era olhado com desdm por ser um publicano
(coletor de impostos), que era muito mal visto pelos povos
dominados, como um explorador. Tom era de uma incre-
dulidade a toda prova. Faltava pouco para ser ateu. Tiago e
Joo (Evangelista) eram um poo s de vaidades. Inclusive
chegaram ao desplante de pedirem  sua prpria me que
rogasse a Jesus para que Ele deixasse que os dois sentassem 
sua esquerda e  sua direita como smbolo mximo da
vaidade e do privilgio pessoal. Sem falar no ridculo e na
futilidade de Joo (Evangelista), posteriormente, atravessar
um evangelho inteiro referindo-se a si mesmo como "o
discpulo a quem Jesus amava", como se Jesus amasse s a
ele. E Judas Iscariotes, a quem Jesus tratava com especial
carinho e amizade, demonstrando ter mais proximidade com
ele do que com os demais, gerando grandes cimes e at
porque Judas era o tesoureiro da sociedade, cargo de extrema
confiana, mas que  por despeito  reiteradamente era
acusado de materialista, apegado ao dinheiro e a valores de
propriedade. Quase ningum escapava s brigas por posies
dentro do grupo, s vaidades exacerbadas e aos cimes
mesquinhos.
No bastassem os problemas que Jesus tinha com seus
prprios discpulos e com as provocaes feitas pelos
saduceus e pelos fariseus, uma coisa preocupava a Jesus mais
do que tudo no mundo: era a posio extremamente crtica
de Joo Batista, que de maneira quase que suicida, apontava
abertamente os erros das maiores autoridades e governantes.
Praticamente esquecendo a recomendao de Jesus para
salvar e recuperar antes de criticar, para trazer a luz ao invs
de amaldioar a escurido, Joo Batista passou a criticar
abertamente o governante mximo, Herodes Antipas, por
ele estar tendo relaes carnais esprias com a sua cunhada,
Herodade, esposa de seu irmo Filipe.

(Nota do autor: Com o afastamento de Arquelau, pelas tantas
loucuras que cometeu e corrupes que praticou e
acobertou, seu irmo Herodes Antipas havia assumido o
controle no s da Galileia, que lhe era de direito, como o
controle da Judia, deixada por Arquelau. E em razo disso,
Herodes Antipas, agora, no s governava, como tinha
palcios na Galilia assim como na Judia)

E tantas crticas abertas Joo Batista fez ao relacionamento
de Herodes Antipas e Herodade, que pressionado por
Herodade (a esta altura considerada publicamente como
uma vagabunda real, amante do rei), Herodes Antipas
resolve mandar prender Joo Batista. Priso esta que tinha a
finalidade muito mais intimidativa para tentar silenciar Joo
Batista do que propriamente punitiva, vez que Herodes
tinha muito medo pessoal de Joo Batista e de suas maldi-
es. Sem contar o grande receio de fazer-lhe algum mal,
por causa de uma possvel reao popular por estar tirani-
zando um profeta respeitado e adorado pelo povo.
Ao contrrio, sem medo algum, mesmo preso, Joo Batista
enfrenta Herodes Antipas e diz que no  a ele, Joo Batista,
que Herodes Antipas deve temer, e sim a Jesus, o messias
que ir fazer um novo reino na Terra. E, complementando,
Joo Batista profetiza para Herodes Antipas:  "Aquele que
vem depois de mim  muito mais poderoso do que eu. Eu
no sou sequer digno de Lhe levar as sandlias."
Com medo de Joo Batista e ao mesmo tempo no querendo
se indispor com Herodade, Herodes Antipas mantm por
algum tempo Joo Batista em crcere, mas com planos de
solt-lo na primeira oportunidade. At que Herodade
engendra um plano de vingana terrvel contra Joo Batista.
Sem o menor pudor, usando a prpria filha, Salom, como
arma e instrumento, Herodade convence sua filha Salom a
oferecer-se, tambm, na cama, como concubina ao seu
cunhado e amante Herodes Antipas e com ele partilhar o
leito, no sem antes faz-lo assumir publicamente a sua
palavra imperial de que, em troca, satisfaria ao menos a um
grande desejo de Salom.
Isto planejado e feito, Salom oferece-se em leito a Herodes
Antipas (seu padrasto) e logo aps, numa festividade no
palcio, dana lascivamente, provocativamente,
publicamente, no salo principal do palcio, na presena de
todos.
Extasiado, Herodes Antipas enaltece as "virtudes" de Salom
(sua "sobrinha", enteada e amante). Enquanto que esta,
espertamente, pergunta, publicamente, em alto e bom som,
se Herodes Antipas no estaria devendo-lhe um desejo.
Sem perceber totalmente a maldade que estava por trs
daquele plano, Herodes Antipas, meio constrangido, con-
firma estar devendo, sim, um desejo a Salom. Mas no sem
antes, de sustentar a sua palavra imperial, jocosamente
perguntar o que Salom queria: Parte de seu reino? Ouro?
Prata? Jias? O que queria?
Salom, espertamente, garante no querer parte do reino,
nem ouro, nem prata, nem jias. Queria to somente algo
simples que Herodes nem dava importncia, a ponto de
considerar desprezvel e jogar fora tratando como lixo.
Certo de que no perderia nada de importante, Herodes
Antipas cai na armadilha engendrada por Herodade e
pomposamente honrando a posio imperial de governante,
garante a sua palavra real empenhada.
Salom, ento, industriada por Herodade, sua me,
constrange Herodes Antipas e publicamente declara que no
quer ouro nem jias. Simplesmente ela quer a cabea de um
preso vagabundo. Quer a cabea de Joo Batista,
literalmente, numa bandeja.
Assustado, mas no tendo como descumprir a sua palavra
dada publicamente, Herodes Antipas, mesmo com medo e a
contragosto, manda cortar a cabea de Joo Batista e servi-la
numa bandeja de prata a Salom.
Este episdio, aos chegar ao conhecimento de Jesus,
perturba-o terrivelmente. O choque pela perda de algum
to prximo, o Seu quase irmo, companheiro de uma vida
inteira...  demais para Jesus.
Seguido ao primeiro choque, pela perda de Joo Batista, Jesus
comea a experimentar um pnico at ento nunca antes
sentido.
Com visvel medo, e no sabendo bem avaliar toda a
situao e o que estava se passando, Jesus literalmente foge
com os discpulos para a Galileia e retoma Sua pregao em
Sua terra natal.
Abalado pelo incidente da morte de Joo Batista, Jesus perde
o equilbrio emocional e no consegue coordenar seus
controles, e seguidamente falha na tentativa de cura de
diversos doentes. A ponto de ser ridicularizado, ser cha-
mado de charlato e de ser hostilizado pelas prprias pessoas
que um dia o endeusaram.
Sem entender completamente o que estava acontecendo, e
experimentando o fracasso inusitado, ante um mau
momento de sua vida, Jesus atribui este fracasso ao fato de
que ningum faz milagre em sua prpria terra. Ou seja, usa
como desculpa que "santo de casa no faz milagre."
(Esquecendo-se que antes, tantas vezes, j havia feito muitos
milagres em sua terra natal e nas cidades vizinhas).
No convencendo a si mesmo e muito menos aos Seus
discpulos e seguidores, Jesus principia a imprecar e a
amaldioar as cidades onde um dia Ele havia feito tanto bem
e levado tanto conforto a tanta gente.
 "Ai de ti Corozaim! Ai de de ti Batsada! E tu, Cafarnaum,
julgas que sers exaltada at o cu? Haver mais tolerncia
para Sodoma e Gomorra, no dia do juzo final, do que para
ti."
Percebendo o erro em atribuir a terceiros e culpar,
maldizendo e amaldioando, as cidades e seu povo pelas
falhas por no conseguir realizar o que antes realizara com
facilidade, Jesus reconhece que no est bem, e que na
realidade Ele estava fugindo, com medo, por no querer
enfrentar o Seu destino, que Ele bem sabia qual era.
Refletindo sobre Seu erro, mais calmo e buscando a paz
interior, Jesus arrepende-se de ter fugido de Jerusalm e
comunica a Seus discpulos a Sua vontade em voltar para
enfrentar a Sua sina e o Seu destino. E que, para tanto, eles,
seus discpulos, se preparassem para a volta a Jerusalm e
para assistir ao que estava por vir. Ou seja, um grande
embate entre as foras das trevas e as foras da luz.
Retomando a serenidade, e a j sem demonstrar medo,
Jesus rene seus discpulos e simpatizantes, e organiza uma
entrada triunfal em Jerusalm. Para tanto, pede que toda a
Sociedade Secreta rena seus discpulos e junte todos os
simpatizantes para a entrada em Jerusalm e para que as-
sistam o enfrentamento com os saduceus e fariseus junto ao
maior templo judeu j erigido.
A dois dos discpulos, Jesus pede que dirijam-se at a um
casebre num monte prximo ao Monte das Oliveiras, na
direo de Betnia, e que faam o sinal (do peixe) e peam
emprestado um jumentinho para servir de montaria a Ele,
Jesus. Aos demais apstolos e simpatizantes Jesus pede que
colham ramos de palmeiras e lancem pelo caminho at o
templo judeu, de modo a marcar o novo caminho religioso
que ser traado para o povo hebreu.
Os dois discpulos, irmos, Tiago e Judas Tadeu, aflitos e sem
saber como agir, questionam a Jesus como iriam obter um
jumentinho de uma pessoa to pobre, que possivelmente era
seu maior bem material, e provavelmente o seu maior
instrumento de trabalho.
No que Jesus tranqiliza-os e responde a ambos, orientando
que o dono do jumentinho  um simpatizante da Sociedade
Secreta de Joo Batista, e que facilmente reconhecer o sinal
secreto da sociedade. E dizendo isso recomendou que
fizessem o sinal da sociedade secreta, o peixe, e que
dissessem ao dono do jumentinho que tratava-se de um
emprstimo e que logo o jumentinho seria devolvido. O uso
temporrio era somente para atender a uma necessidade
imediata do Cristo, XPTO. (E a Jesus fez o desenho dos dois
semicrculos na areia, formando o peixe, e colocou ao lado
as letras XPTO).
Meio desconfiados, sem entender os reais planos de Jesus, os
discpulos questionam ao mestre o por qu de usar como
montaria um simples e humilde jumentinho para uma
entrada em Jerusalm, acompanhado de uma multido.
Jesus ento explica que no veio ao mundo para se exibir,
demonstrar ostentao ou fora fsica. Os que O esperavam
num cavalo branco estavam enganados. Os que O esperavam
fisicamente forte e com o domnio e a fora da espada,
estavam enganados. Jesus queria que O vissem como um ser
normal, comum, igual a todos, vestindo as sandlias da
humildade de pescador, trajando as roupas simples e comuns
dos homens do povo, montado num animal a quem os
poderosos desprezam pois s trabalha, trabalha e trabalha, e
tendo como "exrcito" um bando de pessoas comuns,
pecadores recuperados, vagabundos e prostitutas renascidos
para uma nova vida.
A entrada de Jesus em Jerusalm foi triunfal naquele
"domingo de ramos". Montado num jumentinho, era sau-
dado pelo "Seu povo" com ramos de palmeiras. E  Sua
passagem os ramos eram jogados ao cho indicando o ca-
minho da nova era que estava por vir, conforme queria
Jesus. E logo no tardou que outras e outras pessoas se
juntassem ao movimento para ver e ouvir quele que cha-
mavam de o Cristo (Salvador).
Chegando ao maior templo judeu at ento construdo
(havia levado 46 anos para ser construdo) Jesus tem seu
primeiro embate com os religiosos judeus.
Alguns fariseus, assustados com aquele alarido todo e
tamanho movimento de gente, recepcionam Jesus,
cinicamente,  porta da sinagoga e ironizam o "novo rei".
Sadam-No hipocritamente como a um grande imperador e
apontam para um povo pobre e miservel que O seguia e
perguntam se aquele bando era o Seu "reinado".
Jesus no recua ante as provocaes dos fariseus e afirma
que Seu reino no  deste mundo, e que deste mundo
orgulha-se muito da amizade dos humildes. E apontando
para o templo diz:  "Vede aquela pedra que ampara o tem-
plo? Foi comprada com o dinheiro dado por um destes
pobres. E outros destes pobres a colocaram no lugar. Vede a
vossa roupa suntuosa que a vs causa tanto orgulho? Foi
comprada com o dinheiro que estes pobres do ao templo
para sustentar-vos. Quem sois vs para desdenhar daqueles
pobres que vos alimentam?"
Irritados, os fariseus questionam Jesus:  "Acaso s contra
os dzimos sagrados institudos pelas leis de Moiss?"
 "No sou contra as contribuies voluntrias dadas ao
templo por aqueles que querem e que podem ofertar  Deus
ou para garantir a sobrevivncia daqueles que oram e tm
como trabalho levar a palavra de Deus ao povo. Afinal, o
templo precisa ser mantido, assim como os sacerdotes que
no templo trabalham. No entanto, sou contra a obrigao e a
cobrana exploratria do dzimo como um imposto devido a
Deus. Porque Deus no possui publicanos cobrando
impostos em Seu nome." Diz Jesus.
Constrangidos, os fariseus tentam uma ironia para con-
tradizer a parte material que Jesus tanto criticava, de modo a
demonstrar que Jesus era um cabotino por colocar-se ao lado
dos pobres e dos humildes. E ao mesmo tempo, questionam
Jesus, na frente de simpatizantes de Herodes Antipas, por
estar incitando o povo contra Roma, incentivando as pessoas
a no pagarem impostos "devidos" e "justos":  "s contra o
tetradracma tria que trocamos no templo? (Moeda romana
que s podia ser trocada pelos judeus no templo, como se o
templo fosse uma casa de cmbio)
Percebendo a armadilha e a hipocrisia dos fariseus, Jesus
firmemente questionou:  "Por que me tentais, fariseus
hipcritas? No luto contra Roma como insinuais, mas
contra o pecado dos homens. Por acaso o dinheiro dos
impostos no  o dinheiro de Roma, com as inscries de
Roma e com a efgie de Csar? Ento? Da a Csar o que  de
Cesar e a Deus o que  de Deus!".
Estupefata, a multido riu com ironia pela armadilha mal
traada pelos fariseus e pelo desfecho imprevisvel que todos
acabavam de presenciar.
Imaginando poder reverter a situao, os fariseus ento
apelam para o lado religioso, tentando demonstrar que Jesus
era um herege e que desrespeitava as leis sagradas.
Dirigindo-se a Jesus, um fariseu questiona:  "Tu, falso
profeta, viste dois de Teus discpulos roubando espigas de
milho num sbado e no lhes repreendeu, nem pelo furto
nem pelo desrespeito ao sbado. E Tu mesmo, falso messias,
herege, desrespeita o sbado fazendo curas e obrando aos
sbados".

Indignado e sabendo onde os fariseus queriam peg-Lo em
truques e armadilhas, Jesus responde que no poderia
repreender a quem furtava por fome. gua e comida no
podem ser negadas a qualquer ser vivente. E quanto aos
sbados, Jesus questionou aos fariseus:  "Bando de
hipcritas, raa de vboras. Por acaso desconhecem as
escrituras? No sabem que David, o idolatrado David,
quando teve fome, furtou do templo e comeu os pes no
fermentados, num sbado? Vs mesmos e os sacerdotes
saduceus comem, violam o sbado e no se culpam, pois a
vs, vs mesmos vos permitem criar leis que vos
beneficiem... Bando de hipcritas!."
E continuou Jesus:  "Acaso se vsseis uma de vossas
ovelhas presa num poo ou num atoleiro... no a salvariam
simplesmente porque era sbado? O que  prefervel? Salvar
uma vida ou perd-la? Fazer o bem ou fazer o mal? Ento?
Por que no posso Eu curar um necessitado num dia de
sbado? O que vale mais? Por acaso a vida de uma ovelha
vale mais do que a vida de um homem? Raa de vboras!"
A multido encanta-se com o conhecimento de Jesus e ri da
falta de preparo dos fariseus.
 "Ests desvirtuando a conversa, falso messias!", dizem os
fariseus. "Fazes as curas e dizes agir em nome de Deus, mas
o teu Deus no  o nosso Deus. Dizes expulsar os demnios
das pessoas, mas o fazes em nome de Belzebu."
Acostumado a este tipo de argumentao estapafrdia, Jesus
surpreende uma vez mais os fariseus e ironicamente
contesta:  "Vs dizeis que ajo em nome de Belzebu, o que
no  verdade. Mas, ainda que fosse, Eu estaria expulsando
demnios em nome do prprio demnio. E com isso,
dividindo o poder das foras do mal. E se o mal se divide e
enfraquece, logo Eu estou agindo em favor do bem. Ou
no?"
        "Vs, fariseus, nem bem sabem o que  Belzebu ou o
que so demnios. Colocam culpa numa imagem para
explicar coisas que desconhecem".
Inconformados, diante de tantos fracassos pblicos perante
Jesus, os fariseus tentam uma ltima cartada. Arrastam uma
prostituta at Jesus, sabendo que pelas leis de Moiss a
prostituta tem que ser apedrejada at a morte. E se Jesus
fizesse isso, teria que fazer o mesmo com as demais prostitu-
tas que O acompanhavam (Madalena, Vernica e outras).
        "E ento falso messias, dizes que conhece as escrituras
sagradas. O que devemos fazer com esta prostituta que
corrompe a nossa sociedade e leva a devassido e a
libertinagem s famlias corrompendo lares honestos?" 
Questiona o "prncipe" dos sacerdotes saduceus.
Jesus fica impassvel... calado.
A multido faz um silncio sepulcral, sabendo que Jesus teria
que mandar matar a prostituta a pedradas, conforme as leis
de Moiss.
Subitamente Jesus abaixa, pega uma pedra, como quem vai
comear a apedrejar a prostituta e levanta a pedra com a
mo, oferecendo-a a todos:  "Atire a primeira pedra aquele
que no tem pecado."
Foi um silncio sepulcral.
Os fariseus e alguns saduceus saem em retirada para dentro
do templo e Jesus, adentrando ao templo depara-se com uma
cena dantesca, uma verdadeira feira livre. Pessoas vendendo
animais para serem usados em oferendas de sacrifcio
(holocausto). Amuletos eram vendidos por mercadores para
tirar o mal das pessoas. Vendia-se gua benta, leos bentos, e
um monte de amuletos e bugigangas para trazer sorte aos
pobres coitados, "fiis", crdulos, que supunham que usando
ou fazendo determinado ritual com aquelas bugigangas iriam
afastar os males de suas vidas.
A populao, pobre coitada, sofrida, desesperanosa, ansiosa
por melhorar de vida, era industriada pelos vigaristas do
templo no sentido de que as pessoas para poderem melhorar
de vida tinham que fazer sacrifcio de animais, comprar
amuletos e oferendas no templo, pagar dzimo, e seguir
determinados rituais que beneficiavam diretamente os
gerentes e mercadores do templo.
Este mercantilismo, esta corrupo religiosa indignava a
Jesus mais do que qualquer outra coisa em sua vida. A
criatividade dos sacerdotes vigaristas era tamanha, que at
alguns dos impostos s poderiam ser pagos com a moeda
"tetradracma tria", que s podia ser trocada no templo dos
saduceus vigaristas. Ou seja, o templo era uma verdadeira
casa de cmbio misturada com sinagoga e um mercado
varejista.
A explorao da credulidade religiosa das pessoas era tanta
que  alm de ser uma enorme ignorncia esta credulidade
e gigantesca vigarice estas vendas de amuletos e uma
maldade atroz a mortandade de animais  os pobres no
podiam nem sequer trazer sua prpria gua para ser benzida.
No podiam sequer trazer seus azeites e seus leos para
serem benzidos. No podiam trazer ou fazer seus prprios
amuletos. Pois tudo isso era considerado impuro pelos viga-
ristas do templo. Os "fiis", ignorantes, pobres coitados, s
podiam oferecer em holocausto animais "puros", comprados
com exclusividade no templo dos vigaristas. Era explorao
demais. Era a degradao total da religio.
Irritado, perdendo a tmpera e o controle, como seu quase
irmo Joo Batista, Jesus passa a mo num chicote preso a
uma barraca de venda de animais para sacrifcio e sai
distribuindo chicotadas nos vendilhes do templo,
empurrando e derrubando as barracas e as pessoas, enquanto
que estupefatos os discpulos assistiam a tudo boquiabertos
pois nunca haviam visto o mestre, o calmo e pacfico rabi,
descontrolado como Joo Batista.
        "Bando de hipcritas! Raa de vboras! Estais profanando
a casa de meu Pai. A Csar o que  de Csar e a Deus o que 
de Deus. Aqui  a casa de meu Pai, no um lugar de compra
e venda"  Bradava Jesus, enquanto chicoteava os
vendilhes e derrubava suas barracas.
        "Como podem vender oferendas? Como podem vender
animais para serem mortos em holocausto? Como podem
enganar o povo desta maneira? Como podem vender
amuletos, coisas inanimadas, como se Deus residisse nelas?
Como podem comercializar a f? Como podem vender Deus
em barracas?"  Esbravejava Jesus.
Ante ao tumulto generalizado que ali se instalara, e com
medo que o descontrole de Jesus pudesse comprometer a
sua prpria vida ou segurana, alguns dos discpulos
seguraram Jesus e conduziram-no para um lugar onde pu-
desse ser acalmado.
Mais calmo e recobrando o controle, Jesus viu com clareza
que aquele era o grande divisor de guas da sua vida. Aquele
era seu destino que, por alguns instantes quis evitar de
acontecer, como se Ele pudesse evitar sua misso, sua sina,
os planos de Deus.
Era impossvel tamanha explorao religiosa continuar. Era
impossvel o ser humano se rebaixar tanto, a ponto de se
deixar explorar em nome da f. Aquela estrutura religiosa
exploradora, massacrante, tinha que ser destruda, nem que
isso custasse sua prpria vida.
Pedro, Tiago e Mateus acercam-se de Jesus e questionaram o
Seu procedimento e o destempero diante de algo que parecia
tolervel, mas que havia causado tamanha repulsa a Jesus.
        "Acaso tu no vs, Pedro, que ests diante da maior
luta de nossas vidas? No percebes que esta explorao
religiosa  o maior e o pior dos males que se pode praticar
em nome de Deus? Esses religiosos hipcritas e exploradores
no podem transformar a casa do Pai Eterno num negcio,
num grande negcio, baseado na explorao da f das
pessoas!"
Pedro ento retrucou:  "A religio, Mestre, transformou-se
num grande negcio. Um grande e lucrativo negcio, com
grandes lucros e prestgio para os exploradores da religio,
que ainda se fazem passar por santos homens, agindo em
nome de Deus".
        "Eu sei, Pedro. A religio transformou-se num grande
negcio e os exploradores da religio acostumaram-se tanto
e de tal forma com as vantagens e os benefcios desta
explorao religiosa que lutaro at a morte pela manuteno
destes privilgios. E no permitiro que uma verdade, uma
simples verdade, uma mera verdade se torne uma ameaa 
religio lucrativa deles." Retrucou Jesus.
Continuou Jesus:  "De pouco adianta, agora, Eu dizer que
s a verdade e o conhecimento liberta o ser humano. As
pessoas continuaro a ser enganadas por exploradores
religiosos, sem buscar a verdade, e acreditando que a
verdade  a que est sendo dita pelo farsante escriba ou pelo
farsante pregador dissimulado".
        "Pois , Senhor, h de se passar muito tempo at que a
humanidade compreenda a sua revolta e se indigne contra o
comrcio nos templos". Retorquiu Pedro.
        "Mas o pior, Pedro,  que esse Deus que ora eles explo-
ram ir falir, sucumbir e iro criar outros e outros Deuses, e
at mesmo em meu nome e em teu nome, Pedro, algum dia,
ainda faro exploraes como estas e ainda diro que esto
agindo em meu nome, em teu nome e em nome de Deus. O
que me angustia, Pedro,  que esse Deus que eles cultuam
hoje  um Deus falido e particular, e que no h de durar. O
Deus verdadeiro, o verdadeiro criador do mundo, que
prevalecer acima de todas as religies, no  um Deus
particular que mora em um templo.
        ", Senhor, mas o que Deus tenta mostrar, revelar, aos
homens, os religiosos so os primeiros a tentar esconder E 
com base nisso que estes religiosos se mantm e iludem o
mundo."
        "Precisamos que Deus seja consolo e compreenso,
Pedro. Um Deus infinito. Um Deus de amor, que seja para
nos civilizar e no para nos manter selvagens matando e
sacrificando animais. Precisamos que as religies no sejam
um insulto  nossa compreenso e  nossa inteligncia. Este
Deus que  vendido e comercializado nos templos  um
sacrilgio e uma ofensa ao prprio nome de Deus."
Jesus estava muito angustiado, muito desesperado. Sabia que
aquele era o momento crucial de sua vida. Sabia que aquele
era o incio do clice amargo da sua misso.
Para libertar os que n'Ele acreditavam Ele precisava
enfrentar aquele falso altar, aquele falso templo, aquela falsa
adorao a Deus, aquela mercantlizao religiosa e a grande
explorao em nome do santo nome de Deus.
Antevendo o que sucederia e que j se mostrava claramente
desenhado, Jesus comea a jejuar e pede aos discpulos que
O aguardem pois Ele precisava repousar, refletir, conversar
com Deus.
Afastando-se de Jerusalm, Jesus chega a uma parte deserta a
caminho de Qunram, comea a refletir e pede que Deus o
inspire e que d foras para enfrentar todo aquele poderio,
mantido e sustentado com o dinheiro do povo fiel a Deus.
Primeiramente Jesus pede a Deus que d foras e que o
ajude a destruir o templo para dar um exemplo queles falsos
adoradores. Mas percebe que se fosse to fcil e simples
assim, Deus no precisaria de Jesus e nem do Seu sacrifcio
pessoal. Deus mesmo faria sozinho o trabalho e pronto,
estaria feito.
Refletindo, Jesus conclui que Deus no iria dar-Lhe
superpoderes para que Ele destrusse seus inimigos. Deus
no iria fazer milagres transformando pedras em pes, pois
os homens precisam resolver sozinhos as suas questes e
no transferir a Deus esta responsabilidade. Os homens pre-
cisam acreditar com o corao e no com os olhos. E Deus
indicava o caminho que Jesus teria de enfrentar sozinho o
mal, se  que Ele queria realmente acabar com o mal.
Recuperado, Jesus retorna de sua reflexo no isolamento
desrtico e rene os apstolos explicando-lhes o que est
para acontecer, que certamente acontecer, e como os
apstolos devero proceder.
 "Os pregadores, escribas, saduceus e fariseus, instalaram-
se na santa casa de Deus, na ctedra de Moiss. Observai
bem o que eles vos disserem. Buscai a verdade, porque ela
vos libertar. No avaliai a importncia dos que vos falam
pelas aparncias que possam ter. No imitai as obras dos
pregadores fariseus e dos escribas saduceus. Eles dizem e no
fazem. Atam fardos pesados, nas costas dos homens, difceis
de serem transportados. E eles mesmos, pregadores e
escribas, no movem um dedo para retirar estes fardos das
costas dos homens. Tudo o que fazem  em benefcio
prprio, para serem notados, e por isso encobrem suas
falsidades com roupas que os faam parecer srios. Por fora
parecem sepulcros caiados, mas por dentro esto cheios de
osso e de imundice. Por fora, com suas srias roupas,
parecem honrados e justos homens, mas por dentro esto
cheios de hipocrisia e iniqidade. Gostam de ocupar os pri-
meiros lugares em todos os lugares onde compaream.
Querem ser saudados e reconhecidos como pregadores,
como pais (palavra latina = padres), como mestres, e serem
saudados pelos homens. Culpam de falta de f aos fiis e
crentes pela falha do que no conseguem realizar ou fazer.
Eles, fariseus e saduceus perseguiro implacavelmente a
Mim e a vs, Meus discpulos. Eles so um bando de
hipcritas, raa de vboras. A vs, meus discpulos,
recomendo que no se preocupem por mim, pois estou com
a paz de Deus. Cuidai de vs e passai a diante as mensagens
de que so portadores. Mantenham a irmandade e a
fraternidade acima de tudo. Espalhem pelo mundo a
mensagem de um novo mundo, porque Jerusalm est
perdida."
 "Jerusalm, Jerusalm, que matas os profetas e apedreja os
que te so enviados. Quantas vezes quis reunir teus filhos
como uma galinha rene seus pntinhos sob suas asas e tu
no quiseste. Pois bem, a vossa casa ficar deserta e vosso
templo se destruir. Jamais haver paz sobre Jerusalm."
Assustados, os discpulos sentem que alm dos sbios
conselhos Jesus est profetizando sobre seu prprio futuro, o
futuro da irmandade e sobre os destinos do templo e de
Jerusalm.
Neste meio tempo, os saduceus conspiram contra Jesus. Os
sacerdotes Ans, Caifs, Ariel, Hedi, Soari e Silas querem a
cabea de Jesus como Herodade queria a cabea de Joo
Batista. Os judeus saduceus e fariseus queriam a morte de
Jesus antes da pscoa pois no queriam que aquela morte
causasse qualquer tipo de alvoroo ou confuso pblica
durante os festejos. O que seria praticamente impossvel,
pois j era vspera do primeiro dia de zimos e no haveria
tempo suficiente para priso, julgamento e execuo.
Decepcionados, planejavam para que pelo menos Ele no
morresse no sbado sagrado. Mas o certo  que seria melhor
cortar o mal pela raiz, com a morte de um s para exemplo,
do que a morte de muitos, caso frutificassem as idias de
Jesus.
Ans, o dirigente do sindrio, inconformado com o
incidente da expulso dos vendilhes do templo queria um
castigo exemplar para Jesus. Era inadmissvel que ele en-
trasse no templo, na casa de Deus, e fizesse o que fez, des-
respeitando a "santidade" do templo.
Caifs, o sumo sacerdote, revoltado, dizia que Jesus queria
acabar com as sagradas ofertas a Deus e impedir a venda de
animais puros nos templos, contrariando as sagradas
escrituras (feitas por eles mesmos).
Ariel, o pregador racista e beligerante, vociferava, pois Jesus
estava falando em paz e justia, e pregando igualdade dos
hebreus com os gentios (no judeus).
Hedi, o sacerdote materialista, mostrava-se estupefato por
Jesus insurgir-se contra a venda de sacramentos.  "Como a
igreja vai sobreviver sem venda? De onde vir o dinheiro
para a manuteno do nosso templo? Como poderemos
honrar a Deus?", questionava Hedi.
Soari, o sacerdote dissimulado, ironizava Jesus, questionando
como um hebreu pobre, da Galileia, ousava interferir na
Judeia, curando pessoas sem nada cobrar por isso.
 "Amanh, dizia Soari, todos ho de querer curas gratuitas,
sem pagar nada ao templo. Isso  uma subverso dos valores
de Deus."
Silas, o pregador simuladamente enfurecido, arrogan-
temente, ridicularizava Jesus, um messias campons, sem
espada, sem lana, sem cavalo branco, que entrara em Je-
rusalm montado num jumentinho, seguido por uma mul-
tido de maltrapilhos, vagabundos e prostitutas.  "Que
messias maltrapilho  esse que diz ter vindo para redimir o
povo de Israel?", questionava Silas.
Estava mais do que claro que Jesus havia ferido
profundamente o mercantilismo do templo, os saduceus e os
fariseus. Jesus havia atentado contra a sociedade religiosa
lucrativa que se instalara no mundo hebreu e que no queria
abrir mo de seus privilgios. Jesus havia tocado
profundamente na ferida da religiosidade: o comrcio
eclesistico, o comrcio nas igrejas. E por este motivo, sabia
Ele que estava com a morte sendo encomendada pelos
sacerdotes hebreus.
Tera-feira, dois dias aps a entrada triunfal em Jerusalm,
no "domingo de ramos", e um dia aps ter ido refletir no
deserto, Jesus encontra-se com os discpulos para combinar
como seria a ceia pascal, vez que era o incio dos zimos
(pes no fermentados, feitos somente com farinha e gua).
Ao ser perguntado pelos discpulos sobre como e onde seria
realizado a celebrao da pscoa (judaica), Jesus explica que
no ir comer o tradicional "cordeiro pascal" dos judeus, pois
Ele (por ter formao essnia) no comia carne (com
sangue) de determinados animais. Iria comer somente peixe,
os pes no fermentados e beber vinho. E recomenda aos
discpulos que a celebrao da ceia seja feita na casa de um
simpatizante da Sociedade Secreta de Jesus que j havia sido
ofertada anteriormente.  "V at a casa dele, faa o nosso
sinal (o peixe) e diga que precisamos de sua casa para a
celebrao da ceia pascal, pois o Meu tempo est terminando
e esta ser a nossa ltima ceia e reunio", diz Jesus.
Os discpulos de Jesus entram em pnico diante de Suas
palavras e de Sua certeza sobre o que estava por vir.
Aps a dcima segunda hora, ou seja: depois das seis horas
da tarde, noite de tera para quarta-feira, reunida toda a
Sociedade Secreta de Jesus  com seus doze membros 
mesa Jesus principia a explicar aos doze discpulos que o
Seu fim est prximo e que por Ele haver expulso os
vendilhes do templo e exposto a toda gente as vigarices dos
sacerdotes, Ele, Jesus sabia que naquele momento estaria
havendo uma grande trama contra Sua vida pelos saduceus e
pelos fariseus.
A primeira reao dos discpulos foi no sentido de que Ele,
Jesus, poderia ficar e sentir-Se seguro, oculto e protegido
pela fraternidade da Sociedade Secreta.
Jesus contesta e diz que fugir ao prprio destino seria abrir
mo de fazer o trabalho em nome de Deus para sim-
plesmente sobreviver, ou melhor: viver escondido como um
covarde e medroso. Pois, se era vontade do Pai que Ele
acabasse com a corrupo religiosa, com a iniqidade, com o
comrcio dentro dos templos religiosos, no cabia a Ele,
Jesus, fugir ao Seu destino, Sua sina, escondendo-Se e alte-
rando a vontade de Deus.
Iniciando a ltima ceia, Jesus principia o ritual da eucaristia
dizendo aos discpulos:  "Pai, agradecemos pelo alimento
justo e honrado, conseguido com o suor de nossos rostos".
E tendo dito isso pegou os pes e foi repartindo (dividindo, e
no multiplicando) um a um (cada po) com cada discpulo.
 "Dividam sempre vosso alimento com vossos irmos e
com os mais necessitados. Tomai e comei, este  meu
corpo".
Pegando uma jarra de vinho, foi servindo os discpulos e
dizendo:  "Tomai e bebei, este  meu sangue. Celebrai e
fazei em cada rejeio estes gestos para que seja perpetuada a
sagrada aliana de nossa irmandade, nossa fraternidade, nos-
sa sociedade".
Atnitos, os discpulos vem nas palavras de Jesus uma triste
e sentida despedida. E retornam as argumentaes no
sentido de salvar a vida de Jesus pois era preciosa demais
para ser desperdiada com um covarde e cruel assassinato.
Jesus intervm e explica que Deus tem tudo muito bem
traado, pois se os saduceus e os fariseus realmente levarem
a cabo o plano de mat-Lo, mais do que um grande erro,
este ser o incio do fim do templo deles (saduceus e
fariseus) que ruir como se fosse feito s de areia e gua. E
que, com isso, ao mesmo tempo, seria o incio de uma nova
conscientizao religiosa que dali nasceria. Um fortaleci-
mento para uma sociedade religiosa mais humana, mais
igualitria, como a que eles pertenciam, voltada para o bem e
no para o comrcio; voltada para a paz e a fraternidade e
no para a guerra, para o dio ou para a ameaa e o terro-
rismo religioso.
        "Mestre, e como podemos proteg-Lo?", questiona Pedro.
        "Vs no podeis me proteger e nem devem. Alis vs
no podeis proteger-me sequer de um de vs mesmos.",
complemente Jesus.
        "Como assim, rabi?"
        "Somos todos humanos, Pedro. Um ser humano j  um
mundo inteiro de contradies e sentimentos. Imagine o
quanto de diferente existe entre todos ns. Neste exato
momento, cada um aqui est tendo vrios sentimentos e
muitas e diferentes idias de como proceder para que isso
tudo acabe. E pode at ser que dentre vs um venha a Me
trair, ainda que isso possa ter como motivo ou justificativa
uma explicao compreensvel em funo de como se queira
ver."
        "Traio? Tu dizes, rabi, que dentre ns, onde somos
como irmos, um poder ser traidor?, questiona Pedro, abis-
mado e perplexo com a possibilidade de traio.
        "Mas  claro, Pedro. No s poder acontecer a traio
como se Eu for arrastado preso e perseguirem a vs pelas
ruas, muitos podero fugir e at simular jamais ter-Me
conhecido."
Indignado, Pedro garante que se algum for trair Jesus no
haveria de ser ele, Pedro. E que se Jesus for arrastado preso,
ele, Pedro, jamais haver de negar ser irmo de f, Jesus.
        "Pedro, Pedro, Pedro. Vs sois humanos. Ao ferirem o
pastor, as ovelhas se dispersaro. Esse  o plano dos saduceus
e dos fariseus, que logo ho de por em prtica.  a mim que
querem, num primeiro momento. De vocs eles querem a
disperso. E voc, como qualquer um outro aqui poder
fugir como uma ovelha foge do rebanho sem o pastor",
explica Jesus.
        "Poder acontecer com qualquer um. Menos comigo. Eu
jamais te negarei, Senhor", diz Pedro.
        "Como qualquer um de vs, Pedro, tu poders Me negar
ou Me trair antes mesmo do galo cantar.", vaticina Jesus.
        "Eu, Senhor? justo eu, Senhor?, espanta-se Pedro
        "Sim, Pedro, no que tu presumes ser dijerente de
ns?, questiona Tom.
O clima da ceia transforma-se numa espcie de anunciao
de um velrio, e nem mesmo  amenizado pelos cnticos e
salmos aps a ceia.
Aps a ceia, enquanto uns conversavam e outros dirigiam-se
ao Monte das Oliveiras para reflexes e aprendizado com
Jesus, Judas Iscariotes, que era o mais chegado e de maior
confiana de Jesus, o tesoureiro da Sociedade Secreta e o
responsvel pela manuteno e guarda dos bens comuns da
sociedade, e por isso mesmo tinha uma viso bastante
prtica de tudo, dirige-se  casa de Ans, "prncipe" dos
sacerdotes saduceus e um dos dirigentes do sindrio, com
um plano na cabea.
Sabendo que Jesus j tem como certo que Ele ser preso e
morto pelos saduceus e pelos fariseus, e que Jesus mesmo
sabe que isso  inevitvel e espera que isso acontea nas pr-
ximas horas, Judas Iscariotes, segundo suas convices, tenta
evitar o pior, ou seja, que Jesus seja morto covardemente
pelas costas num local isolado e solitrio. E, tentando evitar
essa morte silenciosa e covarde, Judas Iscariotes imagina
poder fazer prender Jesus s claras, na presena de seus dis-
cpulos, de modo a garantir um julgamento justo, onde Ele,
certamente, sair ileso, uma vez que Jesus no havia cometi-
do nenhum pecado religioso, assim como no havia pratica-
do nenhum crime contra Roma. E Judas Iscariotes confiava
mais num julgamento justo dos romanos, pelas leis romanas,
pelo direito romano, do que nos prprios judeus, pois apesar
dos romanos serem imperialistas dominadores, tinham um
rgido cdigo de leis e de direito romano.
Isto posto, Judas Iscariotes encontra-se com Ans,
"prncipe" dos sacerdotes saduceus e dirigente do sindrio, e
prope entregar Jesus em troca de um julgamento pblico e
justo pelos romanos, visando poupar-lhe a vida.
Enquanto isso, Jesus, consciente do fato de que os saduceus
e fariseus lutariam de todas as maneiras e usariam de todos
os recursos para garantir e manter os privilgios e vantagens
financeiras que a religiosidade dissimulada proporciona, e
que por Jesus haver tocado profundamente no cerne da
questo Ele tornara-se a maior ameaa para os saduceus e
fariseus; conseqentemente Sua vida estaria por um fio.
Com o esprito tumultuado, confuso, com grandes dvidas e
ao mesmo tempo triste, Jesus recolhe-se ao horto das
oliveiras, num lugar chamado Getsmani, com o propsito
de meditar, orar, aconselhar-se, pedindo a Deus que O
ilumine diante do clice amargo que Ele sabia que estava
prestes a beber.
Jesus sabia que os saduceus e fariseus iriam resistir fe-
rozmente  revoluo religiosa que Jesus comeara e que
com isso os saduceus e fariseus iriam atentar contra a Sua
vida, de todas as maneiras.
A uma certa distncia, Pedro, Tiago e Judas Tadeu observam
Jesus, enquanto Ele prostrava-se no cho, com os braos
abertos e o rosto na terra, falando baixinho palavras
incompreensveis quela distncia.
Aps alguns tempo, Jesus levanta-se e dirige-se aos trs
discpulos e conta o que ele falara e meditara.
 "Meu Deus, no me recuso ao sacrifcio. Mas valer a
pena ser o cordeiro pascal em nome de Deus? No serei Eu
s mais um profeta? E Joo Batista? E Isaias? E se em Meu
nome muitos se matarem? E se em Meu nome muitos
explorarem muitos? E se Eu for objeto de explorao da f
alheia? E se, em Meu nome, Eu virar objeto de comrcio
como meu Pai nas mos dos vendilhes do templo que
negociam em Teu nome, Meu Pai? Ser esta  a Tua
vontade, Pai? Valer a pena este sacrifcio?"
Orando a Deus Jesus disse:  "Pai, afasta de mim este clice
amargo. Mas, se este clice amargo no puder passar sem
que Eu o beba, seja feita a Tua vontade, Senhor. Se este Meu
sacrifcio for livrar a Tua casa, Meu Deus, dos mercadores,
dos vendilhes, dos pregadores hipcritas e falsos, ento ter
valido  pena o sacrifcio."
        "E Tu no tens medo, Jesus?", questiona Pedro.
        "Pedro, eu sou to humano como vs todos. O esprito
est calmo e preparado pela paz de Deus, mas o que fazer se
a carne  fraca. O que fazer?  claro que Eu estou em
agonia.", Jesus falou isso suando muito, embora estivesse
uma noite fresca. O suor de Jesus estava amarelado, como se
fosse suor misturado com sangue.
        "Senhor, o que queres que faamos? Queres ervas para
acalmar os sentidos? Queres que oremos por Ti? O que
queres? O que devemos fazer", perguntou Pedro, aflito.
        "No, Pedro. No preciso de nada em especial. Basta orar
e vigiar. Orai e vigiai! A minha alma est numa tristeza de
morte, pois esta poder ser a noite em que Meus inimigos
venham a ter comigo. A orao lava-Me o esprito, mas a
vigilncia garante a sobrevivncia do corpo que os saduceus
e fariseus querem destruir."
Isto posto, os discpulos organizaram-se para que cada um
vigiasse por uma hora o sono dos demais, de modo a que
Jesus no ficasse jamais sozinho, para que no fosse preso e
morto covardemente.
Judas Iscariotes, por seu turno, consegue de Ans a sua
palavra de que Jesus ao ser preso ter um julgamento
romano limpo e isento. Segundo Ans, os prprios romanos
iro julg-lo.
Para ter certeza de que Jesus no seria morto covardemente,
Judas Iscariotes vai com os guardas, convocados por Ans,
at o Monte das Oliveiras, e ao chegar onde todos estavam
dormindo, inclusive o discpulo que montava guarda e que
deveria estar protegendo Jesus, Judas toma a frente e dirige-
se a Jesus. Abraa-O e nervosamente d-lhe um beijo na
boca (que pelas tradies significa transmisso de sabedoria).
Jesus, sabendo perfeitamente o que estava acontecendo,
entendeu o gesto de Judas e nada falou que pudesse
censurar-lhe. E, apesar da agonia que passara momentos
antes no horto, desta vez sem demonstrar qualquer receio,
pois a priso era mais do que esperada, Jesus pergunta para a
coorte (grupo de soldados):  "A quem buscais?"
        "A Jesus, que se diz messias!  responde um dos
guardas.
        "Sou Eu!"  apresenta-se Jesus.
Como houvesse uma certa indeciso e um certo
constrangimento pela reao inesperada de destemor de
Jesus, os guardas ficam sem saber como agir por alguns
instantes, diante daquelas pessoas todas (discpulos de Jesus).
        "J vos disse que sou Eu. Sea Mim que procuram,
deixai partir estes inocentes que no tm nada comigo",
disse Jesus.
Ento numa reao surpreendente, Pedro desembainha a
espada e fere um dos servos de Ans, na orelha direita. No
que, imediatamente, Jesus coloca-se  frente e impede que
Pedro continue com a impulsiva reao que comeara. E,
virando-se para dois dos discpulos, Jesus solicita que
coloquem medicamentos curativos de ervas no corte feito
na orelha do servo de Ans.
Aparentemente cumprindo o que havia sido combinado
entre Judas Iscariotes e Ans, Jesus  conduzido pelos
guardas (coorte)  presena de Ans, "prncipe dos sacer-
dotes" e um dos dirigentes do sindrio.
Ans, j no to corts como na conversa inicial com Judas
Iscariotes, interpela Jesus ainda de p, cercado pelos
guardas: "Ento, Tu s o criminoso que procuramos?"
        "Tu o dizes!", respondeu secamente Jesus.
        "No foste tu que profanaste o templo?"
        "Eu jamais profanei templo algum!"
        "Profanaste a casa de Deus, sim!"
        "No profanei a casa de Meu Pai. Estive sim, num
mercado religioso de exploradores da f."
        "No s o falso messias a quem os maltrapilhos e as
vagabundas vivem a seguir?"
        "Tu o dizes. Sempre falei e preguei abertamente nos
templos e em todos os lugares pblicos onde os hebreus
(judeus) se renem e nada disse em segredo. Pergunta aos
que Me ouviram se alguma vez preguei contra os
ensinamentos hebreus (judeus). Por que me interrogas, se
no cometi crime algum?"
Irritado com o tom firme e destemido de Jesus, Ans manda
secamente que os soldados amarrem as mos de Jesus e
conduzam-no a Caifs (de quem Ans era genro), para saber
a opinio de Caifs (que era mais velho e o sumo sacerdote
do templo) e se o sindrio (tribunal em Jerusalm formado
por sacerdotes, ancios e pregadores/escribas que julgavam
questes criminais e administrativas referentes ao povo
judeu) poderia reunir-se pela manh, logo nas primeiras
horas, para que os juizes pudessem julgar Jesus o mais rpido
possvel.
Chegando na presena de Caifs, seguiram-se perguntas
semelhantes s de Ans, e as respostas de Jesus foram as
mesmas em tom desafiador e firme.
Irritado com a insolncia de Jesus, Caifs determina que
sejam convocados os membros do sindrio, imediatamente,
para o julgamento de Jesus.
Aps longa espera, at que fossem convocados todos os
sacerdotes, todos os pregadores e escribas, todos os ancios,
aps a hora sexta (meio-dia) daquela quarta-feira, iniciou-se
o julgamento de Jesus no sindrio.
O clima era de extrema exaltao por parte dos julgadores de
Jesus, uma vez que agiam em causa prpria, na defesa de
seus interesses e benefcios, e ao mesmo tempo a firmeza de
Jesus nas respostas era como se fossem lanas perfurando
cada sacerdote, cada pregador, cada ancio, cada juiz do
sindrio.
Jesus conhecia muito bem as leis dos hebreus e buscava em
cada brecha da lei uma sada e uma resposta de modo a
desautorizar o julgamento pelo sindrio.
Com isso, Jesus irritava profundamente os membros do
sindrio, principalmente pela certeza de Jesus de que o
sindrio nada poderia fazer contra Ele. Isto porque, Jesus era
galileu (natural da Galileia) e no poderia estar sendo julgado
por crimes religiosos na Judia. No havia cometido crime
algum e a todas as acusaes Ele respondia com firmeza e
segurana, mostrando que estava absolutamente seguro de si
e no estrito respeito s leis dos hebreus.
Os membros do sindrio mais irritados eram Ariel, Hedi,
Soari e Silas. Consideravam um ultraje e um desrespeito a
"baderna" feita por Jesus expulsando "honrados"
comerciantes autorizados do templo. Alegavam que no
eram justas as razes de Jesus impedindo a venda de animais
puros no templo, a venda dos amuletos, bugigangas e coisas
bentas, bem como pela cobrana dos sacramentos religiosos.
Enfurecidos questionavam se Ele, Jesus, considerava-se rei.
Percebendo que isto  declarar-se rei  o colocaria
cometendo um crime contra Roma (confrontando o poder
do imperador e ameaando o imprio), Jesus responde, mais
uma vez secamente:  "Tu o disseste!".
Vendo que no conseguiriam pegar Jesus pela palavra,
confrontam-no com uma coisa sobre a qual esperava-se que
Jesus no pudesse desviar-se da pergunta, acabando por
confessar-se culpado.
        "Tu s o messias?", perguntaram-Lhe
        "Se eu vos disser que sou o messias, vs no Me
acreditareis. Se Eu mesmo vos perguntar se sou o messias,
vs mesmos me negareis."  retrucou Jesus.
Procurando forjar uma confisso, Caifs conclui:  "Ento
confessas que s no dizes porque no acreditaremos. Isso 
uma confisso."
E apressadamente concluindo para vaticinar o veredicto,
arremata:  "No h mais nada o que questionar. Ele
confessou ser o messias. Isso  heresia. Todos ouviram a
blasfmia. No precisamos sequer de testemunhas.  ru de
morte"
Irritados, e buscando a esperada revanche contra o homem
que ousou tentar acabar com a comercializao no templo,
os juzes do sindrio, literalmente atropelando a lei a todo
custo, agridem fisicamente Jesus com socos e pontaps,
cuspindo-lhe na face e para completar do uma sentena
ameaadora: condenam Jesus  morte dolorida e lenta pela
crucificao, por fazer-se passar por rei dos judeus, por
ridicularizar e ultrajar a religio, dizendo-se messias mon-
tando um jumentinho, seguido por uma multido de infiis
maltrapilhos, vagabundos e prostitutas. (Quando, na
realidade, todos estes motivos eram simples e meros
pretextos, pois o nico e real motivo para a condenao de
Jesus era a ameaa em acabar com o prspero negcio em
que o templo se transformara, tomando dinheiro e
aproveitando-se do desespero de gente humilde, pobre,
desesperada e aflita).
Apesar das agresses fsicas e das ofensas, aps algum tempo,
Jesus se recompe e absolutamente seguro repete que no
havia cometido crime algum, nem contra os romanos e nem
contra a religio dos hebreus, e que no existia previso nas
leis dos hebreus para a pena de morte conforme queria o
sindrio; pois somente Roma (atravs de um governante
seu) poderia determinar a pena de morte. E que o que o
sindrio estava fazendo ou o que quer que fosse feito com
Ele seria uma arbitrariedade e um crime coletivo praticado
pelo sindrio, e que pelo Seu assassinato Roma poderia punir
todo o sindrio.
Temerosos e sabendo que Jesus conhecia as leis e estava
certo, vez que de fato no poderiam impor a Jesus uma pena
maior do que a que queriam, resolvem mand-lo a
julgamento ao governador romano local, Pncio Pilatos.
Ainda na mesma tarde de quarta-feira, Jesus  enviado a
Pilatos j com a "condenao" prvia do sindrio.
Pilatos recebe Jesus, interroga-o detidamente e espanta-se
ante o saber e conhecimento das leis romanas e das leis
religiosas dos judeus.
        "s rei dos judeus?", pergunta Pilatos
        "Tu o disseste!", responde Jesus.
        "Mas aqui existe uma condenao do sindrio dizendo que
Tu Te consideras rei dos judeus!"
        "Outros disseram isto por mim. No confessei por minhas
palavras ou gestos"
        "Cometeste algum crime contra Roma?"
        "No h qualquer ato meu que possa ser considerado
ofensa contra Roma ou contra os romanos"
Pilatos confirma o que j sabia por informantes seus,
enviados para ouvir as pregaes de um homem que arras-
tava multides para ouvi-lo. E vendo a inocncia em Jesus,
irrita-se com os sacerdotes do sindrio e diz para que levem-
No pois ele no via crime ou pecado em Jesus.  "A questo
 religiosa, resolvam vocs entre vocs. Eu no sou judeu!",
concluiu Pilatos.
        "Mas ns s podemos punir com penas leves, e
somente Roma pode decretar a pena de morte pela
crucificao, pelos vilipndios religiosos cometidos por Ele",
argumentam os juzes do sindrio.
Pilatos vira-se para Jesus e questiona:  "O que dizes?".
        "Sou galileu, prego o amor a Deus, da Galilia  Judia.
No cometi crime algum e tu mesmo disseste que sou
inocente.", retorquiu Jesus.
Com receio por estar julgando um galileu em terras da
Judia, e sabendo da antipatia que Herodes Antipas, que era
rei e filho de rei, tinha por Pilatos, que era poderoso, mas
era somente um governador, eis que Pilatos decide:  "Esse
homem  galileu, mandem-no para o rei Herodes Antipas
para que o julgue como um dos seus galileus."
Isto posto, Jesus  levado pelos guardas, acompanhado dos
juzes do sindrio, at Herodes Antipas, no palcio de
Arquelau, ali mesmo na Judia, vez que por aquele tempo
Herodes Antipas, irmo de Arquelau, no estava em seu
suntuoso palcio na Galilia e sim na Judia, posto que estava
ocupando os dois palcios (na Galileia e na Judia) em razo
do afastamento de seu irmo Arquelau, que governara a
Judia.
No dia seguinte, quinta-feira pela manh, com profundo
desdm por cuidar de pequenas questes tribais dos judeus,
o rei Herodes Antipas recebe Jesus no palcio e faz
questionamentos semelhantes aos que Pilatos j havia feito.
E entendendo que no havia crime algum contra Roma, no
havia porqu, ele, um romano, julgar questinculas religiosas
de judeus. E com muita m vontade conclui que o assunto
no  relevante e nem importante para ele julgar, e portanto
Jesus foi devolvido a Pilatos para que ele fizesse o que bem
entendesse, pois por ele, Herodes Antipas, no havia o que
punir naquele homem.
De volta a Pilatos, devolvido por Herodes Antipas, com
autorizao para decidir o destino de Jesus, ainda na metade
do dia, Jesus  novamente interrogado por Pilatos, que chega
 mesma concluso anterior, considerando Jesus inocente.
Entretanto, para evitar problemas com o sindrio, e para
evitar problemas em sua prpria casa, pois sua esposa havia
ouvido secretamente a algumas pregaes de Jesus, e que
por isso pediu a Pilatos que poupasse Sua vida, eis que Pilatos
tenta uma soluo alternativa. Ou seja, manda prender Jesus
e chicote-Lo, para ver se, com isso, atendia tanto ao
sindrio, aplacando a sua ira, quanto  sua esposa, que no
queria ver Jesus morto.
Os discpulos de Jesus, que at ento esgueiravam-se pelos
cantos e perambulavam pelas ruas procurando saber a
respeito do andamento do julgamento de Jesus, ao saberem
da priso e do chicoteamento, covardemente comeam a
esconder-se. Fogem todos, sumindo para no serem
localizados e apanhados como cmplices dos mesmos "cri-
mes" de Jesus.
At mesmo Pedro, que acompanhava mais de perto as
inquiries a Jesus, indo s portas do templo, do sindrio, e
dos palcios de Pilatos e Herodes, agora Pedro fugia como
um coelho assustado. At que subitamente prximo  es-
cadaria do palcio de Pilatos uma escrava que ouvira Jesus
pregar, questiona Pedro:  "Tu s amigo de Jesus, o galileu.
Tu estavas com ele."
E Pedro, amedrontado, responde:  "No sei quem ele .
No conheo este homem." E corre apavorado, at que mais
adiante pra por um instante e assustado teve arrepios ao
lembrar do que Jesus havia dito sobre a traio e a negao
pelos amigos.
Judas Iscariotes, por sua vez, estava inconsolvel, pois tudo
estava saindo errado, completamente diferente do que ele
imaginara. O julgamento "justo", que deveria livrar Jesus
duma morte traioeira, pelas costas, havia se transformado
num verdadeiro linchamento moral. Os romanos,
tradicionais inimigos dos judeus, no condenaram Jesus e
nem queriam conden-Lo, mas seu prprio povo, os
prprios judeus (saduceus e fariseus) estavam arrastando-O 
crucificao. E Jesus, mesmo diante da morte que se
desenhava no fazia nada para alterar Seu destino. No
procurava Se salvar. Deixava-Se conduzir  morte como um
cordeiro. Era incompreensvel. Inaceitvel. De nada havia
adiantado o beijo na boca, transmitindo sabedoria a Jesus.
Isso tudo torturava Judas Iscariotes e consumia-lhe em vida.
No dia seguinte, sexta-feira, ao saberem da pena alternativa
aplicada a Jesus, sem execuo por crucificao, os juzes do
sindrio enfrentam Pilatos e veladamente fazem-no ver que
no punir Jesus exemplarmente com a crucificao, por ter-
se declarado "rei dos judeus" poderia chegar aos ouvidos de
Csar como uma conspirao de Pilatos contra o imperador,
que quela altura vivia uma parania profunda com
alucinaes sobre conspiraes de novos reinos.
Entendendo o recado dos saduceus e fariseus, e mesmo
assim no querendo punir pessoalmente Jesus por algo que
Ele no havia feito, Pilatos prope um julgamento pblico
de Jesus, com o voto do povo. (O que  um preceito romano
normal de julgamento. Uma espcie de jri popular).
Jesus, ento,  trazido preso a grilhes e amarrado, com as
roupas marcadas de sangue nas costas, devido s chicotadas.
E apresentando Jesus ao povo, para julgamento em frente 
escadaria do palcio, Pilatos anuncia: "Ecce Homo!" (Eis aqui
o homem).
Abaixo das escadarias o povo (orientado e manipulado pelos
saduceus e fariseus) se amontoava e gritava pedindo a
crucificao de Jesus. Era at compreensvel, pois os
discpulos e simpatizantes de Jesus estavam fugidos,
escondidos, com medo de serem presos. Os saduceus e
fariseus insuflavam pessoas a pedir a morte de Jesus. Os
zelotes, embora simpatizassem com algumas das teorias de
Jesus, acham que Jesus era fraco demais, calmo demais,
moderado demais, um covarde. E, de mais a mais, um zelote
arruaceiro, bastante conhecido, estava preso, de nome
Barrabs (Jesus bar Abs ou Jesus filho de Abs). E, como os
zelotes sabiam que pela passagem da pscoa um preso seria
solto, logicamente eles queriam que libertassem Barrabs e
no Jesus.
Pilatos, ainda tentando salvar Jesus, que mesmo sofrendo
teimava em no salvar-se, eis que vira-se para Jesus e
questiona:  "Quem realmente s Tu? s o messias deste
povo?"
Jesus fica impassvel, no responde. Teimava em no
defender-se.
Pilatos se irrita e diz para Jesus que ele era insolente, pois
ele, Pilatos, como governador da Judia, tinha o poder de
solt-lo ou de crucific-lo e Jesus sequer fazia algo em seu
prprio favor.
Para piorar a situao, Jesus responde mais uma vez de
maneira altiva e firme:  "Tu no tens poder algum se Deus
no o te der. S Deus tem poder sobre Mim e sobre ti"
Pilatos mais irritado ainda:  "Ento, no posso te tirar a
vida?"
Jesus volta a afirmar:  "Podes mandar Me matar. Mas ainda
assim viverei junto a Deus e s Deus pode tirar-Me esta vida
eterna."
Incrdulo com o que via e irritado com a intransigncia de
Jesus, Pilatos ainda tenta uma ltima cartada para salvar a
vida de Jesus:  "Que pecado fez este homem? Por que
querem crucific-lo?", questiona Pilatos enfurecido e aos
berros.
 "Crucifica-o. Crucifica-o. Crucifica-o.", brada a multido.
A esposa de Pilatos, atrs dele, sussurra dizendo que Pilatos
no deveria manchar seu nome com o sangue daquele
inocente. Mas, por outro lado, Pilatos no poderia contrariar
uma deciso de um julgamento popular.
Pilatos, ento, joga sua derradeira alternativa para tentar
salvar Jesus da crucificao. Diz ao povo que conforme o
costume, pela poca da pscoa, perdoava-se um culpado,
libertando-o. E assim, sugere que Jesus seja solto. Mas, a
multido ensandecida, comandada pelos saduceus e pelos
fariseus, e ainda ajudada, desta vez, pelos zelotes, pedem a
libertao do zelote Barrabs.
Sem alternativas, Pilatos no v outra sada seno render-se
 deciso popular. No sem antes mandar vir uma nfora
cheia d'gua e uma bacia, e simbolicamente lava suas mo
para que no as sujasse com o sangue daquele inocente.
 "No vejo crime ou pecado neste homem. Mas no posso
contrariar uma deciso de um julgamento popular. Portanto,
lavo minhas mos para que no as suje com o sangue deste
inocente. E se  a vontade de todos que seja crucificado,
levem-no e cumpram vocs mesmos, judeus, a justia que
acabam de fazer."

1. Final
Jesus Morre na Cruz

Comeam os maus tratos a Jesus, com Ele sendo entregue 
multido ensandecida e os guardas simplesmente cumprindo
a determinao de Pilatos de se fazer cumprir a vontade
popular, mas ao mesmo tempo permitindo que os saduceus e
os fariseus encarniassem, humilhassem e tripudiassem
sobre Jesus. As cenas seguintes transformam-se
praticamente em um linchamento.
Populares arrancam um arbusto espinhoso e tecem uma
coroa de espinhos para ser colocada em Jesus. Entregam-na
a um dos guardas. Os guardas riem-se do escrnio que aquilo
tudo havia virado. Eram seres primitivos (no-romanos)
aguilhoando sua prpria gente. Judeus humilhando judeus.
Era a confisso pblica da autoridade moral de Roma e a
baixeza e selvageria dos primitivos povos conquistados.
De fato, simulando uma solenidade, com menosprezo e
profundo deboche, um dos guardas coloca a coroa de
espinhos na cabea de Jesus, fazendo-o sangrar na cabea.
 "Eu te coro, oh rei dos judeus!"
Em seguida colocam nos ombros de Jesus uns trapos cor de
prpura simulando um manto real, e na mo direita uma
cana, como se fosse um cajado real.
A multido ria zombeteira e dizia toda sorte de ofensas. Uns
simulavam respeito debochado e ajoelhavam diante de Jesus
e faziam saudaes irnicas. Outros simplesmente cuspiam-
lhe no rosto.
Em seguida, arrastam uma trave de madeira, a parte superior
da cruz  qual Jesus ir ser pregado, e obrigam Jesus a lev-la
dali at o local da crucificao, no alto do morro conhecido
como Glgota (lugar da caveira ou da calva). Tem ento
incio a "via crucis" ou "caminho do calvrio", do palcio de
Pilatos (Hoje Fortaleza Antnia) at o Glgota.
Por entre ruas estreitas, espremido por uma multido que se
comprimia para assistir a tudo, carregando a trave superior
da cruz e vez por outra recebendo chibatadas, Jesus cai pela
primeira vez.
Seguindo pelas vielas, Jesus depara-se com seu maior
desespero, Ele sofre como nunca ao ver Sua me e Seu ir-
mo Tiago presenciando tudo e sofrendo por Ele.
Guardas empurram-No e chicoteiam-No para que continue
andando. Mas Jesus abate-se moralmente ao ver o
sofrimento e a dor de Sua me e Seu irmo mais querido
presenciando aquilo tudo. Quando ento, um homem apa-
rece da multido e se oferece para ajudar Jesus.  Simo
Cireneu quem socorre Jesus e ajuda-O a carregar a trave
superior da cruz, com a autorizao de um dos guardas que
permite que Jesus seja ajudado.
Suado e sangrando na cabea, em razo da coroa de
espinhos, surge uma mulher para limpar-lhe o rosto, 
Vernica, uma de suas seguidoras, que se apieda de Jesus e
transmite-lhe coragem e compaixo.
J em direo ao morro (lugar da caveira), Jesus cai pela
segunda vez, apesar da ajuda de Simo Cireneu.
Um guarda irritado, aplica novas chibatadas em Jesus.
Arrastando a trave superior da cruz pela subida do morro,
Jesus v as mulheres, aos prantos, que seguiam-no
fervorosamente: Vernica, Salom, Maria Madalena, Maria
Sua me, Marta e duas outras Marias. Jesus diz: "Filhas de
Jerusalm, no choreis por mim. Chorai por vs mesmas e
pelos vossos filhos."
Chegando ao alto do Glgata, Jesus no resiste de cansao e
cai pela terceira vez. E mais uma vez Simo Cireneu ajuda-o
a levantar-se. Ao longe, disfarados e cobrindo o rosto,
alguns dos "santos" discpulos, covardemente, no se
atreviam a chegar perto.
Os guardas despem Jesus de suas vestes andrajosas,
deixando-o somente com um pano cobrindo a cintura e a
virilha.
Alguns saduceus e fariseus, ansiosos pela crucificao de
Jesus, pregam, na parte superior da cruz, a trave horizontal
trazida por Jesus. Fixam o apoio para os ps. Colocam Jesus
deitado para preg-Lo na cruz. Amarram-Lhe cordas
envolvendo os bceps, os pulsos e os tornozelos... Em
seguida crucificam-No, colocando um cravo em cada mo e
nos ps. E como um deboche final, os guardas colocam uma
placa, acima de sua cabea, com a inscrio INRI (Iesus
Nazarenus Rex Iudaeorum), que significa Jesus Nazareno Rei
dos Judeus.

Nota do autor: Por um exagero do "evangelista" Joo, o
pernstico, que a cada pargrafo estava mais preocupado em
titular-se como "o discpulo a quem Jesus amava", do que
relatar fatos com iseno, diz em Joo 19:20 que o letreiro
estava escrito em trs idiomas: hebraico, grego e latim. (S
faltando dizer que quem no pudesse ou no soubesse ler
deveria perguntar a quem soubesse)

Os saduceus e fariseus que at ento divertiam-se com tudo
que acontecia, revoltam-se com a placa chamando Jesus de
rei dos judeus. Bradam e dizem que aquilo era uma
blasfmia. Tentam forar os guardas a retirar a placa, mas
firmemente os guardas garantem que a placa  instruo e
ordem de Pncio Pilatos. A placa  mantida.
Mesmo diante de tanto escrnio, num gesto de piedade e
comiserao, Jesus pede pela alma dos que o agrediam: 
"Pai, perdoai, eles no sabem o que fazem."
Uma vez amarrado e pregado na cruz, esta  levantada e
fixada no lugar, com Jesus crucificado, sob o olhar de uma
pequena multido, tendo  frente as piedosas e corajosas
mulheres de Jerusalm (Vernica, Salom, Maria Madalena,
Maria Sua me, Marta e duas outras Marias). Quando Jesus
olha para sua me e diz:  "Mulher, eis aqui o Teu filho!"
(como que a dizer:  "Veja no que me transformaram") e
virando-se para seu adorado irmo Tiago, que a tudo
acompanhava de perto, junto de sua me, diz:  "Irmo, eis
a a sua me. Zele por ela."
Indiferente aos choros e lamentaes, os soldados, aps
repartirem as vestes de Jesus, disputam a sorte nos dados
para saber com quem ficar o manto prpura de Jesus.
Crucificados pouco antes de Jesus, postados ao Seu lado, um
 direita e outro  esquerda, dois ladres esqueciam de seus
prprios sofrimentos e zombeteiam de Jesus:  "Tu no  o
messias? No fazes milagres? Livra-te a Ti mesmo desta
cruz!"
Imediatamente arrependido, um dos ladres pede perdo a
Jesus e suplica que o abenoe, pedindo um lugar, no reino
de Jesus, nos cus. No que Jesus abenoa-o e diz que ainda
hoje, naquele mesmo dia, eles iro se encontrar junto ao Pai,
no reino dos cus.

Nota do autor: Ao contrrio do que se supe, a morte na
cruz no  imediata e nem rpida. Na realidade, a verdadeira
inteno da crucificao  que o crucificado sofra bastante e
fique por muito e muito tempo penando na cruz, at que
com o tempo e o sofrimento, lentamente, o crucificado
venha a morrer. E isso pode demorar at dias, pois na
crucificao nenhum rgo vital  atingido. Ou seja, os
cravos so enfiados entre os osso das mos e dos ps e a
perfurao corta a pele e um pouco de carne. E dependendo
do caso, raramente pega uma veia que sangre muito. (E a
inteno  esta mesmo, fazer o crucificado sofrer e morrer
aos poucos, lentamente)

Jesus estava na cruz havia trs horas (o que em termos gerais
de uma crucificao  muito pouco tempo), e desde a hora
sexta (meio-dia) at a hora nona (quinze horas ou trs horas
da tarde) tinha ocorrido simultaneamente dois fenmenos
naturais coincidentes: um eclipse e prximo ao final do
eclipse houve um ligeiro tremor de terra, o que fez com que
muita gente, com medo de ser um prenncio dos cus,
fugisse dali.
Sentindo muitas dores, Jesus solta um brado, quase que de
revolta, e questiona Deus:  "Pai, Pai, por que me
abandonastes?" ("Elli, Elli, lema sabacthani?"). Mas quase que
imediatamente, arrepende-se, lembrando de suas meditaes
no horto das oliveiras e como que pedindo perdo a Deus
exclama:  "Seja feita a vossa vontade."
Os guardas e um dos ladres na cruz, no entendem direito
as palavras murmuradas por Jesus, e fazem troa com o que
Jesus fala. E ironizam dizendo que Ele estava chamando por
Elias, pedindo que Elias o salvasse. Quando na verdade Jesus
chamava por Deus (Elli) e no pelo profeta Elias.
Sofrendo muitas dores, Jesus pede gua:  "Tenho sede.
Dai-me de beber!", diz. E um guarda, apiedando-se d'Ele,
pega a gua de seu cantil (que na realidade era gua com um
pouco de vinagre, conforme era comum aos guardas da
legio romana e  qual eles estavam bastante acostumados,
isto porque os guardas no carregavam gua pura em seus
cantis, sem nada, pois gua pura, sozinha, no alimenta e
no mata a sede, por isso os guardas romanos carregavam
sempre gua misturada com um pouco de vinagre), e
embebendo um chumao de pano das prprias vestes de
Jesus na gua misturada com vinagre, oferece a Ele para
matar a sede. Entretanto, Jesus supondo tratar-se de mais um
deboche, mais um escrnio, ante o gosto estranho da gua,
cospe e rende-se:  "Tudo est consumado. Pai, em tuas
mos eu entrego meu esprito."
Como era sexta-feira, vspera de um sbado  que  sagrado
para os judeus -, dois essnios pertencentes  irmandade de
Jesus, Jos de Arimatia (um rico comerciante e que era
simpatizante, mantenedor e permanente doador de recursos
s causas essnias ) e Nicodemos (um mestre essnio, um
dos doze primeiros essnios que compunham a Sociedade
Secreta e um fervoroso admirador de Jesus) vo at Pilatos e
fazem um pedido respeitoso em razo de suas religies, ou
seja, como aproximava-se o sbado sagrado dos judeus (que
comeava s seis horas da tarde da sexta-feira, ou na dcima
segunda hora, deles), nenhum judeu poderia atravessar o
sbado sagrado em sofrimento a caminho da morte. E em
razo disso, solicitavam, Jos de Arimatia e Nicodemos, que
fossem apressadas as mortes dos trs crucificados, e em
especial pediam autorizao a Pilatos para sepultar o corpo
de Jesus, uma vez que ele era essnio e seu corpo no
poderia ficar insepulto num sbado sagrado.
Contrariado com o que havia acontecido durante o
julgamento de Jesus, e parcialmente arrependido por ter
cedido s presses dos saduceus e fariseus do sindrio,
Pilatos autoriza que sejam apressadas as mortes dos trs
crucificados e que o corpo de Jesus fosse entregue aos dois
religiosos essnios.
Acompanhados por um guarda para garantir o cumprimento
das ordens de Pilatos, Jos de Arimatia e Nicodemos, que
sabiam que nenhum dos trs crucificados havia morrido
ainda, uma vez que a morte na cruz demora muitas e muitas
horas e em geral at dias, engendravam um plano para ver se
conseguem salvar Jesus da morte.
Em l chegando, o guarda enviado por Pilatos transmite aos
outros trs guardas, que guardavam o local da crucificao,
que a morte dos trs crucificados deveria ser abreviada por
ordem de Pilatos e que o corpo de Jesus fosse entregue, para
sepultamento, aos dois religiosos essnios.
Cumprindo as ordens de Pilatos, os guardas soltam as
amarras dos tornozelos de um dos ladres crucificados,
arrancam o suporte dos ps e quebram-lhe as pernas para
que, com o corpo pendente, sem sustentao, morresse por
asfixia em funo do seu prprio peso.
O mesmo  feito com o outro ladro, mas quando isto vai ser
feito com Jesus, Jos de Arimatia e Nicodemos interferem e
dizem que pela religio deles (essnia) nenhum osso poderia
ser quebrado aps um homem estar morto e alegam que no
 necessrio quebrar as pernas de Jesus, pois Ele j estaria
morto.
Concordando, em princpio, um dos guardas ento pega uma
lana e d uma estocada abaixo da costela esquerda de Jesus
para certificar-se de que Jesus havia realmente morrido. E
imediatamente escorre sangue e soro (um lquido como
gua).
Com a descida do corpo de Jesus da cruz, consuma-se o
maior de todos os sofrimentos sobre a face da Terra, o
derradeiro sofrimento, a agonia e desespero de uma me,
que depois de assistir  todas as maldades, ofensas, humi-
lhaes, torturas e selvagerias feitas contra seu filho, toma-O
no colo, aps a crucificao, e consola-O mesmo morto.  a
imagem da "Piet".
Entretanto, Jos de Arimatia e Nicodemos, ainda supondo
estar Jesus vivo, em estado de letargia ou em estado de
coma, envolvem-No em um lenol branco, apressam-se em
carreg-Lo at o sepulcro, e ao mesmo tempo pedem s
mulheres, que estavam acompanhando Jesus o tempo in-
teiro, que trouxessem panos, ataduras, unguentos, leos e
ervas curativas.
Desconfiados, dois guardas colocam-se na porta de entrada
do sepulcro, aguardando a sada das pessoas para fechar a
entrada do sepulcro com uma pedra. Entretanto, como eles
demorassem muito a sair, os guardas ficaram bastante
irritados e desconfiados daquela atitude.
Aps um longo perodo no sepulcro, os seguidores de Jesus
justificam a demora na sada dizendo que as ervas, leos e
perfumes que foram levadas eram para embalsamar o corpo
e que os rituais essnios para a encomenda da alma eram
bastante demorados. (Na realidade, o ritual de embalsamento
e um tratamento curativo, como no caso de Jesus, tm
procedimentos semelhantes e por isso demoram
aproximadamente o mesmo tempo)
Contrariados, finalmente os dois guardas rolam a pedra
fechando a entrada do tmulo, e principiam a vigiar para que
no roubassem o corpo de Jesus, pois os sacerdotes saduceus
haviam pedido a Pilatos que os guardas no se afastassem do
tmulo por pelo menos trs dias, vez que Jesus havia
prometido ressuscitar aps o terceiro dia, e eles no queriam
histrias e invencionices de ressurreio.
Junto com os guardas, velando a entrada do sepulcro,
ficaram as seguidoras de Jesus, as mulheres de Jerusalm, at
tarde da noite. Entretanto, no alvorecer do dia seguinte,
sbado sagrado dos judeus, o sepulcro estava aberto, sem a
pedra que fechava a entrada e os guardas no estavam mais
guarnecendo o sepulcro. Mas, o mais misterioso  que o
corpo de Jesus havia sumido.
Segundo o evangelista Mateus (28:11-15), os sacerdotes
saduceus e os guardas, sabendo do misterioso
desaparecimento do corpo de Jesus, ainda no sbado, teriam
inventado uma histria de que os discpulos de Jesus teriam
vindo  noite e roubado o Seu corpo.
Ainda segundo Mateus, esta "mentira" estaria vigorando at
a data em que ele escreveu o evangelho.
Os dois evangelistas (Marcos e Joo) pouco falam do corpo
de Jesus, exceto que o corpo misteriosamente sumiu e nunca
foi encontrado. Entretanto Lucas  mais rico em detalhes.
Fala que as mulheres (as primeiras que viram o sepulcro
aberto e as primeiras que viram Jesus ressuscitado. Mas isso
no contava, pois eram mulheres, seres inferiores, eram
somente mulheres. Suas palavras no valiam nada) ao
visitarem o sepulcro viram dois essnios, da irmandade de
Jesus, vestidos de branco, muito alvo, resplandecente, que
pareciam anjos e que com elas conversaram. (Marcos, no
entanto, diz que era somente um jovem essnio vestido de
branco. J Mateus atribui esta pessoa a um anjo)
Lucas, sempre mais rico em detalhes, afirma em (24:4-5)
"Estando elas perplexas com o caso (do desaparecimento do
corpo de Jesus), apareceram-lhe dois homens em trajes
resplandecentes (os dois essnios j citados). Como estives-
sem amedrontadas e voltassem o rosto para o cho, eles
disseram-lhes: Por que buscais entre os mortos Aquele que
vive?"
Lucas segue dizendo que Jesus no estava mais ali, havia
ressuscitado, exatamente conforme Ele havia prometido,
ressurgir dos mortos ao terceiro dia (Embora de sexta-feira a
domingo houvesse se passado muito menos de trs dias. Ou
seja, um dia e meio de luz ou duas noites completas).

Nota do autor: Desse ponto em diante,  preciso entender a
ressurreio de Jesus como uma questo de f e religiosidade
e no somente como uma simples e documentada questo
de histria. Razo pela qual, neste livro, para que o leitor
possa ter a liberdade de escolha entre a f e a razo, foram
colocados dois finais, onde em um final so atendidos os
interesses religiosos, da f, em que Jesus ressuscita dos
mortos, assombrando e modificando o mundo; e no segundo
final, que atende aos interesses frios e documentados da
histria em si, at ento pouco conhecida, em que Jesus no
morre na cruz e tem uma vida grandiosa, aps escapar dos
seus algozes. (A escolha do final  do leitor)

Mas, voltando ao primeiro final: Jesus ressurge entre os
mortos, mas estranhamente ningum O reconhece. Maria
Madalena no reconhece
Jesus. Os dois seguidores de Jesus que seguiam no caminho
de Emas, andam quilmetros pelo caminho inteiro com Ele
e no O reconhecem. Nem mesmo quando Ele aparece aos
10 discpulos (Judas Iscariotes e Tom no estavam
presentes), estes no O reconhecem num primeiro
momento.
Lamentavelmente, sendo o episdio mais significativo de
toda a Bblia, que  a ressurreio e a prova definitiva da vida
eterna, os apstolos pouco falam a esse respeito,
proporcionalmente ao tanto que se fala de outras coisas,
como curandeirismo, por exemplo, sem esta relevncia.
Mateus quase no fala sobre a ressurreio de Jesus. Quando
fala  vagamente sobre as mulheres (sem precisar quantas)
que o viram e num curto relato, apresenta Jesus, muito
tempo depois, aparecendo aos discpulos, no mais na
Judia, mas j na Galilia.
Marcos  muito sucinto e fala muito pouco a respeito de
ressurreio. Muito rapidamente fala da apario para
Madalena, aos dois de Emas e aos discpulos ainda na
Judia.
Lucas  o mais prdigo nos detalhes sobre a ressurreio, em
24:36-42. Fala do aparecimento de Jesus aos dois a caminho
de Emas, mas ao falar na apario de Jesus aos discpulos
apresenta um esprito de Jesus materializado, em carne e
osso, pedindo que O toquem para sentir Sua carne. E depois,
depois da morte, com fome e sede, Jesus pede comida
(servem peixe a Ele) e bebida.
Joo Evangelista fala quase tanto quanto Lucas. S que no
aparecimento de Jesus para Madalena, que ela no o
reconhece, Ele aparece junto com o essnio vestido de
branco. E ainda, no relato de Joo Evangelista, um dado
muito curioso e mstico, Jesus diz que ainda no subira aos
cus. E, horas depois, de tarde, Jesus aparece aos discpulos
(Sem Judas Iscariotes e sem Tom). Entretanto, Tom, que
estivera ausente, ao saber da ressurreio de Jesus, duvida do
renascimento e diz que quer tocar as feridas de Jesus para
acreditar na reencarnao.
E oito dias aps, ainda sem subir aos cus, Jesus aparece
novamente aos 11 (Sem Judas Iscariotes) ainda na Judia e
desta vez com Tom presente. Tom, entretanto, somente
acredita em Jesus tocando-Lhe as feridas fsicas, materiais
(feitas no esprito?). E muito tempo depois Jesus aparece na
Galilia a Pedro, Tom e Natanael.
E com este relato, a Bblia encerra os seus quatro evangelhos
narrando a vida de Jesus.
 certo que todo esses registros sobre a histria de Jesus
poderia ter-se perdido no tempo e o cristianismo sequer ter
se desenvolvido e tomado as propores que tomou, no
fosse, entre outras coisas, a participao abnegada de um
homem, um discpulo  a posteriori  que tornou-se o
maior responsvel pela difuso e propagao do cristianismo
como religio, e que contribuiu mais do que qualquer outro
discpulo de Jesus para a implantao mundial do
cristianismo: Saulo / Paulo de Tarso.
Natural da cidade de Tarso, na Turquia, Paulo de Tarso,
nascido Saul (hebreu) ou Saulo (romano) e mais tarde pas-
sando a Paulo, era um defensor do judasmo ortodoxo,
colocando-se a servio de Roma (tinha a cidadania romana),
como uma espcie de oficial assistente, ferrenho perseguidor
de cristo. Perseguiu e matou muitos cristos, e que de tanto
perseguir cristo e de tanto perseguir Jesus ("Saulo, Saulo,
por que me persegues?") e aprender sobre Sua vida, acabou
transformando-se no maior admirador do cristianismo e o
seu maior propagador.
A transformao e converso de Paulo de Tarso foi uma
questo to importante e acima de tudo to surpreendente e
inimaginvel (algo como um dia ser possvel haver paz sobre
o povo de Israel), que merece por si s um registro
destacado. Paulo era hebreu, mas tambm era um cidado
romano, defensor das tradies judaicas, que no aceitava
Jesus como o messias, como a maioria dos judeus, e que
durante a perseguio a Jesus, no caminho de Damasco,
converte-se diante de Jesus e transformando-se em seu dis-
cpulo, contra a opinio de todos os demais discpulos, e
principalmente enfrentando os cimes, a presuno e arro-
gncia de Pedro (que considerava a si mesmo como o dis-
cpulo nmero um), Joo (o evangelista pernstico e ftil,
que achava que Jesus amava somente a ele) e Tiago (irmo
de Jesus, que imaginava herdar o cristianismo pelo paren-
tesco, e a quem a Bblia chama de Tiago de Jerusalm, com
receio de identific-lo corretamente como irmo de Jesus,
para no descaracterizar Maria como "virgem").
Paulo de Tarso deixou o maior de todos os legados do
cristianismo. Escreveu, pregou e deixou obras, registros e
ensinamentos mais do que todos os outros discpulos juntos.
Foi o maior e mais claro propagador das verdadeiras "boas
novas" (evangelho) de Jesus. Centrou seus ensinamentos na
verdadeira pregao de Jesus, na divulgao do
humanitarismo, na paz, na esperana, no perdo, ao invs de
valorizar o curandeirismo conforme fizeram os quatro
"evangelistas". E principalmente Paulo de Tarso difundiu o
conceito de ressurreio e vida eterna, com a possibilidade
de um renascimento e um novo porvir, como a maior
ddiva dos ensinamentos de Jesus. Correu o mundo
difundindo o cristianismo e fundando vrias e importantes
igrejas. Na Anatlia / Antiquia, atual Turquia (e no na
Sria, como querem alguns, pois a Antiquia da Sria no
tem nada a ver com a Antiquia da Turquia), levadas por
Saulo, foram criadas as bases de expanso do cristianismo.
Pois foi nas sete igrejas da sia (feso, Esmirna, Prgamo,
Tiatira, Sardes, Filadlfia e Laodicia  Todas prximas
umas das outras) que o cristianismo, como religio, teve o
seu nascimento, sua base e propagao. E foi na Anatlia /
Antiquia (Turquia) que pela primeira vez falou-se numa
nova religio que surgia, chamada cristianismo, e chamando
seus seguidores de cristos.
Pode parecer estranho que o cristianismo surgido com Jesus
na Palestina, tenha tido a sua base e propagao surgido a
muitos quilmetros da Judia e da Galilia, exatamente na
Turquia. Mas a explicao  razoavelmente simples. Pois o
cristianismo da Palestina era s e pobremente um dos
muitos ramos do judasmo, e deveria ficar preso e restrito s
bases judaicas, com todos os seus ritos e sacramentos
(principalmente a circunciso), conforme mantido e
preconizado por Tiago (irmo de Jesus), intolerante e
intransigente com os gentios (no-judeus), de quem no
queria a converso ao cristianismo. Entretanto, Paulo de
Tarso queria e fez o inverso. Ou seja, tirou o cristianismo da
obscuridade e da limitao de simples ramo religioso judeu,
restrito somente a judeus, para o universalismo da prtica
crist, aberto a gentios (no-judeus) adeptos de outras
religies que quisessem se converter, sem ter que seguir os
ritos judeus (circunciso, jejum, etc.). E mais atrevido ainda
foi Paulo de Tarso, ao enfrentar os judeus ortodoxos,
separando, de vez, o judasmo do cristianismo, atribuindo
importncia maior a Jesus do que a Ado (em quem ele no
via importncia alguma), e do que Moiss (a quem atribua
somente relativa importncia), e estabelecendo o
nascimento de Jesus como o maior marco da humanidade, o
ano zero, que dividiria a humanidade em antes e depois de
Jesus.
Com esta prtica e abertura ousadas, Paulo de Tarso tirou o
cristianismo da condio de uma religio judaica tribal,
restrita  palestina e aos judeus, como queria Tiago, para
lanar as bases de uma gigantesca religio universal. E com
isso Jesus deixou de ser apenas um messias judeu, renegado
pelos prprios judeus, e passou a ser o salvador de todos os
povos. (S isso merecia um lugar nico e de destaque para o
discpulo Saul / Saulo ou Paulo de Tarso)



2 Final
Jesus NO Morre na Cruz

(Nota do autor: Conforme alertado anteriormente, o pri-
meiro final, em que Jesus morre na cruz,  um final em res-
peito  f que cada um possa ter e no  inteno do autor
discutir a f. Entretanto, abstraindo-se a questo da f tradi-
cionalista, caso seja de interesse do leitor buscar um Jesus
histrico, que no necessariamente altera a f (em sua es-
sncia), baseado em documentos, fatos, evidncias e provas,
o leitor poder se informar neste segundo final em que Jesus
no morre na cruz)

To logo Jesus foi levado pelos judeus (saduceus e fariseus) e
pelos guardas para ser crucificado, diferentemente dos
discpulos de Jesus que estavam apavorados e com muito
medo de ter o mesmo destino do mestre, dois seguidores
arquitetam um plano de salvamento de Jesus: Jos de
Arimatia (um rico comerciante e o maior doador e
mantenedor individual dos essnios) e Nicodemos (um dos
doze essnios que formavam a primeira Sociedade Secreta:
Jesus, Joo Batista, Benjamim, Samuel, Isaac, Jacob, Aaro,
Josias, Nicodemos, Ams, Silas e Osas)
Sabendo de antemo que a crucificao no mata rapi-
damente e sim por demorada e muito prolongada exposio
ao tempo e  dor, e que Jesus por ser essnio, de vida
bastante regrada, e de cuja formao fazia parte a doutrina-
o do controle da mente sobre o corpo, Ele suportaria
dores que as pessoas comuns normalmente no suportam, e
por isso, as chances de Jesus suportar a dor na cruz, mais do
que as pessoas normais, seriam ainda muito maiores do que
as de uma pessoa comum. E com isso a chance de
sobrevivncia de Jesus  crucificao seria muito grande.
De posse deste conhecimento e certeza, Jos de Arimatia e
Nicodemos iniciam ento a execuo do plano de
salvamento de Jesus. Vo at Pilatos e convencem-no de
que por ser sexta-feira, vspera do sbado sagrado dos ju-
deus, e que a agonia e sofrimento dos crucificados deveria
ultrapassar a dcima segunda hora (seis horas da tarde) e
conseqentemente aps aquele horrio j seria sbado.
Pedem ento que Pilatos autorize antecipar a agonia dos
crucificados, matando-os, para que no morressem no s-
bado sagrado. E em especial pediram tambm a autorizao
de Pilatos para sepultar o corpo de Jesus, uma vez que Jos
de Arimatia era rico e dispunha de um sepulcro particular
disponvel e que Jesus, por ser essnio, Seu corpo no
poderia ficar insepulto.
Sem perceber o plano de Jos de Arimatia e Nicodemos, e
achando justa a solicitao religiosa, Pilatos autoriza a
antecipao da morte dos trs crucificados (Jesus e os dois
ladres crucificados), assim como autoriza, tambm, a
entrega do corpo de Jesus a Jos de Arimatia e Nicodemos
para sepultamento.
De fato, em chegando ao local da crucificao, conforme o
esperado, constataram que nenhum dos trs crucificados
havia morrido (Jesus e os dois ladres estavam vivos), pois
havia se passado somente cerca de trs horas que estavam
sofrendo aquela tortura. O que em termos de sofrimento 
bastante, mas em termos de ser fatal ou mortal,  muito
pouco tempo.
Cumprindo as determinaes de Pilatos, os guardas soltam as
amarras dos tornozelos dos ladres crucificados, arrancam os
suportes dos ps, quebram-lhe as pernas para que
morressem por asfixia em funo do peso de seu prprio
corpo.
Quando o mesmo procedimento  iniciado com Jesus,
espertamente Jos de Arimatia e Nicodemos interferem
dizendo que pela religio deles (essnia) nenhum osso po-
deria ser quebrado aps um homem estar morto e alegam
que no seria necessrio quebrar as pernas de Jesus, pois Ele
j estaria morto (e de fato Jesus estava como se estivesse
morto, em estado de letargia, semelhante a um coma).
Para que no restasse dvidas quanto a morte de Jesus, um
dos guardas ento pega uma lana e d uma estocada abaixo
da costela esquerda de Jesus. E imediatamente escorre
sangue e soro (um lquido como gua).
 o suficiente para que Nicodemos (por ser um sbio
essnio, dominando perfeitamente a cura e a medicina)
constatasse que Jesus realmente estava vivo, uma vez que se
no houvesse mais vida em Jesus no haveria como ter a
fluidez sangnea apresentada. Pois no havendo mais vida
no havia como o sangue circular e jorrar como jorrou.
Acreditando piamente ainda estar Jesus vivo, em estado de
letargia, Jos de Arimatia e Nicodemos apressam-se em
retirar Jesus da cruz, envolvendo-O rapidamente em um
lenol branco, carregando-O at o sepulcro, e ao mesmo
tempo pedindo s mulheres, que estavam acompanhando
Jesus o tempo inteiro, que trouxessem, rapidamente, panos,
ataduras, assim como os unguentos, leos e vrias ervas
curativas previamente preparadas e j separadas na casa de
um "irmo" essnio.
Sem muita surpresa, constataram, que de fato, Jesus estava
muito mal, ferido e traumatizado pela tortura, mas estava
vivo, sem nenhum osso quebrado, e sem haver sido atingido
qualquer grande artria ou veia que pudesse causar grande
hemorragia.
Enfim, Jesus estava vivo e podia ser curado...
Usando os conhecimentos curativos das ervas, dos
unguentos, e dos leos medicinais, que os essnios conhe-
ciam muito bem, Nicodemos e Jos de Arimatia, trataram
de todos os ferimentos e colocaram ervas, unguentos e leos
medicinais cobertos por ataduras em todos os locais de
feridas. Enquanto que para simular o sepultamento de Jesus,
as mulheres que acompanhavam Jesus rezavam alto e
pranteavam de modo a no gerar desconfiana por parte dos
guardas.
Como demorassem muito no tratamento das feridas, os
guardas que estavam vigiando a entrada do sepulcro
comearam a reclamar e a pedir o trmino daquele "funeral".
Aps completar todo o servio de curativos em Jesus, o seu
corpo  parcialmente coberto com o lenol usado para
carreg-lo da cruz e saem todos para no despertar maiores
suspeitas nos guardas.
Para garantir que Jesus estaria em segurana, as mulheres
que acompanharam Jesus permaneceram em frente ao
sepulcro, montando viglia juntamente com dois guardas,
aps o sepulcro ser fechado por um pedra.
Altas horas da noite, Jos de Arimatia e Nicodemos
retornam com mais dois essnios mestres, pertencentes
quela primeira formao de doze mestres que compunham
a primeira base essnia da Sociedade Secreta, com Jesus, Joo
Batista e outros dez, vestidos de branco, um branco
resplandecente, bastante incomum de se ver habitualmente,
e dispensaram as mulheres que seguiam Jesus, para que
pudessem ir para casa descansar, enquanto Jos de Arimatia
e Nicodemos montavam viglia durante a noite toda.
Como trouxessem vinho, po, azeite e queijo para passarem
a noite em viglia, com o avanar das horas ofereceram aos
dois guardas um dos vinhos especialmente preparado com
uma beberagem de modo a apressar-lhes o sono. E,
realmente, pouco tempo depois os guardas estavam dor-
mindo em sono profundo, e os quatro (Nicodemos, Jos de
Arimatia e os outros dois mestres essnios) entram no
sepulcro, retiram os primeiros curativos aplicados em Jesus
(que mais tarde so achados por Pedro, espalhados pelo cho
e por toda parte, conforme relatado em Joo (20:5-7),
refazem os curativos e cuidadosamente carregaram Jesus
para um abrigo seguro, na casa de um "irmo" da sociedade
dos essnios, mantendo-O oculto at Sua completa re-
cuperao.
Segundo o receiturio essnio, uma combinao de doze
plantas, leos e medicamentos foram aplicados em Jesus: 1)
Cera branca; 2) Goma Gugal (tambm conhecida como
blsamo dendron mukul) ; 3) Plumbi oxidum; 4) Mirra
(tambm conhecida como blsamo dendron myrrh); 5)
Galbanaum; 6) Aristoelchia longa; 7) Subacetato de cobre; 8)
Goma ammonicum; 9) Resina de pinus longifolia; 10)
Olibanum; 11) Alos; 12) leo de oliva (azeite).
Ao raiar do dia, no sbado, vendo o sepulcro aberto e tendo
o corpo de Jesus sumido, os guardas, com medo de Pilatos,
vo at os sacerdotes saduceus e contam-lhes a histria do
desaparecimento do corpo de Jesus. No que os sacerdotes
saduceus tranqilizam os guardas e garantem que, caso a
histria chegue aos ouvidos de Pilatos, eles (os sacerdotes)
iriam convencer Pilatos a no punir os guardas, deixando-os
em paz, pois era sabido que os discpulos de Jesus iriam
mesmo tentar roubar o corpo.
Esta histria est parcialmente contada em Mateus (28:11-
15) Entretanto, como o cadver de Jesus jamais apareceu e
isto desmoronaria a tese da ressurreio, pois ningum
ressuscita sem morrer e para morrer tem que haver um
cadver; este corpo de Jesus morto jamais apareceu. E
Mateus, novamente, conta exatamente esta histria do
roubo do corpo, mas depois diz que  mentira.
Para os prprios cristos, segundo evidncias claras na
Bblia, Jesus no morreu na cruz. Seno vejamos:
Joo (20:11-17)  Dois essnios de branco (confundidos
como anjos) so vistos no sepulcro e Jesus  depois de
"morto"  diz para Madalena, dentro do sepulcro, que ainda
no havia morrido.
"Jesus disse-lhe: = No Me detenhas porque ainda no subi
para Meu Pai."
Lucas (24:4-5)  Dois essnios de branco, resplandecentes,
esto no sepulcro vazio e falam para Madalena, Joana e
Maria me de Tiago:  "Por que buscais entre os mortos
Aquele que vive?"
Mateus (28:3)  Um essnio, vestido de branco, estava no
sepulcro e fala s mulheres sobre o desaparecimento do
corpo de Jesus. (Aqui uma questo simples: Se Jesus tivesse
morrido (matria) e ressuscitado (esprito)... onde foi parar o
corpo? Tinha de haver um corpo. Tinha de haver a matria).
Marcos (16:5)  Um jovem essnio, vestido de branco,
guardava o tmulo de Jesus e fala com Madalena, Salom e
Maria Me de Tiago.  Aqui sai Joana e entra Salom, mas
tudo bem  (Novamente a mesma questo simples: Se Jesus
tivesse morrido e ressuscitado... onde foi parar o corpo?)
Joo (20:5-7)  Pedro entra no sepulcro e encontra ataduras
de curativos e ligaduras espalhadas por toda parte. (Se Jesus
havia morrido na cruz... por que colocaram ataduras,
remdios, unguentos e ligaduras num "morto", como as que
Pedro encontrou no sepulcro? Coloca-se atadura e remdio
em morto?)
Lucas (24:36-43)  Diante do espanto dos discpulos que
imaginavam estar vendo um esprito, Jesus confessa aos
discpulos, com todas as palavras que Ele no havia morrido
na cruz. E para provar que era Ele mesmo, Jesus diz: 
"Vede as Minhas mos e os Meus ps?; Sou Eu mesmo!" E
para provar que no era esprito e sim carne,
complementa: "Apalpai-me e olhai que um esprito no
tem carne, nem ossos, como verificais que eu tenho!"
E para encerrar de vez a discusso sobre esprito e matria,
Jesus pede comida aos discpulos ainda assombrados: 
"Tendes a alguma coisa que se coma?". Deram-lhe ento
uma posta de peixe assado e, tomando-a, comeu diante
deles."
Pode um relato ser mais claro? Ou seja, nem mesmo os
cristos, mais cegamente fiis seguidores da Bblia, podem
acreditar na morte de Jesus na cruz, pois o relato de Lucas
(24:26-43)  claro demais, cristalino demais, insofismvel,
resistente at ao mais insano dos exegetas de bicicleta. Jesus
diz claramente que no havia morrido na cruz ("no ascendi
ao pai"), que no era esprito e sim carne (e para provar que
no era esprito e sim carne, complementa: Apalpai-me e
olhai que esprito no tem carne nem ossos como verificais
que eu tenho") e para finalizar Jesus pede comida e bebida, e
de fato come peixe assado e bebe com os discpulos.
Por mais algum tempo Jesus ainda permaneceu escondido na
casa de um seguidor da Sociedade Secreta Essnia, arranjado
por Jos de Arimatia e Nicodemos. At que, por segurana,
foi levado para o mosteiro essnio de Qunram, conforme
relatado em "The Crucifixion by an Eye-Witness (A
crucificao, por uma testemunha ocular). Livro de pesquisa
lanado em 1873, relanado em Chicago, USA, em 1907,
mas que foi rapidamente retirado de circulao e todos os
exemplares destrudos. Uma cpia ficou em poder da Ordem
Manica em Massachussets. Outra com a Fraternidade
Manica da Alemanha e uma ltima na Ordem dos
Essnios, em Alexandria.
 partir do restabelecimento de Jesus e da realidade de sua
nova vida, um terrvel dilema passou a tomar conta dos
essnios. Ou seja, se Jesus aparecesse novamente, muito
certamente seria crucificado mais uma vez e desta vez seus
algozes iriam tomar mais precauo no sentido de garantir
que Ele fosse morto, de verdade. Por outro lado, estando
Jesus vivo e mant-lo oculto, todos os seus ensinamentos e
legados de uma vida inteira poderiam ser perdidos. E para
piorar, os discpulos de Jesus, que j viviam em disputas
pequenas, menores, com jogos de vaidades, cimes tolos,
agora sem uma liderana efetiva de Jesus, estavam se
dispersando e absolutamente fora de controle.
Ento, os mestres essnios da Sociedade Secreta que se
formara originariamente, (Jesus, Joo Batista, Benjamim,
Samuel, Isaac, Jacob, Aaro, Josias, Nicodemos, Ams, Silas,
Osas) agora com Seth ocupando o lugar deixado por Joo
Batista, aps longas discusses, chegam  concluso de que
Jesus deveria decidir seu prprio destino, para que,  partir
da, a sociedade essnia tivesse uma continuidade normal.
Ou seja, ou Jesus aceitaria ficar em definitivo no mosteiro,
incgnito, para sempre, como se efetivamente tivesse
morrido, ou Jesus deveria sair da Palestina, tambm
incgnito, para no comprometer a vida de seus discpulos e
seguidores, e ir para um lugar distante onde ningum
conhecesse a sua histria.
Resumindo: qualquer que fosse a deciso de Jesus, Ele teria
que assumir que havia morrido e jamais poderia aparecer
novamente como Jesus.
Sem um plano perfeitamente definido, e ainda bastante
confuso com todos os acontecimentos que transformaram
terrivelmente a sua vida, e emparedado pela nica al-
ternativa de ter que assumir que havia morrido, Jesus opta
por deixar a comunidade essnia e partir para fazer a viagem
que um dia ele e Joo Batista haviam feito, rumo ao extremo
oriente, seguindo a rota de seda, at a China, passando por
Ir, Iraque, ndia, Paquisto, etc.
Embora os essnios soubessem que esta era uma das opes
possveis de Jesus, deixar a comunidade essnia foi um
choque tremendo para a irmandade. Os essnios estavam
perdendo sua referncia maior, o seu messias e o ser
iluminado em quem eles depositaram tanta f e esperaram
por tantos e tantos anos. E para piorar, juntamente com
Jesus, mais quatro mestres daquela primeira sociedade tam-
bm estavam deixando o mosteiro seguindo os passos de
Jesus. Restando somente seis dos essnios da primeira So-
ciedade Secreta que se formou, que ficaram na Palestina e se
dedicaram  luta de resistncia e fundamentao religiosa
conforme a tradio essnia pura, dentro do mosteiro.
Estes seis essnios da primeira formao da sociedade
secreta, e mais os "irmos" que viviam na clausura dos
mosteiros, ficaram, resistiram e documentaram para a pos-
teridade a vida de Jesus e Joo Batista e deixaram registrado
suas vivncias e ensinamentos em vrios documentos
manuscritos, que posteriormente alguns destes documentos
foram encontrados ao longo de vrios sculos, sendo os mais
importantes descobertos nos sculos 19 e 20 como as
descobertas arqueolgicas religiosas mais importantes at
hoje encontradas, onde os documentos mais conhecidos 
e por isso mais importantes  so os Manuscritos do Mar
Morto ou Manuscritos de Qunram.
Lamentavelmente, esta resistncia essnia e a devoo e
idolatria a Jesus e Joo Batista, mesmo depois de mortos (ou
"morto") acarretou mais uma grande tragdia para os
essnios, vez que provocou uma enorme ira dos saduceus e
fariseus, a ponto de, quando da invaso das legies romanas
destruindo Jerusalm em 70 d.C., e da dispora do mesmo
ano, os essnios sofrerem terrvel e implacvel perseguio,
onde foram praticamente dizimados, no sem antes lacrar
hermeticamente seus manuscritos em potes (urnas) de
barro, guardados em catacumbas, que duraram por sculos e
sculos at serem encontrados quase dois mil anos depois.
Os cinco membros que saram da comunidade essnia (Jesus
e mais quatro membros da formao da primeira Sociedade
Secreta), uniram-se aos discpulos de Jesus de modo a
debaterem e decidirem qual o caminho a ser tomado dali em
diante.
Inicialmente foi um choque. Os discpulos no acreditavam
que Jesus estivesse vivo. Mas aos poucos, foram se
recompondo e a felicidade passou a tomar conta de todos
pela volta e retorno do rabi. Entretanto, os planos de Jesus
no eram bem o que os discpulos esperavam.
A vontade de Jesus era sair da Palestina e seguir, com uma
outra identidade, rumo ao extremo oriente. E to fortemente
Jesus colocou esta questo que passou a ser ponto pacfico, a
ponto de no se discutir mais sobre isso. Quer dizer,
discutia-se muito sobre vrias coisas, mas a nica certeza era
que Jesus deixaria seus discpulos (na Palestina ou espalhados
pelo mundo), mas Ele partiria incgnito, numa viagem sem
volta.
Jesus tinha irrestrita convico sobre sua crena e por isso
assumiu que iria continuar a fazer suas pregaes "em outros
apriscos", sem identificar-se como Jesus (at para preservar
sua vida, de sua me, de seus irmos e dos discpulos).
Entretanto, os demais seguidores de Jesus no tinham o
menor consenso sobre quais caminhos seguir sem o messias
e grande mestre. E o pior, o que fazer com tanto
ensinamento, tanta sabedoria deixada por Jesus? Uma vida
inteira de ensinamentos estaria perdida? E os discpulos e os
seguidores de Jesus? Fariam o que? Teria valido a pena
acreditar em Jesus e depois desperdiar tudo?
O primeiro impulso do grupo foi manter a sociedade unida e
continuar com a pregao religiosa, levando a palavra de
Jesus a cada canto da Terra, como se nada tivesse
acontecido. Ou melhor, como se os acontecimentos havidos
s tivessem fortalecido ainda mais a sociedade.
Jesus, de imediato foi contra esta idia, mas  fora dos
argumentos, aos poucos deu-se por vencido ao ser con-
vencido pelos discpulos de que no tendo o mestre para ser
perseguido, no haveria como os saduceus e fariseus
perseguirem os seguidores de Jesus, que iriam se espalhar
por todos os cantos do mundo, seguindo a dialtica de Jesus.
Entretanto, Jesus colocou um ponto crucial: O que seria dito
s pessoas a respeito de Jesus? Isto porque, se falassem a
verdade, que Jesus no havia morrido na cruz, haveria
perseguio  sua me, seus irmos, seus parentes, seus
discpulos e demais seguidores. E rapidamente a sociedade
seria destruda. Sem contar que ningum seria convencido
por uma pregao religiosa, por melhor que ela fosse, onde o
lder espiritual estava oculto, escondido com medo de
aparecer.
Por outro lado, se dissessem que Jesus havia morrido na
cruz, ressuscitado, e deixado um legado enorme de
ensinamentos, as chances de sucesso na evangelizao se-
riam enormes, mas esbarraria num ponto crucial: as prega-
es estariam encobertas por uma grande mentira. E como
iniciar uma pregao religiosa, embora cheia de bons e pro-
fundos ensinamentos, cuja base fundamental era uma men-
tira?
A maneira encontrada por Jesus e passada aos discpulos para
resolver este impasse foi quase que salomnica. Ou seja, em
todos os locais onde pudessem existir registros escritos, a
verdade sobre a no-morte de Jesus seria contada sempre
(em todos os evangelhos, em todos os manuscritos, em tudo
que pudesse ficar registrado para a posteridade) e claramente
seria evidenciado que Jesus no havia morrido na
crucificao. Exatamente conforme est registrado em todos
os evangelhos existentes (inclusive nos da Bblia).
Estes registros seriam guardados e ocultados em locais
seguros, secretamente, como de fato o foram, de modo a
que quando aparecessem estes registros, no futuro, um dia,
j no estariam vivos Jesus e os primeiros discpulos, tor-
nando-se impossvel a perseguio pessoal a eles e a seus
parentes. E ao mesmo tempo a verdade, a histria real sobre
a no-morte de Jesus estaria preservada, claramente
documentada e enquanto isso o cristianismo j estaria alas-
trado pelo mundo todo, tendo como base os ensinamentos
de Jesus. E o fato de Jesus ter morrido ou no na cruz no
teria mais importncia alguma, vez que o que importava era
o legado de Jesus, sua pregao, seus ensinamentos, suas
parbolas, suas obras.
Por outro lado, na pregao oral, que  a que convence, que
atrai o adepto s idias de evangelizao, seria dito uma
mentira temporria, provisoriamente, simplesmente dizendo
que Jesus havia morrido na cruz e que havia ressuscitado. O
que seria suficiente para que no houvesse perseguio aos
discpulos de Jesus e para que estes mesmos discpulos
pudessem fazer suas pregaes em paz, sem serem
incomodados. Pois as pregaes orais seriam feitas de
imediato, enquanto que os registros por escrito (evangelhos
manuscritos) somente seriam divulgados muitos anos aps as
pregaes verbais terem sido difundidas e consolidadas.
Ou seja, seria dito  de imediato  uma coisa nas
pregaes (e com isso seriam evitadas as perseguies) mas
ao mesmo tempo a verdade ficaria registrada, para todo o
sempre, por escrito, em todos os lugares, para serem
divulgadas mais tarde, para demonstrar que a verdade tinha
sido ocultada por bons e slidos motivos e que esta havia
sido a nica forma encontrada para se falar da vida e obra de
Jesus, sem expor ao perigo ou risco de vida os discpulos, os
familiares de Jesus e os familiares dos discpulos.
Assim, ciente de que Seus discpulos e companheiros da
"Sociedade Secreta de Jesus" e os demais "irmos" essnios
iriam deixar registrado a verdade (que Jesus no havia
morrido na cruz) em vrios documentos manuscritos, e que
seus discpulos tambm contariam a verdade em vrios
evangelhos que seriam escritos, Jesus ento concordou em
que nas pregaes dos discpulos fosse dito que Jesus teria
morrido na cruz e ressuscitado.
Diante desta nova realidade, foi estabelecido o plano de
evangelizao mundial, onde cada discpulo foi orientado
para seguir evangelizando numa determinada direo
geogrfica, de modo a espalhar pelo mundo os ensinamentos
da cristandade.
Alguns ficariam na Palestina mesmo. Outros seguiriam o
rumo norte, indo em direo a Roma e ao centro da Europa
(como Pedro).  oeste os ensinamentos seriam espalhados
pela frica, comeando pelo norte da frica.  leste, bem
na direo extrema, seriam lanadas as bases do cristianismo
no que hoje  a Rssia (a sbria igreja ortodoxa crist). Ao
sul, uma parte cobriria o Egito e regio, enquanto que outros
seguiriam passos semelhantes aos de Jesus (como Tom) pela
rota da seda em direo  ndia e China.
Nesta longa viagem sem volta, aos poucos Jesus vai se
despedindo dos discpulos e indicando os caminhos a serem
seguidos: A Pedro, pede que ele seja a base (a pedra) de sua
igreja e designa como sua funo atingir a Grcia e toda a
Europa, principalmente o centro do imprio romano: Roma.
 Tiago e Joo  pedido que lancem as bases religiosos e
faam suas pregaes pela Palestina, Sria e terras vizinhas. 
Tom, Jesus pede que evangelize pelo mesmo caminho que
ele ir seguir, no extremo oriente.  Bartolomeu, Jesus pede
que siga o caminho do extremo leste, at onde hoje  a
Rssia. E assim vai indicando o caminho de evangelizao a
cada um dos discpulos.
Passando pela Sria at chegar  Turquia (Anatlia/
Antiquia), Jesus inicialmente detm-se temporariamente na
Sria, e novamente em Damasco, com Saul/Saulo, a quem ele
batizara como Paulo (de Tarso), Jesus estabelece o maior
plano de evangelizao que o mundo j viu. Ou seja, cria as
bases para que Paulo e Pedro (principalmente), junto com
alguns discpulos pudessem criar as sete igrejas da sia, e
dali fazer a maior propagao religiosa sobre a face da Terra.
Eufrico, Paulo garante a Jesus:  "Mestre, iremos
evangelizar o mundo, levar a palavra do Senhor a cada canto
da Terra e criar uma nova Jerusalm."
Ao que Jesus contesta:  "No Paulo. Nova Jerusalm no!
Jerusalm est perdida para sempre. E sempre ser alvo de
disputas encarniadas, com chacais e hienas disputando cada
resto de carnia. Jamais haver paz sobre Jerusalm. A nossa
direo  muito maior do que Jerusalm.  um novo mundo,
uma nova vida, um novo futuro, um novo porvir!"
Repassando mais uma vez aos discpulos os seus
ensinamentos e as diretrizes religiosas da irmandade, basi-
camente os ensinamentos essnios que ele tanto pregou,
difundiu, encantou e reconfortou tantos e tantos seguidores;
Jesus refora ento o aspecto organizacional da irmandade,
explicando que com base em doze discpulos, que ele
transformaria em doze mestres eles conquistariam o mundo
e fariam a maior propagao de idias religiosas que o
mundo jamais havia visto: doze discpulos se tornam mestre
e convencem doze discpulos a que cada um convena mais
doze a convencer outros doze e assim sucessivamente, at
atingir a maior quantidade de gente possvel, numa perfeita
irradiao e propagao de idias.
Despedindo-se definitivamente de seus discpulos, Jesus
deixa Paulo na Turquia, com a misso de estabelecer sete
pontos, em sete igrejas, para que depois de estabelecido estes
sete pontos dali seguisse numa peregrinao percorrendo o
mundo e difundindo as boas novas de Jesus. Enquanto que
Jesus partiria para sua nova vida como um homem sem
nome e sem passado. Assumindo uma vida inteiramente
nova, fazendo as mesmas pregaes que sempre fizera ao
longo de toda a sua vida, sem, entretanto, poder dizer que
Ele era Jesus e que no havia morrido na cruz.
Em seu rastro vai deixando para trs a Palestina, Sria e
Turquia onde torna-se um profeta para os muulmanos
(logicamente sem falar em crucificao, reencarnao, pois
estes so aspectos inadmissveis para os muulmanos). E
como profeta muulmano, desce pelo que hoje  o Iraque,
Ir e Paquisto. (Embora lamentavelmente mais de 90% 
noventa por cento  dos cristos no saibam, Jesus tambm
 um profeta muulmano, tem uma importncia fantstica
para aquela religio, como nenhum outro de qualquer
religio, salvo Maom)
Chegando na ndia e Nepal, arregimenta no s seguidores
muulmanos que o tm como um profeta, como passa a ser
idolatrado no hindusmo e no budismo, como um
iluminado. (Um caso nico no mundo. Idolatrado pelo cris-
tianismo, pelos muulmanos, pelo hindusmo e pelos bu-
distas)
Para os muulmanos no ortodoxos, do ramo Ahmadiyya,
fundado no sculo dezenove por Hazrat Mirza Ghulam
Ahmad de Qadian, Paquisto, com milhes de seguidores
espalhados pelo mundo todo, aps longa pesquisa por toda a
sia, e os caminhos percorridos por Jesus aps a
crucificao, eles tm como certo e verdadeiro que Jesus
no morreu na cruz, sobreviveu  crucificao em estado de
torpor e letargia, com o corao lento e pulso fraco, quase
imperceptveis, foi salvo pelos essnios que fizeram
atendimento mdico com ervas curativas, leos medicinais e
unguentos, ainda no sepulcro e foi viver na regio da
Caxemira (entre a ndia e o Paquisto), onde teria se casado,
teve um filho, e morreu de velho, com cerca de quase 100
anos.
A maioria dos escritos muulmanos refere-se a Jesus (Yesus)
como "Yuz" ou como Yuz (Lder) Asaf (Curador), lder das
curas (ou Yuzu Asaph). Em amplas descries muulmanas,
inclusive ligando Jesus a Maria e Tiago, no deixam a menor
dvida que Jesus adotou como nome proftico o "ttulo" que
lhe atriburam: Yuz (Lder) Asaf (Curador), lder das curas.
Nas tradies Iranianas, por exemplo, contadas por Agha
Mustafai, Yuz Asaf veio pregando do oeste (Palestina e Sria)
arrebanhando muitos seguidores, a sua pregao era a
mesma que Jesus pregava quando na Palestina. Entretanto, a
nica diferena  que Ele no falava em reencarnao. Ou
porque isso era contra os conceitos do Islam, ou porque os
documentos muulmanos no quiseram registrar casos
polmicos como reencarnao que s interessavam aos
cristos.
E, finalmente, na regio de destino de Jesus (Yuz Asaf) que
inicialmente era ndia e Nepal e que acabou tendo como
residncia final a regio da Caxemira (rea de disputa entre
ndia e Paquisto), l encontramos o seu ltimo e derradeiro
registro: A sepultura em Srinagar, capital da Caxemira (ndia)
como o profeta Yuz Asaf.
Em documentos existentes em mosteiros na ndia h a
verso de que Jesus teria vivido com o nome de Yuz Asaf,
at a velhice, em Srinagar, capital de Caxemira, onde se
casou, teve filho e viveu at prximo dos cem anos.
Ainda em Srinagar, h um monumento em homenagem ao
trono de Salomo, que foi parcialmente destrudo pelos
Sikhs em 1819, mas que restaram quatro inscries em
Persa, das quais as duas ltimas foram descritas pelo
historiador muulmano da Caxemira, Mulla Nadiri, em 1413,
como:
"Nesta poca, Yuz Asaj, proclamado como profeta, no ano
cinqenta e quatro do reinado do Maraj Gopadatta,  Ele
mesmo Jesus, profeta das crianas de Israel."

Nota do autor: A data, ano 54 do reinado do Maraj
Gopadatta,  tido como ano 107 da nossa era, pelo historia-
dor alemo Holger Kersten, enquanto que o professor Fida
Hassnain, diretor arquelogo da Caxemira e especializado
em antigidades aponta o ano 78 d.C. como sendo o ano 54
do reinado de Gopadatta.

H na cidade de Srinagar uma sepultura com a placa na qual
se l Rozabal ou Roza bal (Tmulo Sagrado) "Tumulo de Yuz
Asaf". Nesses documentos, diz-se que Yuz Asaf (que em
Persa quer dizer algo como "lder das curas") foi um homem
que chegou  ndia no reino do raj Gopadatta e passava os
dias rezando a Deus e meditando. Ressalta tambm que ele
"pregou a existncia de um nico Deus at a morte".
A sepultura de Srinagar (Roza bal)  reconhecida
mundialmente como um monumento santo desde 1766 e
anualmente milhes de muulmanos, cristos, hindus e
budistas, do mundo inteiro, fazem romaria ao tmulo de
Jesus/Yuz Asaf e prestam homenagem a um exemplo nico
no mundo, capaz de reunir ao mesmo tempo as quatro
maiores religies do mundo venerando uma nica pessoa:
Jesus.
